Para os que persistem em encarar “o véu” como um mero exercício inocente da liberdade religiosa

E ainda a propósito do debate de ideias que segue na caixa de comentários do 5 dias, suscitado pelo lúcido post de António Figueira, vale a pena recordar uma entrevista de Ben Greeman a Jane Kramer na New Yorker de 16 de Novembro de 2004. Fica um excerto:

(…) women in North Africa, where most of the families of young Islamic women in France come from, have really been struggling for their rights. But in France, with all its freedoms, so many young women seem to be capitulating to Islamist pressure. It usually starts with the young men who are recruited, and the symbols of successful recruitment are the women in the family. In other words, the women are the symbol of the new identity of the man. When you see a twelve-year-old girl coming to school in a chador, where for two or three generations no one had worn one, you have to look at this as the expression of an enormous pressure from the men in the girl’s family. You’re really dealing with a born-again movement, and the girls get the short end of the stick, because the boys don’t have to change what they study, how they dress, and so forth. The girls are the proof of the new purity of the family. Many French people I know felt that this law was a Pandora’s box, that it was going to be more trouble than it was worth, and that the best thing to do was to continue to try to deal with it in the schools, with teacher-parent conferences and so forth. But it’s hard to do that as the Muslim communities become more extreme. Ten years ago, a Muslim girl who told her family “I’m going out to the movies with friends” might have caused a family fight. These days, she might be shipped off to Algeria to be married.

7 thoughts on “Para os que persistem em encarar “o véu” como um mero exercício inocente da liberdade religiosa”

  1. Se alguma rapariga está a ser maltratada na sua família, sendo a face visível a imposição do chador, então a assistência social deve entrar em acção, se necessário retirando a custódia à família. Acha o gibel que a família passa a tratar melhor a rapariga porque a esta foi proibido andar com o véu?! A mim parece-me que o contrário é que mais facilmente acontecerá: a rapariga ainda será mais “abusada” nos seus direitos de criança em retaliação pela frustração induzida pela proibição do uso do chador. No limite, a família pode retirar a rapariga da escola de todo, ou colocá-la numa escola confessional. Acha o gibel que os interesses da rapariga ficariam melhor defendidos?… A mim parece-me que o interesse do gibel está em contrariar os danados dos fundamentalistas islâmicos, tipo – toma lá esta! querias, não querias? mas não deixei!… aqui mando eu, e não no bem-estar e liberdade de mulheres ou crianças.

  2. Julgo que um dos principais(senão o principal) atractivos de um blogue como o Aspirina são posts escritos em bom português.É pena que um dos escribas se limite a despejar textos em inglês.Preguiça?Falta de Tempo?Por acaso até sou um anglófilo, mas…

  3. Concordo com o Viana, e convém não misturar a questão opressão das mulheres pelo islão mais conservador com a laicidade do estado. São duas questões completamente diferentes e usar uma para justificar a outra é misturar alhos com bugalhos. É bom lembrar que a justificação oficial para a “Lei do Véu” em França foi a laicidade do estado (mas é apenas uma desculpa, na realidade foi uma inicitiva da direita a mando de Sarkozy para agradar ao eleitorado da extrema-direita, para tentar ganhar votos a Le Pen e outros). E mesmo se fosse objectivo melhorar a condição da mulher muçulmana , e como diz o Ivan Nunes também no 5dias, é contraproducente, só piora.

  4. Achar que a causa da liberdade se defende deixando as famílias muçulmanas que vivem em França porem véus às suas crianças é estúpido, é machista, e é racista.

  5. Mariage refusé à Limoges pour cause de voile – AFP
    Un jeune homme a refusé samedi, alors qu’il venait se marier, que sa future épouse retire son voile lui masquant totalement le visage devant l’adjoint au maire de Limoges (Haute-Vienne) qui a refusé de célébrer leur union, a-t-on appris dimanche de source judiciaire.
    L’officier d’état-civil a tenté de rappeler, en vain, que la loi lui imposait de vérifier l’identité des futurs conjoints, tous deux de nationalité française. Faute de pouvoir le faire, il a refusé de sceller leur union, a-t-on précisé.
    Le jeune homme et ses deux témoins ont alors pris à partie verbalement l’élu et l’agent du service de l’état-civil, avant de quitter la salle des mariages.
    Le procureur de la république de Limoges a diligenté une enquête

  6. Caras Isabel e Rita, agradeço imenso as vossas críticas construtivas ao meu comentário. Nunca me teria lembrado dos vossos argumentos! Se tivessem conseguido escrever mais do que uma frase, até admitiria que poderia estar perante seres dotados de um mínimo de inteligência e capacidade de expressão, mas infelizmente essa evidência não existe.

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