Chega aqui

«O Chega foi criado em abril de 2019, teve 67 mil votos nas legislativas desse ano e o seu líder alcança quase meio milhão de votos nas presidenciais de 2021.»

Pedro Santos Guerreiro

🤹‍♂️

O Chega, então um movimento com esse nome, foi criado em Setembro de 2018, ainda Ventura se exibia como fervoroso militante do PSD. A intenção era a de ir tentar derrubar Rio Rio em congresso extraordinário, ou fingir tal. Mas o Chega, enquanto plano de explorar o racismo, a xenofobia e o medo de forma inaudita na política portuguesa, como armas assumidamente tóxicas e violadoras dos códigos de conduta do sistema partidário com representação parlamentar desde os alvores do regime democrático, foi criado em 2017 – por Passos Coelho.

No Observador é possível encontrar mais de cinco mil artigos a explicar como o Chega é uma invenção do PS, do Bloco, da esquerda. Continuando a procurar por lá, tropeçamos em vinte cinco mil artigos a explicar que o Chega não quer o mal de ninguém, está é a dar voz à imensa maioria que se sente perseguida e esmagada pelas minorias étnicas que fazem casamentos de três dias ao ar livre e pelos gandulos que arribam às praias dos Algarves vindos de Marrocos com uma das mãos num remo e a outra num telemóvel de último modelo. Este é um argumentário que já tinha sido utilizado para explorar a Troika como trunfo político. A Troika era excelente porque vinha cortar gorduras do Estado e obrigar os madraços e estroinas a saírem da zona de conforto e do País, mas a Troika era péssima porque tinha sido pedida pelo PS. O que não prestava na Troika era culpa dos socráticos, o que era bom na Troika era mérito de Passos e Portas. Com Ventura a lógica repete-se: ele diz coisas grotescas por culpa dos perigosos esquerdalhos e do seu marxismo cultural politicamente correcto, mas ele diz coisas verdadeiras que mais ninguém diz. Logo, é simples: cui bono?

Pedro Santos Guerreiro não gasta a carteira de jornalista no Observador. É uma das vedetas do império do militante nº1 do PSD e justifica o confortável salário com exercícios como o que acima está pendurado. Para além de escrever como mais ninguém (felizmente), este amigo também sabe como branquear o laranjal. Apagar Passos da fotografia com Ventura, in illo tempore, é obrigatório na grande estratégia da direita decadente. Aquela que em 2016 passou longas horas colada ao televisor a ver e ouvir Trump. A gargalhar com Trump. A admirar Trump. A aprender com Trump. E que depois pegou no telefone, ligou ao Ventura, e lhe disse “Chega aqui.”

10 thoughts on “Chega aqui”

  1. A. (des)Ventura, do ponto de vista político é um empedernido velho do Restelo, representa todas as oportunidades de evolução da estrutura social do nosso país que foram desbaratadas, em nove séculos da nossa história. Mas isso seria uma reflexão que nos levaria muito longe.

    Se alguém de esquerda estiver face a face, em debate com A. (des)Ventura, que o inste a aplicar ao Portugal “europeu” a mesma lógica que ele emprega para fustigar a nação cigana. Como Schauble fez, deveria (des)Ventura designar os portugueses de madraços (madraço vem do árabe, matrah (almofada), e significa aquele que não gosta de trabalhar, preguiçoso ou cábula) e, já agora, subsídio-dependentes. Pois acontece que Portugal também está na situação de beneficiário de uma espécie de RSI da UE. Schauble constituiu-se, ele próprio, num populista xenófobo do ramo germânico da (nossa) raça indo-europeia (vulgo, ariana). Por todas as razões (e mais algumas) fica muito mal, ao nosso (des)Ventura, seguir-lhe as pisadas e, simultaneamente, intitular-se de europeísta.

    A nação cigana está em situação muito mais precária que a portuguesa, pois o seu problema é velho, velho de 12 séculos. Pode-se ler aqui:

    https://encyclopedia.ushmm.org/content/en/article/roma-gypsies-in-prewar-europe

    E eis como o ramo germânico da raça indo-europeia (e os ciganos também são arianos…) assassinou os últimos falantes de sânscrito da Alemanha. Para quem não sabe:

    https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A2nscrito

  2. Valupi, meu! Eu quero que o Chega se foda! 88% deste país quer que o Chega se foda! E o destaque que aqui dás à pocilga do bácoro nazi de aviário e aos chafurdas que lhe batem punhetas começa a tornar-se obsceno. Parece que não conheces a velha máxima de que “não me preocupa que falem mal de mim, o importante é que falem”.

    E cometes um erro de palmatória quando referes “aquela [direita decadente] que em 2016 passou longas horas colada ao televisor a ver e ouvir Trump. A gargalhar com Trump. A admirar Trump. A aprender com Trump. E que depois pegou no telefone, ligou ao Ventura, e lhe disse “Chega aqui.””

    O apoio da direita decadente ao Trump, cá pela Tugalândia, diria mesmo pela Eurolândia, prima pela ausência. Desafio-te a fazer uma lista de membros da direita decadente portuguesa que tenham apoiado Trump, que tenham elogiado Trump, que tenham exultado com Trump (talvez o Jaime Nogueira Pinto, mas mesmo esse com reservas). O que eu vi, desde o peido cósmico, ou Little Bang, ou Micro Bang, que pariu Trump (e tu terás visto o mesmo) foi a direita decadente tuga, tal como quase toda a direita planetária (excepto o jagunço Bolsonaro e pouco mais) a demarcar-se dele, a criticá-lo ferozmente, a ridicularizá-lo, a rezar pela queda ou pelo peido final do bicho, que anularia o peido cósmico que o pariu.

    A direita decadente da Tugalândia foi praticamente unânime, desde o primeiro momento, na crítica feroz ao impichado da Sala Oral. Desde o salta-pocinhas aldrabão e trapalhão conhecido como Paulinho da Feiras até ao Bernardo Pires de Lima que um dia aqui copiosamente elogiaste, toda a direita merdosa do nosso bendito jardim tremeu de indignação “democrática”, durante quatro anos, contra as malfeitorias do gangster da Casa Preta, a começar na “malfeitoria” primordial de ter “roubado” o lugar à harpia psicopata Killary Klingon, com o alegado auxílio do supermafarrico Vladimir Putin.

    Uma coisa te garanto (pela milésima vez): indignava-os o estilo, o descaramento, a nudez obscena do comportamento do animal, que lhes dificultava a vontade de apoiar abertamente as sacanices, com as quais sempre estiveram de acordo, e que ele se limitava a copiar dos antecessores. A esquerda que merece esse nome não gostava nem gosta de Trump por aquilo que ele é, pelos interesses que representa, pelas políticas que implementou. A direita “civilizada” e decadente odiou desde sempre o Trump porque era mau para o negócio, já que as filhas-de-putice garantem mais hipóteses de sucesso quando feitas por debaixo da mesa. Não interessa a ponta de um corno que a mulher de César seja puta, basta que não o pareça, para que o cortejo enorme de putas, putinhas e putéfias que lhe elogiam a virgindade e santidade possam continuar os seus negociozinhos sujos sob a capa da seriedade e da civilidade.

    Repito: eu quero que o Chega se foda! Eu quero que o bacorinho nazi de aviário vá comer na peida! O que me interessa agora discutir, o que nos interessa a todos, é aquilo que nos está a matar, a dar cabo da vida, a dar cabo do negócio, a dar cabo do futuro, até a dar cabo do passado, porra! O que devemos estar todos a discutir é o que está a correr mal na porra da pandemia, porque é que está a correr mal, que erros concretos foram cometidos, quais os responsáveis por esses erros, o que poderá ser feito para correr melhor.

    P.S. — Podes sempre dizer-me que para conversas dessas eu devo, talvez, procurar outro pardieiro, mas a esperança é a última a morrer, meu! Ainda sobra por aqui gente inteligente e interessada em qualquer coisa mais do que o bullying ordinário, castrado e inconsequente das ratazanas do costume.

  3. “Repito: eu quero que o Chega se foda! Eu quero que o bacorinho nazi de aviário vá comer na peida! O que me interessa agora discutir, o que nos interessa a todos, é aquilo que nos está a matar, a dar cabo da vida, a dar cabo do negócio, a dar cabo do futuro, até a dar cabo do passado, porra! O que devemos estar todos a discutir é o que está a correr mal na porra da pandemia, porque é que está a correr mal, que erros concretos foram cometidos, quais os responsáveis por esses erros, o que poderá ser feito para correr melhor.”

    o rio tamém já CHEGOU a essa conclusão, não tendo desfeito a aliança dos açores, anunciou ontem que em futuras alianças CHEGA PRA LÁ porque tudo somado (38,4%) não CHEGAM ao ps (39,9%). falhou o plano e agora a táctica é apostar no tradicional “quanto pior para o país, melhor para nós” e o trunfo é o celinho. bora lá fazer a cabeça dos tugas sobre a incompetência do governo sobre a pandemia, pôr umas empresárias de lisboa a contar mortos, umas nádias piazza a contar ambulâncias à porta dos hospitais para o telejornal, uns médicos especialistas em faltas de oxigénio, uns intensivistas de telejornal, a judite sousa a fazer directos das morgues, o virologista stanisic a pedir subsídios, a abelha maya a acusar a ministra da saúde pelos mortos, o ministério público a investigar o governo pelo holocausto e caso as sondagens sejam favoráveis pressionar o selfiemade presidente a dissolver a assembleia e marcar eleições que garantam uma vitória à direita. pode ser que resulte e o capacho chegue a telefonista do secretariado nacional de informação.

  4. Não acham que chega (já custa usar a palavra) de falar no Ventas?

    Para não variar (esta é para satisfazer o troll), aviso que vou desviar um pouco do tópico, ok?

    Não gosto séries televisivas mas, como não tenho muito para fazer, tenho visto uma no Canal 2: COBRA
    É curta (6 episódios), mais ou menos realista e com bons actores ingleses.
    Tratando-se de um argumento sobre um governo a gerir uma situação de crise nacional grave, comecei a achar que (salvo o facto desse governo ser conservador) fazia lembrar as peripécias que cercam e condicionam a nossa governação:
    Ataque cerrado da oposição (no nosso caso o PR também vai molhando na sopa, quando pode).
    Corporações e sindicatos a empolar a crise para reivindicar ( aqui também temos interesses partidários à mistura, para variar).
    Picardias no seio do partido de governo.
    Investigações judiciais a membros do executivo, incluindo o PM.
    Algumas sabotagens, pelo meio, para espalhar confusão.
    E, como sempre, os mérdia no comando das operações a desinformar e instigar as hostes até ao derrube do PM.
    Conclusão: Parece que ninguém está interessado em resolver os problemas. Apenas pretendem sacar dividendos políticos enquanto o governo tem que se esforçar em combater a crise, gerindo a imagem e evitar as minas que lhe são colocadas no caminho por quem devia estar concentrado em colaborar na solução.
    O animal está ferido, há que aproveitar.

    A série está quase no fim, tem alguma fantasia mas, talvez dê uma uma ideia do impasse que atravessamos.

  5. Já quase nem leio o que o trolha escreve, mas acho que a última posta está na “mouche” e, afinal, a minha referência nem está “off topic” e até corrobora o último bitaite.
    Em jeito de idYOta, leva smiley e tudo.

  6. esqueci-me da asna gomes, quando subiu ao podium do campeonato pelo 2º. lugar declarou mais guerra ao governo do ps, poder vender os incobráveis 541.347 ao rio e do louceiro de esquerda despachar aquilo a pataco antes entrar no limite mínimo da subvenção, depois ninguém lhe dá nada pela sede, distritais e acampamentos. trocava por umas avenças para as meninas aparecerem nas têvês a relatar a desgraça pandémica no brasil coreografada com exteriores do santa maria, ele continuava com o pelouro das missas e o rosas reeinventava “o tempo e a alma” do saraiva adaptado aos feitos gloriosos e batalhas travadas em prol da democracia, i.e. uma séria de 10 episódios sobre o chumbo do pec4. assim fica mais compostinho e pode ser que efluente de direita aproveite a matemática da ideia.

  7. Quem vota hoje no chega são os mesmos reaccionários e ressabiados que em tempos constituíram a “maioria silenciosa” do Spínola, que depois andaram a matar “esquerdalhos” inocentes, no ELP e no MDLP, durante o “PREC”, que depois disso deram alarvemente a cara pelo MIRN, já de braço estendido, mas votavam na AD e no Sá&Soares Carneiro, que reforçaram as maiorias absolutas do cavacoiso, cilindrando momentaneamente o CDS/Partido do Táxi, que já se atreveram a fazer muito barulho e ameaças criminosas no PNR, que vomitaram e cagaram indecorosamente em cima dos cartazes do Sócrates, fazendo um festim quando o fascismo social voltou a passar pelo poder, pela mão nojenta, do Gasparalho, e que agora, viúvos do Salazar e órfãos do cavaquismo e do pafiosismo foram ensaboados pela mérdia para berrarem contra o Costa e aparecerem, sem vergonha, com propostas proto-nazis.
    Mas são sempre os mesmíssimos, eram mais de 50% da população no dia 26 de Abril de 1974, posso garantir-vos, até porque eu ainda era inocentemente um deles, nos meus catorze tenros anos, têm vindo sempre a minguar desde aí (sobretudo a partir do tiro nos pés que deram a 11 de Março de 1975…) e agora, finalmente às claras e de peito feito, já só são doze por cento. Ainda bem!
    É sem dúvida uma grande vitória da nossa Democracia, acreditem, e que bem podemos celebrar.
    Que continuem a mirrar como nos últimos quase 48 anos, é o que eu mais desejo.

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