Arquivo da Categoria: Valupi

A civilização não teme os tratantes

O PS, o Governo e Ana Catarina Mendes fizeram muito bem em ter estado institucionalmente presentes no encerramento da V Convenção do Chega. Por duas principais razões: (i) O Chega é um partido com representação parlamentar, correspondendo ao terceiro maior grupo de deputados — ou seja, para além de ser democraticamente legítimo é socialmente relevante; (ii) a democracia pode ser conquistada pelas armas mas a sua defesa reside na palavra, só na palavra.

À saída do antro fascistóide, a ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares disse: “Aquilo a que aqui assistimos é o que nunca defenderemos: o discurso de ódio, de desrespeito pelos portugueses e de ataque de portugueses contra portugueses. Aquilo que aqui ouvimos foi um incitamento ao ódio.” Depois pediu cooperação na União Europeia, construída para defender a paz, e pediu respeito para os imigrantes. “Todos os que aqui chegam têm direitos e merecem ser tratados com dignidade”, considerou a ministra.

Consequência? Quem quiser, quem se interessar, quem se importar, poderá verificar se há mentira, distorção ou exagero nas suas declarações. Poderá rever o discurso final de André Ventura e tirar as suas conclusões. No caso de não se importar, não se interessar nem querer saber do que disse uma e outro, também está bem. Não poderá é dizer que não foi avisado.

As palavras têm consequências. Foi assim, cuidando das palavras, que se inventou a civilização.

Parece o circo, e é

«Marcelo Rebelo de Sousa acha difícil António Costa recuperar do clique negativo que considera ter acontecido com o caso TAP e, embora continue a dar tempo ao Governo, espera que Luís Montenegro acelere o passo. O que faz falta, disse esta semana, é “que o Governo governe e governe melhor” e que a oposição seja “cada vez mais contundente”. O que significa que, depois de ter aconselhado Luís Montenegro a não ter pressa, Marcelo pede agora ao líder da oposição que carregue no acelerador. Não vá o relógio trocar o ciclo.

Pela sua parte, o Presidente da República não vai deixar que a crise no Governo altere o calendário que há muitos meses definiu na sua cabeça e que coloca nas eleições europeias de 2024 o momento para avaliar se a legislatura tem condições para chegar ao fim.»


por Altifalante de Belém

Revolution through evolution

Lifelong marriage lowers risk of dementia
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More steps, moderate physical activity cuts dementia, cognitive impairment risk
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More thankful, less stressed?
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Dietary nitrate – found in beetroot juice – significantly increases muscle force during exercise
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Traffic pollution impairs brain function
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Modern arms technologies help autocratic rulers stay in power
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Good things happen when leaders reflect on their mistakes
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Dominguice

Se nos fosse dado o poder de voltar a nascer, mudando certos parâmetros, que escolheríamos alterar? O local, preferindo outra localidade ou país? O ano, século ou milénio de nascimento, indo para um qualquer outro passado ou futuro? Os pais e familiares, trocando os nossos por outros que nos agradassem mais por isto ou aquilo? O género e/ou o fenótipo? A espécie, optando por nascer animal ou planta?

Fosse qual fosse a nossa escolha, voltar a nascer seria sempre nascer pela primeira vez.

Corrupção em sessões contínuas

A TSF e o DN entrevistaram Fernanda de Almeida Pinheiro, a nova bastonária da Ordem dos Advogados, e puseram o mesmo título à notícia publicada em cada meio:

Portugal “tem um problema de corrupção grave”

Quer isso dizer, de acordo com a mais básica noção do que seja um título, que a nova bastonária deu uma entrevista onde se alongou no tema da corrupção, ou dele ofereceu uma análise especialmente relevante, ou que terá elencado casos incontornáveis da julgada e transitada em julgado corrupção portuguesa, factos esses a merecerem destaque em parangona, né? Népias. O vocábulo “corrupção” é usado uma única vez por apenas um dos três participantes. Nessa única vez, cai de pára-quedas numa resposta relativa à notícia de existirem advogados que foram constituídos arguidos, sendo que a pergunta era dirigida à imagem dos advogados na opinião pública, não ao tema da corrupção, muito menos à sua problemática nacional. Donde, a referência à corrupção em Portugal nessa parte da entrevista não tem qualquer valor sequer informativo para o leitor ou ouvinte do trecho. Foi uma contextualização improvisada cujo propósito na economia do seu argumento era tão-somente o de defender a classe dos advogados.

Assim, por que caralho Rosália Amorim e Pedro Cruz resolveram enganar as suas audiências? Foi porque a bastonária só disse inanidades para além dessa oração de oito palavras? Ou terá sido porque à Rosália Amorim e/ou ao Pedro Cruz interessa manter o tema da corrupção no espaço público, desta forma bisonhamente sensacionalista, para que gere alarmismo, desânimo, revolta e extremismo político? Que lógica jornalística pode ter criar um título que se esgota em si mesmo, que se transforma em slogan? Porque será que até os caluniadores profissionais, os quais enchem o bolso à pala dos “corrrruuuuptos”, nunca apresentam dados registados, números estimados, tipologias agregadas, comparações internacionais?

Uma coisa é certa, o fenómeno da corrupção na imprensa — onde se viola o código deontológico da Carteira, se fazem assassinatos de carácter, se lançam campanhas negras e se cometem crimes — é um espectáculo de sessões contínuas.

Só se enganou na última frase

«Há alguma mão invisível que o PCP veja que esteja a funcionar em termos de Justiça?
Não sei se é mão invisível, mas uma gestão política destes casos acho que há. É uma evidência. Basta ver que, nas várias sequências de “casos e casinhos” que têm surgido, diferentes uns dos outros, nalguns casos são notícias requentadas com mais de dois anos que voltam a surgir com uma nova dimensão que não têm ou que podem não ter. Há aqui um problema mais de fundo.

Estamos perante uma situação que mina o próprio sistema democrático, mina a democracia e quer arrastar todos para o lamaçal. Essa é que é a questão de fundo com que estamos confrontados. É preciso, primeiro, que a Justiça cumpra o papel que tem — e está a fazê-lo —, que tenha meios para isso, mas simultaneamente, também não procurar desviar a atenção para o centro destes casos que todos os dias vão surgindo, desviando daquilo que é fundamental, que é a situação das pessoas e a situação do país.»

Fonte

Vamos lá a saber

Como é que a marca “Pedro Nuno Santos” ficou após assumir que no começo do caso — e até à ida de Christine Ourimières-Widener ao Parlamento, onde garantiu ter provas por escrito da concordância do Governo — “não se lembrava” de ter aprovado, por WhatsApp, a indemnização de Alexandra Reis na TAP?

Chegou a este ponto

Chegou ao ponto de Ana Drago, que não gasta uma caloria de simpatia com o PS, sentir que tem de denunciar a politização do Ministério Público, o qual está a interferir conspirativamente contra o regime, contra a democracia, contra a liberdade dos cidadãos: Há perguntas a que o Ministério Público deveria responder

Claro, Ana Drago poderia ter publicitado a mesmíssima denúncia a respeito de tudo o que foi feito contra Sócrates, logo a partir de 2008, em cima da chegada de Ferreira Leite ao PSD e ao lançamento da bandeira da “verdade” por Cavaco e pelo laranjal. Foi esse o contexto político do Face Oculta, uma operação desenhada para perverter as eleições de 2009 através da colocação do então primeiro-ministro como arguido de um crime inventado em Aveiro por um Vidal. Especialmente, é impossível a quem agora regista o óbvio ululante das coincidências dos calendários de certos agentes da Justiça com os actos eleitorais, e a quem denuncia o deboche dos crimes cometidos por magistrados e jornalistas na violação do segredo de justiça, não ter percebido a completa utilização do poder policial e judicial para montar o que é, essencialmente, um linchamento político e uma tentativa de criminalização de um partido.

Coitadinha da Joana Marques Vidal

Sinto as dores de Joana Marques Vidal. Foi escolhida por um certo primeiro-ministro e um certo Presidente da República para apanhar um certo homem e cumpriu exemplarmente. Ao sair, em 2018, o homem já tinha sido posto no chilindró durante dez meses e estava política e socialmente destruído. É agora um pária em terras nacionais, à espera que a Justiça enterre o mais fundo que conseguir o trabalhinho feito por Carlos Alexandre a mielas com o mandato da santa Joana.

Mas não só, a missão era extensível a todo o PS. Quando Paula Teixeira da Cruz, então ministra da Justiça (!!), resolveu associar as buscas feitas pela Polícia Judiciária nas casas de Mário Lino, António Mendonça e Paulo Campos — buscas que tiveram cobertura mediática em direto — com a bandeira passista do “fim da impunidade” estava, acto contínuo, a julgar e a condenar sumariamente esses ex-governantes socialistas. Passados 10 anos do início da operação “Buraco no Asfalto”, a única coisa que o Ministério Público conseguiu provar foi que todos os investigados não tiveram qualquer recebimento financeiro ou de vantagem pelas decisões tomadas para a construção das auto-estradas do Norte e Grande Lisboa. O processo ainda não foi fechado nem deu origem a uma acusação porque é útil politicamente, aparecendo notícias dele em períodos eleitorais ou se algum alvo tiver protagonismo que possa ser explorado contra o PS ou um Governo socialista. A Senhora da Cruz fez o que não há memória de mais nenhum governante ter feito em democracia, para mais sendo a responsável da pasta onde ainda menos o poderia fazer em nome do juramento que proferiu na sua tomada de posse, e não sentiu sequer uma leve brisa de escândalo. À sua volta, os impérios de comunicação da direita rejubilavam com a pulhice, espalhavam e amplificavam as calúnias em subtexto, enquanto o PS de Seguro concordava calado e a esquerda pura e verdadeira concordava sorrindo.

Este o ecossistema decadente onde Joana Marques Vidal se tornou uma estrela brilhante das capas do esgoto a céu aberto e restantes imitadores. A Vidal, o Calex, o xerife da bigodaça, qualquer um que mostrasse serviço na caçada aos “socráticos”, foram festejados como heróis de uma luta contra um partido tratado como agremiação criminosa à boca cheia. No final do seu mandato, viu um ex-Presidente da República e um ex-primeiro-ministro a dizerem que só a santa Joana é que conseguia lutar contra o polvo socialista, só ela é que era íntegra e corajosa o suficiente para lidar com tão perigosos agentes do mal. Pelo que devia ficar pelo menos mais seis anos a engaiolar essa bandidagem com covil no Rato, de preferência tornando-se a procuradora-geral da República vitalícia. A campanha não teve sucesso mas foi todo um programa.

Chegados a 2023, o Ventura nascido no e do passismo radical é o herdeiro mais eficaz da aposta no “fim da impunidade”, enquanto Lucília Gago comanda uma máquina de entalar governantes socialistas que ameaça derrubar de um dia para o outro o Governo de maioria absoluta daquela gente tão odiada pela “gente séria” e pelos “portugueses de bem”. Isto enche Joana Marques Vidal de dolorosa inveja. Afinal, ela precisou de uma maioria parlamentar, de um Governo e de um Presidente da República para erguer a sua obra, soltar os cães.

Revolution through evolution

Negative marital communications leave literal, figurative wounds
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Separation leads to significant but temporary gender differences in parent-child time
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HRT could ward off Alzheimer’s among at-risk women
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Deep meditation may alter gut microbes for better health
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Strict-sounding teachers worse in the classroom than kind colleagues
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Frequent visits to green space linked to lower use of certain prescription meds
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Can’t sleep? Try watching a suspenseful thriller
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Dominguice

As coisas mudam. Vemos as coisas a mudar desde que começamos a ver. Mudam à nossa volta, mudam dentro de nós, mudamos. E não temos qualquer garantia de que as coisas estejam a mudar para melhor, nem de que as coisas estejam mesmo a mudar para pior. Claro, o melhor e o pior podem surgir evidentes, fulgurantes. Como quando ou quando. Mas, porque as coisas mudam, o melhor pode levar ao pior, o pior ao melhor. O mais certo é levar a algo que não é o melhor nem o pior. Algo que é apenas o resultado mutável de as coisas mudarem. A mudança em mudança.

Neste sentido, as coisas não mudam.

Exactissimamente

«Um leitor defende que, sendo o PR eleito diretamente, ele deve poder interferir na composição pessoal do Governo. Mas não tem razão. O direito constitucional comparado mostra que a eleição presidencial direta é compatível com sistemas de governo presidencialistas (onde o PR governa), com sistemas híbridos (em que o Presidente compartilha da função governamental com o primeiro-ministro, responsável perante o parlamento) e com sistemas de índole essencialmente parlamentar, como o nosso (em que o PR não governa nem participa no governo, que é reserva do primeiro-ministro). Entre nós, o PR não é eleito para a função governamental, pois não é proposto por partidos nem na base de um programa de governo; aliás, quando um novo PR é eleito, ele "herda" o governo em funções, cujo mandato se mantém, que ele não pode demitir e em cuja composição não pôde obviamente interferir. A legitimidade política do Governo não deriva do Presidente, mas sim das eleições parlamentares, justamente disputadas entre partidos e na base de programas de governo.»


Vital Moreira

Mas qual é a razão para tão enviesado texto?

Ricardo Costa é um dos maiores especialistas mundiais em tudo o que diga respeito ao socratismo, provavelmente o maior tendo em conta a sua aquilina inteligência. Daí ter sentido a obrigação jornalística, e ética, de vir explicar o inexplicável, trazer a luz para dissipar as mais densas trevas que afligem o cidadão e o povo outra vez vítimas desse demónio ainda à solta: Sócrates foi à posse de Lula. Mas qual é a razão para tão estranho convite?

Quem perder os dois minutos necessários para ler a prosa vai chegar ao fim com a certeza de ter sido enganado. O título prometia dar resposta ao pungente enigma da presença do mais importante acusado pela Justiça portuguesa na posse de Lula e népias. Em vez disso, é servida uma das cassetes favoritas do mano Costa, a pugna para garantir que as audiências balsemadas jamais duvidarão da integridade, exemplaridade e perfeita justiça com que se montou, desenvolveu e concluiu a Operação Marquês. Eis o bastião donde dispara feliz da vida contra Sócrates:

«As semelhanças entre o processo Lava Jato e a Operação Marquês são inexistentes, exceto no facto de terem como arguidos um ex-Presidente e um ex-primeiro-ministro. No resto, são casos muito diferentes. Mesmo as enormes discussões jurídicas que originaram são muito diferentes. A acusação a Lula sempre foi muito frágil e acabou por ser anulada em instâncias superiores; a de Sócrates tem fragilidades no tema da corrupção mas é extremamente sólida, graças aos fluxos financeiros, no que diz respeito a branqueamento e potencial fraude fiscal.»

Ora, será escusado procurar na obra deste insigne jornalista, neste texto ou em qualquer outro, umas míseras linhas sobre a substância dessas “fragilidades” que admite existirem na acusação a Sócrates. Apenas deixa como pista serem relativas ao tema da corrupção. Tal, de imediato, nos leva a concluir que o mano Costa se está realmente a marimbar para as aludidas fragilidades pois os seus neurónios e coração estão focados naquilo que é a versão do Ministério Público. E que reza assim: “Mesmo que não tenhamos conseguido provar qualquer acto de corrupção, isso não impede que o alvo seja condenado por branqueamento, um crime que implica necessariamente a corrupção mas que aqui fica implícito para que se consiga levar até ao fim o auto-de-fé.”

Imaginemos que num universo paralelo existe um outro Ricardo Costa em tudo igualzinho a este, apenas diferindo na honestidade intelectual. Esse outro com ela, este sendo o que se sabe. Nesse universo o parágrafo citado ficaria assim:

«As semelhanças entre o processo Lava Jato e a Operação Marquês são poucas ou muitas, dependendo do critério valorativo aplicado na sua comparação. Começam em terem como arguidos um ex-Presidente e um ex-primeiro-ministro, e esses arguidos serem políticos de esquerda, e esses políticos serem líderes carismáticos com vitórias eleitorais históricas, e ambos terem sido investigados e presos com a febril excitação de uma direita radicalizada, e em terem sofrido as decisões de procuradores e juízes politicamente motivados para os limitar nos seus direitos de defesa e julgamento justo, e em nunca se terem provado as suspeitas e acusações que os levaram a passar meses na cadeia, e em terem sido ambos os casos explorados pela comunicação social de modo a que se efectivasse um julgamento popular em forma de linchamento. No resto, são casos obviamente diferentes no que respeita aos factos em causa e aos enquadramentos jurídicos respectivos. Mas até as enormes discussões jurídicas que originaram oferecem similitudes na forma como se tentou a condenação sem prova. A acusação a Lula sempre foi muito frágil e acabou por ser anulada em instâncias superiores; a de Sócrates tem fragilidades no tema da corrupção mas é extremamente sólida, graças aos fluxos financeiros, no que concerne ao assassinato de carácter do ex-primeiro-ministro e ao aproveitamento político contra o PS.»

Revolution through evolution

Call to address women’s reproductive needs holistically
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Managing emotions better could prevent pathological aging
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Fewer cases of melanoma among people taking vitamin D supplements
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Six minutes of high-intensity exercise could delay the onset of Alzheimer’s disease
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Placebo reduces feelings of guilt
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Feeling depressed? Performing acts of kindness may help
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Why chocolate feels so good – it is all down to lubrication
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