Arquivo da Categoria: Valupi

Princípio de Peter

O destino de Queiroz será decidido hoje e no dia 7. Se Portugal ganhar ao Chipre e à Noruega em piloto automático, o azarado treinador perderá o apoio dos que alinham na sua vitimização, na sua irresponsabilidade, na sua tonteira e na sua incapacidade para chefiar homens. Já para chefiar miúdos, a sua fama mantém-se intacta.

Good food for good thought

The rise of commercial aviation, high-speed rail, the Internet and other technological advances have allowed smaller cities to compete with urban powers such as New York and Chicago, Neal said. The study identifies Denver, Phoenix and even Bentonville, Ark. — Wal-Mart’s corporate home — as some of the most well-connected and economically sophisticated communities.

Networks – Not Size – Give Cities Competitive Advantage

Good food for good thought

Okay, but why do we cling to our views so tenaciously after they are formed? Interesting clues come from two areas of study… self-affirmation, and Cultural Cognition. Both areas suggest that we cling to our views because the walls of our opinions are like battlements that keep the good guys inside (us) safe from the enemy without (all those dopes with different opinions than ours). Quite literally, our views and opinions may help protect us, keep us safe, literally help us survive. Small wonder then that we fight so hard to keep those walls strong and tall.

Why Changing Somebody’s Mind, or Yours, is Hard to Do

Saudades da Europa

A 24 de Julho celebrou-se o Dia de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Foi um evento que ligou 30 cidades em diferentes continentes, considerado um sucesso pelos organizadores – os mesmos que 1 mês depois conseguiram ligar mais de 100 cidades. E os mesmos que continuarão a sua acção militante, procurando fazer crescer uma causa a que se adere de imediato pelas melhores razões imagináveis. Pergunta: quem é que no dia 24 de Julho, em Portugal, fez referência à acção?

Ninguém, arrisco esta resposta aproximada. O que significa que a inscrição do tema nas agendas políticas é previsível face à crescente popularidade da causa em tão curto espaço de tempo. Aliás, talvez esta seja uma oportunidade de ouro para criar uma funda consciência da cidadania europeia, justamente orgulhosa e identitária, através da pressão local sobre os eurodeputados de forma a gerar unanimidade no Parlamento Europeu. É nesse plano que a bandeira contra a lapidação e a pena de morte ganhará mais visibilidade e eficácia, podendo até influenciar a Comissão Europeia.

E seria uma forma da Europa se reencontrar com o melhor de si própria. Estamos cheios de saudades.

A vingança dos impotentes

A terceira indignação é com o ministro Santos Silva. O ministro Santos Silva decidiu fazer uma coisa nunca vista num Ministro da Defesa. Foi comunicar, a países onde passam a existir núcleos de espiões portugueses – isto é, agentes de informações portugueses – “Olhe, a partir de agora mandamos uma equipa de espiões!” Nunca se tinha visto isto, um Ministro da Defesa a comunicar à comunicação social, a comunicar publicamente, que em países estrangeiros passariam a intervir agentes dos serviços secretos portugueses. Para, a partir daí, naturalmente, nesses países, no Líbano ou, porventura, amanhã também no Afeganistão, eles começarem a registar “Quem é que acabou de chegar! Vamos lá ver se estes são espiões ou não…” Os pobres ainda não começaram a intervir e já têm, olha, “Santos Silva” em baixo, “espião”. Os que são e os que não são, em princípio são todos espiões. Isto é Ministro da Defesa? Estamos a brincar…

Marcelo, perto das 22h de 29 de Agosto de 2010


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Moura Guedes tinha razão quando vocalizou o sentido lamento: O que me faz pena é ver a informação da TVI chegar onde chegou. De facto, o mais provável era que Marcelo não conseguisse fazer este número chungoso se tivesse à frente Flor Pedroso. Pelo menos, ouviria uma boquinha acerca da inexistência de espiões ou da deturpação à má-fila do que foi dito por Santos Silva e respectivo pretexto e contexto da referência ao CISMIL. Com Júlio Magalhães, numa vergonhosa estratégia de favorecimento ao Governo e a Sócrates, passa tudo sem um murmúrio de questionamento. E passou a tentativa patética de achincalhar Santos Silva, mas feita a partir da mais absentista noção do ridículo. Não só Marcelo está a baralhar pedaços da história como se revela profundamente ignorante acerca do que sejam os serviços de informação militares portugueses. O que lhe interessava era malhar no malhador, à maluca.
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Sim, existe

George Boeree é um castiço que não me conhece, mas de quem sou amigo. Para começar, tem esta introdução a Maslow que é uma notável exposição que alia a completude com a facilidade da assimilação pelo leitor. Agora reformado, deve ter sido um excelente professor a avaliar pela escrita simples que não perde exigência. Convido-te para atentares no segmento relativo à auto-actualização, especialmente nos nomes dados como exemplos de seres humanos que teriam atingido este estádio último, segundo Maslow: Abraham Lincoln, Thomas Jefferson, Albert Einstein, Eleanor Roosevelt, Jane Adams, William James, Albert Schweitzer, Bento de Espinosa e Alduous Huxley. O nome mais curioso, para nós, é o de Espinosa, holandês descendente de judeus portugueses. Mas bem mais curiosa é a lista de necessidades próprias aos indivíduos que se auto-realizam e o raciocínio que explica a raridade dessa realização, ao arrepio do que o senso comum concebe.

O meu amigo não se interessa só por psicologia, antes tem uma alma de inventor. Para além de assuntos algo menores como variantes de xadrez até matérias algo maiores como a Lingua Franca Nova, os seus neurónios não se podem queixar de falta de uso. Mas também exibe uma objectividade que está ao serviço da justiça, como nesta apresentação da comunidade Amish, seus vizinhos na Pensilvânia, por exemplo.

Contudo, o principal motivo para o estar aqui a louvar, ao meu querido amigo, resulta desta página. Foi para isto que Al Gore inventou a Internet num dia em que não se sentia acalorado: para se exibirem provas digitalizadas da existência da felicidade.

Da Humanidade como sagrado

O protesto contra a lapidação, suscitado pelo caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, ligou mais de 100 cidades, de dezenas de países, em diferentes pontos do Globo. Como podemos ver, as manifestações congregaram números baixíssimos de participantes, em vários casos limitaram-se a piquetes na via pública. O exemplo mais espectacular desta baixa intensidade popular é o de Paris, onde se reuniram entre 200 a 300 manifestantes. Quase tão poucos como em Lisboa, com a agravante de contarem com activistas iranianos na organização e nas intervenções – e estarem em Paris… Fiasco? Falhanço?

Na única manifestação em que participei, algures nos anos 90, fomos uns gatos pingados até à embaixada dos Estados Unidos entregar assinaturas. Pingados não é apenas metáfora, porque choveu o trajecto todo. A causa era Timor. Talvez a minha motivação tivesse nascido de ter uma colega de curso que era timorense, talvez fosse apenas uma mistura de culpa neurótica, pela pressão mediática depois do massacre de Santa Cruz, com curiosidade egoísta, posto que nunca tinha participado civicamente dessa forma. Enquanto atravessávamos Lisboa, escoltados pela polícia e pelos olhares solidários ou indiferentes desse plúmbeo final de tarde, tive a consciência do que estava ali a fazer: não ia mudar o Mundo, ia em peregrinação. Era para mim que se tinha organizado aquele evento, com sorte acabaria por me transformar. O passo candenciado, um generalizado silêncio para palavras de ordem agressivas, nascido do pudor e do sentimento típicos daquela causa e daquele povo, acrescentavam notas fúnebres, elegíacas. O ambiente era o de um funeral interrompendo a cidade, íamos circunspectos e recolhidos. A única sonoridade afirmativa vinha do hino dos Trovante, cantado exaustivamente. Os mortos, o sofrimento, a opressão numa terra distante iluminavam a dimensão sagrada da acção política de uns poucos em Lisboa. Mais do que o poder daquele grupo efémero – poder nenhum, afinal – era a misericórdia universal e a esperança numa acção de origem transcendente que me empurrava para a frente.

Aqueles que se reuniram neste sábado estão nas mesmas condições de qualquer outro ser humano que alguma vez se descobriu embargado de compaixão. A clarividência da justeza dos seus actos ultrapassa qualquer contabilidade. Por poucos que fossem, inúmeras podem ser as sementes que foram lançadas. E será preciso nada entender da tradição cristã para atacar, sequer desprezar, estas humildes expressões de amor pela Humanidade.

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Nota: Ana Vidigal publicou imagens do protesto em Lisboa.

Isso vai dar BUM, BUM, BUM, BUM, BUM, BUM, BUM

Ai eu jurei
Que nunca mais me iria entregar
Disse que jamais vou me apaixonar
Pois tu sabes mesmo é me magoar
Ao invés de me amar

Não faz assim
Tira as mãos de mim
Essa brincadeira chegou ao fim
Morro, vem cá
Pára de me beijar
É que não consigo me controlar
Tu és tentação
Minha perdição
O teu jeito me diz
Vai… eh, eh, eh

Isso vai dar BUM, no quarto,
Na sala ou sofá
Isso vai dar BUM, na varanda,
Quintal ou divã
Isso vai dar BUM, no banho,
Na praia, oh baby
Isso vai dar BUM, BUM, BUM,
BUM, BUM, BUM, BUM, BUM!

Baby eu sei
Que tu não tens
Mas baby eu juro que eu sei
Que tens todos os truques de um player
A minha irmã escapou da tua teia
Grande bandeira

Não faz assim
Tira as mãos de mim
Essa brincadeira chegou ao fim
Morro, vem cá
Pára de me beijar
É que não consigo me controlar
Tu és tentação
Minha perdição
O teu jeito me diz
Vai…

Isso vai dar BUM, no quarto,
Na sala ou sofá
Isso vai dar BUM, na varanda,
Quintal ou divã
Isso vai dar BUM, no banho,
Na praia, oh baby
Isso vai dar BUM, BUM, BUM,
BUM, BUM, BUM, BUM, BUM!

Isso vai dar BUM, no quarto
Isso vai dar BUM, na varanda
Isso vai dar BUM
Ohhh, Ohhh, Ohhh
Isso vai dar BUM, BUM, BUM,
BUM, BUM, BUM, BUM, BUM!

Eu fico doida sem o teu olhar
És a coisa mais linda de se amar…
Ohhh, Ohhh, Ohhh
Uhhh, uhhh…

Jornalismo talibã

Tudo começou neste título:

Portugal deverá ter espiões militares no Líbano

O Ministro da Defesa, questionado a respeito de extensas e detalhadas declarações públicas do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, referiu que o CISMIL, de acordo com a intenção do general Valença Pinto, seria utilizado no Afeganistão e também, eventualmente, no Líbano. Da sua boca santa não saiu o vocábulo espião nem o respectivo plural. Foi o jornalista Gonçalo Venâncio que resolveu servir aos leitores a versão Casino Royale da entrevista ao ministro.

Daqui saltamos para um ex-i, o sinistro Paulo Pinto Mascarenhas, o qual fez o seu habitual cocó para os zerinhos brincarem de plasticina. Vejamos a borrada ao detalhe:

Ameaça: Portugueses em risco em teatros de guerra
Santos Silva põe espiões em risco
Tropas portuguesas tornam-se “alvo em movimento” com o anúncio do ministro da Defesa
General Garcia Leandro pede “contenção e silêncio” / Grande “contenção e silêncio” é o que exige o general Garcia Leandro a propósito das declarações do ministro da Defesa / Em declarações ao CM, o antigo director do Instituto de Defesa Nacional, general Garcia Leandro, sublinha: “tudo o que esteja relacionado com as informações militares deve ser tratado com uma grande contenção e em silêncio. […]”
As palavras do ministro, em entrevista ao jornal ‘i’, causaram também mal-estar no SIED, o Serviço de Informações Estratégicas de Defesa […] diz uma fonte militar.
“O que o ministro disse é anormal e perigoso”, termina. [a fonte anónima]
MEDO E TERROR NO LÍBANO

A partir da grosseira manipulação das palavras do general Garcia Leandro – as quais são o equivalente de se dizer que quem anda à chuva molha-se, não passam de truísmos – o Mascarenhas inventa uma reprimenda ao Ministro da Defesa. E para a sujidade ficar entranhada, invoca uma fonte anónima no assassinato de carácter contra Santos Silva. O Mascarenhas, como se vê, até curte anónimos, servindo-se deles para amanhar a sua diabólica carcaça; são os pseudónimos na blogosfera que o deixam varado.
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Metafísica comuna

Sobre o nosso País pesam a influência negativa decorrente da natureza do capitalismo, dos objectivos e rumo da União Europeia após quase 25 anos de integração e de 34 anos de política de direita e abdicação nacional realizada por sucessivos governos, em desrespeito da Constituição da República Portuguesa, com o apoio ou cumplicidade da Presidência da República.

As consequências estão à vista. Portugal é hoje um país mais injusto, mais desigual e mais dependente. O desemprego, a precariedade, a exploração, a pobreza e as dificuldades de muitos milhões de portugueses contrastam com a corrupção, a acumulação de riqueza e a opulência de alguns. É um país marcado por um processo de declínio nacional, de descaracterização do regime democrático e de amputação da soberania e independência nacionais.

Francisco Lopes

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O PCP quer Portugal fora da União Europeia, fora da Nato, com aumentos de salários, com aumentos de pensões, com crescimento do sector público, com leis laborais ainda mais fortes na exclusão do despedimento, com tudo para todos em muito e já: escolas, hospitais, fábricas, redes de pesca, alfaias agrícolas. É o que nos diz o seu candidato presidencial, num discurso que é o clássico exercício demagógico e reaccionário para fiéis alienados. E que termina assim:

No início da segunda década do século XXI, aqui estamos, com a convicção de sempre, com a determinação correspondente às exigências actuais e com uma inabalável confiança no futuro. Um futuro melhor para o povo português, para Portugal.

Este futuro melhor é, exactamente, aquele que estabeleceram como convicção de sempre. Daí a inabalável confiança, já imune à própria História.