Arquivo da Categoria: Valupi
Provavelmente, a tentativa de humor mais asnática de que há registo em Portugal
Revolution through evolution
People with happy spouses may live longer
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Being too harsh on yourself could lead to OCD and anxiety
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Experiences of ‘ultimate reality’ or ‘God’ confer lasting benefits to mental health
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How do we make moral decisions?
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Bosses who put their followers first can boost their business
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Empathy Often Avoided Because of Mental Effort
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Creativity is not just for the young, study finds
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Serviço público
Vamos lá a saber
Onde é que estás no 25 de Abril de 2019?


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Este passarão, o típico cavalheiro de indústria do regime que acumula com uma pose dandy desbocada, reagiu de forma pulsional à exibição da natureza política de Moro. Adorou. O Twitter é useiro e vezeiro nessa armadilha, o apelo à estocada letal a partir do cu-sentadismo e do tele-desvairo. E no caso havia um ex-juiz justiceiro, agora ministro de um presidente fã de ditadores e ditaduras, que tratava Sócrates como o ilustre António Nogueira Leite acha que deve ser tratado: como criminoso. Estava sozinho nesse supino gozo do auto-de-fé? Não, absolutamente ao contrário. Milhares, ou milhões, de companheiros de linchamento pensaram e sentiram exactamente o mesmo. Só que não avançaram em direcção ao boi, ficaram nas tábuas. Eis que o bravíssimo Nogueira Leite se viu sozinho no meio da arena, ouvindo da assistência “Ó Tóino, sai daí olha que te aleijas! Não sejas maluco, Tóino!” E ele – que não é maluco nenhum, apenas gosta de passar por tal para ter ainda menos chatices pelo mesmo dinheiro que vê cair na conta todos os anos – assim fez. Embora a resmungar, claro, porque nestes números das bravatas contra Sócrates o estilo faz o pulha.
O episódio é anedótico mas relevante, folclórico mas representativo, pícaro mas simbólico. Acima vemos como a primeira mensagem não fica desautorizada pelas aparentes rectificações. O que ANL está a lamentar não é a atitude de Moro, muito menos o seu entusiasmo twitteiro pela violência espectacular de se ver um ministro da Justiça de um país estrangeiro a desprezar os fundamentos mais básicos da Constituição portuguesa. Ele apenas se arrepende de ter sido imprevidente, indiscreto, na exposição do seu ódio. Um ódio que, como explica à prova de estúpidos, nasce de olhar para Sócrates e nele ver um extraordinário, formidável, adversário político. Imagina-o tão poderoso que, naturalmente, se borra todo de medo de cada vez que o vê “sair da toca” (leia-se: de cada vez que Sócrates desperte no Sr. Leite a consciência da decadência cívica e política que ocupa o bestunto do Sr. Leite).
Por coincidência, ocorreu em cima da celebração do 25 de Abril um duelo, da exclusiva responsabilidade do operacional judicial e ministro de Bolsonaro, que põe em confronto o essencial do essencial desse dia inicial inteiro e limpo de 1974. De um lado, alguém que sempre promoveu o Estado de direito enquanto responsável político e governamental, continuando a fazê-lo enquanto arguido e acusado num processo judicial. Do outro lado, alguém que como juiz poderá ter violado o Estado de direito (é uma questão sujeita a interpretações, mas em aberto) e que como agente da Justiça foi decisivo numas eleições presidenciais que acabaram por lhe abrir uma carreira política como governante. Estas duas figuras, dois gigantes na paisagem política e mediática dos seus respectivos países, estão em campos opostos que jamais se irão reconciliar. Ambos são a tela para incontáveis e contraditórias projecções ideológicas, morais e circunstanciais inerentes aos diferentes protagonismos que assumiram e assumem em diferentes contextos. Mas no que diz respeito à liberdade, e aos direitos e garantias que nela se fundamentam, não há meio termo, não há espaço para a mais pequena dúvida. Quem chama criminoso a um inocente é ele próprio criminoso.
O Estado de direito democrático é a mais preciosa conquista de Abril. Porque é a mais fundamental, é aquela que permite não só a pluralidade partidária e a imprensa livre como todo e qualquer instrumento que nos defende dos abusos de poder, os quais podem tanto vir de um tiranete como de um vizinho ou familiar. Quem apresentar o ideal do Estado de direito democrático como ideologia matriz da República acaba inevitavelmente por ser atacado por um dos lados de um qualquer conflito político onde a tentação do abuso de poder está latente ou em marcha. No PCP, por exemplo, vêem o Estado de direito democrático como um artifício do imperialismo para derrubar o “socialismo” abrilista. Não são fãs, longe disso. E na direita decadente, e restantes vítimas das deturpações da indústria e cultura da calúnia também na esquerda e no centrão, o Estado de direito democrático deveria ser suspenso para se conseguir castigar Sócrates, Vara e mais uns quantos em ordem a satisfazer os desejos circenses e sanguinolentos da turbamulta. Tentar explicar a um fanático, fanático por imbecilidade ou oportunismo (mas em muitos casos acumulando), que não se pode servir à canalhice e à liberdade ao mesmo tempo pode ser ingrato e desgastante. Porém, contudo, todavia, queridos amigos, se há coisa para que o 25 de Abril foi feito é essa.
Exactissimamente
«Dos eleitores, quando tudo correr como evidentemente correrá, virá a justificação de que não havia escolha melhor. Tinham um corrupto e um palhaço pela frente. Mas a democracia não é um mercado onde consumimos o que nos é oferecido sem produzirmos nós próprios a oferta. Não somos agentes passivos da nossa própria História. Se a escolha era entre o corrupto que elegeram nas últimas eleições e o palhaço que elegeram nestas é porque a sociedade ucraniana não soube produzir melhor do que estas alternativas.
A relação dos povos com a política infantilizou-se. O padrão da eleição de idiotas incapazes, que ou divertem os eleitores ou “dizem as coisas como devem ser ditas”, é retrato de uma cidadania adolescente que se revolta sem assumir a responsabilidade de construir qualquer coisa com essa revolta. Ao ponto de um humorista e ator vencer umas eleições presidenciais porque as pessoas se sentem inspiradas pela personagem que ele representa numa série. A ponto de, como as crianças, deixarem de distinguir a realidade da ficção. Mas mesmo onde ainda o conseguem fazer parecem optar pela birra. O chamado voto de protesto não pune o “sistema”. O “sistema” que julgam punir safa-se bem quando a escolha do povo é inconsequente. Não são os ricos que pagam a fatura das crises, não são os poderosos que sofrem com o medo no meio do caos, não são os milionários as vítimas da ausência de Estado, não são os políticos que precisam da democracia. Não vale a pena rirem-se da partida que pregaram a si mesmos. A fatura de transformarem uma eleição numa anedota será paga por eles. E pelos seus filhos e netos.
Não se pode mudar de povo e de nada serve criticar as escolhas erradas que faz. Temos de ser capazes de compreender as origens da revolta. Mas também temos de parar de falar de “eles” e de “nós”. “Eles” que se revoltam e “nós” que temos o dever de perceber a sua revolta. Porque “nós”, os que agem com responsabilidade cívica, também sentimos a revolta quotidiana com a injustiça. E, ao contrário de quem elege imbecis ou palhaços, não desistimos. Não há razão para sermos condescendentes. O que temos de exigir aos nossos concidadãos, em cada país, é que se comportem como adultos, não como eternas vítimas dos seus próprios erros.»
Entregues à Cofina

Os jornalistas dispõem de direitos inerentes à liberdade de expressão, liberdade de informação e liberdade de imprensa consagrados na Lei, os quais lhes outorgam poderes especiais – e de grande influência potencial – sobre indivíduos, grupos, entidades públicas e privadas. Como contraponto a querermos viver numa sociedade onde se pratica livremente o jornalismo, a Lei igualmente estipula algumas limitações de consciência a uma prática com tamanha apetência para ser usada de forma danosa. Este o contexto para convidar à leitura do Código Deontológico que é suposto reger a profissão de jornalista. Em menos de cinco minutos, ficamos com o retrato idealista da função. E sorrimos tristes face à ingenuidade do texto quando confrontado pela experiência comum de consumir peças e intervenções jornalísticas que violam 13 ou 14 dos 11 pontos do Código.
Na Cofina não se satisfazem com o absoluto desprezo despejado quotidianamente sobre as matérias da ética e deontologia jornalísticas. Vão muito mais longe pois assumem o papel de se substituírem às instituições judiciais portuguesas (pelo menos estas, mas talvez sonhem em lançar uma polícia plenipotenciária internacional para caçar “corruptos”, tudo devidamente fotografado e filmado que é para as sentenças serem despachadas nos horários escolhidos pelos anunciantes). Tendo em conta que já tentaram constituir como arguida uma cidadã e jornalista, no que deve ter sido caso único nas democracias mundiais, assistir aos editoriais da direcção do Correio da Manhã e da Sábado onde declaram guerra contra o Estado de direito, contra um certo partido e contra certos políticos (e ainda contra terceiros relacionados privadamente com os alvos) é só lógico, coerente, um novo normal sancionado pelo regime. Contam com a cumplicidade do Presidente da República, do sistema partidário e da oligarquia. No Expresso e no Observador há regulares sinergias editoriais e declarações de solidariedade para com os trabalhos sujos que a Cofina faz com proveito monetário, agenda política sectária, populismo de direita e puro deboche soberbo.
Acima vemos um exemplo da violência que se aceita por vir da Cofina, violência cívica e política que muitos com grandes responsabilidades sociais celebram: o tratamento dado a Armando Vara. O director do jornal escolheu colocar na primeira página uma mensagem que estabelece uma qualquer culpabilidade deste cidadão. O contexto é relativo à investigação parlamentar em curso à recapitalização da CGD e às declarações de Alexandre Santos, ex-director de Empresas Sul da Caixa Geral de Depósitos, na II Comissão de Inquérito. De acordo com a única leitura possível da chamada de capa, o tal Alexandre Santos proferira afirmações que comprovavam ter Vara cometido algum acto ilegal. A linguagem policial escolhida, o uso do verbo “entregar”, veicula a imagem de uma denúncia de um crime real por parte de quem o testemunhou ou dele foi cúmplice. Para os leitores habituais do CM, há anos a ler incontáveis variações da mesma acusação no mesmo pasquim, a promessa da “notícia” nem sequer consegue suscitar surpresa. Obviamente que alguém entregou Vara porque obviamente que Vara é culpado sem carência de provas. É culpado porque na comunicação social há quem jure que é culpado e disso faça um negócio, uma profissão de fé e uma festa. Vara é tão culpado, cogita informado o leitor-tipo do esgoto a céu aberto, que tudo o que se venha a provar contra ele só peca por tardio e por escasso. Muitos outros crimes, gigantes, cometidos por Vara nunca serão descobertos pois ele continua a ter a protecção dos restantes corruptos que estão em todo o lado: Estado, partidos, empresas, outros jornalistas que não sejam caluniadores profissionais; assim vai o contacto com a realidade e a decência nestes infelizes. É para a criação de uma legião de analfabrutos que a Cofina trabalha com o sucesso que se conhece.
Entremos na peça. Constatemos que ela está construída em cima de uma informação que não corresponde a qualquer actividade ilegal, sequer irregular ou moralmente duvidosa. A exploração caluniosa é feita apenas com o recurso à estupidez e desinteresse dos eventuais leitores. O discurso reafirma a crença que a audiência já possui cristalizada, não se perde um caracter a fazer jornalismo se por jornalismo entendermos o que o Estatuto e o Código Deontológico do Jornalista estabelecem. E se calhar perdermos o nosso rico tempo a ouvir o que realmente foi dito por Alexandre Santos – Audição de Alexandre Santos, Diretor de Empresas Sul da Caixa Geral de Depósitos – então não só fica patente que o ataque a Vara não tem matéria factual como exuberante irrompe a visão de uma típica operação de encobrimento por quem produz um sistemático assassinato de carácter e perseguição política. No caso, encobre-se a licitude da conduta de Vara, a normalidade do caso do financiamento a Vale do Lobo, a normalidade dos processos de financiamento na CGD, a normalidade das consequências da crise financeira e económica começada em 2008 para quase todos os investimentos e seus créditos e a decisiva responsabilidade colegial e administrativa na CGD que por completo dilui (ou alarga) qualquer eventual intento ilegal, seja ele qual for no campo das suposições.
Não faço a menor ideia se Vara cometeu algum ilícito enquanto foi administrador da CGD. Assim como não ignoro a razoabilidade da percepção comum de ser a banca um sector onde tais comportamentos encontram oportunidades variadas e muito tentadoras para ocorrerem. Apenas constato a sistemática degradação cívica nascida do constante emporcalhamento do espaço público. A quem interessa o afastamento dos cidadãos das instituições da República que os representam e servem? Esses mentores e algozes não querem que se pense pela própria cabeça a partir do acesso às fontes, aos factos. Preferem cultivar um clima social onde o ódio embrutecedor dos mais frágeis, vítimas dos efeitos mediáticos deturpadores e contagiantes, se constitui como força de pressão e desculpa para outras e sempre mais violências. Queremos mesmo ficar entregues a esta gente?
A favor da santidade de Cavaco
«"De facto, não me recordo de ter conhecimento completo - já foi há muitos anos - entre relações familiares dentro do Governo, mas, por aquilo que li, não há comparação possível em relação ao Governo a que dei posse em 2015. E, segundo li também na comunicação social, parece que não há comparação em nenhum outro país democrático desenvolvido", afirmou Cavaco, quando questionado sobre a questão das relações familiares no Governo.
"Nos últimos dias aprendi bastante sobre as relações familiares entre membros do Governo e confesso que era bastante ignorante em relação a quase tudo aquilo que foi revelado, mas entendo que não devo fazer qualquer comentário porque já foi dito tudo ou quase tudo e eu não acrescentaria nada de novo", disse.
Cavaco Silva adiantou, depois, que "por curiosidade" foi verificar a composição dos três governos em que foi primeiro-ministro e não detetou lá nenhuma ligação familiar.»
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É não só possível como altamente provável que Cavaco não se lembre do que fez, e deixou fazer, nos seus Governos. Passaram-se mais de 30 anos desde que se estreou como primeiro-ministro, amnésia natural. Acresce que a memória em todos nós é selectiva, tende a soterrar o que doeu e faz doer, o que atormenta, vexa. Mas seria faltar ao respeito ao líder histórico da direita decadente portuguesa, a figura viva que melhor representa o espírito reaccionário e sonso que sobreviveu ao 25 de Abril, se desprezássemos as suas palavras. E o que nelas encontramos é a seguinte revelação: Cavaco depende do que lê na comunicação social para construir a sua visão do que se passou consigo próprio ao longo da sua carreira política.
Lê, ouve e acredita. Acredita e repete à comunicação social o que descobriu na comunicação social. Por exemplo, ficou a saber que o actual Governo é muito diferente do então mesmíssimo Governo a que deu posse em 2015, e que essas diferenças fazem com que Portugal já não possa ser visto como um “país democrático desenvolvido”. Por já não ser democrático ou não ser desenvolvido? Tanto faz, branco ou tinto, quer é o copo cheio. Como tem o cuidado de frisar duplamente, isto são coisas que ele não inventou, que não lhe apareceram de repente na cachimónia vindas sabe-se lá de que intentos canalhas. Não, nada disso. Ele apenas leu e tão-só repete, mas foram os outros que disseram. Os outros, pá, os que escrevem as notícias fresquinhas que ele papa guloso ao pequeno-almoço.
A relação de Cavaco com os canais mediáticos tende a ser vanguardista. Como podemos recordar viajando até ao debate presidencial que teve com Manuel Alegre, em 2011:
MA – [atabalhoada, confusa, errada, inepta apresentação do caso das escutas]
JS – Cavaco Silva, quer responder?
CS – Quero responder e mais do que isso… O sr. candidato anda muuuito distraído. Um candidato não pode andar distraído quando tem todos os seus meios à disposição. Pode ir consultar a página da Internet da Presidência da República e está lá tudo aquilo que eu devia dizer – e que é a verdade! Sabe, a verdade é muito fun-da-men-tal, principalmente para a resolução dos problemas de um país. Porque um cidadão in-for-mado, um povo informado, enfrenta melhor os problemas do País. A verdade gera confiança, enquanto a ilusão o que faz é gerar descrença.
Em diferentes ocasiões, enquanto Presidente da República, mandou jornalistas para o tal local na Internet onde estava a “verdade”, assim evitando perder tempo com declarações redundantes em certos assuntos para os quais não tinha paciência para aturar curiosos e atrevidos. Estávamos perante uma presidência digital, do mais avançado que se praticava no Mundo. Já quando Fernando Lima denunciou em público que – de facto, e como acabou por ser óbvio ainda em 2009 – tinha partido do Chefe de Estado a ordem para lançar a “Inventona de Belém”, aí Cavaco ficou caladinho. Explicação? Simples, a coisa tinha saído em livro. Ora, para quem tinha conseguido enfiar a “verdade” na Internet, deixava de fazer sentido gastar um segundo da sua atenção com esse meio tão arcaico para armazenar informação. Provavelmente, nem sequer terá reparado que Fernando Lima gastou 432 páginas só para inscrever na História que tivemos um Presidente da República conspirador e golpista, autor de uma inaudita violação do seu juramento e deveres constitucionais. Responsável por um colossal e cristalino atentado ao Estado de direito. Para Cavaco, essa gente que dá cabo das árvores só para sarapintar papéis com tinta não pode estar do lado da “verdade”. A “verdade”, pensa convicto e com toda a razão, jamais seria capaz de fazer mal ao lar dos passarinhos.
Há algum mistério neste ecossistema em que Cavaco tem a felicidade de encontrar na comunicação social uma imagem idílica da sua magnífica e impoluta pessoa? Népias. Podemos até ir buscar um cromo direitola para nos resumir o fenómeno em poucas palavras:
«O caso [compra e venda de acções do BPN por Cavaco e filha] passou e nunca se esclareceu totalmente se o lucro de Cavaco foi de favor. O desmentido do então Presidente acabou por ser de uma enorme competência, ao criar a ilusão de que havia um esclarecimento sem nada esclarecer. E de cada vez que surgia o assunto, os jornalistas eram remetidos para esse comunicado. Não foi, aliás, a única vez que Cavaco usou este expediente. Tudo isto é “normal” nas democracias, desde que o povo aceite.»
Eis o máximo a que chega Vítor Matos, um dos mais activos caçadores de socráticos, socialistas e esquerdalhos actualmente ao serviço do Expresso, vindo do Observador e com a escola Cofina. Mas o quase nada chega para se expor o essencial, o sistémico “nunca se esclareceu totalmente se” Cavaco isto ou aquilo. Nada se esclarece e tudo se disfarça e oculta pois os jornalistas só têm uma vida e, acima e antes de tudo, têm patrões. Que o diga Marcelo Rebelo de Sousa, um cúmplice de Cavaco na “Inventona de Belém”, tendo posto o seu enorme poder mediático ao serviço de uma operação de limpeza que em menos de nada tinha voltado a permitir ao nosso querido Aníbal passear a vista com um sorriso rasgado pela paisagem dos jornais e televisões. Uma comunicação social nas mãos da gente séria, pois claro, daí conseguir diariamente encontrar “verdades” tão interessantes e úteis sobre os bandalhos socialistas que teriam de nascer duas vezes para serem tão “honestos” como o homem que não detectou ligações familiares nos seus Governos. O tal primeiro-ministro que favoreceu a Universidade Católica contra os interesses do Estado, só por acaso a instituição onde ele e a mulher foram professores durante anos e anos. Um santo.
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Research Finds Pregnant Women Feel Pushed Out of Their Jobs
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Men sometimes act less interested in sex – in order to get it
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Gender identity leaves imprint on human brains
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Low hand hygiene compliance in ICUs
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Intentions attributed to other people change how we see their actions
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How superstitions spread
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Logical reasoning: An antidote or a poison for political disagreement?
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Tempos interessantes: Lobo Xavier defende o Governo da extrema-esquerda
«Lobo Xavier defendeu que "o alerta de crise energética teve dificuldades em ser aplicado enquanto as forças de segurança não endureceram um bocadinho a sua limitação e o seu combate à violação, à intimidação, ao insulto e à agressão". Procurando especificar a que tipo de intimidação se referia, Lobo Xavier explicou que foi aquela que foi exercida sobre "centenas de trabalhadores dispostos a conduzir camiões e que não se sentiam seguros".
Perante as críticas feitas ao Governo, o advogado advertiu que "não foi o Governo" quem não se preparou, mas sim os próprios transportadores: "Não levaram a sério o aviso de greve e nunca estimaram que a greve pudesse chegar ao ponto a que chegou e ter a dimensão, efeito e produção de incómodos ao funcionamento da vida em Portugal que chegou a ter."
Quanto aos serviços mínimos decretados, e admitindo que "ficava mal" ser o próprio a explicar, os parâmetros dos mesmos foram "basicamente definidos em cima da situação pelas empresas de transporte. O Governo concordou. Depois de estarem em práticas, percebeu-se que eram muito limitados", já que o país não se resume às áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
Em conclusão, Lobo Xavier saudou a forma positiva como esta greve foi concluída, até porque "podia ser trágica para o país e ter efeitos políticos que não sabemos até onde poderiam ir".
"Em Portugal culpa-se o Governo por tudo, para o mal e para o bem", concluiu.»
Elon Musk fã nº1 dos Motoristas de Matérias Perigosas
Muito boa gente deu por si a fantasiar, entre terça e quinta-feira, que nunca mais seria apanhada com o depósito em baixo à pala de camionistas. Solução? O próximo carro ser um eléctrico, ou híbrido. Para além de todas as vantagens que já se conhecem, e de cada vez menos desvantagens (porque aumenta a autonomia e baixa o preço), ganhou-se outra razão altamente motivadora: levar a que a profissão de motorista de matérias perigosas se torne uma raridade sem qualquer poder sobre a liberdade de deslocação automóvel de particulares e empresas ao longo do ano.
Parabéns, pois, aos bravos que pararam o País. É que, como recomendam os sábios, há momentos em que importa parar para pensar. E o resultado vai ser o de se acelerar o processo de obsolescência dos combustíveis fósseis aqui na terrinha.
Vamos lá a saber
O universo é um holograma
Que saudades do Pedro
Com o Pedro a mandar nisto, espalhando magnânimo a sabedoria adquirida nos altos voos proporcionados pelos aeródromos da Região Centro, não havia cá greves de professores, enfermeiros, procuradores, juízes, camionistas. O País vivia na maior das calmas, com os desordeiros, estroinas e madraços já na estranja, ou com voo marcado para fora da zona de conforto, e o resto do povo piegas com a bola baixa e a contar os tostões (que é para o que o povo tem jeito, é da genética). A situação era tão paradisíaca que alguns ministros até despachavam resoluções bancárias inauditas e catastróficas de chapéu de palha na cabeça e os pezinhos a chapinhar na piscina. A impunidade tinha acabado, o filha da puta estava preso. O tempo podia ser tranquilamente passado a vender o que restava das jóias do Estado.
Agora, com estes socialistas corruptos a mandar nisto, qualquer macaco acha que tem direito a uma vida melhor, exigindo mais dinheirinho no bolso só para o ir gastar logo a seguir a comprar isto e aquilo. Querem imitar a gente séria que tem empresas e posição, que tem apelidos. Que falta nos faz a Troika, esses senhores do Norte da Europa que fizeram o sacrifício de vir ao cu do Mundo dar lições a quem não se deixa governar.
Volta Pedro e traz a tua vontade indomável, o teu desprezo pelas eleições. Chega de greves e de consumismo, chega de regabofe. Basta.
(já agora, sempre é verdade que preferes votar Ventura a votar Rio?)
Serviço público
Marcelo e o sangue
O que Marcelo está a exibir ao se querer substituir ao Parlamento e ao Governo a respeito da nomeação de familiares para a Casa Civil não é do foro ditatorial, sequer de um secreto modelo presidencialista que fintasse a Constituição. A chave hermenêutica do episódio está no intento de ir até ao sexto grau na exclusão de familiares. A proposta começa por parecer o que é, absurda e sintoma de grave destrambelhamento dadas as suas responsabilidades no Estado e no regime. Passado um bocado, faz-se luz. Marcelo está-se a marimbar se o Governo ou o Parlamento lhe fazem a vontade, se lhe seguem o exemplo. A mensagem já passou, a comunicação social espalhou pelas cidades e lugarejos que por ele era tudo corrido com o anátema do sangue. Sangue impuro, ctónico, inaceitável nos seres angélicos que o bom povo adora.
Este homem é o mesmo que, como rei do comentário político em Portugal, foi sempre cúmplice do anterior inquilino do Palácio de Belém. Cavaco podia fazer o que lhe desse na gana, de facto promovendo o irregular funcionamento das instituições e pervertendo actos eleitorais, que para o Marcelo-estrela-da-TV-ao-serviço-da-direita não só estava tudo bem como era isso mesmo que Cavaco devia ser. Em mais do que uma ocasião expôs a doutrina: um Governo, ou um partido, que ataque o Presidente da República irá inevitavelmente perder o apoio do eleitorado – o que permite à Presidência da República exercer um poder político onde vale tudo. Assim foi com Cavaco, desde a Inventona das Escutas ao boicote do PEC IV, passando pela aliança com o PSD de Ferreira Leite e o discurso da tomada de posse do 2º mandato, só para recordar momentos historicamente decisivos no País.
Quando Marcelo aproveitou um ano de seca extrema e fogos com muitas vítimas para obrigar o Governo a demitir uma ministra, e a sofrer calado uma humilhação política oportunista e gratuita, estava a repetir o mesmo abuso de poder que tinha sancionado em Cavaco. Nesse transe de omnipotência, jurou que a problemática dos fogos se tornaria o critério mais importante para a avaliação do Governo e para decidir da sua própria candidatura ao segundo mandato. Um ano e tal depois, embriagado de catolicismo juvenil para as massas e televisões, já não se lembrava do que tinha feito e dito. O critério para a recandidatura era agora a sua saúde e o seu desejo de servir de cicerone a um papa. Qual é o padrão? É o mesmo que seguiu durante toda a sua carreira de bailarino e bufão da oligarquia, divertir-se com uma República que conheceu por dentro quando ainda era da outra senhora. Uma República que renasceu de uma revolução sem sangue para que o sangue antigo continuasse a circular e a reproduzir-se.
Até aos incêndios de 2017 e ao desaparecimento do material militar em Tancos, Marcelo Rebelo de Sousa simulou na perfeição ser o estadista certo no tempo certo. O País precisava do seu papel unificador para ser resgatado do resgate para que tinha sido levado pela direita do poder pelo poder em 2011. Ao aparecer a reconhecer o óbvio, que o Governo socialista estava a seguir por um caminho de devolução de rendimentos e direitos aos mais desfavorecidos e à classe média, Marcelo contribuiu para a estabilidade social e para o crescimento económico, serviu o interesse nacional. Valorizar as políticas de um Executivo nascido numa área partidária concorrente da sua é o exacto oposto do sectarismo de que é feito o Aníbal golpista. É ser um Presidente patriota. A partir do momento em que passou a querer montar a sua recandidatura, optou por entrar no jogo partidário e, concomitantemente, ficou refém do populismo mediático que imagina conseguir canalizar em seu favor.
Vir alegar que os casos de relações de parentesco na esfera do Governo e do Estado levantados pelo PSD e explorados com sensacionalismo pelos impérios mediáticos da direita obrigam a nova legislação por causa de um suposto “juízo da opinião pública portuguesa mais exigente”, quando a dinâmica desta questão é estritamente eleitoralista, impõe uma de duas conclusões: (i) ou Marcelo é um inveterado hipócrita, cujo cinismo se deve supor ilimitado, mas controla a estratégia com mão de mestre; (ii) ou Marcelo é hipócrita e cínico por formação e destino, mas ainda mais forte é o seu pavor de não ser amado, o que o leva para um estado de extrema fragilidade emocional – e seu cortejo de erros cognitivos – onde o populismo de ocasião e gozo lhe condiciona a táctica.
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Could eating garlic reduce aging-related memory problems?
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Nutrients from food, not supplements, linked to lower risks of death, cancer
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People with a sense of oneness experience greater life satisfaction
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New Insights on the Form and Function of the Dolphin Clitoris
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Ganda moca, RAP

No país minúsculo que somos, há famosos mas quase nenhuma estrela. À escala internacional, temos uma celebridade (Guterres) e duas estrelas (Cristiano e Mourinho). Por cá, só existem três estrelas: Marcelo Rebelo de Sousa, Cristina Ferreira e Ricardo Araújo Pereira.
O Ricardo já foi de esquerda. Actualmente, é um alegado e displicente votante na CDU que dedica o seu talento artístico a atacar o PS. No Governo Sombra e no Gente Que Não Sabe Estar está rodeado de caluniadores profissionais em cuja companhia faz desses programas contínuos tempos de antena de uma campanha negra. Um levantamento quantitativo e qualitativo do que o Sr. Araújo tem dito enquanto profissional do espectáculo desde que lhe foram ao bolso no BES mostraria que Sócrates e o PS se tornaram para ele os temas obsessivos para imparáveis variações da cantilena “os socialistas é só ladroagem”. Ora, um fanático não tem graça nenhuma. O atrofio da inteligência e a pulhice não têm, não podem ter, graça alguma.
Depois de ter achincalhado pessoas que foram condenados a penas de prisão, depois de ter envolvido crianças no simulacro da violação anal de um juiz, depois de andar a parasitar e deturpar gravações de cidadãos que prestaram declarações juramentadas sem poderem defender-se do uso humilhante a que ficaria sujeita a sua imagem e palavras, chegou a vez de Cavaco. Nunca saberemos quão longe se poderia ir na gozação desta sinistra figura pela simples razão de não haver quem goze com ele. O que se viu no passado domingo na TVI confirma e consolida essa blindagem. Em vez de apontar ao responsável político, à intencionalidade da sua intervenção no espaço público, o Pereira das piadolas resolveu satirizar os sinais de senectude. O Cavaco-múmia foi usado para arrancar risos boçais da plateia, com isso conseguindo-se esconder o que pretende, e o tanto e tão grave que fez, o Cavaco-chefe-mor da direita decadente. Mas talvez o mais degradante tenha sido ver a nossa estrela a usar o território da velhice, e seu rol de desgraças corporais e mentais, como alvo de humor persecutório e estigmatizante.
A postura do RAP está fundamentalmente marcada pela pulsão da violência. O humor que actualmente cria não passa de um sistemático exercício de agressão, sem qualquer ligação com o estilo inicial dos “Gato Fedorento” – onde se celebrava um património comunitário e se acarinhavam as caricaturas e sua humanidade. Agora, cada rábula, cada boca, procura ofender, procura ferir. Há um inimigo e tem de ser desumanizado. Ofereceu porrada ao Neto de Moura e, simetricamente, teme reacções violentas ao que vai apresentando. Pelo meio, sabe-se protegido pelo seu estatuto mediático e pelo próprio regime. Sente que vale tudo, que se pode vingar, que a audiência papa a gargalhar qualquer cocó que ele faça em palco. Deixou de ser comediante, transformou-se numa moca de Rio Maior com pernas.
