Arquivo da Categoria: Valupi

No labirinto da impunidade

Pode não ter havido intencionalidade política no calendário escolhido para a “Operação Labirinto”, sendo que a sua complexidade logística tende a invalidar essa hipótese. Ou pode ter havido e ser impossível de descobrir. Onde não há qualquer dúvida é nos benefícios para Paula Teixeira da Cruz da data para o caso se tornar manchete. E mesmo admitindo sem esforço que as datas policiais são benévolas e só tiveram em conta os interesses da investigação e da Justiça, a ministra tratou de explorar politicamente a ocasião:

Sucinto e sem grandes rodeios: "ninguém está acima da Lei, não há impunidades, independentemente do cargo que se ocupa e seja quem for". O Ministério da Justiça reagiu assim às buscas realizadas pela Polícia Judiciária - e consequentes 11 detenções - por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato, no âmbito de uma investigação sobre atribuição de vistos gold.

Fonte

A palavra fetiche aqui é “impunidade”. Como é sabido, antes de Paula Teixeira da Cruz ser ministra e ter decidido queimar caluniosamente os nomes, as carreiras e as vidas de dois técnicos da Judiciária para tentar escapar às suas responsabilidades reinava a impunidade. Havia gabirus acima da Lei, geralmente em trânsito para a Venezuela carregados de computadores Magalhães. Era o grande regabofe, tudo a sacar bastando mostrar o cartão rosa.

O povo sabe bem que a impunidade acabou, tamanho o castigo que está a pagar.

Kadê Kobani?

Desapareceram as notícias sobre Kobani. De relatos diários, até horários, sobre os avanços e recuos, os voos e bombardeamentos, os feridos e mortos, passámos para o silêncio total após as notícias da chegada de guerrilheiros sírios e curdos do Iraque e também da cooperação da Turquia com os EUA, no final de Outubro.

Pede-se aos maluquinhos das teorias da conspiração para se chegarem à frente e aproveitarem a oportunidade de ocupar o vazio enquanto ele dura.

Baldaia’s effect

Finalmente, um órgão de comunicação social disponibilizou-se a discutir o tropo “Sócrates” com racionalidade. Foi a TSF, no Fórum de hoje, assim quebrando um tabu que tem servido tanto os interesses da direita decadente como os da esquerda sectária. Voltarei a esse programa na sua integralidade posteriormente. Por agora, quero só pegar na primeira intervenção opinativa que nele ocorreu.

O meu problema com o Paulo Baldaia não resulta de ele ser jornalista nem de ser director da TSF. Ainda menos de ele adorar Cavaco e de não suportar Sócrates. O problema consiste no facto de ser apresentado como director da TSF para efeitos da sua manifestação mediática do amor a Cavaco e do ódio a Sócrates. É uma promiscuidade que afecta a opinião pública porque procura esconder a sua desonestidade intelectual num canal de enorme influência.

Isso levanta questões acerca do jornalismo de opinião, o qual pode ser uma função crucial na promoção da participação cívica e do esclarecimento político ou, caso seja pervertido, acaba por estar ao serviço de agendas particulares e, dessa forma, ser uma arma de combate político ilegítima quando não assumida. Ora, e salvo melhor raciocínio que estou disposto a acolher, não é suposto que o director da TSF tenha um papel activo no revisionismo da História recente de Portugal. Já a pessoa que dá corpo ao director da TSF pode acumular esse cargo com outras tarefas sem ser necessário originar um conflito de estatutos e de interesses. Bastaria que fosse apresentado como “comentador” quando aquilo que vai fazer é dar a sua opinião em vez de estar a dirigir a TSF.

Repare-se no que voltou a despejar:

– Sócrates foi responsável pela vinda da Troika.
– Sócrates foi responsável pelo Memorando.
– Sócrates foi responsável pela austeridade imposta por este Governo.
– Uma parte significativa do eleitorado vê em Sócrates o responsável pela crise.
– Com Seguro, não havia ataques do PSD e do CDS contra Sócrates.
– Os ataques a Sócrates retiram votos ao PS.
– Foram os ataques a Sócrates que levaram à vitória do PS por pouca margem nas europeias.
– Quando os eleitores se lembram do que aconteceu há 4 anos temem que, com Costa por causa de Sócrates, venha aí mais do mesmo.
– Sócrates tem muitos anticorpos no eleitorado flutuante.

Falar de ódio a Sócrates pode parecer completamente desajustado perante o modo como Baldaia oraliza ou escreve. Contudo, a sua intenção é sempre a de contribuir para o discurso da culpa. Ele descontextualiza os acontecimentos, não é equânimo na análise e pretende espalhar e reforçar uma certa imagem negativa de Sócrates e de qualquer figura que identifique como “socrático”. Nesse sentido, Baldaia usa o seu estatuto como director da TSF para reforçar o impacto dos seus ataques. Quão mais isenta parecer a sua opinião, mais tóxica ela ficará no espaço público.

2011 ainda não passou para este grupo largo de jornalistas que foram também decisivos para o desfecho das eleições nesse ano.

Os trapos e os velhos

Baptista-Bastos tem a idade dos meus pais. É uma figura que representa um jornalismo de compromisso político idealista e estilo romântico. É também um escritor com vasta obra. Faz parte do folclore das celebridades castiças, inócuas e identitárias com que muitos cresceram em corpo e alma.

Diz que foi despachado do DN como se manda fora um trapo velho, sem piedade nem paciência. A sua prosa gongórica, pelos vistos, não cabe no novo posicionamento do jornal. Muitos estranharam a decisão. Eu, pelo menos. Que pena não haver o hábito, ou a frontalidade, de ter o responsável, ou responsáveis, a dar conta das suas razões para a contratação ou exoneração de colunistas. O caso não levou ninguém a perder duas calorias públicas com ele (que eu saiba).

Como revela nesta crónica – Agora, aqui – não esteve muito tempo no desemprego como publicista, nem um dia. O Correio da Manhã tinha espaço e dinheiro para ele. E ele voou para lá sem hesitar, conformado ou feliz.

As razões que levam alguém a querer colaborar com o CM de forma a que o seu trabalho contribua para as vendas do jornal e que das vendas venha uma qualquer remuneração para si podem ser, e serão, as mais variadas. Eduardo Cabrita, Rui Pereira, Maria de Belém e António Costa já o fizeram recentemente. Não consta que estas pessoas tenham uma carreira política onde o sensacionalismo e o populismo, os assassinatos de carácter e as perseguições de ódio, tenham sido explorados por si ou a seu favor. Camaradas e (presumo) amigos seus foram e são vítimas delas nesse jornal, tal não impede, ou impediu, o seu contributo autoral para o sucesso dessa máquina de emporcalhamento da comunidade ao serviço de uma agenda política precisa e sistemática. Por que raio tinha o Baptista-Bastos de ser diferente?

Velho não é ter 80 anos. Agostinho da Silva tinha 84 anos quando gravou as Conversas Vadias. O que lá ficou registado mostra que ele foi o mais jovem de todos os participantes no programa, incluindo dois chavalos do Secundário. Adriano Moreira tem 92 anos e é a voz mais fresca e refrescante da direita e da cidadania portuguesas. Ser velho é desistir. Ser velho é já só se ter a si para dar importância a alguém.

Tu que sempre falaste do alto da montanha, reclamando essa pureza de ar e de vistas, agitando a bandeira da lucidez implacável, foste para o meio da porqueira a troco de uma manjedoura só com restos putrefactos. Estás velho, pá.

Sondemos

 

.

Bruno e o Facebook

Estava encostado à bilheteira. A não-sei-quantas viria entregar-me o bilhete. Que era só um bocadinho. As luzes alaranjadas da estação, embrulhadas na humidade negra, reclamavam o protagonismo na paisagem. Ao seu lado, as rulotes descansavam. Eram cada vez menos os que corriam de um lado para o outro, sobravam os que tinham como fatalidade sofrer à porta do templo. Súbito, recordei-me daquela vez em que escolhi passar de ano sozinho. A meia-noite explodiu no perímetro da minha solidão. E desabou implacável. Gritos, urros, foguetes, tachos, músicas inclassificáveis sucederam-se durante longos minutos de morte e ressurreição. Eis o que o cliché queria dizer, estar sozinho no meio da multidão era aquilo. E aquilo era a derrelicção, seja lá o que este palavrão signifique. Também ali, enquanto a não-sei-quantas andava a fazer não sei o quê em vez de me vir entregar o bilhete, enquanto se jogava há mais de 7 minutos, enquanto o estádio resfolegava e guinchava a toque de espora e chibata, virado para um campo grande e encostado a um campo enorme, se podia sentir essa solidão acompanhada donde se contempla a verdade. A verdade era a de que me podia ter enganado na bilheteira.

Entregue isto ao vosso presidente de merda!” – berrou o pequeno homem que entrou em cena pela direita. Fiquei a olhar para ele ao se afastar e ir ter com um grupo de 3 ou 4 que assistiam impávidos. Por pudor, evitei olhar para o postigo ao lado onde foi entregue certa coisa cujo destinatário era o meu presidente. Não vi o que era, mas não poderia ser grande. Esse era o único dado sobre o qual as dúvidas eram nenhumas perante o tamanho da abertura na vidraça. Que seria? Um bilhete para o jogo? E, nesse caso, tratar-se-ia do meu bilhete? Ou seria o cartão de sócio? Ou o cartão de cidadão? O boletim de vacinas? Uma colecção de selos? Um exemplar da Análise Social que escapou à censura do José Luís Cardoso? Irei carregar o enigma até ao fim dos tempos. Felizmente, para meu alívio mental, pouco depois apareceu uma figura que rivalizava em heterodoxia com o sujeito que envia coisas ao presidente via bilheteira. Este era um rapagão alto, nos seus vinte e muitos ou trintas, devidamente fardado para a ocasião, que conseguiu passar a barreira dos seguranças recorrendo a um ousado argumento: queria fazer-se sócio e ir ao jogo. Ou seja, a sua esperança era a de ainda conseguir entrar no estádio antes do nascer do sol. Alegava que lhe tinham dito ser possível fazer a magia na “loja Stromp”. Fiquei a pensar que tamanha manifestação de fervor leonino é que merecia um prémio Stromp. E ele devia estar a pensar exactamente como eu, porque mesmo depois de lhe explicarem que os bebés não vêm de Paris no bico de uma cegonha, menos ainda por TGV agora que o Sócrates foi corrido, ele continuava na zona da bilheteira, imóvel, olhando para um ponto no horizonte que não devia estar longe posto que na direcção do seu olhar apenas se vislumbravam prédios muito feios e camionetas horríveis. Nisto, materializou-se a não-sei-quantas. Não tinha bilhete algum para mim, nem sequer meio bilhete. Era na outra bilheteira que me conheciam e estimavam.

Continuar a lerBruno e o Facebook

Revolution through evolution

This just in: Political correctness pumps up productivity on the job
.
Bad Girls Gone Good: How Disney Is Reinventing the Villainess
.
Why Women Buy Magazines That Promote Impossible Body Images
.
‘Aging well’ must be a global priority, experts say
.
Sadness lasts longer than other emotions
.
A Veteran Who Survived Three Wars Wins New Battle Over Heart Disease
.
Monkeys Know What They’re Doing

Continuar a lerRevolution through evolution

O banco do regime, disse ele

"Os depositantes têm razões para ter toda a confiança quanto à segurança que o Banco Espirito Santo oferece às suas poupanças", disse Pedro Passos Coelho.

"Uma coisa são os negócios que a família Espirito Santo tem e outra coisa é o banco. É muito importante que os agentes portugueses e os investidores externos consigam, não apenas perceber bem esta diferença, mas estar tranquilos relativamente à situação do banco", sublinhou.

"Não tenho nenhuma razão para pôr minimamente em dúvida a tranquilidade, que deve ser preservada ao nível do nosso sistema financeiro e bancário", acrescentou Passos Coelho.


Julho, 2014

Portugueses com defeito

É a maior praga da estupidificação nacional através da fala. A repetição da expressão “por defeito” como tradução do inglês “default“.

Ao contrário do que se escreve no Ciberdúvidas, e sendo suficiente para desconfiar de tudo o resto que lá esteja escarrapachado tal a gravidade da calinada, não estamos perante uma tradução literal por aquela que devia ser uma óbvia razão: “defeito” não é sinónimo de “falta” – “falta” é que pode ser sinónimo de “defeito”.

Quando se começou a usar “default” no contexto informático de língua inglesa, a situação descrita remetia para uma ausência de alteração num dado estado de um dado sistema, geralmente considerado inicial do ponto de vista da utilização. Não consta que a definição tenha mudado entretanto. Essa “falta” não tem nada de errado, pelo contrário. É apenas a circunstancial privação da mudança. Logo, carimbar uma condição bondosa, nascida da alta inteligência dos magníficos engenheiros informáticos, com o selo de “defeito” é uma prática curiosa, até exótica, mas a qual devia preocupar os que ainda não desistiram de falar português.

Claro, para falar português é preciso pensar. Para traduzir “default” apenas de ouvido, acabando por usar uma palavra que transmite o seu oposto, já não é preciso nem é recomendável. Mas talvez a explicação do fenómeno seja a de que, por defeito de origem, os portugueses estão demasiado ocupados com os seus problemas e não conseguem arranjar tempo para pensar.

Bronco de Carvalho

Antes de não gostar do Bruno de Carvalho já não gostava dele. Cheirava-me a fraude, soava-me a bazófia de quarta categoria. Chungaria engravatada.

Depois ganhou. Depois acalmou. Depois, na ânsia de se apresentar como o novo Pinto da Costa, começou a mostrar que era meio tonto. E agora provou que é completamente chanfrado da corneta.

Eis o que este bronco se lembrou de ir dizer para o Facebook:

“Este fim-de-semana jamais poderá ser esquecido. Quer a equipa principal quer a equipa B brindaram os sportinguistas com péssimas exibições que não dignificaram o nosso clube e a nossa camisola. Não demonstraram garra nem vontade de vencer e isso é lamentável só nos restando pedir desculpa por não termos sido dignos do clube que representamos”, referiu o presidente através de uma mensagem no Facebook.

“Agora não é tempo de levantar a cabeça, é tempo de nos mostrarmos dignos deste clube e demonstrar que não são apenas os nossos sócios e adeptos que se esforçam ao limite das suas forças durante os jogos, mas que nós profissionais também somos capazes de o fazer em todos os jogos”, acrescentou Bruno de Carvalho.

Em que livro de gestão ou recursos humanos, de psicologia ou dinâmica de grupos, o animal foi buscar o conselho para humilhar publicamente um conjunto de profissionais que praticam uma actividade sujeita a factores aleatórios e ao mérito do adversário, a qual depende para o seu eventual sucesso não de ameaças mas de prémios, honras e boa comunicação interna? Que acha ele que vai acontecer a seguir?

Tragicamente, é cristalino o que lhe passa na cabeça. Estamos perante um ogre narcísico e primário, o qual acredita que as vitórias são um efeito do temor que consegue espalhar na rapaziada. Encontramos esta disfunção amiúde em cargos de chefia, é uma das perversões relacionais mais comuns onde haja hierarquias. Neste caso, revela também uma concepção mecânica e voluntarista da prática desportiva, uma visão infantil – portanto, alucinada – onde as vitórias seriam a consequência directa de uma superior ambição. É o reino do pensamento mágico. É o inferno dos tiranetes.

Citando Umberto Eco muito à distância na memória, só os fúteis consideram que as coisas fúteis são fúteis. O futebol é fútil. Mas já não há nada de fútil na importância social e antropológica, e também económica, do futebol. A função de dirigente de um clube como o Sporting oferece um palco mediático de enorme influência. Algo de belo pode ser alcançado a partir daí. Por exemplo, imaginemos que um presidente de um grande clube pedia aos sócios e adeptos para passarem a aplaudir as equipas adversárias e os árbitros à entrada e à saída do relvado nos jogos em casa, fosse qual fosse o resultado. Seria revolucionário, para além de ser excelente marketing. Mas com alimárias como o Bruno de Carvalho aquilo que nos sai na rifa é um fulano que pensa que ainda está na Juventude Leonina a fazer esperas aos jogadores para os insultar e agredir quando há derrotas.

É fácil de resolver

Caso Guterres não queira concorrer nas presidenciais de 2016, o melhor candidato passa a ser Carlos César. E que bem que Portugal ficaria com um açoriano como Presidente da República, olá.

Porém, se fosse eu a decidir dos destinos do mundo, Sócrates candidato às presidenciais em 2016 seria a receita de que a política nacional precisa para voltar à vida. E ganhando, esse ficaria como o maior castigo que Cavaco poderia sofrer.

Infelizmente, não vejo nenhuma mulher como potencial candidata na área da esquerda. Diz muito do País, mas talvez ainda mais da esquerda.

Revolution through evolution

Liberal or Conservative? Brain Responses to Disgusting Images Help Reveal Political Leanings

.

Ancient Auditory Illusions Reflected in Prehistoric Art?

.

A Battle for Ant Sperm

.

Giant Tortoises Gain a Foothold on a Galapagos Island

.

To Reap the Brain Benefits of Physical Activity, Just Get Moving!

.

The Science of Charismatic Voices

.

Scientists propose existence and interaction of parallel worlds: Many Interacting Worlds theory challenges foundations of quantum science

"The idea of parallel universes in quantum mechanics has been around since 1957," says Professor Wiseman.

"In the well-known "Many-Worlds Interpretation," each universe branches into a bunch of new universes every time a quantum measurement is made. All possibilities are therefore realised - in some universes the dinosaur-killing asteroid missed Earth. In others, Australia was colonised by the Portuguese.