Vinte Linhas 619

Entre o pó e a posteridade – pequena dissertação para João Pedro da Costa

Tenho quase a certeza que a minha primeira intervenção no «aspirinab» aconteceu em 2006 depois de ter enviado por correio para o Fernando Venâncio em Amesterdão uma crónica publicada em 9-6-2006 na Gazeta das Caldas com o título «Não ponha esse indivíduo tão alto… ele nem é licenciado!» O texto não falava só de mim mas aproveitava o pretexto para lembrar José Loureiro Botas e Vitorino Nemésio.

O primeiro por ter sido o prosador que mais me fascinou nos livros de leitura do Ciclo Preparatório com as suas histórias de pescadores vieirenses e também por ser (descobri mais tarde) o pioneiro autor a registar em literatura a vida dos Avieiros no Ribatejo. O segundo por ter escrito estas palavras luminosas: «A glória literária é uma ilusão. Pensar que se dura mais do que o comum dos mortais, só porque se deixou palmo e meio de livros da própria lavra na estante, é uma puerilidade, senão uma presunção!».

De José Loureiro Botas se dizia na mesa da má-língua do tempo (anos trinta do século XX) que não tinha nome para escritor. Nicolau Saião surgiu a comentar e a conta uma história macabra: «Considerável tempo atrás houve um fulano escrevedor que, posto perante a minha alta estima por ele, me disse esta coisa nefanda: «Não ponha esse indivíduo tão alto…ele nem é licenciado!» Quando no mês de Abril apareceu aqui uma gansa a copiar poemas de Sophia como se fossem comentários, eu decidi escrever aquele post com as capas dos meus livros da Moraes Editores – a mesma colecção da Sophia. Meu caro João Pedro da Costa – onde viste «fel» havia apenas a ideia de explicar à gansa que a minha poesia está lá e ninguém a pode tirar. Faz agora 30 anos.

28 thoughts on “Vinte Linhas 619”

  1. pois, o importante é estar e tudo o que existe é bom, no teu caso para limpar vidros e embalagem. oh pázinho! ouve bem, como poeta és uma nódoa e no resto é o que se vê no texto acima, um autoelogio retorcido, díficil de ler, em que usas roupa de marca para certificares uma qualidade que não tens e justificares a tua mediocridade. não vale a pena insistitires porque as galinhas não voam, quanto muito servem para piadas sexuais de labregos da benedita.

  2. E tu a dares na burra, caro jcf. Mas ainda bem. Digamos que consegues sempre traçar uma secante à assimptota das minhas expectativas. Isso de um gajo andar no HTML e ter de lidar com terceiros (que, no teu caso, é uma horda fiel de anónimos que não se cansa de te massacrar) tem sempre um altíssimo potencial de aprendizagem sobre como dar valor ao que interessa, ignorar o que não e, claro, irritar os responsáveis por coisas intermédias. Tu não: dás sempre valor ao que me parece não ter o mínimo interesse, alimentas os trolls e desprezas não raras vezes os que fazem comentários pertinentes. Ora nesse teu comportamento és quase um caso único e excepcional na bloga portuguesa. Uma absoluta maravilha, é o que é. Toma lá um abraço.

  3. Pois é, João Pedro, obrigado, retribuo o abraço. E este «xarope» que me tenta chamar labrego e tenta dizer que sou da Benedita – que fazer? Deprezo? Desdém? Silêncio? Como sabes nem sou da Benedita nem sou labrego. Será mesmo assim, João Pedro?

  4. JPC: “dás sempre valor ao que me parece não ter o mínimo interesse, alimentas os trolls e desprezas não raras vezes os que fazem comentários pertinentes. Ora nesse teu comportamento és quase um caso único e excepcional na bloga portuguesa. Uma absoluta maravilha, é o que é. Toma lá um abraço.”
    JCF: “Pois é, João Pedro, obrigado, retribuo o abraço.”

  5. E de há 30 anos para cá, quem te publica, zézinho? Se, na altura, te publicaram, e se os poemas tinham a qualidade dos «poemas» que escreves actualmente, quem te seleccionou, ao lado de nomes como o da Sophia, além do apoizinho político do PC, devia-te grandes favores ou precisava de óculos. Hoje, a tua «poesia« é o que se lê, e está tudo dito. Há autores que se vão firmando, refinando a sua obra, o seu estilo. Tu, não. Esgotaste a veia poética – se é que a tiveste alguma vez. E insistes, insistes e voltas a insistir na mesma tecla. Pá, tamos fartos. És chato, és ridículo, és um frustrado, és triste. Dás pena, pá. E depois dedicas textos sem nível a quem te interessa bajular. Tens pouca inteligência para notar a diferença entre a sinceridade e o motejo. Confundes as coisas e entras em euforia despropositada. Aconselho-te a ponderares. A ser rigoroso contigo próprio como autor – uma vez que teimas em sê-lo. Escreve com acerto, ou, então, deixa passar e não escrevas. Fica quietinho. Não te sintas na obrigação de publicar posts no aspirina só por publicar. Os leitores, mesmo os que te criticam, esperam muito mais de um colaborar de um blog como este. E tu não estás à altura por todas as razões e mais uma. Faz uma análise criteriosa aos teus textos e ao teu comportamento e talvez sintas necessidade de mudar. Nunca é tarde, meu, é uma questão de tentares. Embora eu não acredite que alguma vez tenhas a sensatez de «dar a volta ao texto»…

  6. Deixem-me discordar. O que se passa nas caixas de comentários do jcfrancisco tem um nome: performance art. Já o disse uma vez, e volto a afirmá-lo porque ele a mim não me engana. A metodologia é espantosa, digna de um mestre: o jcfrancisco inverte os papeis. Comportando-se como um deles, muitas vezes pior, entrando-lhes na mente, provocando-os com insultos propositadamente arcaicos, consegue fazer com que estes produzam alguns dos mais belos e divertidos comentários que alguma vez vi nas caixas de comentários de qualquer blog. Ele põe trolls a cantar-lhe odes originais, pelo amor de Deus. É preciso um tipo muito especial de talento para fazer isso, um blogger que é ao mesmo tempo autor e o maior troll das suas próprias caixas de comentários. jcfrancisco, the troll whisperer. Respeito.

  7. Deixe-me discordar do seu ponto de vista, Vega9000, embora o aceite, evidentemente. Sabe porquê? Porque o jcfrancisco não se considera um troll como você ou o JPC o classificam. Longe disso! Ele é a pessoa, o autor, o poeta, a figura de prestígio e pública que julga ser – e não é. jcfrancisco leva-se demasiado a sério para poder aceitar-se como um troll. Um troll é um provocador. É alguém que gosta de provocar os outros. Ele não. Os outros é que se sentem provocados sem ter havido, de antemão, intenção provocatória. Agora, pelo mau contributo que presta à poesia, pelo ridículo das suas afirmações, pela constante auto-promoção que faz de si próprio, pelos insultos sistemáticos, arcaicos e não só, dignos de um anti-intelectual, com que nos brinda, temos, efectivamente, o ponto de partida para a reacção dos comentadores. Ele nem se apercebe que provoca, que desperta esse sentimento de respostas que, possívelmente, nem espera, ou teme, por antecipação, que lhe surjam na caixa de comentários. Provavelmente, por cada post que publica, pede aos santinhos que não lhe apareçam pela frente os anónimos, os jocas, os andrés, as marias, etc. O seu ódio é visceral! Chega a desejar a morte a quem tem o «arrojo» de lhe tecer críticas. Mas concordo consigo num ponto: isto sem o jcfrancisco perdia a graça – embora tendo em conta a seriedade que o zézinho empresta áquilo que escreve.

  8. «…auto-promoção que faz de si próprio…»: uma redundância muito a propósito. Ou o assunto não fosse sobre o zézinho…

  9. Todo este chinfrim em volta de uma mesma pessoa só prova que José do Carmo Francisco, Autor de livros como “Universário”, “Iniciais”, “Transporte Sentimental” ou “O Saco do Adeus”, é um dos Poetas mais proeminentes da contemporaneidade literária em Portugal. Só uma figura de grande relevo e importância fomenta tão grande quantidade de invejas e remoques. É evidente, para quem tenha dois dedos de testa, que estas invectivas persistentes vêm de certas hostes ditas “poéticas” que pululam por aí e que não conseguem evidenciar-se pela qualidade, mas sim pelo ataque soez e pelo estabelecer da confusão de onde pensam que conseguirão sair gloriosos. Mas esquecem que a posteridade sempre julga melhor do que o levantar de poeira dos gananciosos.
    Lembrem-se que foi um ensaísta do gabarito de Fernando Venâncio que afirmou que José do Carmo Francisco é o Cesário Verde do nosso tempo. E Cesário Verde morreu ignorado de todos, mas foi considerado um Mestre por Fernando Pessoa.

  10. não tarda temos o cutileiro a dedicar um menhir ò poeta xóriço. põe-te a pau luiz vaz que ainda acabas num armazém da c.m.l.

  11. «A glória literária é uma ilusão. Pensar que se dura mais do que o comum dos mortais, só porque se deixou palmo e meio de livros da própria lavra na estante, é uma puerilidade, senão uma presunção!», cita o zézinho. O barrete assenta-lhe que nem uma luva e o tipo nem dá pela contradição em que cai. E cá o temos hoje, vestido de António Cardoso, para nos «alertar» (coitado, a doença progride!) que é «…um dos poetas mais proeminentes da contemporaneidade literária em Portugal. Só uma figura de grande relevo e importância fomenta tão grande quantidade de invejas e remoques». E mais adianta o nosso zézinho na pele do António Cardoso, agora em contra-mão, a desdizer-se da citação do início do post: «…esquecem que a posteridade sempre julga melhor do que o levantar da poeira dos gananciosos»!!! Por mais que te escondas, não tens safa: és tu chapadinho a fazer o teu retrato e a vender a banha-da-cobra. Ó Cesário Verde, como te chamou um amigalhaço, por quem és, meu! Com tanta «injustiça» dos comentadores, vai até S. Pedro de Muel (nem fica longe de Santa Catarina) e atira-te ao mar, pá, atira-te ao mar para matar as mágoas provocadas por estes gandas burros que não vêem a figuraça púbica que tu és! Caramba, pá, tás cheinho de razão, ó Toninho! Tadinho, a pensar que vai morrer ignorado de todos como o Cerário que Deus tem. Não penses nisso, pá! Se há uma coisa que tenho como certa, acredita, é que todos se vão lembrar bué de ti, meu, olá, se vão… Uma figura púbica (é mesmo púbica) como tu é intemporal!

  12. a comissão de moradores de s. pedro de moel chama a atenção para o facto de ser proibido atirar entulho para o mar

  13. Só te digo uma coisa, João Pedro da Costa: se tivesses posto um poema da Sophia ias ser amarfanhado até ao fim dos teus dias (ou até ao fim dos dias do Aspirina b).

  14. Mas o João Pedro da Costa nunca faria isso; só uma gansa se lembra de colocar um poema como se fosse um comentário a um poema. Isso nunca aconteceu com ele e o resultado nunca poderia acontecer. Erraste a pontaria ó xarope.

  15. Acho isto fabuloso (para usar o termo do próprio José Pedro da Costa).
    Alguém põe (sem mais e sem qualquer contexto que indicie má-fé) um poema de Sophia de Mello Breyner e tu tomas isso como insulto, ao ponto de semanas depois ainda vires aqui rasgar as vestes com tamanha afronta. O José Pedro da Costa desanca-te (tocando nos pontos certos, acho eu) com o mais exemplar dos sarcasmos e uma ironia finíssima, visíveis a olho nu, e tu interpretas isso como uma palmada nas costas.
    Tu não existes, pá. Aposto que nas redacções por onde passaste eras daqueles que, mesmo sem ser no carnaval, ia o caminho todo para casa com um papel nas costas a dizer “sou um otário, tenham pena de mim”.

  16. ganzado andas tu e é com os fumos tóxicos da pepineira que escreves. o parolo da benedita compara-se a cesário verde, só se for na arte do felatio.

  17. Sem dúvida nenhuma, fabuloso, como já foi dito! Quase não conseguia parar de rir com estes comentários fabulosos! Uma graça, uns trocadilhos, umas respostas… fabulosas! Assim, sim, merece a pena ler as caixas dos comentários em vez dos posts! E ninguém necessita de ser ordinário, agressivo ou intempestivo. Parabéns aos comentas!

  18. Pode ser, pode e já viste como tudo isto começou? Com um pobre diabo a gritar «Não ponha esse indivíduo tão alto…ele nem é licenciado!». E o outro a dizer que a citação da Sophia feita por uma pobre ganirra foi feita sem qualquer maldade. Pois, pois..

  19. oh meu! conta lá essa cena do gajo alto que não era licenciado qeu curto bué esses problemas de altitude, deve ter a ver com acessibilidade ao teu pensamento e às diferentes pressões atmosféricas que os teus leitores se sugeitam quando escalam a tua obra poética. o joão garcia já tinha chamado a atenção para esse fenómeno que tentou escalar o universário, no transporte sentimental teve mesmo de recorrer a uma botija de eugénio fornecida pelo autor.

  20. Pois, mas o zézinho anda tão obsecado com as «gansas» e as «ganirras», que nem dá pelo «coice» irónico da «burra» do JPC!

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