Grandes verdades

Em relação às agências americanas de rating e suas estratégias globais, o PS não tem de mudar uma vírgula ao discurso, o qual é o mesmo desde o começo da crise grega. Já o PSD e o CDS passaram a dizer exactamente o contrário do que histericamente defenderam até 5 de Julho. E acaso voltassem para a oposição nos próximos dias, de imediato diriam o exacto contrário do que agora berram de peito cheio.

Há aqui um lado antropológico que é politicamente neutro, onde as cognições obedecem a automatismos relativos à posição na hierarquia de poder. Mas também há factores ideológicos e sociais que fazem com que o tecido partidário e publicista da direita, na actualidade, seja constituído – na sua gigantesca maioria – por oportunistas de baixíssimo calibre.

23 thoughts on “Grandes verdades”

  1. A palavra é essa mesma: OPORTUNISTAS.
    Sem sentido do interesse do país. Apenas olhando para o seu umbigo e a sua conta bancária.

  2. certeiro. pena é, que existam estas grandes verdades a declarar, mas, com exepção de alguns blogs, não existam meios de as publicar.

  3. A desgraça a que chegamos é que esses senhores desdizem hoje o que berraram ontem e fazem-no com total impunidade e encobrimento por parte de uma comunicação social presa pela arreata. O povo foi enganado e continua a ser. Nem me atrevo a criticar a “passividade” do PS depois de dois anos de artilharia pesadada vinda de todos os quadrantes. Mas custa-me a compreender terem posto no governo os amigos dos ladrões de bancos. Pelo menos isto o povo sabia. Excepto os votantes do BE e do PC para quem o verdadeiro ladrão, com o respectivo proveito, foi o Vitor Constancio.

  4. O que me custa a entender é não se dar pelos dois candidatos a liderança do PS. Andam a jogar ping pongue no fundo do mar? Porra que escolher o lider do PS demora mais tempo do que construir um país. Ainda se fossem para valer. Espero que sejam transitorios! É de mais, fonix!

  5. Quais oportunistas, qual calibre ponte 22, quais verdades enormes. Val pá, desiludes-me; o problema não são as antropologias de trazer por casa nem muito menos as pobres das coitadas das agências de rating, que se limitam a fazer o seu trabalho, submetidas que estão a pressões tão ignomiosas quanto a de serem apodadas de terroristas, de agirem à mão negra, de estarem a soldo dos great gatsbies internacionais, qual estratégia global, qual 5 de Julho, qual sócrates, qual cavaco. Não Val, o problema verdadeiro desta treta da falta de confiança geral na puta da economia nacional são gajos como tu, gajos que bebem em demasia, que não largam o vinho.

  6. Todos têm os seus dilemas. Que isto de sair do governo para a oposição, e vice versa, provoca sempre grandes problemas de coerência. Se o PSD tem problemas devido ao que disse sobre as agência de rating, o PS tem um grande problema que é dizer mal das medidas impopulares do governo, quando ainda há meia dúzia de dias propunha medidas idênticas e ter sido no seu mandato que o barco começou afundar. Em termos de coerência são todos muito idênticos. Já agora a falar em coerência lembro me do tempo em que a Manuela Ferreira leite aumentou o iva, implementou o pagamento especial por conta, entre outras medidas impopulares, medidas estas muito criticadas pelo PS, para logo a seguir o Eng Sócrates chegar ao poder e aumentar ainda mais a carga fiscal. Não sei porquê mas a politica é avessa à coerencia (com a devida excepção para o PCP… sempre coerentes :)).

  7. Pronto, já estou esclarecida, acabei de ler, no DN, a explicação de Marcelo Rebelo de Sousa para a desgraça que se abateu sobre o nosso pobre País. Marcelo acabou de descobrir a pólvora, diz ele: “isto entra numa estratégia americana contra o Euro e contra a Europa”. Pasme-se! Parece que, afinal, é uma guerra que não poderemos vencer sozinhos. Quem diria!

    O que eu gostava era que ele explicasse o que ganhou o País com o derrube do Governo de Sócrates. E o que têm a dizer aqueles que defendiam que Portugal devia ter recorrido ao FMI muito antes, que eram só vantagens, que Sócrates era um criminoso por fazer com que o País pagasse juros insuportáveis e etc., etc. Será que estão a gostar da evolução dos ditos cujos, e da economia em geral, agora que somos governados por gente séria e honesta?

    Eu estou sentada, expliquem-me lá, o que ganhámos de Março para cá?

  8. Se em alguns a mudança de “conversa” é pura desonestidade intelectual, noutros será mesmo a manifestação de desconhecimento, abafado com a retórica do sorriso encadernado, que tudo parece saber e descortinar…

  9. Pronto, agora tive de concordar com o Seguro . -teve de ser – acabou de dizer na Tv isto que o Val aqui diz.
    Por outro ldo, o Assis, na porqueira do Crespo, mostrou um domínio do assunto e uma integridade de venerar. Mas o outro é tubarão e mostra as dentuças…embora só agora, claro. Ainda bem que não tenho de votar lá no pS.

  10. Val:
    Sobre Portugal ser lixo ofereço-lhe este poema de Pedro Barroso num programa de variedades no dia 07/07/2011, incorporado na semana cultural das festas Sebastianas 2011 que terminam dia 12.

  11. Pronto, ja se encontrou um novo papão : as agências de rating. Mas quem, que politicas, nos colocaram nas mãos das agências de rating ?

    Essa é como a da “crise” (alias, sejamos exactos, digamos antes “a maior crise macro-economica desde sensivelmente a peste negra de 1348”). Ja sei que vem ai a Penélope, e a Guida, e o Vega para dizer que eu nego a existência da crise, que sou irrealista e etc.

    Acho que encontrei uma forma estoica, e nem por isso desprovida de rigor, de lidarmos com essa desculpa.

    O mal não é “a crise” (ou “as agências de rating”), mas “a nossa vulnerabilidade à crise” (ou “às agências de rating”).

    Portanto das duas uma :

    – ou estamos a lidar com um dado estrutural intransponivel, e então não serve de nada estar a martelar nele, é tão inutil como bradar que so temos 10 milhões de pessoas, que o nosso subsolo não tem petroleo ou que não existem esperanças razoaveis de ver a longevidade média dos portugueses aumentar para la dos 100 anos. Portanto é compor com esse dado. (Ou emigrar).

    – ou então temos de fazer tudo para diminuir, contrariar, inverter essa vulnerabilidade. E’ para ai que apontam as politicas preconizadas pela troika ? Não é pois não ?

    Bom e agora deixo-te aqui em baixo um espacinho para concordares comigo :

    Boas

  12. João Viegas, já que pedes: era exactamente essas políticas, basicamente de transformação do chamado tecido produtivo português, para que este país produzisse alguma coisa de diferente e vendável, que o Sócrates estava a pôr em prática. Foi contrariado pela crise internacional, a tal que gozas, que o obrigou a mudar as agulhas, a aumentar a dívida, etc., com as consequências em catadupa que todos conhecemos.

  13. Ola Penélope,

    OK, seja. Mas a questão, a unica que interessa do meu ponto de vista, e que é cada vez mais actual é : sera que as medidas preconizadas pela troika, aceites por Socrates, e mesmo numa larga medida anticipadas por ele, em troca de mais crédito, vão no mesmo sentido ?

    Longe de mim a ideia de gozar com Sua Eminência Senhora Dona Crise Internacional, mas também gostava que olhassemos para ela sem o deslumbramento desejado por quem esta, atras, a servir as bebidas.

    Uma crise significa que a produção deixou de aumentar. Não significa que o pais deixou de criar riqueza.

    Ninguém nega que a crise esta ligada à nossa dependência externa, que deriva da (boa) aposta na inserção no espaço europeu e da maior inter-dependência das economias nacionais. Ainda assim não estamos no quarto mundo e ja me chateia a fotonovela da bancarrota. Em Portugal, é sempre tudo oito ou oitenta. Construimos um mamarracho qualquer, tem logo que ser “o maior centro cultomercial da Europa”. Em contrapartida enfrentamos dificuldades, é imediatamente o descalabro irremissivel e as pessoas deixam-se imediatamente convencer de que estão vivem espécie de Somalia, ou assim !

    Foda-se !

    As economias emergentes, dos grandes paises como dos médios e até dos pequenos, vêm de mais longe do que o estado em que estamos !

    Isso não quer dizer que esteja tudo bem, nem que não devamos corrigir coisas. Mas caramba, parece-me a mim que isso passa por alguma ponderação e alguma tentativa de pensar com frieza.

    A politica da troika foi apresentada pelos partidos de governo (infelizmente nenhum partido à esquerda do PS se pensa como tal) como inevitavel porque não temos outra solução do que aceitar o preço que nos cobram pelo crédito.

    Eu digo, onde é que as exigências da troika vão resolver a situação ?

    Tem de ser levantada a alternativa, pelo menos num modo hipotético. Não podemos continuar a desqualifica-la como se fosse apenas uma birra de utopicos.

    O que as agências dizem, traduzido por miudos, é que elas proprias não acreditam minimamente nos resultados das politicas impostas pela troika (troika que, ironicamente, se escuda com as notas das mesmas agências de rating). Dizem que elas proprias acreditam que vai ser necessario por em causa a divida. E que elas não sabem onde vamos porque não ha quem levante esse problema em Portugal, a não ser uns focloricos (como eu, eu sei, e como o BE).

    Sera possivel falarmos desse problema sem esbarrarmos com um encolher de ombros ?

    A moda neo-liberal encarregou-se, com uma notavel eficacia, de impedir que assim fosse. Pelos vistos, vocês renderam-se completamente a essa moda e, infelizmente, não vão sair dai nas proximas duas ou três semanas.

    Tudo bem. Mas então eu so peço que abandonem também a fantasia de dizerem que são de esquerda…

    Boas

  14. João Viegas, nós (e os gregos e todos os que estão em dificuldades) temos um problema inédito a nível mundial – Estamos amarrados a uma moeda de uma zona onde não há nem governo económico nem, muito menos, união política. Atámo-nos uns aos outros sem acautelar os desequilíbrios. Tu não podes avançar unilateralmente para uma reestruturação da dívida. A não ser que estejas preparado para levar um Não e abandonares o euro. Também neste caso, que é possível, terás muito a negociar antes para “amortecer” o choque, que pode ser mortal.

  15. Cara Penélope,

    Se eu acreditasse que a questão se põe como a colocas, então teria necessariamente de concluir que foi péssimo, para o interesse nacional, Portugal ter aderido à comunidade.

    A resposta (repara que não digo a solução milagrosa) passa por dois pontos essenciais :

    – Ninguém, nem sequer no RU, mandatou quem quer que fosse para abdicar de partes da soberania popular em favor de tecnocratas irresponsaveis. Ou melhor, so com a obvia cumplicidade dos povos europeus, entre os quais o nosso, é que aceitamos criar uma situação que se assemelha com isso. Urge pois aprofundar a Europa politica. Lembremos que uma das pessoas que mais claramente soube alertar para o problema da fragilização das economias do sul foi o euro-deputado alemão Cohn-Bendit. Ninguém, nem na Grécia, nem em Portugal, soube falar com tanta clareza e, que eu visse, os manifestantes gregos desfilam hoje ao som da sua intervenção. Cohn-Bendit não é um ideologo do restabelecimento da Albânia de outrora. Trata-se de um deputado eleito pelos Verdes alemães, que ja estiveram no governo da maior potência europeia e que é bem possivel que voltem a participar no proximo governo… Ora bem, aceitar sem piar a imposição da troika e não arrepiar cabelo acerca da dimensão europeia dos problemas na origem da crise não é propriamente o que eu vejo de mais eficaz no sentido de aprofundar a Europa politica…

    – Precisamente porque não existe (ainda) União plena, é tacticamente errado, estupido, angélico, inaceitavel do ponto de vista dos principios elementares da vida democratica, considerar que estamos num movimento irreversivel. Enquanto não existir a Europa que todos desejamos, é da mais elementar prudência, e logo faz parte das obrigações minimas de qualquer pessoa que se candidate a responsabilidades politicas, saber como fazer se o movimento se inverte. Eu sou um europeista convicto, mas não deixo de exigir esse minimo de sentido de Estado por parte dos meus representantes. A Europa so vai existir porque, e na medida em que, fôr do interesse de todos os Europeus. Isso passa necessariamente por haver responsabilidade acerca dos instrumentos de politica financeira e monetaria que se delegam. Não se trata de nenhuma impossibilidade, nem de nenhuma utopia. Um deputado de Tras-os-Montes não pode apresentar-se hoje ao seu eleitorado dizendo : eu prometi tal coisa mas em Lisboa não me deixaram, são mesmo uns beras (ou antes, poder, até pode, mas na vez seguinte perde as eleições*).

    Boas

    * : tenho consciência de que Tras-os-Montes e Portugal se calhar não são os melhores exemplos e que vais logo encontrar aqui um escudo retorico ; é igual, imaginemos que eu estava a falar de um pais a sério…

  16. João Viegas, continuas muito utópico e sonhador. Havia que pagar salários.

    Primeiro ponto: a Europa, ao contrário do que afirmas, não é decidida por “tecnocratas irresponsáveis”. Isso era se a Comissão Europeia tivesse alguma autonomia. Não tem, como sabes, muito menos com o Barroso na presidência. Quem decide o rumo dos acontecimentos são os próprios Estados membros, reunidos nos Consellhos de Chefes de Estado e de Governo e nos Conselhos de Ministros sectoriais. Neste momento a Europa é um mercado comum entre Estados soberanos, como sempre pretenderam os ingleses. A moeda única, além das vantagens inerentes, serviria, em princípio, para acelerar a chamada integração. Só que a crise internacional veio pôr a descoberto os enormes desequilíbrios entre os diversos países e a fragilidade ou inexistgência de estruturas de apoio ao euro. Neste momento vigora o princípio do “cada um por si” e para o seu próprio eleitorado, acompanhado de considerações de carácter moralista, que por sua vez assentam em questões antigas de religião.

    Segundo ponto: o que tu defendes é extremamente apetecível. Quem não gostaria neste momento de ter uma Europa diferente, solidária, preocupada em manter o seu projecto inicial? E quem não quer, sobretudo nos países do sul, discutir isso? Penso que até o PSD, depois da decisão da Moody’s!

  17. Bolas eu devo ser mesmo muito mau a escrever. Vamos então traduzir :

    Eu nunca afirmei, nem considero que a Europa “é decidida por “tecnocratas irresponsáveis””. O que eu disse foi precisamente o contrario : nunca ninguém decidiu, em parte nenhuma, abdicar de poderes em favor de instituições irresponsaveis. Logo, existe responsabilidade e deve poder ser lembrada aos responsaveis : que são precisamente os nossos governantes eleitos, os quais devem propor aos eleitores um programa transparente acerca do que vai ser a sua actuação no conselho, onde se decidem mais de 80 % dos assuntos que interessam à nossa economia, em vez de culpar “a Europa”, “a Comissão”, ou ainda “as agências de rating”.

    E’ certo que acrescentei que essa responsabilidade, hoje, não passa do papel PORQUE nos, povos pretensamente soberanos, deixamos que assim acontecesse (“aceitamos criar uma situação que se assemelha com isso”).

    Portanto, la esta. Se em vez de nos lamentarmos começassemos por tentar ver o que esta nas nossas mãos fazer, se calhar não estavamos pior. Lembro que a decisão de adiar a constituição, que era uma primeira pedra, ainda demasiado timida, no sentido de mais transparência e responsabilidade politica a nivel europeu, foi rejeitada em nome de argumentos infantis que anunciavam, na altura, que uma constituição europeia mais à esquerda iria ser adoptada logo a seguir, sob a pressão da rua. Tudo bem. Na City, e nos meios empresariais, ninguém deixou de aplaudir esses aprendizes de Che Guevara…

    O que tu dizes do meu segundo ponto é, penso eu, sobre o primeiro.

    Mas onde divergimos é mesmo quanto ao segundo ponto. Não chega confiar cegamente numa solução que ha de vir do exterior (ha espaços para esse tipo de exercicios, que se praticam normalmente aos domingos de manhã nas igrejas). E’ necessario mostrar que estamos na Europa porque isso nos interessa. Portanto é profundamente errado reagir como se nem quiséssemos levantar a questão de saber se o funcionamento da Europa, tal como é hoje, ainda faz com que o nosso pais tenha interesse, a médio longo prazo, em continuar a participar (nomeadamente no Euro).

    Não colocar esta questão é que é utopico.

    Utopico e tacticamente errado…

    Boas

    PS : Acho que estamos a dizer fundamentalmente a mesma coisa, apenas divergimos sobre a questão de saber se isso era o que vocês diziam antes das eleições ; tenho pena, mas não era…

  18. Ó Valupi, parabéns por finalmente te teres qualificado para poder abalizadamente falar sobre o “Grande Vácuo” que foi o governo do PS. E agora tenta lá deixar de amontoar “clichés”, e de uma vez por todas diz algo que não esteja já à partida vacinado e desinfectado por esses “carimbos retóricos” que vais inventando.

    Em suma, assume-te de uma vez por todas.

    “Há aqui um lado antropológico que é politicamente neutro, onde as cognições obedecem a automatismos relativos à posição na hierarquia de poder. Mas também há factores ideológicos e sociais que fazem com que o tecido partidário e publicista da direita, na actualidade, seja constituído – na sua gigantesca maioria – por oportunistas de baixíssimo calibre”

    – Sem dúvida um segmento autobiográfico. Fiquei sensibilizado por tentares partilhar as tuas memórias com os pobres mortais que nunca foram abençoados com o dom da palavra (da palavra ambiguamente flexível, claro…)

    E já agora, tens alguma ideia que possas partilhar com os outros mortais, ou vais apenas assar quatro anos com a sensação que as eleições foram apenas ontem?…

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