— Mamã, quem roubou o Natal?
— Foi Pedro, o homem do lixo.
Que aconteceria caso fosse Sócrates a cortar, à doida, 50% do subsídio de Natal, e isso depois de ter dito que nunca o faria, bem pelo contrário? Veríamos Ferreira Leite, com 1 milhão de indignados atrás de si, a descer a Avenida da Liberdade agitando uma fidalga bandeira de Portugal, logo secundada por Pacheco Pereira, lívido de ódio, a bater num bombo para marcar a passada e disciplinar os urros da Grei. A toda a largura da frente da manifestação, uma faixa com os dizeres: Sócrates, assassino! Mataste o Menino Jesus!
E que aconteceria se, passados poucos dias da medida draconiana ser anunciada, sábios estrangeiros viessem comunicar que passávamos a ser lixo aos olhos do mundo civilizado e também da Madeira? O grupo de operacionais Todos pela Liberdade – cerca de 30 patuscos, da extrema-direita à extrema-esquerda, que atrasaram o almoço de 11 de Fevereiro de 2010 para protestarem frente à Assembleia da República contra a asfixia da sua inteligência alvar – seria outra vez convocado para se apresentar ao serviço. Desta vez, o plano passaria por tomar o Marquês de Pombal de assalto, liderados por uma troika de peso: Miguel Relvas-Carlos Abreu Amorim-João Gonçalves. Ali ficariam a mandar sacos de água, ou com outros líquidos, a todos os automóveis identificados como propriedade de militantes e simpatizantes socialistas que passassem na Rotunda, jurando manter a barracada até Portugal apresentar superavit nas contas públicas ou Sócrates ser preso pela GNR e deportado para a Líbia, o que acontecesse primeiro.
Em relação às agências americanas de rating e suas estratégias globais, o PS não tem de mudar uma vírgula ao discurso, o qual é o mesmo desde o começo da crise grega. Já o PSD e o CDS passaram a dizer exactamente o contrário do que histericamente defenderam até 5 de Julho. E acaso voltassem para a oposição nos próximos dias, de imediato diriam o exacto contrário do que agora berram de peito cheio.
Há aqui um lado antropológico que é politicamente neutro, onde as cognições obedecem a automatismos relativos à posição na hierarquia de poder. Mas também há factores ideológicos e sociais que fazem com que o tecido partidário e publicista da direita, na actualidade, seja constituído – na sua gigantesca maioria – por oportunistas de baixíssimo calibre.
Um país cujo Presidente da República encheu os bolsos próprios e da família graças a condições negociais extraordinárias, nunca esclarecidas, obtidas junto de pessoas da sua confiança política e pessoal que estão agora a ser julgadas por suspeita de terem cometido variados e desvairados crimes, e que é também cúmplice, ou até mandante, de uma conspiração lançada a partir da sua Casa Civil para denegrir governantes e influenciar eleições, um país em que o partido vencedor das legislativas se lamenta, pela boca do seu líder, por não ter conseguido colocar como Presidente da Assembleia da República um populista acéfalo que nem sequer alguma vez tinha sido deputado, um país onde o Primeiro-Ministro não desmente obedecer a sms’s enviados por apresentadoras de televisão célebres por difamarem e caluniarem impunemente elementos do Governo, não é lixo.
É uma outra coisa muito mais suja.
Segunda volta faria subir taxas de juro. Nós não podemos prolongar esta campanha por mais três semanas. Os custos seriam muito elevados para o País e seriam sentidos pelas empresas, pelas famílias, pelos trabalhadores, desde logo, pela via da contenção do crédito e pela subida das taxas de juro.
Para Pedro Passos Coelho, é possível «poupar dez anos de sofrimento e de desemprego a Portugal se fizermos em pouco tempo uma desvalorização fiscal bem sucedida», sendo necessário para isso «baixar a TSU».
Passos Coelho acredita que, “se porventura o PS tivesse a responsabilidade de executar este programa (de ajuda externa), em menos de meio ano estava a discutir-se, como na Grécia, a reestruturação da dívida portuguesa”.
O dirigente do gabinete de estudos do PSD Carlos Moedas defendeu hoje em declarações à agência Lusa que, com as reformas que um futuro Governo social-democrata vai aplicar, as agências ainda vão subir o ‘rating’ de Portugal.
Segundo Carlos Moedas, que é um dos principais conselheiros do presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, os mercados “olham para uma nova equipa de gestão como uma boa notícia”, porque “há muito tempo não dão credibilidade ao Governo português”.
No seu entender, “assim que os mercados incorporem a informação de que o PSD vai respeitar as metas do défice, e fará tudo o que for necessário para que se cumpram essas metas até porque foi o PSD que sempre anda atrás do Governo para cortar, essas agências voltarão a dar credibilidade a Portugal”.
“Eu quero chegar a casa, depois de ganhar as eleições, todos os dias e quero que a minha filha tenha orgulho daquilo que está a ser feito”, disse o porta-voz do PSD, acrescentando: “Eu no lugar do engenheiro Sócrates tinha vergonha, eu se fosse parente do engenheiro Sócrates escondia que era parente dele.”
“Portugal chegou a uma situação insustentável e eu tive ocasião de dizer isso mesmo no 10 de Junho do ano passado e até fui criticado por isso. Antes, no Ano Novo de 2010, disse que Portugal caminhava para uma situação explosiva”, lembrou.
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“Tenho a honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a presidente da Assembleia da República. Desta forma o Dr. Fernando Nobre aceita integrar, como independente, as listas de candidatos a deputados do PSD, encabeçando a lista pelo distrito de Lisboa”, confirmou Pedro Passos Coelho na sua página no Facebook.
O líder do PSD justifica a escolha do ex-candidato à Presidência da República argumentando que os resultados que Nobre conseguiu nas últimas eleições mostram que “existe um segmento expressivo de portugueses que acreditam na capacidade de regeneração da política”.
“O povo tem a legitimidade, porque o poder reside no povo. E não é perante uma maioria que tem, de facto, legitimidade institucional para governar que o povo português pode ser esbulhado da defesa dos seus direitos, dos seus interesses, em conformidade com esse poder que a Constituição da República determina. É sempre o povo que tem a última palavra. Sempre, mas sempre”, argumentou o secretário-geral do PCP.
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Já agora, será alguém capaz de traduzir estas declarações? Não será demasiado óbvio que, apesar da forma trôpega como lhe saiu, Jerónimo está a dizer que a legitimidade do Parlamento e do Governo é inferior à legitimidade daqueles que ele vai colocar a marchar nas ruas?
Passos Coelho disse à saída do Parlamento, depois do debate sobre o programa do Governo, que desiludiria os portugueses se não falasse o que prometeu.
Ou seja, explica o primeiro-ministro, «falar a verdade e com transparência» para «não andar a reboque dos acontecimentos e não deixar o exercício orçamental chegar ao fim do ano para anunciar medidas extraordinárias».
O Passos Coelho refuta a ideia de que não falou a verdade aos portugueses durante a campanha eleitoral. «Aquilo que eu prometi aos portugueses foi transparência e coragem. É isso que procurarei fazer e foi o que quis fazer na minha primeira vinda ao Parlamento», frisou.
O anúncio do corte no subsídio de Natal não foi a forma mais simpática de se estrear no Parlamento, considera o primeiro-ministro, e sublinha que o que o «Governo pretendeu fazer nesta altura é o mais transparente e mais verdadeiro».
E conclui: «Não vamos andar de três em três meses a apresentar novas medidas».
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Só um partido decadente chegaria ao ponto de fazer do vocábulo verdade o fundamento último – e agora também o primeiro! – do seu programa e discurso. Aconteceu em Portugal e permitiu um excelente resultado nas legislativas, dados os meios propagandísticos à disposição e o contexto político e económico. Acontece que esse partido não possui qualquer talento intelectual, é um coio de cavalheiros de indústria, pelo que está condenado a transformar em cassete o que utilizou como retórica eleitoral. É o que acaba de fazer Passos, apenas 10 dias passados após a tomada de posse. Vejamos o que ele está a dizer como justificação para uma decisão política – portanto, para uma escolha.
Diz-nos que a verdade prometida na campanha consiste na transparência e na coragem. E que são estes dois bichinhos? Ele também explica. A coragem consubstancia-se nas medidas do Governo, sejam elas quais forem posto que todas emanam da mesma substância. E a transparência é o anúncio mesmo dessas medidas; opondo-se, portanto, à opacidade, a qual equivalerá na axiologia dos passados a não tomar medidas.
As consequências são totalitárias e opressivas. Este Governo terá de repetir o mesmíssimo argumentário, sem alterar uma vírgula, a cada decisão sob pena de os portugueses ficarem desiludidos. A ilusão que está em causa manter é a do extermínio dos políticos, esses cidadãos que gerem os maiores conflitos comunitários assumindo as contingências, substituídos por leigos consagrados da religião da verdade. Nesta religião não se anda de três em três meses a apresentar novas medidas, aconteça lá o que acontecer no Universo. Reina um estado de necessidade suportado tão-só pela omnipotência daqueles que não mentem. Quem não mente, pode dizer qualquer coisa que passará a ser irrefutável. E se é irrefutável, então é verdade. E se é verdade, então nasce da coragem e exibe-se em transparência.
A verdade acaba com os conflitos, acaba com a doença da política.
O meu amigo Rui Vasco Neto incluiu-me nos seus simpáticos convites para a continuação desta corrente. Agradeço-lhe a estima e informo que não vou responder. Porquê? Por cagufa. Tenho medo de que alguém descubra a cruel verdade: não sei ler.