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Chega aqui

«O Chega foi criado em abril de 2019, teve 67 mil votos nas legislativas desse ano e o seu líder alcança quase meio milhão de votos nas presidenciais de 2021.»

Pedro Santos Guerreiro

🤹‍♂️

O Chega, então um movimento com esse nome, foi criado em Setembro de 2018, ainda Ventura se exibia como fervoroso militante do PSD. A intenção era a de ir tentar derrubar Rio Rio em congresso extraordinário, ou fingir tal. Mas o Chega, enquanto plano de explorar o racismo, a xenofobia e o medo de forma inaudita na política portuguesa, como armas assumidamente tóxicas e violadoras dos códigos de conduta do sistema partidário com representação parlamentar desde os alvores do regime democrático, foi criado em 2017 – por Passos Coelho.

No Observador é possível encontrar mais de cinco mil artigos a explicar como o Chega é uma invenção do PS, do Bloco, da esquerda. Continuando a procurar por lá, tropeçamos em vinte cinco mil artigos a explicar que o Chega não quer o mal de ninguém, está é a dar voz à imensa maioria que se sente perseguida e esmagada pelas minorias étnicas que fazem casamentos de três dias ao ar livre e pelos gandulos que arribam às praias dos Algarves vindos de Marrocos com uma das mãos num remo e a outra num telemóvel de último modelo. Este é um argumentário que já tinha sido utilizado para explorar a Troika como trunfo político. A Troika era excelente porque vinha cortar gorduras do Estado e obrigar os madraços e estroinas a saírem da zona de conforto e do País, mas a Troika era péssima porque tinha sido pedida pelo PS. O que não prestava na Troika era culpa dos socráticos, o que era bom na Troika era mérito de Passos e Portas. Com Ventura a lógica repete-se: ele diz coisas grotescas por culpa dos perigosos esquerdalhos e do seu marxismo cultural politicamente correcto, mas ele diz coisas verdadeiras que mais ninguém diz. Logo, é simples: cui bono?

Pedro Santos Guerreiro não gasta a carteira de jornalista no Observador. É uma das vedetas do império do militante nº1 do PSD e justifica o confortável salário com exercícios como o que acima está pendurado. Para além de escrever como mais ninguém (felizmente), este amigo também sabe como branquear o laranjal. Apagar Passos da fotografia com Ventura, in illo tempore, é obrigatório na grande estratégia da direita decadente. Aquela que em 2016 passou longas horas colada ao televisor a ver e ouvir Trump. A gargalhar com Trump. A admirar Trump. A aprender com Trump. E que depois pegou no telefone, ligou ao Ventura, e lhe disse “Chega aqui.”

Dois políticos com experiência política a mais

Rui Rio apareceu a comentar os resultados das presidenciais igual a si próprio – inapto para a função, cúmplice da decadência da direita portuguesa. Começou com o enigmático critério de achar que existia alguém interessado em conhecer a sua opinião sobre o PS no rescaldo de umas eleições presidenciais onde esse partido apoiou (oficiosamente) os candidatos que ficaram em 1º e 2º lugar. E rapidamente passou para o papel de relações públicas de Ventura, manifestando o seu entusiasmo, admiração e indisfarçável alívio com o triunfo do coiso no Alentejo e em Setúbal sobre o candidato comunista. Alívio porque lhe permitiu sacar do seguinte insulto à nossa inteligência: com esta votação fantástica num tachista armado em facho provava-se que aquilo dos Açores, em que um certo presidente do PSD tinha legitimado e promovido um partido abjecto, não tinha passado de uma inevitabilidade sem importância nenhuma e sem possibilidade de ter sido evitada pois até os comunistas se tinham deixado hipnotizar pelo porcalhão. Foi o momento Chamberlain de quem lançou a sua candidatura a presidente do PSD jurando que “na política, como na vida, a palavra dada deve ser honrada” e que chega a 2021 com a sua palavra hipotecada num acordo com quem se declara apostado em destruir a direita que construiu e desenvolveu a democracia portuguesa. Um líder da oposição que persegue as empresas de sondagens e que entra em diálogo institucional com comentadores. Uma desgraça política ambulante.

Ana Gomes apareceu a comentar os resultados das presidenciais igual a si própria – inapta para a função, cúmplice da imbecilidade da esquerda portuguesa. Rapidamente, a partir dos 4 minutos, começou a acertar contas com o PS. No vórtice que se seguiu, chegou ao ponto de invocar o seu estatuto de recém-viúva como arma de arremesso político. Esta incapacidade para distinguir entre a sua esfera pessoal e a cidade explica o fracasso de uma candidatura prejudicial desde o seu começo. Ana Gomes quis ocupar o terreno eleitoral do PS sem ter condições intelectuais e morais para tal. Ter uma carreira partidária e mediática a surfar o populismo do tempo e os rancores electivos não puxa carroça numas eleições presidenciais. Daí ter ficado toda a gente surpreendida e literalmente incrédula ao ver a postura de estadista que conseguiu manter nos debates com Marisa Matias e João Ferreira. Não passava de uma lição estudada com muito custo, fingir que conseguia apoiar o actual PS e o actual Governo. Ainda antes de ter perdido a vergonha com Marcelo, vimos Ana Gomes associar Costa a Viktor Orbán a propósito de uma campanha de chicana lançada pelo PSD. Esse episódio, em que a senhora diplomata opta insanamente por ofender um primeiro-ministro, um secretário-geral do PS, um camarada e um cidadão, chegava e sobrava para lhe tirarmos a pinta. Quem nem sequer tem controlo sobre o que diz nunca merecerá confiança sobre o que pensa.

Rui Rio, 63 anos, e Ana Gomes, 66 anos, não têm falta de experiência política. É ao contrário, têm experiência política a mais. O que lhes falta é talento e humildade. Para nosso tão grande azar.

Revolution through evolution

Childhood neglect leaves generational imprint
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Money matters to happiness – perhaps more than previously thought
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Exercising muscle combats chronic inflammation on its own
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Tuning out the external world and allowing thoughts to move freely promotes relaxation and exploration, findings suggest
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Researchers develop a mathematical model to explain the complex architecture of termite mounds
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Having plants at home improved psychological well-being during lockdown
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Positive interactions with family one day can make managers better leaders the next
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Esquerda imbecil, mais um capítulo

Mais uma vez, numas presidenciais, a esquerda imbecil revela-se no seu fulgor. Ana Gomes a um ponto percentual de André Ventura, tal apenas se devendo às demografias do Porto e Lisboa, não é derrotar a extrema-direita, o racismo, a xenofobia e demais patologias políticas e cívicas alimentadas a outrance no Chega. João Ferreira e Marisa Matias somados ficarem substantivamente atrás de um cultor do salazarismo e dos nacionalismos populistas de direita é uma derrota com estrondo para o ideal do 25 de Abril.

Por que razão nem BE, nem PCP, nem figuras deslumbradas e egocêntricas como Ana Gomes serviram de antídoto contra um farsante que utiliza o medo e o ódio como íman? Porque as dinâmicas pulsionais e identitárias que agregam os deploráveis anónimos na idolatria a Ventura só se reforçam ao serem atacadas pelas vedetas deploráveis que vertem dinâmicas identitárias e pulsionais a partir dos órgãos de comunicação social onde são pagas pela alta burguesia.

A hipocrisia e o fanatismo esboroam-se quando enfrentam a coragem idealista e a lucidez implacável dos que ousam defender o bem comum. Sempre na história da civilização. Não há, aliás, outra explicação para a existência dela – a civilização dos direitos humanos e da liberdade onde queremos viver.

Variações sobre “Presidente dos portugueses de bem”

Direitos para os portugueses de bem.
Habitação para os portugueses de bem.
Empregos para os portugueses de bem.
Serviços de Saúde para os portugueses de bem.
Escolas e universidades para os portugueses de bem.
Segurança policial para os portugueses de bem.
Bombeiros para os portugueses de bem.
Restaurantes para os portugueses de bem.
Comércio para os portugueses de bem.
Cinemas e teatros para os portugueses de bem.
Clubes desportivos para os portugueses de bem.
Estádios e bancadas para os portugueses de bem.
Praias para os portugueses de bem.
Jardins para os portugueses de bem.
Bairros para os portugueses de bem.
Ruas para os portugueses de bem.
Água canalizada e electricidade para os portugueses de bem.
Casas de banho para os portugueses de bem.
Lugares nos transportes públicos para os portugueses de bem.
Voto só para os portugueses de bem.

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Das vantagens de Ventura ficar em 2º

Sem pandemia, seria impossível a Ventura ficar em 2º lugar nas presidenciais. Com ela, e com o estado de factual catástrofe de saúde pública e de crescente pânico social a afastarem eleitores acima dos 50 anos, a que talvez ainda se junte o mau tempo no dia das eleições, os resultados são completamente imprevisíveis. As sondagens não vão ser capazes de acertar. É um cenário análogo, mas para muito pior no campo da previsibilidade, ao do primeiro referendo ao aborto.

Contudo, há uma ponderação que pode já ser feita com segurança: ter Ventura em 3º lugar, colado a Ana Gomes ou a uma pequena distância, é um triunfo para ele e uma derrota para ela e restantes candidatos. Servirá todos os propósitos de uma candidatura que foi levada ao colo pelos jornalistas, os quais condicionaram disfuncionalmente aquilo a que se resumiu a campanha: os debates.

Ontem, um artigo de Vasco Rato avisava a falange para abandonar o barco. Ventura tinha-se entusiasmado e borrado a pintura, lamenta-se o autor, assim deitando a perder um projecto lindo que estava tão bem encaminhado. O limite tinha sido ultrapassado na bestialidade e baixeza dos ataques a Marisa e Jerónimo, explicou. Defender Salazar, enfiar Nossa Senhora de Fátima no bolso, atacar um papa, abraçar evangélicos, perseguir minorias, brincar aos racistas, alimentar aberrações morais e políticas, prometer prender democratas, isso um Vasco Rato aceita e até curte em nome do castigo à esquerdalha. Agora, vê-lo em Guimarães a exibir-se inane e ridículo, perceber que o Ventura se tornou pestífero e se rodeou de alimárias, pede medidas preventivas. João Miguel Tavares, sempre sintonizado com movimentações tectónicas que possam afectar os seus rendimentos, veio logo copiar, ipsis verbis, o Rato que viu a fugir.

Para mim, o desfecho político mais esclarecedor para estas presidenciais consiste em contemplar Ventura a celebrar o 2º lugar, de preferência com uma segunda volta. Sei que é pedir de mais mas convoco Torres e peço para me deixarem sonhar. Com o coiso doidão a celebrar o feito e a despachar ameaças, exigências, delírios, desceria sobre a Grei uma nova consciência. Finalmente, poderíamos juntar Rio, Cavaco e Passos numa sala para lhes fazermos uma singela pergunta: “Já Chega?”

Declaração de voto

Isabel Moreira declarou em Setembro o seu apoio a João Ferreira, explicitando que o fazia contra o populismo e em nome do Estado de direito. Desde essa data, por sua influência, que também tenho o meu voto decidido.

O PCP não é um paladino do Estado de direito, no sentido em que não se preocupa com as violações ao mesmo dado estar focado no marxismo-leninismo e desprezar os valores burgueses (leia-se, liberais). Porém, o PCP sempre quis reclamar a Constituição como monopólio ideológico, como prova da legitimidade do projecto comunista e dos especiais direitos daqueles que foram os mais perseguidos pela ditadura. Isso levou a uma anfibologia onde o termo “Constituição” passou a representar duas entidades bem diversas, consoante se estava dentro ou fora do universo semântico da Soeiro Pereira Gomes: para os comunistas, a “Constituição” é fundamentalmente o seu Preâmbulo mais uns artigos avulsos; para o resto da malta, a Constituição é o conjunto do texto fundamental para a República, o qual se renova como matriz da democracia a cada revisão, não passando o Preâmbulo de um elemento memorial, decorativo, folclórico. Os comunistas consideram todas as revisões constitucionais como machadadas do imperialismo capitalista nos amanhãs que cantam.

Nestas eleições presidenciais, as duas concepções – que conservam antagonismos radicais entre si – podem finalmente fundir-se num paradoxo útil para quem queira votar numa ideia de democracia que transcenda as divisões ideológicas. João Ferreira, sem medo de aborrecer e como comuna típico, pôs a tocar a cassete da “defesa da Constituição” e fez dessa bandeira o centro da sua estratégia de campanha. Dessa forma, e em simultâneo, pôde falar para a identidade do seu partido e para as preocupações e aspirações de largas fatias de eleitores que votam PS, mais uma mão cheia dos que vota BE – e quiçá também para algumas almas penadas do PSD, caso haja laranjas com alergia ao populismo de Marcelo e com genuína costela conservadora.

Nestes quase 47 anos de regime democrático, o PCP adaptou-se ao triunfo dos exploradores da classe operária, tal como manda fazer o materialismo histórico, e aceitou adiar a revolução por uns séculos. A direita, vendo que o tigre pós-Cunhal não tinha dentes, afeiçoou-se ao seu rugido e passou a contar com ele para manter o proletariado na ordem. Daí a preocupação, à mistura com nostalgia, perante o definhamento demográfico deste, afinal, tão simpático e castiço partido – à exacta imagem do patriarca Jerónimo, o qual espalha bondade e bonomia. Votar em João Ferreira, então, implica assumir uma ironia. A de precisarmos de um populista bom para combatermos os populistas maus. O PCP é um partido populista, nisso em que se arroga o delírio de pretender ser proprietário do “povo”, mas tem décadas de sã convivência com a liberdade dos outros. Mais: a liberdade de todos deve muito ao heroísmo de milhares de militantes e simpatizantes comunistas.

Nos militantes do PCP – representados no João Ferreira, o qual é um candidato “do partido” – há uma decência e um humanismo que são património comum da civilização. Partilhamos causas e valores que estão sob ameaça da vertigem e do caos do tempo. Se lhe juntarmos a jura da defesa da Constituição, é ouro sobre vermelho para decidir em quem votar nestas presidenciais das pandemias.

Ana Gomes, um desastre anunciado

«Por exemplo, uma outra área onde eu tenho uma demarcação do Sr. Professor é a área da Justiça, da transparência, da corrupção. [...] Por exemplo, eu sei que o Sr. Professor, até pela sua relação de amizade com o Dr. Ricardo Salgado, é certamente das pessoas com mais interesse em que o caso BES já tivesse sido esclarecido, que já se tivessem apurado as responsabilidades desse senhor e de muitas outras pessoas em julgamento. E o caso BES está ligado, por exemplo, ao caso Sócrates, está ligado ao caso do "apagão fiscal", a questão das transferências para "offshore"...»


Ana Gomes para Marcelo Rebelo de Sousa – 26:50

🕳️

Portanto, Sr. Professor, cheira-me que o Sr. Professor, para além do conúbio com os queques da Comporta, também andou embrulhado com o diabólico Sócrates e ainda tem algo a dizer a respeito de uma curiosíssima “singularidade estatística” ocorrida debaixo dos olhinhos do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do Governo Passos Coelho, Paulo Núncio, durante a qual desapareceram 10 mil milhões de euros do radar do Estado com origem no BES. Ana Gomes vinha de 10 minutos sob constante e demolidor contra-ataque de Marcelo, que não só tinha rebatido com estrondo as suas últimas críticas como acabou a inverter os papéis e parecia ele o candidato que disputava o lugar à incumbente. Talvez sem esse sofrimento, visível no seu rosto, ela tivesse resistido a lançar aquilo que não carece lhe expliquem ficar como um acto canalha de difamação e chicana: colar Marcelo a casos de Justiça onde não é tido nem achado. É que, foda-se senhores ouvintes, se a Sr.ª Diplomata não consegue medir o peso de certas palavras com um grau de prudência já observável em crianças de 12 anos teremos de reescrever a História da diplomacia mundial.

Ana Gomes quis ripostar e usou o chiqueiro das calúnias. Isto, em si mesmo, é o que é. Cada qual define-se na avaliação que fizer da sua escolha. Chamo antes a atenção para outro aspecto, o qual é infinitamente mais importante do que o carácter da candidata presidencial. Refiro-me à matéria mesma dos tais casos, a que se acrescentam as declarações que continuou a fazer nos dias seguintes sobre os megaprocessos. Assim, para ela, os megaprocessos (a “Operação Marquês” é o mais importante deles no campo político e o mais mediaticamente explorado pela indústria da calúnia) são estratagemas organizados pela Justiça sob a influência ou pressão “dos ricos” com o objectivo de impedir os julgamentos e as respectivas condenações (que dá como certas, não precisa do paleio dos advogados e juízes), levando a que os acusados se safem através da prescrição dos crimes. Ainda nesta segunda-feira, no debate das rádios, repetiu a sórdida cassete e declarou que a corrupção precisa de “penas exemplares”. Horas depois, num espaço da candidatura, tomou o partido do Ministério Público para voltar a martelar a relação de Sócrates com o BES, utilizando politicamente o que neste momento não passa de uma acusação – e acusação embrulhada em abusos inauditos de magistrados, de politização de altas figuras do Estado e de crimes com origem na Justiça contra quem, mais de 6 anos passados sobre a sua detenção intencionalmente espectacular, permanece cidadão inocente. Sim, e não é notícia: o Estado de direito democrático e seus princípios não entram no conjunto de valores que moldam a identidade da cidadã Ana Gomes.

Mas pensemos. Imaginemos. O que se passará na cabeça da ilustre diplomata? Ela anda a ouvir, desde 2008, figuras gradas da direita a berrarem que o PS controlou politicamente o Ministério Público e o Supremo Tribunal de Justiça, utilizando Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento para evitar que um colossal corrupto a ocupar o cargo de primeiro-ministro fosse sequer investigado de tanta ilegalidade ao dispor na indústria da calúnia. O PS conseguiu isto, atente-se, sem que o Presidente da República Cavaco Silva, o PSD e o CDS, o Conselho Superior do Ministério Público, o Conselho Superior da Magistratura, e demais órgãos sindicais e corporativos das duas magistraturas, tivessem conseguido impedir, detectar, denunciar e castigar aquilo que terá de ficar como o crime do milénio pela sua gravidade para o regime. Este discurso é tão voluntariamente alucinado como o de Trump ao dizer que ganhou as eleições contra Biden. E tem permanente eco na “imprensa de referência”, tomada pelo editorialismo e comentariado aliados. Pois face a este cenário, já com 12 anos contínuos de ataque à confiança nos pilares soberanos da República, vemos uma candidata presidencial – que reclama representar os eleitores do PS – a aproveitar o embalo e juntar-lhe um nó cego onde a própria “Operação Marquês” teria sido pensada para que os supostos crimes prescrevessem antes de vermos o Engenheiro de novo na choldra, agora para uma estadia mais completa. Que desvairo é este? O que pretende alcançar? Para quem fala?

O que é trágico não é vermos a decadência desta figura, de uma irresponsabilidade política e cívica que ofende a moral das pedras da calçada. Trágico é vermos tantos, e tão meritórios, que arrasta para a irracionalidade onde se fantasia justiceira. Que ninguém se espante, então, com os 74 milhões de votos em Trump. O populismo tem razões que a razão tão bem conhece e tão mal rejeita.

Estado de guerra – 10 meses depois

Há vários tipos de catástrofe. Esta pandemia é uma catástrofe diferente de um terramoto, de um maremoto, de um furação, de um vulcão, de um acidente químico ou nuclear de larga escala. Diferente pela extensão no tempo da sua força activa e pela mutação na dinâmica da sua actividade.

Num terramoto há abalos severos nas estruturas físicas durante alguns segundos ou minutos, seguem-se réplicas cada vez mais fracas, e depois acabou. Num furacão há ventos e chuva avassaladores durante um par de dias, e depois acabou. Num maremoto há inundações destruidoras no espaço de horas, e depois acabou. Num acidente nuclear há efeitos contínuos que podem permanecer durantes décadas, séculos e até milénios, mas não estão (geralmente) sujeitos a alterações que os agravem ou aumentem o seu raio de acção.

Com as pandemias há um agente que é um autêntico morto-vivo, um vírus, tendo a capacidade de se reproduzir e evoluir, de ganhar rapidez, de ocupar cada vez mais terreno, de aumentar a intensidade e gravidade dos seus ataques. É uma entidade que não tem cérebro nem vontade mas que tem a inteligência e a finalidade da biologia.

Usar a metáfora do “inimigo” para lidar com a actual catástrofe em que nos encontramos, em que se encontra a humanidade, não é apenas um recurso útil para orientar comportamentos colectivos e individuais em prol da segurança e da prevenção. É também ser humilde, preferir a realidade onde há uma guerra para vencer com as armas da responsabilização comunitária e da consciência guerreira.

Revolution through evolution

The richer you are, the more likely you’ll social distance, study finds
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Wives bore the brunt of child care during the shutdown
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Higher coffee intake may be linked to lower prostate cancer risk
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No limit to cardiovascular benefits of exercise, study finds
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Robot displays a glimmer of empathy to a partner robot
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Computer scientists: We wouldn’t be able to control super intelligent machines
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Could we harness energy from black holes?
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Ventura, tens razão

«Se é fascismo querer que os corruptos não voltem ao poder, então somos fascistas.»

Fulano que Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Cavaco Silva e Passos Coelho aceitam como aliado do PSD

🙋‍♂️

Ventura já desfilou de braço no ar, já prometeu prender quem defenda o 25 de Abril e acaba de fazer da luta contra a corrupção uma bandeira do fascismo. «Though this be madness, yet there is method in’t» pois ele apenas leva às últimas consequências o que a direita partidária e presidencial começou a fazer desde 2004, e de forma estratégica e sistemática desde 2009: judicializar a política e politizar a Justiça – usar todos os instrumentos subterrâneos e criminosos para tentar causar danos no PS e obter ganhos eleitorais. A lógica desse caminho, ao violentar o Estado de direito democrático, é evidentemente a de explorar uma nostalgia e um aparato ditatoriais atraentes para uma juliana de indivíduos politicamente alienados.

Nunca saberemos como é que a esquerda iria reagir numa posição simétrica, estando na oposição com impérios de comunicação ao seu dispor, com uma ubíqua indústria da calúnia como arma de arremesso, e com um alvo icónico da direita na linha de fogo por ter cometido inegáveis erros morais e cívicos na sua esfera pessoal (no mínimo dos mínimos). Provavelmente, o discurso contra a corrupção continuaria presente no espaço público, teria era outro sentido e outros protagonistas, pois a política é animalesca nessa fúria de querer destruir os adversários recorrendo às figuras da culpa e da condenação. Porém, olhando para a forma como o PCP e o BE nunca quiseram ao longo da sua história fazer da corrupção um terreno de combate, é também provável que o PS jamais caísse na decadência de trocar o respeito pela Constituição – portanto, pelos valores liberais e da social-democracia tomada em espectro largo – pelo emporcalhamento e atrofio das responsabilidades institucionais e de representação soberana. A Ciência Política tem vasta literatura sobre as diferenças antropológicas e cognitivas na origem dessa diferença de atitude na concepção da moral entre a esquerda e a direita.

Quem usa a corrupção na procura de ganhos políticos nunca a trata com factos, dados, fontes de informação, estudos, objectividade. Pelo contrário, vão buscar as técnicas do sensacionalismo, do boato, da caricatura, da distorção, do apelo ao medo, da exploração da crendice ignara. Modo Octávio Machado, todos sabem do que eles estão a falar, e eles falam de Sócrates, falam do PS, falam do Diabo. Quem ouve, quem lê, também não pretende qualquer objectividade; pretende é foguetório calunioso, circo, autos-de-fé, linchamentos. Se o preço a pagar por esse espectáculo for o aplauso a quem se assuma como inimigo da democracia, dos direitos humanos e da liberdade – ou simplesmente a quem faça campanhas pela prisão de políticos por razões políticas ou com provas indirectas e penas exemplares – há um vasto público disponível para essa compra de impulso. As falhas cognitivas que alimentam as alucinações conspirativas e o ódio irracional são a ideologia neuronal desta turbamulta.

Ventura tem um modo de “fazer política” que foi aprendido no PSD de Passos Coelho, esse mítico líder que conseguiu afundar Portugal para ir com o seu sócio Relvas fazer negócios da China durante uma legislatura. Ventura tem também um acordo com a elite cavaquista e passista que lhe dará o que procura se a direita obtiver maioria no Parlamento. Todos os votos que recolher, nas presidenciais e nas legislativas, serão votos neste projecto. Um projecto que consiste em destruir a Constituição de Abril e em boicotar a racionalidade civilizacional.

Sim, pá, isso é uma boa beca parecido com o fascismo.
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O jornalista

O jornalista tinha despachado um tríptico sobre o tribalismo. Magnífico. Três sovas três na malvada esquerda. Culpada de tudo e, em especial, do triunfo de Trump e da erupção do Ventura. A esquerda, com o seu fanatismo religioso, reinventou a inquisição para castigar os deploráveis, noticiou o jornalista.

Depois desse homérico esforço, o jornalista sentiu falta de prestar um serviço à sua tribo. Pelo que foi a correr alistar-se na milícia que persegue a ministra da Justiça. Contradição? Nenhuma. Para ensinar o povo acerca dos malefícios do tribalismo dos outros é necessário ser-se especialista no tribalismo dos seus. E o jornalista teve engenho e arte para escolher o bom tribalismo, aquele que odeia o mau tribalismo. Numa feliz coincidência, o bom tribalismo tem bom dinheiro para gastar com caluniadores profissionais. Pelo que no dia 5 de Janeiro lá deu notícias frescas sobre o plano de Costa para meter a sua bandidagem a controlar a Justiça.

O dia 6 de Janeiro costuma seguir-se ao dia 5 do mesmo mês, e neste ano não foi diferente. Pois o jornalista passou grande parte desse tal dia 6 a olhar para o televisor. Havia cegada no Capitólio, vidros partidos e chatices. A consequência de a esquerda dizer coisas feias dirigidas aos deploráveis tinha provocado aquele sarilho, concluía o jornalista agastado. Que mais é que eles podiam fazer, coitados? Quem é que, sentindo-se perseguido pela esquerda e suas “palavras-cianeto”, não sente um irreprimível desejo de fazer 300 km para ir defecar num corredor da sede do poder democrático dos Estados Unidos da América? É que, enfim. Nisto, o jornalista olhou para o relógio e assustou-se. Já eram onze da noite e ainda não tinha enviado o texto para o jornal. Saltou para o computador e teclou furioso sobre o assunto mais importante do dia que estava prestes a acabar, um artigo de António Cluny.

Os dias continuaram a passar, numa monotonia implacável. Aquilo na América, causado “pelos autoproclamados progressistas” e a sua “obsessão pela pureza da alma”, continuou a entreter o Mundo e a dar conteúdo a historiadores. Nada que impressionasse o jornalista. Ele não tinha escolhido a heróica vocação jornalística para se deixar levar pelos diabólicos truques da esquerda, useira e vezeira na “sacralização de certos valores “. O jornalista faz como os deploráveis vítimas dos “justos” e da Hillary Clinton, igualmente caga nesses valores. Daí ter continuado impávido e valente a dar notícias preciosas a respeito dos temas da actualidade em que nos devemos concentrar. No dia 9 de Janeiro, cuidado com o Sócrates. No dia 12 de Janeiro, a culpa não é do Ventura. No dia 14 de Janeiro, não sei quê das vacinas.

Não é para qualquer um ser como o jornalista. É preciso estar disposto a radicais sacrifícios. E, como se vê, o jornalista não teme passar por marciano distraído. Alguém tem de denunciar os planos da esquerda que nos quer tiranizar, roubar as pratas e engravidar as filhas. Ainda não chegámos à América, informa o jornalista.

Marcelo infecto

«Confrontado com uma foto consigo no Bairro da Jamaica e várias pessoas negras, incluindo uma criança, sendo acusado de ter ali ido confraternizar com a "bandidagem", e ao não reagir à calúnia racista, assim como ao dizer que a sua direita não é a mesma do contendor sem no entanto definir essa direita como deve ser definida, Marcelo falhou na defesa dos valores essenciais da democracia e do Estado de direito. Falhou no que não podia falhar - e menos ainda quando do outro lado do Atlântico, naquele mesmo dia e àquela mesma hora, se tentava, em nome de um dos modelos daquele homem ali à sua frente, derrubar uma das democracias mais antigas do mundo.»


Quando lutas com um porco

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Qualquer um pode fazer a experiência, calhando estar esquecido do que viu ou não o tendo visto. A experiência de rever o debate entre Marcelo e Ventura para constatar como o segundo esteve sempre ao ataque e o primeiro nunca conseguiu sequer perturbar a empáfia da escolha de Deus para fundador da Quarta República Portuguesa. Na verdade, o contrário aconteceu, tendo Ventura tido sucesso no arrastar de Marcelo para o bate-boca feirante em que o ilustre Professor se deixou nivelar por baixo e acabou a perder o controlo da pose e das suas responsabilidades institucionais. Num dos casos, chegando ao ponto de violar o sigilo das audiências em Belém. Num outro caso, de uma gravidade distinta mas tão ou mais grave, ao ter concedido ao presidente do partido Chega o estatuto de líder da oposição. Fê-lo quando concordou com Ventura que a ministra da Justiça devia pedir a exoneração ou ser demitida. Repare-se na cena: o solitário deputado de um partido que congrega salazaristas, nazis, racistas, xenófobos e “portugueses de bem” consegue levar o Presidente da República, em cima do início da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, a fazer uma declaração pública de apoio à campanha do PSD para explorar o caso do Procurador Europeu até ao limite possível da chicana. Não foi Rio que obteve esse trunfo, foi Ventura.

No dia seguinte, António Costa acusou três passarões do PSD de estarem em campanha para conseguir chutar a inútil polémica para um palco europeu – portanto, acusou esse trio de pretender denegrir a imagem de Portugal, posto ser esse o único objectivo tangível das suas declarações e acções. Podemos ver nas palavras de Costa um erro político, ou um excesso retórico que devia ter evitado. Porém, prefiro vê-las como a resposta do primeiro-ministro à posição assumida na noite anterior pelo Presidente da República, o qual tinha optado por voltar a quebrar a lealdade institucional e emporcalhar a responsabilidade constitucional apoiando ataques políticos contra o Governo e interferindo com a autoridade do primeiro-ministro. Tudo isto numa questão simultaneamente escabrosa e pífia que apenas serviu para Rui Rio acabar com os seus “tweets” sobre sondagens e o aeroporto Humberto “Força nisso!” Delgado. Costa defendeu o prestígio de Portugal, sabendo que iria agitar o vespeiro, enquanto o inteligentíssimo e experienciadíssimo Marcelo se deixava manipular por um perigoso tachista que alimenta ódios e arregimenta ignorâncias e desesperos.

Saltemos para a visão pan-óptica, sem a qual a política é uma narrativa incoerente contada por um louco. A posição de força de Costa, e as reacções que tal provocou na direita, começam a compreender-se com o que Ângela Silva, uma jornalista do Expresso que não ambiciona ser mais do que um pé de microfone de Belém, escreveu um dia antes quando mergulhou de cabeça na infâmia de Marcelo com este estouvado título: O baile de Marcelo a Ventura: “Você nunca me disse em Belém que eu era manipulado pelo Governo”. Trago este exemplo para dar conta do maremoto de dissonâncias cognitivas que o império do militante nº 1 do PSD serviu ao público para salvar a imagem de Marcelo e fazer-lhe a papinha e a propaganda. As avaliações ao debate – O melhor Marcelo deixou Ventura KO. Eis as notas dos comentadores do Expresso e SIC – inevitavelmente provocam espasmos de riso logo no relance sobre a tabela da pontuação e ainda antes de lermos a primeira justificação. Tendo em conta que no júri se encontra o admirável Pedro Adão e Silva, vou admitir que não foi só o sectarismo, a hipocrisia e o cinismo a explicarem as avaliações, o asco também foi um factor a influenciar a cognição. O que pretendo realçar, contudo, é que o registo ditirâmbico é a prova mesma do fracasso de Marcelo frente a Ventura.

Espanto? Nenhum. Marcelo foi para o debate com Ventura na intenção de ficar no fundo do corte, devolvendo as bolas sem se mexer muito, sem se aproximar da rede, esperando que fosse o adversário a falhar as jogadas – precisamente ao contrário do que fez no debate com Ana Gomes, para o qual levou munição poderosa e com a qual foi implacável depois da cartada Salgado ter sido usada, não fazendo prisioneiros. Marcelo não queria desvitalizar Ventura e denunciá-lo como o oportunista abjecto que é porque Marcelo quer o mesmo que Rio, Passos e Cavaco: que o próximo Governo seja de direita. Para tal ser possível, o Chega vai ter necessariamente de entrar na equação, restando só saber com que peso. Ventura aparece nas presidenciais para isso mesmo, fazer crescer a sua fatia de mercado e depois negociar nas melhores condições possíveis os tachos à disposição. A actual direita decadente não tem medo nenhum do Ventura porque um aldrabão é um aldrabão, e nada mais, têm disso aos montes à sua volta (como lembrou Salgado, por exemplo). Ou seja, dali não vem qualquer surpresa, pelo que o deixam andar a criar o seu exército de lumpendireitolas na certeza de que o conseguem controlar, e mesmo destruir se ameaçar algum dos seus interesses. A isto esta direita chama “fazer política” e isso não passa da aplicação da ancestral cultura do poder pelo poder que se bebe desde o berço na oligarquia.

A Marcelo bastou dizer que a sua direita é diferente da do coiso para que a claque declarasse KO. Acontece que quem ficou KO foi a cultura democrática e o património republicano ao vermos o Presidente da República a recorrer à sua batina de católico para conseguir verbalizar uma oposição argumentativa contra a prisão perpétua. O mesmo nível indigente no plano intelectual e moral para responder à agenda subversiva e incendiária de quem se declara inimigo do regime nascido do 25 de Abril. Nem sequer, como regista acima a Fernanda Câncio, o momento histórico da invasão do Capitólio inspirou Marcelo para o serviço público de mostrar que Ventura, assumido epígono de Trump, ofende a causa do Estado de direito democrático e o ideal da liberdade.

Os tempos de antena do candidato Marcelo Rebelo de Sousa estão vazios. Ele alega que é para ser justo com os outros candidatos, por causa da sua intensa exposição mediática de 5 anos como Presidente da República e demais actos públicos até às eleições. Não temos de perder uma caloria a tentar encontrar qual seja o mérito ou a bondade do raciocínio porque não existe. Em vez de aproveitar essas ocasiões de comunicação para nos ajudar a lidar com os medos, os apelos ao ódio, as distorções e deturpações sociais, a iliteracia política, a confusão e a depressão que crescem imparavelmente, Marcelo caça no mesmo território do desprezo pelos políticos e pela política. Temos até de reconhecer, vencidos e banzos, que os seus tempos de antena são espectacularmente virais. É que uma pandemia nunca vem só, e Marcelo e Ventura partilham o mesmo vírus populista.

Bute criar um programa de televisão

Acabados os debates para as presidenciais (os do Porto Canal com o Tino são excedentários mesmo que tenham algum eventual mérito) está na altura de preparar o futuro da televisão em Portugal. E esse futuro ficaria enriquecido com um programa de debate político que continuasse uma das mais gratas descobertas da série que ontem terminou com um sacrifício colectivo: a química entre Marisa Matias e Tiago Mayan. A meia hora que eles tiveram deixou água na boca, se tivesse durado uma hora continuaria a parecer 15 minutos, sendo uma fortíssima candidatura à medalha de ouro do certame.

Como actual autor e também virtual produtor executivo desse programa, deixo o racional, conceito e nome do que me parece um inevitável sucesso.

RACIONAL

– Marisa e Tiago representam visões luminosamente diferentes, em muitos aspectos antagónicas, para as políticas públicas, para o desenvolvimento económico e para o modelo social. Estamos perante uma (ou até mais do que uma) polaridade.
– Tiago e Marisa são pedagógicos na exposição, falando com calma sem perderem a convicção e o entusiasmo. Mostram respeitar o interlocutor, sabendo ouvir sem terem (ou tendo muito menos do que o comum em debates políticos) o descontrolo emocional de querer reagir com interrupções avulsas a argumentação do adversário.
– Marisa tem uma experiência e uma personalidade política que estão abafadas pela actual liderança do seu partido, prometendo outros voos agora que acabou o seu ciclo como “simpática” para gasto em campanhas presidenciais. O Tiago começou o ciclo televisivo como anedota, erro de elenco, e transformou-se numa revelação aplaudida à direita e à esquerda. Embora a sua curva de crescimento tenha sido covídica, está ainda muito verde na preparação teórica, no traquejo político e na postura mediática. Porém, também ele promete outros voos, e este programa com a Marisa seria um palco propício para o seu crescimento ou para se descobrir que não passa de um bluff.

CONCEITO

– Ambos iriam discutir entre si assuntos da actualidade, uns, e da ideologia, outros; agora com mais tempo, mais preparação e acesso a fontes de informação que permitam rigorosa análise e frutuoso debate. Por exemplo, aquando da discussão sobre a TAP divergiram sobre a posição da empresa na lista dos exportadores nacionais. É um tópico interessante para quem se interessa, vai sem discussão, sendo igualmente interessante a existência dessa diferença de perspectiva. Ficou a faltar, então, o confronto com os dados e as interpretações mútuas respectivas (as quais não têm necessariamente de gerar um consenso ou uma capitulação, a ideia não é a de que tenha de ser um jogo de soma positiva ou nula).
– O programa teria, sem calendário nem aviso, um terceiro participante. A sua escolha resultaria das candidaturas espontâneas de políticos profissionais ou amadores, acabados de entrar na universidade ou na reforma, com bom ou mau feitio. Enfim, qualquer um poderia participar desde que enviasse uma candidatura onde expunha a sua motivação e as razões principais de discórdia com a parelha residente no programa neste ou naquele assunto. A dupla escolheria arbitrariamente, agora por consenso, com quem iriam debater.

NOME

“Bloco Liberal”

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