Ventura, tens razão

«Se é fascismo querer que os corruptos não voltem ao poder, então somos fascistas.»

Fulano que Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, Cavaco Silva e Passos Coelho aceitam como aliado do PSD

🙋‍♂️

Ventura já desfilou de braço no ar, já prometeu prender quem defenda o 25 de Abril e acaba de fazer da luta contra a corrupção uma bandeira do fascismo. «Though this be madness, yet there is method in’t» pois ele apenas leva às últimas consequências o que a direita partidária e presidencial começou a fazer desde 2004, e de forma estratégica e sistemática desde 2009: judicializar a política e politizar a Justiça – usar todos os instrumentos subterrâneos e criminosos para tentar causar danos no PS e obter ganhos eleitorais. A lógica desse caminho, ao violentar o Estado de direito democrático, é evidentemente a de explorar uma nostalgia e um aparato ditatoriais atraentes para uma juliana de indivíduos politicamente alienados.

Nunca saberemos como é que a esquerda iria reagir numa posição simétrica, estando na oposição com impérios de comunicação ao seu dispor, com uma ubíqua indústria da calúnia como arma de arremesso, e com um alvo icónico da direita na linha de fogo por ter cometido inegáveis erros morais e cívicos na sua esfera pessoal (no mínimo dos mínimos). Provavelmente, o discurso contra a corrupção continuaria presente no espaço público, teria era outro sentido e outros protagonistas, pois a política é animalesca nessa fúria de querer destruir os adversários recorrendo às figuras da culpa e da condenação. Porém, olhando para a forma como o PCP e o BE nunca quiseram ao longo da sua história fazer da corrupção um terreno de combate, é também provável que o PS jamais caísse na decadência de trocar o respeito pela Constituição – portanto, pelos valores liberais e da social-democracia tomada em espectro largo – pelo emporcalhamento e atrofio das responsabilidades institucionais e de representação soberana. A Ciência Política tem vasta literatura sobre as diferenças antropológicas e cognitivas na origem dessa diferença de atitude na concepção da moral entre a esquerda e a direita.

Quem usa a corrupção na procura de ganhos políticos nunca a trata com factos, dados, fontes de informação, estudos, objectividade. Pelo contrário, vão buscar as técnicas do sensacionalismo, do boato, da caricatura, da distorção, do apelo ao medo, da exploração da crendice ignara. Modo Octávio Machado, todos sabem do que eles estão a falar, e eles falam de Sócrates, falam do PS, falam do Diabo. Quem ouve, quem lê, também não pretende qualquer objectividade; pretende é foguetório calunioso, circo, autos-de-fé, linchamentos. Se o preço a pagar por esse espectáculo for o aplauso a quem se assuma como inimigo da democracia, dos direitos humanos e da liberdade – ou simplesmente a quem faça campanhas pela prisão de políticos por razões políticas ou com provas indirectas e penas exemplares – há um vasto público disponível para essa compra de impulso. As falhas cognitivas que alimentam as alucinações conspirativas e o ódio irracional são a ideologia neuronal desta turbamulta.

Ventura tem um modo de “fazer política” que foi aprendido no PSD de Passos Coelho, esse mítico líder que conseguiu afundar Portugal para ir com o seu sócio Relvas fazer negócios da China durante uma legislatura. Ventura tem também um acordo com a elite cavaquista e passista que lhe dará o que procura se a direita obtiver maioria no Parlamento. Todos os votos que recolher, nas presidenciais e nas legislativas, serão votos neste projecto. Um projecto que consiste em destruir a Constituição de Abril e em boicotar a racionalidade civilizacional.

Sim, pá, isso é uma boa beca parecido com o fascismo.
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3 thoughts on “Ventura, tens razão”

  1. Ventura não é um palhaço pois o palhaço não veste fato e gravata de vistoso burguês.
    Ventura não é uma vaca pois esta decide-se doce e tranquilamente a pastar pela relva quase sem levantar a cabeça.
    Ventura não é um louco que saltou o gradeamento do hospital dos malucos pois, em situações normais da sua vida pessoal, exibe uma postura de homem civilizado de classe alta.
    Ventura nasceu homem e foi criado e educado como nós e não diabo criatura vinda dos infernos melífluos.
    Contudo, um dia, um político de sucesso golpista, fê-lo crer que também Ventura podia ser um político de sucesso.
    Foi aprendiz mas logo viu o caminho fácil para o sucesso e do potencial proveito em jogo.
    E, desde então, comporta-se sem tino, espalhafatosamente, como um palhaço rico e pobre ao mesmo tempo; faz política a berrar como uma vaca louca; solta ideias e pensamentos políticos como os crentes loucos do tempo da Inquisição; faz gala de parecer ter sido enviado como diabo dos infernos redentores para redimir as culpas dos portugueses.
    Ventura, o grande diabo, faz tudo e de tudo o que for preciso para roubar o poder que hoje detêm os pequenos diabos; estes brincam à democracia e são incapazes do grande golpe que é preciso para virar o mal e trazer o bem.
    Ventura pensa que é ele o homem nascido com o “carisma” suficiente para virar tudo do avesso; adquiriu essa crença e, embalado, confunde ter carisma com provocar, insultar e rejeitar tudo e todos.
    Como uma crença não passa de um bluff mental também Ventura, mais cedo que tarde, um dia, cairá aos tombos do alto dos seus propósitos.

  2. Sò espero, tranquilamente, que o fascismo não regresse mais ao nosso país, embora haja muitas desigualdades sociais nas democracias, mas, por enquanto, a DEMOCRACIA, é o regime que nos pode deixar viver tranquilos, pensar como pensamos, sem prejudicar os nossos irmãos de espécie, ricos ou pobres (INFELIZMENTE)!

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