Vinte Linhas 618

Dissertação sobre o comércio a partir de um desenho de Anna Castagnoli

Conheço todas as ruas e praças da Baixa de Lisboa desde Setembro de 1966. Nesse tempo ainda havia eléctricos do Rossio para a Estrela – a subir na Rua Augusta e a descer na Rua do Ouro. O bilhete do elevador de Santa Justa custava dois tostões. No eléctrico uma zona era sete tostões, duas eram dez tostões. Eu era «ordenança» e ganhava 900 escudos por mês.

Havia um monstruoso carro azul da PSP frente ao Tribunal da Boa Hora que só saía com as manifestações dos bancários. Recordo ainda hoje um comunicado passado a stencil – «Incomunicável em Caxias, Daniel Cabrita continua preso».

Conheço desde 1966 a Baixa, o seu pequeno mundo de cafés e livrarias, lojas de roupa e pastelarias, restaurantes e farmácias, drogarias e cambistas, manteigarias e chapeleiros, luvarias e garrafeiras.

Ainda hoje me deixo perder na Baixa de Lisboa um pouco ao acaso, feliz nos intervalos da melancolia, nas suas ruas e praças quadriculadas, perfeitas e exactas.

Deve-se ao comércio a espantosa mobilidade que transforma os produtos em mercadorias. O café que acabo de beber na esplanada da Pollux é disso um exemplo.

Perto daqui, a Loja Temperamento, na Rua da Madalena, celebrar um ano de vida. Estão felizes as meninas da Loja, um ano depois de terem iniciado a vida do seu espaço comercial. Entre loiças e biscoitos, entre perfumes e sal, entre vinho e azeite, entre conservas e livros, entre postais e brinquedos, é um nunca acabar de prateleiras vivas com um pouco do grande mundo aqui resumido. Parabéns Temperamento!

9 thoughts on “Vinte Linhas 618”

  1. pediste autorização ao daniel cabrita para usares o nome dele para promoveres a loja gourmet? na compra de duas latas de sardinha grátis uma de poesia franciscana.

  2. é preciso um grande “temperamento” para resistir à crise e ter a coragem de abrir uma loja na baixa lisboeta…

    parabéns às meninas, sim.

  3. Bom dia !
    Que a Baixa se mantenha viva, na memória do poeta e no Temperamento das meninas.
    Força !
    Jnascimento

  4. Caros Luis Eme e J. Nascimento- Escolhi o quadro que me pareceu mais de acordo com a ideia de comércio internacional – assunto com que trabalhei de 1966 a 1996. Quando ao matacão que fez a pergunta maldosa só uma resposta – não te reconheço categoria para me fazeres perguntas sobre a minha actividade sindical. E sobre qualquer assunto. Nada.

  5. um chama-lhe matrafonas e o outro ícones de comércio internacional, 30 anos de experiência sindical no assumpto. se a castalhola sabe disto ainda processa estes burgêncios.

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