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Exactissimamente
O real realismo do vice-rei
“Já saímos do fundo, estamos a começar a subir a escada”, afirmou ontem à noite em Alvaiázere o líder do CDS-PP, durante a apresentação dos candidatos do partido às autárquicas.
Portas faz campanha anunciando fim da crise
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Fracasso no mês do “regresso normal aos mercados”
Standard & Poor’s reforça ameaça de corte de rating a Portugal
Palavra de honra
“Os portugueses podem ter a certeza que com Pedro Passos Coelho e com o PSD, nós manteremos uma postura fiel em relação aos compromissos que assumirmos antes das eleições, manteremos esses compromissos depois, e preferimos ser criticados agora, antes das eleições, dizendo com clareza aquilo que pensamos e que consideramos importante e não como aconteceu com o PS que prometeu uma coisa antes das eleições, e que fez exatamente o oposto depois das eleições, quer em 2005, quer em 2009”, acusou.
Marco António Costa, futuro presidente do PSD, Março de 2011
“Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro”, afirmou Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão “Mais Sociedade”, no Centro de Congressos de Lisboa.
O PSD quis “vasculhar tudo” para ter contas bem feitas e, “relativamente a tudo aquilo que o Governo não elucidou bem”, procurou “estimar”, preferindo fazê-lo “por excesso do que por defeito”, referiu.
“Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro, mas temos de ser efectivos a cortar nas gorduras”, completou Passos Coelho.
Seguro também contratou um swap
O caso dos swaps tem esta sequência:
– Quase dois anos depois de ter sido eleito, o Governo começa a despedir secretários de Estado que estiveram envolvidos na contratação de swaps.
– Na véspera do congresso do PS, Maria Luís Albuquerque emporcalha a questão e transforma os swaps em arma de arremesso contra os socialistas, dizendo que «as consequências com este tipo de “problemas” faz parte de um “padrão de comportamento do anterior Governo”».
– Ao prestar declarações na primeira ida à comissão de inquérito que investiga a demora do Governo na resolução do problema, Maria Luís declara que não agiu com maior rapidez porque nada lhe tinha sido transmitido a respeito na passagem da pasta pelos anteriores governantes.
– Teixeira dos Santos, Costa Pina e Pedro Felício provam que falaram expressamente no assunto aquando da passagem da pasta, o que Gaspar confirma.
– Albuquerque passa para uma nova versão: sim, que tinha recebido a informação, mas que ela era insuficiente.
– Com a subida a Ministra, Maria Luís escolhe Joaquim Pais Jorge para secretário de Estado, só para de imediato ele ser envolvido no caso dos swaps e ter de sair do Governo.
– Torna-se público que a Inspecção-Geral de Finanças destruiu ao fim de três anos os papéis de trabalho associados aos relatórios sobre as contas e os swaps subscritos por quatro empresas públicas: Metro de Lisboa, Metro do Porto, Refer e TAP. Essa destruição incorre em várias ilegalidades e permanece inexplicada.
– Almerindo Marques declara no Parlamento que Albuquerque deu o parecer favorável ao contrato swap celebrado pela Estradas de Portugal em 2010. O Ministério das Finanças e o PSD de imediato desmentem e ameaçam Almerindo.
– A auditoria feita pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças mostra que Maria Luís Albuquerque deu parecer favorável a um contrato swap assinado pela Estradas de Portugal quando esta trabalhava como técnica no então Instituto de Gestão da Dívida Pública.
Por duas vezes, em Julho e agora, o PS pediu a demissão da ministra pela voz de Carlos Zorrinho. Pediu e calou-se logo de seguida, como quem pica o ponto e vai dormir para debaixo da mesa. Seguro nunca pediu a demissão da ministra. Seguro nem sequer alguma vez pediu a demissão de Relvas, pelo que estamos em plena normalidade. O actual secretário-geral do PS é useiro e vezeiro em trocar as proclamações de transparência, pureza e incorruptibilidade por um serviço de protecção ao pior Governo da democracia que ficará como o mais vexante swap deste monturo em que se transformou a liderança da oposição.
Isto é muito grave
Um Guerreiro em negação é derrota certa
Pedro Santos Guerreiro assina uma crónica – O que é que você acha? – onde no meio de uma juliana de oportunas e fecundas perguntas se sai com esta:
Acha mesmo que o Governo não está a entrar no mesmo processo de negação em que Sócrates andou em 2010 e início de 2011 quando dizia que o Estado tinha dinheiro à vontade?
Ponto de ordem à mesa: é possível falar do passado para melhor escolher o futuro, e é possível falar de Sócrates para melhor compreender Portugal. O facto é que tanto o passado como Sócrates não saem dos discursos. Mas de quem? Não do PS, nem dos socialistas em geral, antes daqueles que o atacaram, perseguiram e não o conseguem largar por causa das dinâmicas passionais que moldam parte substantiva da vivência política. É o caso deste Guerreiro, um estimulante representante da imprensa de opinião que, in illo tempore, também contribuiu entusiasmado para o clima irracional onde o derrube de Sócrates era vendido como a salvação nacional.
Pois este Guerreiro afiança que Sócrates andou em 2010 e no início de 2011 a dizer que “o Estado tinha dinheiro à vontade”. 2010+início de 2011 dá para aí uns 13, 14 ou 15 meses. É tempo suficiente para dizer muita coisa, e muita coisa realmente foi dita. Mas onde, em que meses, mês, semanas, semana, dias, dia, horas, hora, minutos, minuto ou segundos disse Sócrates tal enormidade trazida para as páginas do Jornal de Negócios em Setembro de 2013? Este Guerreiro nunca o irá revelar pela simples razão de não ser possível encontrar uma singular declaração que sustente a sua calúnia. Porque é de uma calúnia que estamos a falar, uma calúnia não do âmbito judicial mas político. E é parte de uma calúnia maior, pois para se ter andado por aí a dizer-se que o Estado tinha dinheiro à vontade em 2010 e 2011 é preciso ser muito mentiroso ou muito louco. Sócrates, como sabemos, acumula, sendo alguém completamente louco que consegue mentir com o mais perfeito domínio racional, atestam os criadores da sua lenda.
Pois bem, Guerreiro, tenho um presente para ti:
Um dos efeitos da crise global, que acabou por condicionar todo este ano de 2010, foi a séria crise de confiança que se abateu nos mercados financeiros sobre as dívidas soberanas dos países do Euro. Esta situação, sem precedentes na União Europeia, levou à subida injustificada dos juros, e afectou todas as economias europeias. Basta, aliás, ver o que passa lá fora para se compreender a dimensão europeia desta crise que a todos afecta embora a alguns países de forma mais intensa.
A verdade é que todos os governos europeus tiveram este ano de fazer ajustamentos nas suas estratégias e tiveram de adoptar medidas difíceis e exigentes, de modo a antecipar a redução dos seus défices como forma de contribuir para a recuperação da confiança nos mercados financeiros.
O Governo português tomou as medidas necessárias para enfrentar esta situação. Com confiança, com sentido de responsabilidade e com determinação. Definiu metas ambiciosas para 2010 e 2011 que vamos cumprir. O que está em causa é da maior importância. O que está em causa é o financiamento da nossa economia, a protecção do emprego, a credibilidade do Estado português e o próprio modelo social em que queremos viver.
Sócrates, Natal de 2010
Neste discurso estão chapadas tanto as causas da crise como as necessárias e eventuais consequências da mesma, sendo o fatal cenário de não haver dinheiro em resultado da escolha da Europa por uma austeridade radical e insana. O aviso não podia ter sido mais claro: “O que está em causa é o financiamento da nossa economia, a protecção do emprego, a credibilidade do Estado português e o próprio modelo social em que queremos viver.” Ou seja, o que está em causa é um conjunto de direitos com que temos vivido nos últimos quase 40 anos. E foi exactamente isto que foi posto em causa pela acção concertada de toda a oposição, do Presidente da República, da banca, da imprensa e dos restantes poderes fácticos, fosse por actos ou omissões.
Estávamos em Dezembro de 2010, Sócrates chefiava um Governo minoritário que andava a ser queimado no Parlamento, na Justiça e na comunicação social só para fazer tempo até Cavaco ser reeleito. Disto não nos fala um Guerreiro ainda em estado de negação e cúmplice de uma derrota colectiva.
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Tive de pagar 4 euros e tal para ler a crónica. Prova provada de que Sócrates continua a dar dinheiro a ganhar a muita gente.
Fenómenos do entroncamento
Afinal, a auditoria feita pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças a pedido da ministra das Finanças mostra que Maria Luís Albuquerque deu parecer favorável a um contrato swap assinado pela Estradas de Portugal quando esta trabalhava como técnica no então Instituto de Gestão da Dívida Pública (IGCP).
O relatório, citado esta quinta-feira pelo «Diário de Notícias», contradiz assim as explicações dadas esta semana pelo Ministério das Finanças, segundo as quais, quando trabalhava no IGCP, a ministra das Finanças realizou apenas análises de pedidos de empresas públicas sobre empréstimos e não sobre swaps.
De acordo com o jornal, o relatório da auditoria mostra especificamente que o IGCP aceitou em 2009 o contrato swap da Estradas de Portugal e Maria Luís Albuquerque assinou o parecer favorável.
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Ontem foi publicada aquela que parece ser a prova indesmentível tanto das mentiras da ministra numa comissão de inquérito, como das mentiras dos comunicados do Ministério das Finanças a respeito do caso, como das mentiras das declarações dos responsáveis políticos do PSD, como das mentiras nas garantias dadas pelo primeiro-ministro ao Presidente da República. Porém, contudo, todavia, nem uma tomada de posição, nem sequer um comentário, apareceu da parte de qualquer força ou figura política face a tão monumental evidência. Nada. De ninguém.
Que se está a passar em Portugal?
Como é que se diz “política do courato” em inglês?
“O Governo assumiu o carácter facultativo do inglês. Não se preocupem com isso. Já havia inglês em Gaia no primeiro ciclo ainda o engenheiro José Sócrates não tinha acordado. Comigo haverá inglês”, garantiu Menezes durante a apresentação do programa da sua candidatura, entre vários vídeos e palmas de apoiantes que encheram a sua sede.
Menezes promete inglês para todas as crianças do 1.º ciclo no Porto
Dá jeito pensar quando se quer criar uma marca
E esta é outra maravilha, anterior e talvez maior:
Continuar a lerDá jeito pensar quando se quer criar uma marca
Recordando o socialista que fundou o PSD
O plano da direita partidária era tão fácil de realizar que até os próprios o entendiam com facilidade. Encher a comunicação social de atiradores ao carácter de Sócrates e populistas de diverso calibre. Atacar os socialistas quando estes promoviam o investimento público. Atacar os socialistas quando estes promoviam a redução das despesas do Estado. Atacar os socialistas quando estes conseguiam a diminuição da pobreza e a modernização da economia. Atacar os socialistas quando estes chegavam a acordo com a Europa para evitar um resgate financeiro de emergência. Apostar na política da terra queimada. Mentir, mentir e mentir na campanha eleitoral. Tomar o poder e começar de imediato a empobrecer o País sem outro critério que não fosse o dos interesses da oligarquia. Lançar leis à maluca para ver se passavam no Tribunal Constitucional com o à-vontade com que passavam no Parlamento e na Presidência. Não passando, acusar o Tribunal Constitucional e a Constituição de serem forças de bloqueio. Repetir a dose até serem obrigados a largar o poder.
Não parece o plano mais inteligente do mundo. Talvez por estarmos perante um plano de estúpidos e para estúpidos. A literatura na imprensa e na blogosfera revela que o denominador comum dos apoiantes do Governo reside nisso de conceberem o Estado como se fosse a empresa do pai. E que fariam eles para salvar a empresa do pai? Despediam, cortavam salários e passavam a cobrar aos empregados a utilização da casa-de-banho. É tão simples que eles, pejados de razão e amor filial, até ficam à beira de um ataque de nervos quando ouvem os outros, aqueles que não são filhos do senhor seu pai, a falarem do Estado como sendo uma comunidade regida por um contrato social fundador e inserida num sistema económico com um bocadinho-inho-inho mais de complexidade do que a tal empresa paterna e sua caixa registadora.
Ora, esta direita partidária não esgota o tecido da direita portuguesa. Com outros protagonistas, outras teriam sido as decisões, outra teria sido a História. Por exemplo, em Março de 2011 um outro líder do PSD que igualmente se assumisse liberal poderia ter negociado com Sócrates a viabilização do PEC IV a troco de alterações constitucionais imediatas. Caso o PS as aceitasse, todos sairiam a ganhar – e, por “todos”, entenda-se todos os portugueses, pois se teria evitado a presente humilhação que coarcta a democracia e violenta a população, ao mesmo tempo que o regime teria ficado reforçado por mais uma alteração ao texto constitucional saída da nossa soberania. Caso o PS as recusasse, não seria preciso ter o PSD a mentir de fio a pavio e os eleitores saberiam o que estaria realmente em causa quando fossem votar. Por outro lado, a aprovação do PEC IV em nada impediria que o PSD chumbasse o Orçamento para 2012 e provocasse aí as desejadas eleições. Ou até que deixasse os socialistas levarem a legislatura até ao seu natural ou demissionário fim. Neste cenário alternativo, o PSD apareceria inequivocamente como uma força política responsável e patriótica. E podemos, apesar do enorme esforço, encontrar nomes para preencher a fantasia.
O que nos traz a memória de Sá Carneiro. Com esta figura, não teríamos apenas o aproveitamento da situação política em Março de 2011 para fazer avançar reformas que considerasse decisivas para o nosso futuro comum. Muito provavelmente, Sá Carneiro teria logo aproveitado a situação saída das eleições de Setembro de 2009 para propor uma solução governativa que nos tivesse protegido da destruição levada a cabo pela oposição durante a vigência do Governo socialista minoritário.
Donde vem esta minha retrospectiva convicção? Das suas palavras:
Se se limita a concepção de liberalismo ao campo exclusivamente económico e se tem como liberal aquele que preconiza a abstenção do poder político em relação ao campo económico e ao campo social, nesse sentido não sou liberal.
15-12-1971, (Entrevista dada à “República”)
Um Estado não se governa como uma empresa, e as leis não podem ser encaradas como ordens de serviço por melhores que sejam.
15-06-1971, (Entrevista dada ao Jornal “O Tempo”)
No Governo só deve ficar quem estiver, efectivamente, com o Governo e com o cumprimento do seu programa. De outra maneira é impossível governar.
18-11-1975, (Capítulo II – Entrevista a A Capital)
Ah, valente, arrefinfa-lhe!
Mentir numa comissão de inquérito é crime.
Coisas que podem acontecer
Da série “Chupei, mas não engoli”
Maria Luís Albuquerque garante que “condições dos swaps oferecidas pelo banco financiador não eram conhecidas do IGCP”.
Obrigadinho pela gargalhada, Monteiro
Henrique Monteiro interessa-me por ser uma daquelas figuras secundárias que representam mediaticamente a parte decadente da comunidade que somos. Tendo sido director do Expresso, e lá se mantendo como colunista destacado, é alguém que faz parte da elite jornalística e publicista portuguesa. Embora o adivinhe um excelente companheiro de almoçaradas e jantaradas, na escrita política é a banalidade que lhe vinca tanto o conteúdo como o estilo.
Eis que fez uma crónica paradigmática do que vale – Três conceitos a reter sobre a fragilidade da política – onde a banalidade é tão densa que adquire uma qualidade emergente, a da relevância. Cita Daniel Innerarity a propósito da sempre inatingível complexidade do presente histórico. E realça-lhe o corolário: não é justo pedir aos políticos um conhecimento que ninguém está em condições de obter. Pelo que o melhor será aceitarmos um qualquer grau de frustração inerente à actividade política, pois as nossas escolhas serão inevitavelmente imperfeitas. Estas são reflexões banais, no sentido de já terem sido ditas assim ou assado desde que os gregos inventaram a democracia. O exemplo duplamente clássico da consciência dos limites e constrangimentos do poder político, qual via trágica, é o de Péricles. Não consta que daí para cá a essência de governar democraticamente tenha sofrido alterações.
Ora, que leva o Monteiro a vir com este paleio, caso não se trate apenas de despachar serviço? Se a intenção fosse a de contribuir para a formação e salubridade do espaço público, de facto carente dessa ampla contemplação da natureza da política, então o nosso articulista seria coerente com o entusiasmo com que embrulhou a prosa. E, por exemplo, teria sido daqueles a espalhar moderação durante o período em que Sócrates era caluniado e o seu Governo boicotado para prejuízo nacional. Acontece que o Monteiro então director do Expresso fez precisamente o contrário. Não só alinhou nas campanhas negras, como recusou denunciar a Inventona de Belém, como ainda veio chibar-se de telefonemas privados à volta de notícias falsas cuja finalidade era só a de alimentar a baixa política. Desse tempo ficou uma sequela: o Monteiro entrava para a legião dos que detestavam Sócrates e que moldariam as opções políticas seguintes em função dessa paixão.
É isto que explica que Passos Coelho tenha no antigo extremo-esquerdista, clone do Zé Manel, um dos seus mais dedicados paladinos. E é isso que, finalmente, permite libertar uma homérica gargalhada para cima do parágrafo com que termina o sermão, pois se há carapuça que caiba nos bestuntos dos actuais governantes, os tais que em campanha eleitoral juravam ter as contas todas feitas e que a salvação estava garantida graças à sua superioridade moral, é esta:
Na verdade, a ideia de podermos criar uma espécie de paraíso na terra tem-nos custado muito caro. Seria bom que, sem colocar de lado as diferenças e as divergências (Innerarity também fala longamente sobre a radicalização das campanhas, que depois contradizem a necessidade de acordos para governar), percebêssemos que ninguém, nenhum de nós, sabe sair deste atoleiro. Mas que há uma forma simples de descobrir quem sabe ainda menos: os que fazem de conta que sabem.
Exactissimamente
Ando desde 2001 a dizer o mesmo que este gajo
Mas conversar do quê, Jerónimo?
“Como entender esta posição política do PS que tem lá a assinatura, em como está de acordo, e depois vem para Serpa ou para outros lados dizer que esta política da troika, do Governo, não serve. Retire a sua assinatura e então podemos conversar. Enquanto não o fizer, responsabilizamos o PS por esta política que realiza contra o nosso povo”, desafiou Jerónimo de Sousa, num almoço com cerca de 800 apoiantes, em Serpa.
Jerónimo de Sousa responsabiliza PS e chama atenção para desemprego
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O PCP conversaria com o PS caso este decidisse apoiar a saída de Portugal da União Europeia. Como o PS insiste em apoiar a presença de Portugal na União Europeia, o PCP não conversa com o PS. Isto é à prova de estúpidos. E está bem. É uma ideia, uma posição. Porque não? É tão legítima como outra qualquer. Recapitulemos: caso o PS queira que o PCP aceite conversar consigo, é favor anunciar que isto da União Europeia já não presta, vamos tentar viver de outra maneira. Ok.
O que me encanta é o exercício de imaginar o que seria essa conversa. Como o PCP não admite ceder nem um milímetro nas suas ambições políticas, tal situação levaria um grupo de arrependidos ao encontro de um grupo de juízes. A malta do PS entraria na sala curvada, de cabeça baixa e a choramingar, batendo no peito enquanto gritava “Perdão, camaradas!”, “Não voltaremos a cair nos braços da direita!”, “Viva o povo e o seu único defensor, o PCP!”. À sua frente estaria Jerónimo com um sorriso misto de desprezo e paternalismo, enfastiado por ter de gastar uns minutos a explicar aos socialistas o que deveriam fazer em ordem a dissolverem o PS e entregarem todos os bens ao PCP, o único partido que se justifica existir dado que a verdade não é plural – muito menos à esquerda, como Marx ensinou, Lenine aplicou e Estaline consumou.
Em nome de 7,8% do eleitorado, o PCP foi cúmplice do PSD e do CDS contra um Governo socialista numa situação em que estava em causa o interesse nacional num momento crítico da nossa existência comunitária. Para os comunistas, ajudarem esta direita de trastes a terem carta branca para empobrecerem Portugal literalmente à doida equivale a estarem a defender o povo e os trabalhadores. Tamanho vanguardismo democrático faz-me ter esperança de que um dia esse mesmo povo e esses mesmos trabalhadores tão exemplarmente defendidos pelo PCP se lembrem de ir conversar com o Jerónimo. É que o Jerónimo não tem lá a sua assinatura no papelucho, mas a História regista que sem a sua assinatura laranja no Parlamento tal papelucho talvez nunca tivesse aparecido. Creio que o materialismo dialéctico também abarca fenómenos desta tipologia.
Abram a pestana
Não foi este Governo que criou esta crise, mas foi este Governo que criou mais crise. Temos que ser justos.
António José Seguro, actual secretário-geral do Partido Socialista por decisão de 23.903 militantes
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Esta crise. Que crise é esta? Ou melhor, que crise é essa? Que crise é essa de que Seguro fala? Quem a criou? Foi um só Governo? Nesse caso, qual? Mais do que um? Nesse caso, quais? Ou nenhum, e a autoria da crise mora noutras paragens?
Seguramente que Seguro irá com segurança assegurar o eleitorado da seguríssima interpretação a dar a tão insegura expressão. Numa próxima oportunidade, haja paciência. Até lá, podemos pensar. Por exemplo, pensar que se este Governo criou mais crise, então há uma linha de continuidade que permite colocar “esta crise” num período anterior à entrada em funções deste Governo. Lógico. Mas, continuando agarrados à lógica, isso implica que a crise de que fala Seguro não se relaciona na origem com fraudes eleitoralistas, fanatismo ideológico, cálculos desmiolados, revanchismo histórico e violência social, as marcas indeléveis deste Governo. Não se relaciona porque não há memória de anteriores Governos, ou entidades por nomear, terem exibido tais características. Assim, o actual Governo terá acrescentado crise a um outro tipo de crise. E, portanto, para Seguro as fraudes eleitoralistas, o fanatismo ideológico, os cálculos desmiolados, o revanchismo histórico e a violência social não entram sequer numa qualquer categoria de crise.
É curioso, passando logo depois a ser desolador, ver aqueles que no PS defendem Seguro a copiarem a direita decadente. Para ambos, as críticas ao secretário-geral só se explicam por intenção conspirativa. Juntando a obsessão à paranóia, também ambos concentram as energias disponíveis na caça ao fantasma de Sócrates – de novo diabolizado naquele que fica como um inesgotável testemunho do seu poder político, tão grande quão maior é o pavor que espalha pelas hostes de adversários e, em especial, inimigos. Com certeza que há militantes e simpatizantes socialistas de valor apoiando com genuína convicção o actual líder, mas quando se abdica da resistência à crítica, e se passa a querer castigar o mensageiro, então a lucidez desapareceu e algo de apolítico está em marcha.
As debilidades de Seguro são tantas que a reductio ad Socratium não passa da desesperada cobertura das misérias próprias. Por isso a direita do pote já leva 5 anos dessa táctica, resultando no belo quadro de termos o País nas mãos de Cavaco, Passos e Portas. Se também no PS há quem queira imitar o que de pior a democracia portuguesa já gerou, então talvez o melhor seja fechar esta merda e mandar as chaves para o fundo do Mar da Palha.
Haverá tabuísmos em número suficiente na língua portuguesa para comentar isto?
«A terceira idade precisa de ver reforçado muito do apoio central que é dado por governos como este que nós representamos», afirmou o porta-voz do PSD, durante uma iniciativa de campanha do seu partido para as eleições autárquicas de 29 de setembro.
«Esses pensionistas, que são mais de um milhão e 200 mil no nosso país, sabem que no tempo do PS no Governo eles eram esquecidos e não viam as suas pensões aumentadas, e agora, com o PSD no Governo, apesar de todas as dificuldades que temos passado, esses pensionistas sabem que por dois anos consecutivos nós aumentámos as suas pensões», referiu.

