Da «missa em fado» à «aspirinab» – uma coisa lembra a outra
No passado dia 22-5-2011 às 19h 30m assisti comovido a uma missa em fado na Igreja do Sacramento ali à Calçada do Sacramento entre a Rua Garrett e o Largo do Carmo. Com voz de Filipa Galvão Telles e José Campos e Sousa (também na viola) apresentou-se Bernardo Couto na guitarra portuguesa. Não vou (nem vale a pena) descrever a missa em fado porque só se percebe ouvindo a mistura feliz das duas vozes e da guitarra portuguesa, das duas vozes e da viola. Tudo aquilo tem a ver com Poesia pois na Poesia há sempre metade canção e metade reflexão. Cantar é juntar as palavras caídas no chão do quotidiano e levantá-las mais altas que o altar da liturgia dominical. Foi uma tarde maravilhosa.
O que me fez recordar o Blog «aspirinab» foi uma coisa bem insólita. Já passavam dez minutos das 19h 30m quando em voz baixa e com cuidado perguntei às duas pessoas que estavam comigo: «Que horas são?» A resposta veio também em tom muito baixo: «Já passa das sete e meia!» Pois apareceu uma parva que estava ali perto, com um ar de camafeu, a sorrir e a dizer como se estivesse num jardim-de-infância: «Não podem falar na casa de Deus! Esta é uma casa de oração!» Meio refeito do susto da intrusa, lá respondi: «Não preciso dos seus avisos, dispenso as suas opiniões, vá-se embora!». E ela foi. Ainda bem porque logo um senhor me veio dizer: «Ela não queria que eu acendesse uma vela!». Mas pronto, o incidente foi sanado. A parva foi-se embora e o padre Armando Duarte apareceu às 19h 40m – mais coisa menos coisa, a missa em fado lá arrancou os primeiros acordes para bem de todos nós.



















