13 thoughts on “Diálogos prováveis”

  1. gato sobrevivente

    ao jantar os meus filhos
    perguntam-me quanto tempo falta para o mundo acabar.
    os filhos perguntam quanto tempo falta
    para o pai acabar.
    perguntam quanto tempo lhes falta para acabarem.
    em resposta faço-lhes o prato
    com vegetais e peixe e hidratos de imprecisão,
    dou-lhes palavras que nunca mais acabam palavras
    oleosas, emaranhadas nas facas, nos garfos
    que deixam marca nos copos e nos guardanapos,
    digo-lhes que se despachem,
    que já falta pouco tempo para fecharem os olhos
    e eu poder mergulhar em cada um dos seus peitos minúsculos
    para lhes polir o coração que nunca acaba

    os meus filhos perguntam qual é o rating da vida
    perguntam qual é o spread do amor
    em que clube joga o fmi
    quando entrará em erupção o primeiro-ministro
    por que é que os vulcões não pagam portagem
    de que lado ficam o máximo e o mínimo do oriente médio
    se algum dia as estrelas serão condenadas
    por trazerem cancro à alma dos meninos condenados
    e que investigador descobrirá uma cura a sério
    ou que cura descobrirá um investigador a sério, porque
    os meus filhos gostam de brincar com as palavras
    que nunca acabam, perguntam
    se algum dia lhes poderei comprar as possibilidades
    que viram num anúncio no intervalo
    das certezas

    ao jantar os meus filhos perguntam-me se o destino
    também é corrupto, se aceita subornos.
    cercados pelas imagens de uma ambulância incandescente
    com um curioso gato que não morreu
    os filhos perguntam
    depois da morte o que há de sobremesa

  2. Não desanime, Renato, e invente rápido um final feliz para a história tão pungente que está a contar a seus filhos.
    Afinal é o seu dever de pai !
    Jnascimento

  3. Pedro , o homem que anda a apanhar o lixo que o José deixou espalhado. faz favor de enquadrar os diálogos como deve de ser , não é?

    gostei mesmo do seu poema Renato. construímos uma sociedade maluca e doente. o V , este ano (que no outro até lançou concurso de ideias para fazer enfeites e tal baratuchos….)nem consegue curtir o natal sem prendas compradas , coitado.

  4. Val escreveu,
    “– Mamã, quem roubou o Natal?
    – Foi Pedro, o homem do lixo.”

    com o respeito devido, Sinhã comentou:

    “ai que riso, Val. manda mais dessa veia. adorei.:-)”

    faço minhas as palavras da/de Sinhã.
    o que escreveste é de mestre,
    diria mais é de GM (grande mestre),
    só que isto é linguagem xadrezistica, e corro o risco de não ser entendido pela grande maioria dos comentadores do teu blog.
    talvez, uma excepção, o João Viegas, entenda,

    com estima e consideração,
    um leitor habitual.
    jjgradee

  5. O Bicho
    – Ó mãe, ó mãe quero um bicho novo!
    – Mas, filho já tivemos um lá em casa!
    – Sim mas, esse comia muito.
    – Todo o bicho come muito, meu filho.
    – Este não, este não.

  6. – Mamã, quem roubou o Natal?

    – Foi Pedro, o homem do lixo.

    – Mas, mamã, o homem do lixo não conhece o Pai Natal!

    – Como é que tu sabes isso???

    – Porque ele foi estudar filosofia pra Paris … e levou o Natal com ele.

  7. – Mamã, quem roubou o Natal?

    – Foi Pedro, o homem do lixo.

    – Quem o Pedro Tamen?

    – Naaaaã filho: tás maluco ou quê? Esse é poeta e do lixo só se for o da sua casa.

    – é que ele disse uma vez que
    “ventos ou cores: sou pedro, zé, femando,
    nomes comuns, impróprios, que desdigo
    baixinho e surdo, curto, enquanto ando”

    – (com ar desconxertado e atónito, a mãe ensaia uma resposta) mas que raio filho,
    estamos a falar do homem do lixo, aquele que com uns olhos grandes …

    – Quem? o Pedro Abrunhosa?

    – Arre que és difícil filho …

    – Porra mãe, mas do lixo só conheço o pedro silva pereira, aquele que guiava o camião do
    lixo das mentiras dos xuxas … até que um dia de tão carregado de merda mentirosa, que partiu os travões e escafedeu-se com os cornos na assembleia da républica. É esse mãe?

  8. Hoje a dívida americana é notícia; “nas próximas três semanas, se não houver acordo político, o governo entra em incumprimento. Sobre a dívida soberana, é preciso rezar”.

    Pois bem, vamos lá ser coerentes e lançar no mercado mais um indicador para o acervo da Mody’s sobre a competitividade naciona; hoje os melhores do ciclismo mundial competiram numa soberana subida do Tour de France, e quem ganhou, quem foi o melhor?

    Rui Costa, a milhas de toda a gente! Palavras para quê?

    “The Economist.

  9. — Pedro, vai à rua pôr o lixo que o fedor já tresanda dentro de casa.
    — Desculpa, querida, but i’m not in the moody’s.
    — Porra, querem ver que este também fez o Inglês técnico por fax…

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