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Exercise releases chemical signals that boost brain health
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Small acts of kindness are frequent and universal, study finds
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ProSocial World: How the principles of evolution can create lasting global change
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Continuar a lerRevolution through evolution
Arquivo da Categoria: Valupi
Dominguice
Quando gostamos de alguém, vemos as suas qualidades como natureza e os seus defeitos como acidentes. Quando não gostamos de alguém, os defeitos são expressão da sua natureza e as qualidades meramente acidentais, assim o vemos. Fazemos isto com todos, próximos e distantes. O mal na minha tribo é sempre uma excepção individual, o mal na outra tribo é sempre um padrão universal. Substantivamos e adjectivamos num frenesim de relativismo moral.
Daí a sapiência passar por esta descoberta ou aceitação: não existem defeitos nem qualidades na humanidade, só características. As quais umas vezes se manifestam como defeitos, outras como qualidades. As mesmas.
Poder do povo
Para além deste episódio picaresco, ou então trágico, que envolve João Galamba e Frederico Pinheiro ser um festim para a oposição, para o editorialismo e para o comentariado — e tendo em conta que neste momento é impossível o espectador saber quem vai sair pior do conflito — colhe ver nele uma benesse política inerente. É que, seja qual for o desfecho, a democracia será cumprida em plenitude.
Nas ditaduras não há imprensa livre nem mecanismos institucionais para denunciar e anular abusos políticos. Nas democracias, como a nossa, há múltiplas formas institucionalizadas para lidar com situações que ponham em risco os valores constitucionais. Acresce que a imprensa em democracia tudo expõe e tudo pode investigar, inclusive com recurso a ilícitos e crimes.
Assim, se o ministro mente será muito rapidamente apanhado e substituído. Se o adjunto mente, a luta continua. E a pulharia continuará a pedir a cabeça do Galamba. Porquê? Porque são a pulharia, não têm alternativa.
Assim se vê o poder da democracia, forte com os fortes e fraca com os fracos.
Saber de experiência feito
«“Marcelices” são gestos gratuitos ou insensatos, em que o sentido de Estado nem sempre abunda, e que só mesmo Marcelo se lembraria de fazer.»
O caluniador profissional pago pelo Público passa por uma fase análoga à que antecedeu ter sido levado por Marcelo para o palco de Portalegre. Então, a sua obsessão com Sócrates estava a causar saturação na própria direita, tendo como consequência vermos o Tavares a atacar os raros dessa área que ousavam manifestar desagrado, ou enfado, com o seu ganha-pão. O telefonema de Marcelo em Janeiro de 2019 salvou-o do crescente ridículo e deu-lhe a maior trip narcísica da sua vida. Quatro anos depois, a obsessão socrática continua, a perseguição ao PS não pára, mas existe um terceiro alvo do seu cuidado chamado Ventura. Ele trabalha como influencer para ajudar à normalização do Chega e das suas tácticas racistas, xenófobas, salazarentas. Como Marcelo não parece fazer-lhe a vontade de alinhar nessa miséria moral, tem mordido na canela de quem lhe deu algo que, realmente, só mesmo o actual Presidente da República se lembraria de proporcionar, tal o grau incomensurável de gratuitidade e insensatez. Algo que não só achincalhou como ofendeu o “sentido de Estado” (seja lá o que isto for).
Porém, contudo, todavia, though this be madness, yet there is method in ‘t. A escolha deste Tavares para o 10 de Junho fez parte do conjunto de manobras que a direita levou a cabo para pressionar Ivo Rosa. Foi a forma de Marcelo anunciar que para apanhar Sócrates as calúnias não só eram legítimas como até mereciam um dos mais prestigiantes prémios da República. É que, foda-se senhores ouvintes, nesta tóxica e sórdida figura não existe nada mais para além de ser uma vedeta da indústria da calúnia que possa ser invocado como justificação para o colocar ao lado de algumas das mais importantes personalidades da cultura portuguesa.
Ou será que o convite nasceu como homenagem aos seus estupendos (deslumbrantes!) textos como crítico de cinema no DN? Nas Marcelices tudo é possível, de facto.
Dois discursos, dois Presidentes
O discurso de Marcelo no 25 de Abril foi de uma banalidade saudável e enternecedora. Consistiu na repetição do que o autor considera ser o que de mais importante há a dizer sobre a data, isso de ela não se deixar reduzir a um qualquer sectarismo por pertencer a todos, da esquerda à direita. Inclusive, e por maioria de razão, a ele. E quem é Marcelo? É um filho-família do regime derrubado na ocasião. A parte principal da sua gente usufruía do poder e benesses da ditadura. A Revolução vai apanhá-lo no fulgor dos 25 anos, brilhantíssimo licenciado em Direito com uma fulgurante carreira académica pela frente — e com um excesso de energia vital que foi canalizado para a política e, especialmente, para o jornalismo entendido como política-espectáculo. Tem mundo, sempre percorreu os corredores alcatifados da elite, e adora ser adorado pelo povo. Daí não ser mesquinho, apenas não resiste a ser malandro. Foi disso que falou, em registo biográfico.
O discurso de Santos Silva no 25 de Abril foi uma lição, na forma e no conteúdo. Gastando metade do tempo de Marcelo, causou profundo impacto nos inteligentes ao conduzir a sua atenção para a inteligência das instituições políticas. Nesse sentido, foi uma aula de epistemologia, iluminando as condições em que se produz conhecimento legislativo e governativo. Não é de modo celerado, à bruta, à doida. Isso fica para o sensacionalismo, para o populismo, para a pulhice. É com o tempo necessário à complexidade, e dificuldade, de gerar o melhor conhecimento possível em democracia. Democracia essa que, como Cronos, vai engolindo a sua prole de representantes. As coisas mudam necessariamente, anunciou balsâmico, mas se mudarem cedo demais deixa de haver mudança, passa só a haver caos.
Um é o actual Presidente da República. O outro é o Presidente da República que nos faria parecermos melhor do que somos.
Cavaco bem pode agradecer a Sócrates
"Arrependo-me da segunda candidatura à Presidência da República, não da primeira.”
Sim, na primeira foi prejudicado pela tonteira do Soares, a qual arrastou o PS de Sócrates para ser cúmplice de uma vitória fácil da direita. Na segunda, impediu que um candidato capaz de mostrar quem era Cavaco fosse o representante da esquerda e da decência, mais uma vez arrastando o PS de Sócrates para uma candidatura presidencial condenada à derrota.
Portanto, pá, excelentes razões para estares arrependido, apesar das boas razões para estares piurso.
Ventura é um cravo na democracia
André Ventura é o chefe de um partido que tem o terceiro maior grupo parlamentar, correspondendo a perto de 400 mil votos. Prevê-se que nas próximas legislativas, ocorram quando ocorrerem, suba a votação. Ninguém arrisca prever qual seja o tecto que venha a atingir. A nossa democracia legitima e protege André Ventura.
André Ventura entrou na política por decisão de Passos Coelho. E deve a Passos Coelho ter ficado na política. Ao constatar que podia explorar um discurso xenófobo e racista com a chancela do PSD sem perder o apoio de um ex-primeiro-ministro tão simbolicamente poderoso, o líder do Chega descobriu que havia mercado mediático e eleitoral em Portugal para o populismo mais perigoso e inumano. A nossa democracia legitima e protege André Ventura.
André Ventura convocou uma manifestação para protestar contra a presença do Presidente do Brasil na Assembleia da República no dia 25 de Abril. À hora em que escrevo, ignoro o que se irá passar. Ontem, numa entrevista a Paulo Magalhães, disse que Lula da Silva era corrupto porque ouviu escutas dele na Internet, o que a Justiça brasileira e demais autoridades do Brasil deliberem sobre o assunto é irrelevante para si. Acrescentou que o convite ao Presidente do Brasil para ir ao Parlamento é um ataque ao Chega, visando humilhar os seus deputados e simpatizantes. Avisou que poderão aparecer infiltrados na sua manifestação para causar actos de violência, o mesmo tipo de infiltrados que ao serviço de Lula invadiram e vandalizaram as sedes do Estado em Brasília disfarçados de apoiantes de Bolsonaro, anteviu. A nossa democracia legitima e protege André Ventura.
A nossa democracia legitima e protege André Ventura. Isso está garantido. E é precioso. Linda flor da liberdade. Por isso, exactamente por isso, precisamente para isso, bute lá defender a democracia da violência social e dos ataques fascistóides que o pulha do Ventura semeia na comunidade.
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Keys to women’s resilience after 80: more education, less stress
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Study suggests strong sense of purpose in life promotes cognitive resilience among middle-aged adults
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A study analyses racial discrimination in job recruitment in Europe
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Dominguice
Troquemos os bebés. Nasceram num continente, vão crescer noutro. Os pais biológicos não serão os pais psicológicos. As culturas de parto radicalmente diferentes das culturas de desenvolvimento. Que diferença faz aos bebés? Para os observadores, as que eles conseguirem e quiserem registar. Para os bebés, nenhuma de nenhuma. O bebé ignora a mudança, o adulto em que se transformar não carece dessa informação para se adaptar ao meio e à comunidade em que está inserido. O destino falsificado é, realmente, o destino verdadeiro.
Tudo poderia ter sido tão diferente. Mas seria sempre tudo igual.
Marcelo, sibila da decadência
Deve-se ouvir estas palavras do actual Presidente da República com toda a atenção: Dissolução da AR? Marcelo pede a partidos para garantirem estabilidade e evitarem “más notícias”
Nelas, ele discorre sobre dois assuntos, e apenas dois. Quanto ao primeiro, é impossível descobrir do que se trata. A expressão “factores de instabilidade” carece de senha ou intérprete oficial para se dar ao entendimento. Ignorando do que se está a falar, ignoramos as referências conexas e complementares presentes nas suas declarações — destacadas, e enfatizadas, pela comunicação social com o obsceno intento de espalhar alarmismo. O segundo, consiste na repetição de que ele, se lhe apetecer, obriga o País a eleições legislativas antecipadas.
Para darmos conta do contexto das suas palavras é necessário o exercício de memória relativo ao número de vezes que, nos últimos 6 meses, Marcelo verbalizou (e mandou verbalizar) exactamente o mesmo, isso de os Presidentes da República terem o poder de dissolver a Assembleia da República. Ajudaria muito nesse exercício dispormos de um mapa com o calendário dessas ocasiões. O primeiro resultado de tal análise seria o de se constatar que estamos perante um fenómeno inaudito. Nem Cavaco, no auge do seu combate e boicote aos Governos de Sócrates, teve este comportamento, optando antes por assassinatos de carácter e golpadas (bem pior, vai sem discussão). Logo a seguir, interessava recuperar o que antecede este ciclo, o período do início do Governo maioritário onde Marcelo se afundou num desnorte posicional súbito e imparável. Para além da perseguição patareca a ministros, foram os casos do Qatar e dos abusos sexuais na Igreja Católica portuguesa, em que Marcelo não esteve à altura das suas responsabilidades institucionais, a suscitar polémicas públicas de profundo mal-estar sociológico, deixando a direita em pânico. No Expresso apareceu a temática do “cansaço” de Marcelo, como justificação para a perplexidade da sua inépcia, e chegou-se a falar no comentariado direitola em “renúncia” ao mandato presidencial. Nisto, caiu do céu o caso TAP.
A TAP transportou Marcelo e Montenegro para uma ilha paradisíaca onde se podem fantasiar como os decisores do destino político de Portugal. Levados ao colo pela imprensa unanimemente ao serviço do ataque ao Governo e ao PS, um repete sem parar que está quase a rebentar com a maioria e o outro incha o peito a dizer que vai ser tudo dele. Se fosse apenas farronca e folclore, não apareceriam sinais de alarme relevantes (vindos de Santana Lopes, Rui Moreira, António Barreto, outros) onde se apela a Marcelo, e a quem o influencia, para acabar com a degradação institucional da Presidência, a qual é activamente um factor de instabilidade política.
Uma instabilidade política já tão inconsciente e inimputável que acaba a representar a denúncia do que é e faz. A serpente a engolir-se a si mesma.
O jornalismo é excepcional
«São considerados jornalistas aqueles que, como ocupação principal, permanente e remunerada, exercem com capacidade editorial funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.»
Nesta definição legal do que é ser jornalista, a parte mais importante é a locução adverbial “com fins informativos”. Se o fim é informativo, então a montante a capacidade editorial nas funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões terá de ser coerente com essa finalidade para se constituir como jornalismo. Parece simples de perceber.
E em que consiste informar? O melhor tratamento da questão será aquele que os próprios jornalistas elaboram livremente e de comum acordo: Novo Código Deontológico. O que nos deixa com uma perplexidade nas mãos. A fundada, sistemática, diária, horária confirmação de que os rotulados jornalistas, inclusive na imprensa considerada “de referência”, cagam d’alto na deontologia da sua profissão.
Ora, se os jornalistas não respeitam o que os próprios definem como acto informativo, decorre que os jornalistas não são jornalistas. São outra coisa qualquer, perversa e tóxica.
Há excepções? Há. Há excepções. Excepções.
Malhar no Daniel Oliveira
Neste Augusto Santos Silva: o Partido Socialista é o regime? temos Daniel Oliveira a falhar nova oportunidade de criar uma de duas coisas: ou jornalismo ou opinião. Apesar da hora e quarenta minutos no ficheiro, num formato que não tem limite algum de tempo para além do que os próprios estabeleçam, o resultado é mais um exercício masturbatório do entrevistador. Não revela qualquer intento de oferecer ao público algo surpreendente (no sentido de acrescento relevante) nascido da inteligência e experiência de vida de Santos Silva. Em vez disso, quem perguntava despejou para cima de quem respondia as suas próprias opiniões de comentador profissional, dando-se por satisfeito quando assinalava a sua discordância e passava para a pergunta seguinte. A minha exasperação com esta superficialidade foi atingida na questão sobre a inflação e qual a política salarial que melhor faria diminuir os seus efeitos. Para o Daniel, o tipo de inflação em causa pede aumentos de salários; para o Augusto, esses aumentos levariam ao prolongamento da espiral inflacionista. Quando o entrevistador usou um argumento de autoridade para defender a sua opinião, o entrevistado usou outro. A situação, portanto, era perfeita para se aprofundar essa oposição, indo-se ao limite do conhecimento de cada um a respeito da matéria e servindo-se à audiência uma argumentação dialéctica e pedagógica. Pois népias, saltou-se para outra coisa. Pedindo emprestada a expressão ao Pacheco, “mau trabalho”.
Não ter feito uma única pergunta a respeito de Sócrates, quando se anda há anos a declarar publicamente a sua convicção de culpabilidade, coloca Daniel Oliveira como activo colaborador da indústria da calúnia. É previsível que a sua justificação para tal seja a de que o tema Sócrates está enterrado, é um processo de condenação concluído sem carência de se esperar pelo que a Justiça venha a deliberar. Mas, até por essa lógica, por que bizarra razão não se confronta Santos Silva acerca disso mesmo? Será que o Sr. Oliveira ignorava ter sido o seu convidado um dos mais próximos e importantes aliados do que carimba como um primeiro-ministro corrupto? Será que não teve coragem para afrontar, maldispor, o ex-ministro socrático com a vexata quaestio de ter sido unha com carne do que então será um dos maiores e mais infames criminosos da História portuguesa? Ou será que a verdadeira razão do seu silêncio remete antes para o cálculo de que as palavras do actual Presidente da Assembleia da República o expusessem a si como pulha?
Augusto Santos Silva daria um magnífico Presidente da República. Seria o primeiro a levar para o Palácio de Belém a cultura e a prática científica. Cada discurso seu ajudaria o País a pensar e a conhecer-se, a crescer. E ainda espalharia um humor sofisticado e erudito. Que pena se não acontecer.
Jornalismo jornalismo
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Revolution through evolution
Some people may be attracted to others over minimal similarities
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Gossip influences who gets ahead in different cultures
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We all need a three-day weekend
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Ignoring your work email at home might be the path to being a better manager
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Diverse teams survive longer when facing environmental changes
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Teachers who struggle to cope with stress report far lower job satisfaction, study finds
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Conspiracy theories fuel populism
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Dominguice
Ninguém sabe como se vai comportar no futuro. Correcção: ninguém sabe como se vai comportar no presente. Pois o presente apenas existe como transição do futuro para o passado. Ao não sabermos de nós nesses amanhãs, ao não estarmos sujeitos a esses contextos inevitavelmente únicos, ignoramos se haverá cantorias ou choradeira ao chegarem. Portanto, não podemos nunca garantir, logo para nós próprios, que calhando termos poder para isso jamais cometeríamos imoralidades, ilicitudes, crimes. A ocasião fazer o ladrão é sapiência da mais elevada previsibilidade.
Que fazer? Só isto: desconfiar em primeiro lugar daqueles que clamam terem os outros de nascer duas vezes para serem tão honestos como eles. Estes e quejandos são os piores, certeza certezinha.
ChatGPT dixit
Marcelo causa do irregular funcionamento das instituições
«Rui Moreira considera que é "imprudente" o Presidente da República estar constantemente a falar da dissolução do parlamento. Em entrevista à RTP, o presidente da câmara do Porto defende que esse cenário prejudica o PS e o PSD, sublinhando também que não há motivo para o Governo cair neste momento.
"Se havia um momento em que o Governo poderia ter sido demitido e não foi, não parece, neste momento, que haja razões para uma dissolução do Parlamento, que é uma coisa bem diferente", afirma Rui Moreira, criticando a atuação de Marcelo Rebelo de Sousa.
"Quando o senhor Presidente da República ensaia permanentemente discursos sobre a capacidade ou o poder que tem de dissolver, mas diz que é quando houver uma alternativa, objetivamente isso para quem é que interessa? Interessa para as franjas", atira o autarca do Porto.
Rui Moreira diz que as referências "permanentes" de Marcelo sobre a dissolução "prejudicam o Governo". "Qualquer dia dissolve e já ninguém acredita que ele vai dissolver, acham que é uma brincadeira."
"Acho que é imprudente estar permanentemente a falar nisso, por muito que lhe seja perguntado. Acho que é prejudicial para o PSD, porque dá a ideia de que o PSD não quer ser poder. O PSD e o PS são os dois partidos do poder em Portugal e vão continuar a ser nos tempos mais próximos. Esta situação, não sendo benéfica para estes dois partidos, é benéfica para quem? Para os partidos que estão nas franjas", acrescenta.»
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Nota
Temos estadista. Com esta posição, Rui Moreira fica como um excelente candidato presidencial para a direita.
Está frescote? Foram os americanos
Nos dois meses que antecederam a segunda invasão da Ucrânia pela Rússia, os EUA avisaram que esse acontecimento estava próximo, estava para breve, estava iminente. Enquanto o Pentágono constatava não só que as tropas russas se aglomeravam perto da fronteira como toda a logística militar para a invasão desenvolvia-se em marcha acelerada, os russos negavam tal intenção, juravam que eram invenções “ocidentais” e que Moscovo pretendia negociar uma solução. Tantos foram os avisos da Casa Branca, inclusive chegando ao ponto de estabelecer datas precisas para tal, que a insistência gerou reacções de gozação no comentariado da esquerda antiamericana ao se constatar que as previsões falhavam sucessivamente. Para além do prazer em ridicularizar os americanos, os escribas (exemplos nacionais: Miguel Sousa Tavares, Francisco Louçã, Daniel Oliveira, etc.) também davam conta do aparente absurdo estratégico de tal eventual invasão. A tese que os enchia de confiança era a de que Putin não seria tão estúpido como Biden o pintava. Aquilo dos tanques e soldados russos à beirinha da Ucrânia, portanto, era só mais uma jogada provocatória de um mestre em geopolítica e, no fundo, ainda e sempre um agente racional.
A partir de 24 de Fevereiro de 2022, deixou de ser possível continuar a gozar com Washington e um vero dilema preencheu o bestunto dos antiamericanos: ou condenavam a invasão, ou justificavam a invasão. Ou seja, ou tomavam partido pela Ucrânia ou tornavam-se partidários de Putin, não existindo terceira via. Esta situação causou profundo sofrimento moral e graves obstáculos cognitivos, pois interferia com a identidade ideológica e pública de cada uma destas (muitas mais, não só as três citadas) personagens. Com impacto histórico, o PCP de imediato optou por Putin. Com ele, através do pior momento na carreira política de Jerónimo de Sousa (que borrou a pintura do que era até então um belíssimo quadro), os seus militantes e simpatizantes. Mas não só, personalidades insuspeitas de fanatismo, como o já referido Miguel Sousa Tavares ou Vital Moreira, entre muitas outras consideradas moderadas e intelectualmente sofisticadas no socialismo democrático e na social-democracia, tentaram colocar-se numa fantasiada posição equidistante que não passa de um putinismo suave. Isto porque qualquer argumento que remeta para putativas responsabilidades de países e organizações terceiras na decisão de invadir uma nação que não atacou a Rússia serão sempre hipócritas, sonsas e intelectualmente desonestas formas de justificar a decisão de Putin. A propaganda russa e as suas opiniões só divergem na retórica, não na lógica.
Obviamente, pode-se discutir com proveito qual o sentido e benefícios de ir admitindo na NATO países que outrora foram territórios da URSS ou que agora tenham fronteira com a Federação Russa. É uma problemática onde todas as posições são bem-vindas, e que até merecia mais debate público por estar em causa a segurança europeia. O que não é racionalmente admissível é comparar o crescimento de países numa coligação defensiva com a invasão de um país para fins de mudança de regime e conquista territorial. Tal como ensina Tucídides, os invasores têm sempre razão, a sua. Há uma qualquer narrativa agitada para consumo interno e externo pelo agressor. Podemos aferir da grotesca ilegitimidade desta segunda invasão da Ucrânia pelo absurdo gongórico usado como bandeira por Moscovo ao se agarrar a ameaças inexistentes (o ataque à Rússia pela NATO é algo impossível de acontecer sem um prévio ataque russo) e inexistentes realidades (o regime ucraniano é democrático, não é nazi). Estando esta propaganda moscovita a espalhar a pura alucinação, quem escolheu o lado putinista só podia ir aumentando o seu grau de irrealidade e desvario no tortuoso processo da dissonância cognitiva em que se afundaram.
Um dos locais onde este fenómeno putinista atingiu expressão maximalista é o blogue Estátua de Sal. Não conheço o seu autor, acho que nunca sequer trocámos palavra nas caixas de comentário, mas alguns textos meus foram lá parar durante alguns anos antes da invasão — por vezes também eu fazendo ligações para textos publicados aí. Pelo que conheço bem o que era a linha editorial do blogue até Fevereiro do ano passado, caracterizando-se por oferecer um panorama ecléctico de autores colocados no espectro político da esquerda, misturando-se estrelas consagradas com figuras sem projecção mediática, e ainda ilustres nulidades como aqui o pilas. Ora, tudo isso desapareceu, foi varrido, assim que os tanques russos começaram a avançar em direcção a Kiev. Em sua substituição apareceram justificações para os acontecimentos que punham o odioso da questão não em quem escolhera destruir e matar, sem ter sido atacado, mas sim em quem procurava defender-se e em quem estava agora a ajudar aqueles que se queriam defender. A evidente contradição de culpar a vítima precisava de cada vez mais delirantes e inumanas justificações para ser mantida, e foi nesse terreno que o autor do blogue quis erguer um bastião invencível. Trouxe, pois, a propaganda russa na sua versão acéfala, onde os “americanos”, o “Ocidente”, a “Europa” se transformaram em entidades fantásticas, mitológicas, que deviam a sua existência ao único projecto que lhes dava sentido: destruir a mãe Rússia num apocalipse nuclear. Chegados aqui, sendo este o alimento mental de que dependiam para proteger a identidade, não espantou assistir ao nível seguinte da demência. A aberta, consciente, intencional adesão à carnificina de militares e civis ucranianos, num primeiro momento. E o êxtase contemplativo face a uma ordem mundial onde a tirania criminosa de Putin conseguiria impor-se como modelo universal, acabando com as actuais democracias, eis o pináculo da alienação.
Vou dar um singular exemplo do que é o putinismo enquanto aberração cognitiva, aqui: Segundo a Senadora Diana Ivanovici Șoșoacă, os EUA provocaram o terramoto na Turquia e na Síria. Quem ler os comentários, confirmará que o autor do blogue não estava na reinação. Para ele, e para grande parte dos maluquinhos que agrega e congrega, os americanos lembraram-se de atacar a Turquia (aliado dos EUA) via terramoto. Como, porquê ou para quê? O putinista não perde tempo com esses pormenores. Ele sabe que para os americanos tudo é possível, só por serem americanos. Esses cobóis podem mandar terramotos, vulcões, maremotos, inclusive perigosíssimos arco-íris, para onde lhes der na mona. Há até quem garanta que foram os americanos que pegaram fogo ao Sol.
Que se pode dizer? Como contra-argumentar quando a perturbação mental atinge este estado? Aceitam-se sugestões.


