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O Alvar

Ricardo Paes Mamede voltou a um tema onde tem deixado serviço público, o diagnóstico do que obrigou Portugal a pedir o resgate de emergência em 2011: O “compadrio” não explica a “bancarrota”. A motivação nasceu-lhe das declarações de Álvaro Santos Pereira na semana passada, por sua vez repetindo o que tem dito desde 2018, pelo menos. Como motivação extra, o contexto em que a direita talibã explorou o ridículo fantasma de ter existido censura de Centeno no recente relatório económico sobre Portugal elaborado pela OCDE e dirigido pelo ex-ministro de Passos Coelho. Nesta edição de O Outro Lado, Pedro Adão e Silva explica o que está em causa quando o tema da corrupção é tratado com isenção, objectividade e rigor; de caminho expondo a lógica que o leva a ser invariavelmente usado como arma de arremesso político, campanha suja e assassinato de carácter.

Dizer em 2019 que não foi a “corrupção”, nem as políticas “despesistas” dos Governos socialistas, nem as “gorduras” do Estado, nem muito menos o vivermos “acima das nossas possibilidades”, o que levou o País para a violência da “austeridade salvífica” da Troika&Passos não tem o mesmo valor de tê-lo dito em cima do acontecimento – e houve quem o dissesse, não tendo esses de alterar um milímetro a sua posição de então. Ora, a pedagogia de Paes Mamede é factual e salutar, mas igualmente superficial, ou contida, por questões ideológicas. Como académico, evita tomar partido na vexata quaestio da aliança negativa que afundou Portugal ao chumbar o PEC IV, suspeitando eu que a sua opinião na matéria não se recomende. Para o que mais importa, a sua voz confronta aqueles que usam a economia e a sociologia para mentir e enganar. Transformar a Grande Recessão num acontecimento doméstico reduzido às alarvidades do TGV e aeroporto não construídos e às pulhices da indústria e cultura da calúnia é da maior relevância quando quem nos está a tentar tourear se propõe governar ou influenciar a governação. Como é aqui o caso do Santos Pereira, alguém que se aproveitou do estatuto e poleiro da OCDE para se inscrever na lista dos justiceiros que apenas precisam de repetir o vocábulo “corrupção” para se imaginarem Torquemadas instantâneos que nos vão limpar a alma.

Quando escrevi sobre o Álvaro, há dias, estava a comentar as suas declarações na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, LIberdades e Garantias. E só por elas, para mais atendendo à responsabilidade inerente a se estar na Assembleia da República, já dava para ver o grau de desonestidade cívica e encardida trafulhice que o senhor exala de cada vez que abre a boca para falar de política. Mas depois li uma entrevista e fiquei banzo por voltar a ser capaz de me surpreender com a inanidade da figura. Devo ao trabalho de Elizabete Miranda e Sónia M. Lourenço a experiência, pois elas foram exemplares no questionamento. Foi uma atitude profissional tão puramente jornalística que justifica o dinheiro gasto com o Expresso nesse número, mesmo que tudo o resto à volta fosse o merdelim sectário do costume (e não é só, também lá escrevem cidadãos cuja opinião e intervenção na sociedade são preciosas para o nosso futuro comum). Caso se imitasse essa tolerância zero à vigarice intelectual com todos os outros que se servem da temática da corrupção apenas para prosseguirem agendas privadas, políticos e comentadores, algo revolucionário aconteceria no ecossistema mediático: a decência abriria espaços por onde, finalmente, conseguiria nascer alguma inteligência sobre a problemática.

A vacuidade deste peralta merece ser conhecida. Infelizmente, é a esta (e tão pior) qualidade humana que a direita portuguesa tem ficado restringida por falta de talento e amor à cidade.

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Ainda esta semana dizia no Twitter que, “se o silêncio sobre a corrupção e o compadrio interessa a alguns, a verdade é que este silêncio é um autêntico cancro para a democracia”. Que silêncio é este e quem o promove?

Acho que mais do que estarmos a falar sobre quem o promove, nós todos, jornalistas, políticos, pessoas que trabalham nas organizações internacionais ou se dedicam à causa pública, têm o dever de promover o combate à corrupção. Contra a falta de transparência, de integridade, que existe na vida pública. É preciso lembrar que Portugal foi à bancarrota em grande parte por práticas de corrupção e compadrio entre o Estado e os privados; os problemas que temos nos bancos muito têm a ver com essas políticas. A próprias regras da energia não só existem — e alguns esforçam-se por negá-las — como claramente têm a ver com questões de compadrio e eventualmente corrupção também. Estamos a falar de temas muito importantes para a economia nacional. É preciso não ter medo de falar do combate anticorrupção. Gostaria de perguntar quem é que tem medo de falar sobre corrupção.

Alguém tem medo em Portugal?

Eu acho que há pessoas que têm medo de falar sobre corrupção.

Quem?

Há pessoas que acham que o tema é incómodo.

Situa aí o Governo, membros do Governo?

Terá de perguntar ao Governo.

Cruzou-se com muitos casos de corrupção quando foi governante?

Eu não me cruzei pessoalmente com casos de corrupção, agora claramente... repare, se há um tema de que me orgulho foi de lutar contra as rendas na energia, contra as rendas nas parcerias público-privadas. Foi, quando era preciso, denunciar às autoridades competentes. Foi noticiado que chegámos ao cúmulo de ter leis para o privado escritas pelo próprio privado. Como é possível os deputados da nação calarem-se com um escândalo destes? Como é possível não termos a Justiça e os políticos a insurgirem-se contra esta questão? Isto é gravíssimo. Outro caso: passaram quase oito anos sobre a crise financeira que nos levou ao resgate; passaram quase cinco anos sobre a maior fraude financeira que este país viu. Onde estão as pessoas julgadas? Continua a haver uma prática de impunidade quando devia haver uma cultura de integridade.

A quem atribui a responsabilidade no BES?

Em parte tem a ver, sem dúvida alguma, com os meios que se dão à Justiça. E isso está no relatório da OCDE: é inaceitável que continuemos a ter de retirar recursos de um megaprocesso para o outro, porque não há pessoas suficientes. Isso para mim é inadmissível. Por outro lado, acho um escândalo que em Portugal se permita que as pessoas vão de recurso em recurso até mais não poderem, até morrerem de velhos, sem serem julgados. O sistema político e judicial tem de trabalhar com muito afinco para acabar com esta pouca-vergonha e com esta impunidade. Basta de impunidade neste país.

Na auscultação que fez aos agentes da Justiça para produzir o relatório da OCDE, passaram-lhe essa ideia de impunidade e silenciamento?

Passaram-me a ideia, certamente, de que muitas vezes não tinham recursos suficientes. Principalmente estão muito preocupados com os próximos anos, porque muitos procuradores vão-se reformar. Mais do que isso, existem muito poucos meios para treinos especializados para os procuradores dos crimes económico-financeiros. A ministra da Justiça ainda esta semana lançou alguns propósitos importantes, para reforçar os meios da Justiça, mas não basta. É preciso lembrar que a prática jurídica portuguesa não é satisfatória. Para julgarmos alguém num megaprocesso vamos ter de provar que a pessoa tem crimes de branqueamento de capitais, de evasão fiscal, de corrupção ativa e passiva, julga-se o processo inteiramente. O que se faz noutros países é dividir por áreas e a pessoa acaba por ser julgada muito mais cedo. O próximo Governo tem de avançar com medidas claríssimas no combate à corrupção. Avançar com um plano nacional contra a corrupção com linhas diretoras sobre exatamente o que fazer nos próximos cinco anos. E com a criação de uma agência nacional contra a corrupção.

Com que funções?

Que possa auxiliar e ajudar o Ministério Público, as entidades que lutam contra o crime económico-financeiro, para fazer a ligação ao poder político e também para poder avançar com a luta anticorrupção. Depois, é preciso avançar com temas que dizem que são inconstitucionais e eu não percebo como. Como é que é possível darmos a desculpa da inconstitucionalidade para não termos procedimentos claros contra o enriquecimento ilícito? Ou quando sabemos que tribunais especializados podem ajudar na resolução dos problemas de corrupção e compadrio? Se é inconstitucional, mude-se a Constituição. A cultura de impunidade neste país tem de acabar.

Dá a ideia de que Portugal é um país de corrupção generalizada.

Não. E aliás houve algumas pessoas que diziam que a OCDE comparava Portugal a países de Terceiro Mundo. Ninguém está a dizer isso. Agora, há cada vez menos dúvidas de que Portugal foi à falência em 2011 por problemas de corrupção e compadrio.

E também na Grécia, e também na Irlanda...

...não quer dizer que tenha sido motivo único, mas houve práticas erradas fomentadas por práticas de corrupção e de compadrio que devem ser punidas.

Refere-se à Operação Marquês ou a políticas públicas concretas?

Houve várias práticas irresponsáveis.

Irresponsáveis, logo corruptas?

Claramente ligadas a práticas de corrupção e compadrio.

Então, em sua opinião, alguns dos membros do Governo Sócrates já deviam estar presos?

Não é isso que estou a dizer. Estou a dizer é que, primeiro, a Justiça devia ter meios próprios para avançar, que estas práticas de corrupção e compadrio devem ser julgadas o mais rapidamente possível, e que temos de avançar com mecanismos de prevenção futura.

Este braço de ferro com Portugal deixou-o desiludido com algumas pessoas, ou já tinha perdido a virgindade quando passou pelo Governo?

Não tenho nada que estar desiludido ou deixar de estar. Recebo pressões de governos a toda a hora. O que me desilude é que os partidos políticos não estão a fazer o serviço que deviam estar a fazer à nação.


Fonte

No Observador contam-se as espingardas, literalmente




Observador&Cofina

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Funciona assim: a Cofina faz o trabalho sujo, e o Observador, o Expresso e o Público expandem o seu alcance e legitimam o seu intento. A simbiose perfeita ocorre no Observador, tendo estado no topo da página durante 18 horas o conteúdo que deu origem aos comentários acima extraídos. O que não passa da exploração da miséria material e psicológica de um indivíduo, cuja manipulação não acrescenta qualquer informação válida seja para o que for com digno interesse público, esteve um dia inteiro como “notícia” mais importante no blogue dos talibãs oligárquicos que combatem a oligarquia; berram eles sem se rirem, feito heróico dada a profundeza do deboche onde estão mergulhados.

Que diriam José Manuel Fernandes, Rui Ramos, Helena Matos e Alberto Gonçalves se existisse um qualquer órgão de comunicação social onde nas suas caixas de comentários fosse permitido apelar ao assassinato de políticos do PSD ou do CDS, e ainda de militantes e simpatizantes? Que escreveriam semanalmente se existisse em Portugal alguma coisa levemente parecida com a Cofina mas dedicada à perseguição sistemática, canalha e criminosa da direita portuguesa?

Acontece ser fácil de imaginar o agrado com que os responsáveis, ideólogos e operacionais da Cofina e do Observador olham para a vox populi que os procura e se embriaga com os apelos à guerra civil lançados pelos escribas assanhadíssimos e impiedosos. Uma pulsão linchadora, alimentada pelo filão inesgotável chamado Sócrates, que é inerente à natureza humanamente selvagem dos brutos, dos alienados e dos facínoras sempre a precisar de carne para os seus canhões. Mas será que o Alberto Gonçalves, a Helena Matos, o Rui Ramos e o José Manuel Fernandes pretendem ver as alimárias que atiçam contra quem odeiam a tomar o poder? Jamais, bastou-lhes uma Bastilha. Sem a menor hesitação, declaram adorar o Estado de direito democrático, a liberdade, a civilização, a paz. Mas com uma ressalva: não já, só quando a Grei estiver nas mãos da gente séria.

Esta direita decadente anda há anos a chafurdar nos crimes que comete e explora com o conluio de agentes da Justiça. Falta-lhes um crime de sangue para se sentirem não só vingados como reconfortados. É a guerra, concluem com um sorriso ao contemplarem a bufeira demente dos voluntários para a matança.

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Gender parity is not inevitable and deliberate intervention may be required
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The whisper room: Moderates on Twitter are losing their voice
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Carrega, Benfica!

«Tenho a certeza que Ronaldo, o Mourinho e outros, nunca mais vão cair nas mãos dos conselheiros que os fizeram entrar nestes esquemas criminosos.»

Ana Gomes

«Sabemos que o dirigente máximo do clube [Luís Filipe Vieira] está referenciado em várias listas de grandes devedores do país por vários empréstimos não pagos. Há todo um passado de delinquência ligado a essa pessoa.»

Ana Gomes

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É fácil admirar Ana Gomes. Tem uma vida de apaixonada entrega ao serviço público, não se duvidando da sua vocação para representar os cidadãos que votam, que pagam impostos, que têm direitos. Está também associada directa e presencialmente a um momento de orgulho pátrio, quando o País se uniu para acabar com os crimes cometidos pela Indonésia sobre os timorenses. A sua coragem nesse processo, que mais não fosse, chegaria para lhe dar um lugar na História de Portugal.

Depois de abandonar a diplomacia, tem-se notabilizado pela carreira no Parlamento Europeu, eleita pelo PS, e ainda pelas suas denúncias de casos de corrupção. Aqui, não se coíbe de disparar para dentro do partido, sendo uma das vozes socialistas que, sem precisar de estar à espera dos demoradíssimos e chatíssimos trânsitos em julgado de eventuais condenações, publicamente considera Sócrates e sus muchachos (bué deles, certamente) como um bando de corruptos. Vê-la em televisiva sintonia com Carlos Abreu Amorim nessa matéria foi para mim um espectáculo de que ainda não recuperei.

Ora, aqui está ela de novo a perseguir criminosos. O que esta pessoa não faria à frente de uma esquadra da PSP, ou mesmo da Judiciária por inteiro, podemos imaginar a inaudita limpeza na gatunagem que de imediato aconteceria. Como se lê acima, a nova perseguição ocorre no mundo do pontapé na bola e apresenta esta curiosidade: acerca do Ronaldo e do Mourinho, Ana Gomes sabe que esses dois meninos estão inocentes, tiveram foi o azar de “cair nas mãos dos conselheiros” e depois não tiverem outro remédio senão “entrar nesses esquemas criminosos” sob pressão dos esmagadores apêndices braçais; já quanto ao presidente do Benfica, que não consta tenha sido alguma vez condenado por nada de nada, Ana Gomes informa o povo de estarmos perante um mânfio que começou cedo no gamanço disto e daquilo. Através de que investigações descobriu estas coisas todas? Não explicou. Talvez por falta de tempo.

Apesar de andar há tantos anos a denunciar corruptos, usufruindo de poderes especiais para aceder a documentos e dados especiais, não me lembro de qualquer caso em que devamos a Ana Gomes o mínimo contributo para levar um suspeito de crime à Justiça. Vou repetir: sequer no plano em que se torne legítimo lançar a suspeita sobre alguém, para posterior e adequadamente ser investigada pelas autoridades competentes, não consigo nomear um singelo nome. E mesmo que esteja enganado, não me enganarei ao declarar que gostava de ver Ana Gomes condenada por difamação e calúnia devido aos danos causados ao Benfica e ao seu presidente. Talvez só assim a senhora conseguisse admitir que não precisamos de justiceiros, precisamos é de cidadãos que não abdiquem da sua soberania sobre a Justiça – leia-se, cidadãos que preferem um criminoso à solta do que um inocente preso ou sem direito ao bom nome.

Em vez de criminalizar o enriquecimento ilícito não seria melhor ilegalizar o enriquecimento criminoso?

«O antigo ministro frisou: "este país foi à falência não só por políticas erradas, mas também por práticas de compadrio e corrupção entre Estado e privados". E elencou um conjunto de propostas para combater a corrupção e aumentar a transparência. Nomeadamente, as ideias de se avançar com um plano nacional contra a corrupção, criar uma agência nacional contra a corrupção, lançar um tribunal especializado e avançar com leis contra o enriquecimento ilícito, ou acabar com os recursos ilimitados dos acusados de corrupção, aguardando o resultado dos recursos em liberdade "até morrerem de velhos ou os processos prescreverem".

Outras das propostas avançadas por Álvaro Santos Pereira passam por reforçar a Procuradoria-Geral da República, nomeadamente em termos de recursos humanos, e lançar uma política de zero euros de prendas, não só para membros do Governo, mas também na Administração Pública.»

Fonte
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Que saudades de um político com o nível intelectual, o carisma político e a estatura moral do Álvaro Santos Pereira. Um dos tais raríssimos políticos que não mente, não teme e, acima e antes de tudo, não corrompe nem se deixa corromper por prendas de valor superior a zero euros. É alguém desta estirpe que devemos colocar à frente do combate à bandidagem socialista e blococentralista, escória que domina as polícias e os tribunais, já para não falar na comunicação social que amordaçaram (como se pode ler e ouvir na “imprensa de referência” onde estão sempre a falar no assunto com justíssima indignação).

As soluções do Álvaro são as que se impõem, vai sem discussão. Trata-se, no fundo, de multiplicar o número dos actuais magistrados no Ministério Público pelo número de militantes do PS (uma fórmula que o senhor inventou no Canadá e tem agora a generosidade de partilhar connosco) de modo a acabar com essa desgraça que vem dos tempos do Condado Portucalense, isso de os corruptos aguardarem em liberdade “até morrerem de velhos ou os processos prescreverem“. Com o Álvaro a mandar nisto, provavelmente esses tais corruptos não chegariam a morrer de velhos e jamais se aceitaria a prescrição de processos que dão tanto trabalho e despesa a montar.

Um Estado de direito democrático pode ficar com a consistência de um pastel de nata? Para o bravíssimo Álvaro, não só pode como deve.

Marcelo e Octávio apanhados em escutas

- Assim, Sr. Octávio?

- Vá lá, Marcelo, segura-me isso com garra, pá!

- Está muito bonita, Sr. Octávio. De facto, isto do fogo dá fotos espec...

- Não 'tá só bonito, Marcelito, olha-me 'pró título: "CM não esquece". Topas? Hã?... Quem não esquece não perdoa, e quem não perdoa... Quem é que não perdoa?!... Mamma mia! Topas, pá?... Ahahahah... Até se cagam todos, os filhas da...

- Ó Sr. Octávio, por favor, não se enerve, não se enerve...

- Ok, pá. Olha, sabias que vamos acabar com os fogos em Portugal?

- Como diz, Sr. Octávio?

- Já mandei publicar: "Tragédia de 2017, com mais de 100 mortos e 500 mil hectares de área ardida, não pode repetir-se." 'Tá feito.

- Mas, ó Sr. Octávio, vai desculpar a cusquice... como é que vocês vão conseguir esse milagre?!

- Ai Marcelo, Marcelo... és tão inteligente e, quando queres, pareces tão parvinho... Ó homem, é de caretas. Começamos por reunir com uns procuradores à maneira e fazemos a encomenda. Há uma pastelaria na Avenida de Roma que até tem desconto na bica mais pastel de nata para esses números. Passado um dia, ou se calhar horas, eles metem o Anticiclone dos Açores sob escuta. Não falha, estamos fartos de trabalhar juntos.

- O Anticiclone dos Açores sob escuta?! Mas como?...

- Se for preciso, inventa-se uma merda qualquer para o juiz embrulhar a coisa... sei lá... 'pera aí, pá... como estamos no mar alto... "offshores" e robalos, caralho! Ahahaha, sou genial!...

- Confesso que não estou a perceber a relação... Como é qu...

- Ai, Marcelo, filho, que tenho de explicar tudo como se fosses um cachopo. É assim: com o Anticiclone dos Açores sob escuta, imagina só o que vamos conseguir apanhar! Já me viste a extensão daquilo e quantos navios e aviões passam por lá? Mano, alguma coisa vai cair na rede, é certinho. O resto é só fazer corte e costura nas gravações, despachar umas capas para o povo mostrar as favolas e deter o suspeito à chegada a Portugal.

- Mas que loucura! Como é que se vai deter o Anticiclone dos Açores?!

- Com uns inspectores das Finanças, óbvio. E de seguida é logo despachado para o Tarrafal, não fica por cá a dar seca à gente. Resultado: chuva todo o ano, Marcelito!

- Bom, se me garante que funciona... Prontos, então, e boa sorte! Olhe, Sr. Octávio, estou a segurar bem?

- Inclina-me isso para a direita... ah, maravilha... quase que sentimos o cheiro a terra queimada, pá!

Investigação Aspirina B

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Cavaco, escuta

«Eu percebo a preocupação com as relações familiares. Acho estranho que, quem hoje se preocupa tanto com as relações familiares, se tenha preocupado tão pouco, no passado, com outras relações - que essas não são públicas, nem são sindicáveis, designadamente com a promiscuidade entre o exercício de cargos políticos e o mundo dos negócios.

Há uma coisa que eu posso garantir: nenhum dos membros do meu Governo sairá do Governo para formar um banco que depois vá à falência e fique a viver à custa dos contribuintes, nenhum membro do meu Governo saíra do Governo para ir gerir uma infraestrutura cuja construção ordenou; nenhum membro do meu Governo irá adquirir ativos a empresas que privatizou na legislatura imediatamente anterior. Essas é que são as relações com que se deviam preocupar.»

“O professor Cavaco tem muitas qualidades. Seguramente, a melhor não é a memória”

Marcelo aliado da Cofina

Marcelo Rebelo de Sousa enaltece festa dos bebés e recorda nascimento dos filhos durante gala ‘Viva a Vida’

"Parabéns CMTV, parabéns Correio da Manhã. Um abraço para mães e pais. Esta festa tem muito mérito porque aposta no futuro de Portugal. É preciso que haja sete vezes sete festas destas", disse Marcelo Rebelo de Sousa, lembrando "a verdadeira aventura" de quando foi pai.

Octávio Ribeiro, diretor-geral editorial CM/CMTV, agradeceu a presença das famílias, garantindo que os portugueses que "politicamente decidem em Lisboa vão saber que se exige que olhem para o Interior com o cuidado que merece, porque sem que as pessoas estejam felizes e sem condições nas suas terras, Portugal não será Portugal".

"E nós [CM e CMTV] estamos cá para dar todas as notícias. Esse é o nosso compromisso porque o nosso verdadeiro patrão é o povo português", reforçou Octávio Ribeiro. Duas mil pessoas aplaudiram e viveram momentos de grande emoção com a festa da natalidade.

Marcelo Rebelo de Sousa aliou-se e elogiou bandeira da luta contra a baixa natalidade no Interior do País

Marcelo Rebelo de Sousa garante: Está ansioso pela estreia da novela ‘Alguém Perdeu’ – O Presidente da República já tem uma “alteração” na sua agenda esta segunda-feira, 18, porque não quer perder a primeira produção da CMTV. “Vou ver. Depois digo a minha opinão”, afirmou.

O populismo bom no antro do populismo mau? Não, porque não há populismo bom. O que vemos é o populista popular ao serviço do populista popularucho. O espectáculo mostra quem manda em quem. É uma radiografia dos poderes fácticos no regime. Um regime onde um Presidente da República pode ser obrigado a comparecer na acção de um grupo de comunicação cujo sucesso comercial e influência social estão associados à transgressão sistemática do código deontológico dos jornalistas e à pratica de crimes de violação do segredo de justiça em conluio com agentes da Justiça criminosos. Um regime onde se põe e dispõe de um Presidente da República para vender uma telenovela.

Marcelo Rebelo de Sousa, bufão-mor da oligarquia desde os anos 70, sabe que na política vale tudo desde que não se seja apanhado. Carl Schmitt explica, o jogo do poder resume-se à escolha dos amigos e dos inimigos. No caso, estamos perante uma amizade que anula o decoro e a dignidade do representante máximo da República. Vergonha indelével.

Toda a verdade sobre a escandaleira das relações familiares no Governo socialista

É inegável que o crescimento económico, a redução drástica do desemprego, a recuperação do poder de compra e o cumprimento das metas macroeconómicas têm no PS a sua paternidade.

É evidente que as sondagens favoráveis ao Governo socialista têm na incompetência, no ressabiamento, na incoerência e na vacuidade da direita a sua maternidade.

Como diz Rui Rio, isto merece uma sanção política.

José Eduardo Martins apela ao linchamento de Ivo Rosa

José Eduardo Martins, um cidadão que se passeia desde 1985 pelos bastidores do PSD e que celebrará 50 anos lá para o Natal, tem relevante experiência política como parlamentar e governante. É advogado, com extensa presença mediática no papel de comentador político, e consta que se acha em condições de ser candidato laranja à Câmara Municipal de Lisboa, primeiro, e depois a presidente do partido, pois claro. Poderia ser o quadro social-democrata prototípico, tanto pelo perfil profissional e carreira política como, especialmente, por ninguém ser capaz de recordar uma ideia da sua lavra que mereça ser repetida (nem que fosse para a rebater). Este o retrato que nos permite fazer uma leitura informada do seguinte texto: NETO DE MOURA E IVO ROSA

O título cumpre. É mesmo de dois juízes que versa a prosa do licenciado em Direito e figurão do PSD. Na primeira parte do exercício, o jurisconsulto Martins declara que Neto de Moura, apesar de estar no Tribunal da Relação, não pesca nada da Constituição. Depois de convidar o valente juiz a estudar Rawls, para ver se ainda consegue perceber o que raio seja isso de um regime constitucional antes de ir para a reforma antecipada, fez uma transição orgânica para o alvo que realmente o andava, e anda, a acirrar. Sobre Ivo Rosa, alertou a Grei para estarmos perante um caso muitíssimo mais grave do que o do juiz compreensivo para com o uso de mocas de pregos no lombo das fêmeas adúlteras. Segundo a honestidade intelectual, brio cívico e sentimento patriótico do ilustre José Eduardo, esse tal juiz Rosa (o nome diz tudo, enfim) anda a colocar em causa a “sanidade de todo o sistema democrático” através da “manipulação de pressupostos legais e na violação da igualdade na aplicação da lei segundo a jurisprudência de aplicação adequada“. Daí a sua tristeza, asco, por se estar a querer maltratar um juiz que apenas se limita a odiar a Constituição e as mulheres (não necessariamente por esta ordem) em vez de se andar pelas ruas de Lisboa com archotes, forquilhas e cordame na mão à procura daquele outro juiz que, sozinho, está a destruir a democracia e o Ocidente.

Felizmente, o heróico autor não se limitou a lançar um Aqui-d’el-rei aos sacanas que preferem falar de Neto de Moura na Internet em vez de apedrejarem Ivo Rosa à chegada e saída do tribunal, um vero “Arraial, arraial, pela Operação Marquês!”, também nos bafejou com a sua ciência jurídica. É assim, ensina aos papalvos:

– Ao Tribunal da Relação podem chegar juízes que não sabem sequer para que serve o texto constitucional, JEM ipse dixit.
– Quando um Tribunal da Relação opina negativamente sobre um juiz que calhe não gramarmos, isso anula o ponto anterior e prova que ao Tribunal da Relação só chegam juízes perfeitos, puros, divinos, incapazes de cometerem o menor erro de interpretação e avaliação.
– A um juiz de um Tribunal da Relação pode acontecer “colocar subjetivismos, nos seus julgamentos, à frente da intersubjetividade plural objetivada na Constituição e na lei” se envolver mulherio e os coitados dos maridos e companheiros ficarem legitimamente perturbados com a falta de juízo do gajedo, JEM ipse dixit. Nesses casos, convém chamar a atenção desse juiz pois é um bocadinho chato, admite.
– Quando um juiz que nos assusta por não ser um Carlos Alexandre, este um juiz que gramamos à brava, toma decisões que os juízes do Tribunal da Relação acima descritos no ponto anterior considerem não passar de “teses peregrinas”, então devemos esquecer imediata e completamente o que já dissemos nos parágrafos do texto de merda que alguém faz questão de pagar e publicar.

Causa estranheza ver um dito social-democrata, capaz de se dizer amigo de socialistas com quem calhe partilhar palcos mediáticos, a atacar um juiz recorrendo a difamações e pontapés na decência? Não com este cavalheiro. Ele juntou-se a Miguel Morgado e a Duarte Marques para assinar uma das mais obscenas tomadas de posição de que há memória em democracia: Um momento definidor para Portugal. Trata-se de um panfleto onde reclamam abertamente ter em Joana Marques Vidal uma comissária política que conseguiu o mais desejado dos troféus, a cabeça de Sócrates numa travessa. O que ali se diz é a antecâmara de virem um dia a declarar ilegal o PS, já descrito como partido de natureza criminosa. Nada precisam de justificar, pois nada conseguiriam demonstrar, nada precisam de explicar acerca do seu próprio partido e das figuras directivas ao longo das décadas na direita portuguesa, nada precisam de objectivar e provar a respeito das instituições e órgãos de soberania da República.

A diabolização não se faz através da expansão e refinamento da inteligência, é ao contrário: através do deslaçamento da realidade, substituída pelos monstros espalhados por aqueles que transformam a cidade numa selva pulsional de violência acéfala e tribal onde se imaginam os mais fortes. Esta personagem, portanto, pode ser vista como uma caixinha de Petri para observarmos uma das estirpes principais de que é feito o PSD profundo; de caminho se explicando o surgimento de Passos Coelho e a fragmentação da direita em resultado da derrota da PAF nas eleições de 2015. Isto de estarem reduzidos à politização da Justiça e à judicialização da política não é uma escolha nascida do seu mérito intelectual e cívico – antes, é o único destino disponível para os videirinhos e os tiranetes.

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