Arquivo da Categoria: Isabel Moreira

Curtas

É muito difícil estar deitada após uma correcção do chamado desvio do septo nasal e ter vontade de escrever o que quer que seja.

Ainda assim:

1) A escolha de Ferro Rodrigues para liderar a lista do PS para Lisboa merece que se fale numa medalha de ouro. Boa escolha do PS, sem dúvida, mas sobretudo enorme grandeza do agora candidato, esse a quem eu daria a medalha. Ferro Rodrigues é um político exemplar, sem hesitações ideológicas, um homem verdadeiramente de esquerda a quem o destino pregou uma partida que não o quebrou. É Ferro, mesmo. Está de volta, igual a ele próprio, com espírito de serviço, quando o serviço está difícil. Fossem muitos mais.

2) Ouvi os discursos de Sócrates. Foram brilhantes. Seguiram-se horas de comentários sem comentários pró-PS com imensa dificuldade em explicar que não há quem bata o homem.

3) Pensei que Passos Coelho faria uma jogada pós-congresso PS. Uma jogada assente em ideias, em desmontagem da via traçada por Sócrates. Fez: apresentou o candidato a deputado- a- Presidente da AR Fernando Nobre. Explicou que não tinha nada, mas nada a ver com os 15% obtidos pelo presidente da AMI na candidatura à presidência. Nada, nada a ver.  Não há dúvidas: Sócrates é um mentiroso.

Cavaco e Bagão Félix

Cavaco lá saberá por que razão procedeu a remodelações no Conselho de Estado (CE). Este órgão constitucional é presidido pelo PR e é composto por um conjunto de personalidades, algumas por inerência, como é o caso do PM, outras eleitas pela AR e outras designadas pelo PR pelo período correspondente à duração do seu mandato.

O CE é um órgão que se quer plural, daí a existência de membros por inerência relativa a órgãos actuais e passados (pense-se nos antigos presidentes da república e nos membros eleitos pela AR numa lógica de proporcionalidade).

A coisa está pensada, portanto, uma vez que se trata de aconselhar o PR em assuntos tão sensíveis como a dissolução da AR, a demissão do Governo ou a declaração de guerra, entre outros, para que não haja concentração de poderes partidários, hegemonia, mas antes equilibrio de poderes. A não ser assim, não teríamos um órgão de consulta sensível, mas um gabinete de comparsas. Bastaria ao PR convocar uma jantarada com os amigos escolhidos por si e estava cumprida a formalidade exigida constitucionalmente.

Toda a gente sabe que embora o espírito da Constituição tenha sido o de permitir que os membros do CE eleitos pela AR fossem eco de uma certa proporcionalidade, acaba por suceder um monopólio da eleição por parte dos dois maiores partidos, porque efectivamente têm a maioria no Parlamento.

A coisa é compensada pelos membros designados pelo PR com base numa lógica de pluralidade.

Como se pode ver pelos membros designados pelo PR, não parece que Cavaco queira ser aconselhado de forma plural, mas antes abençoado: Marcelo Rebelo de Sousa; Leonor Beleza; João Lobo Antunes; Vitor bento; Bagão Félix

Mais uma vez Cavaco rompe com a prática constitucional no sentido do equilíbrio do sistema e nomeia só e apenas quem o ajudará com “conselhos” a fazer o que ele já sabe que quer fazer.

Para Cavaco, os órgãos constitucionais nunca tiveram qualquer importância e sempre foram cansativos. Dez anos de maioria absoluta no executivo e pouquíssimos idas à AR, num desprezo inesquecível pela casa da democracia. Pergunto-me o que seria do homem com a alteração ao regimento da AR promovida pelo PS que manda o Governo ir amiúde ao Parlamento.

É o mesmo Cavaco que assiste às declarações do novíssimo membro do CE, designado pela sua pena, membro de um órgão cujas reuniões não são públicas, afirmar uma insanidade destas: “Bagão Félix disse esta terça-feira à Antena 1 que José Sócrates mentiu ontem na entrevista que deu à RTP ao negar que um pedido de empréstimo intercalar tenha sido assunto de conversa no Conselho de Estado”.

A resposta veio pronta:

Numa resposta, os conselheiros socialistas Almeida Santos e Carlos César contrapuseram que Sócrates falou a verdade quando afirmou que o recurso de Portugal a um empréstimo intercalar não foi discutido no Conselho de Estado. O presidente do PS, Almeida Santos, considerou que a acusação de Bagão Félix “é inédita” num membro do Conselho de Estado, enquanto o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, acusou o antigo ministro de ser um “delator” e de ter “desonrado” o cargo de conselheiro “mal entrou” em funções.

Eis que para cúmulo, Bagão não quer mais do ruído que ele plantou.

E Cavaco? Não quer dizer nada? Não quer ter uma conversa com Félix para que ele tire as consequências da violação da ética de funcionamento do CE e de ter caluniado o PM? Ficamos assim? Será que Cavaco acha normal deitar fora conselheiros de estado como Anacoreta Correia e substitui-los por Bagão para, em dias, assistir a uma vergonha nacional a partir de um dos órgãos mais discretos do sistema?

Talvez Cavaco tenha tudo por normal e ao não fazer nada me permita pensar que ele faz parte do início desta história.

 Ele que não consinta para não permitir o ditado.

Chegar à alma de Passos Coelho

Tendo em conta o que já foi declarado por Passos Coelho e por colegas seus como Manuela Ferreira Leite, só para dar um exemplo, assim de repente, por que razão pensa o leitor que o líder laranja votou contra o PEC?

a) não tinha nada contra as medidas em si, mas tudo contra a forma como o PEC foi negociado;

b) não tinha nada contra as medidas em si, mas tudo contra um Governo que perdeu a credibilidade;

c) até votaria a favor do PEC se, de acordo com o sugerido por Marcelo Rebelo de Sousa, o PM se comprometesse a demitir-se a seguir à votação;

d) as medidas do PEC são necessárias mas não suficientemente austeras.

Quid juris?

Pergunto-me se viverei para ver o dia em que as pessoas não se curvam perante o TEDH como se perante deus

É importante exististir a Convenção Europeia dos Direitos do Homem (CEDH)? É. É importante existir o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem? É.

A partir daqui gerou-se uma procissão de velas dirigida às decisões daquele Tribunal como se fossem todas, mas todas, o direito definitivio, mais: o “argumento” a usar, por exemplo, só para dar um, em matéria de cruxifixos nas escolas. É um “diz que o TEDH disse”.

Em primeiro lugar, é preciso compreender que o TEDH não está inserido na hierarquia dos nossos tribunais no sentido de decidir em última instância quanto à matéria de fundo entre as partes. O que o TEDH decide é declarar que houve violação da Convenção ou dos seus protocolos e, se o direito interno da Alta Parte Contratante não permitir senão imperfeitamente obviar às consequências de tal violação, o Tribunal atribuirá à parte lesada uma reparação razoável, se necessário. Quem paga? O Estado.

A tal da CEDH e os seus protocolos não tem nenhum direito que a nossa Constituição não preveja, antes pelo contrário. O que acontece, o que pode acontecer, é esgotarem-se os meios nacionais de um cidadão, por exemplo, fazer valer o seu direito, convencido, portanto, de que tem razão, e tem mais esta instância para ver ressarcido um hipotético dano se o TEDH considerar que houve algum direito violado.

Em Portugal, fala-se das sentenças do TEDH como de homilias sagradas.

O caso paradigmático do jornalista José Manuel Mestre da SIC dispensa mil palavras. Vi a SIC, claro, a dar os parabéns à enorme vitória da “liberdade de informar”, à liberdade de informar em “liberdade”, com “rigor”, sem censura”. Uma vitória, dizia-se, do “jornalismo e da liberdade de expressão”. O STJ, analisando um recurso extraordinário, alinhou com a sentença do TEDH.

Mudei de canal várias vezes e não vi nada sobre o caso; zero; uma palavra que fosse sobre um caso de anos e anos que representa uma jurisprudência a roçar a infantilidade e ela própria uma legitimação da difamação. Claro que sendo o Pinto da Costa o difamado, a malta vira a cara para o lado.

O triunfante jornalista e os juízes daquele medíocre TEDH têm por normal a seguinte entrevista ao presidente da UEFA:

  « R. : Le président de la Ligue [portugaise] est en même temps le président d’un grand club.

A. : Vous parlez du président du FC Porto ?

R. : Oui, il est en même temps président de la Ligue et patron des arbitres et tous les dimanches il est assis sur le [banc] des joueurs.

A. : Je ne pense pas qu’il ait intérêt à prendre la place des joueurs, mais c’est inévitable que le président de la Ligue soit présent lors des matchs de son club ; mais que cela ait des répercussions sur l’action des arbitres sur le terrain (…) je pense que si on commence à faire des réflexions pareilles, le football ne pourra plus continuer son activité.

R. : Je vous donne un exemple : [dans] sa condition de président du FC Porto, le même président de la Ligue a insulté publiquement, l’année dernière, deux arbitres dans deux matchs que son club n’a pas [gagnés]. [Est-ce] normal ?

A. : Je connais pas mal de situations identiques dans lesquelles le président d’une Ligue est en même temps président d’un club ; ou dans lesquelles c’est un [organe] de la Ligue qui désigne les arbitres ou même des cas où des décisions disciplinaires sont prises par des [organes] de la Ligue ; donc ce n’est pas un cas isolé. »

(ler os resto)

Cavaco, um presidente institucionalista

Ontem, mais uma vez, ouvimos um PR que tem saudades do tempo em que chefiava o Executivo. Ouvimos um PR que ataca, denuncia, um homem quase a candidatar-se a um cargo que não é o seu.

Curiosamente, para alguma gente, cada vez que Cavaco faz uma declaração ao país num momento decisivo, ela revela um homem institucionalista. Pode concordar-se ou não com o conteúdo da lição do Senhor Professor, mas diz que ele é um homem institucionalista.

Por que será? Será resultado do dizer banal segundo o qual somos um país dado a aparências? Talvez. Cavaco é de facto Professor, é alto, seco, magro, casado, tem filhos e netos e apresenta um ar engomado e muito sério. Não vejo outra explicação.

Cavaco é um dos políticos com menos sentido do institucional de que tenho memória: não respeita a lógica dos seus poderes elementares; ignora o procedimento dos vetos e atira-se às televisões às 20h em drama sanguinário, odeia a democracia, donde conhecermos várias declarações do PR indignadas com o facto de ter bastado a maioria parlamentar para aprovar leis; planta mentiras nos jornais acerca do Governo; tudo isto numa lista interminável que vai ao requinte de anunciar no seu mui moderno site o pedido de demissão do PM antes que o PM pudesse dizer aos portugueses que apresentara o referido pedido.

Ontem, no seu discurso, cheio de sentido institucional e imparcialidade, Cavaco explicou que ouviu dos Partidos o que já ouvira em 2009: queriam eleições, não havia entendimentos possíveis. Foi uma bonita passagem, essa de nos explicar que anda com isto às costas desde 2009, quando o povo português não quis uma maioria absoluta parlamentar. De resto, tenho memória da posição do PS ter sido outra.

Para mais conforto do sistema, neste momento complicado, Cavaco, que devia saber que desde o AC nº 65/2002 do TC ficou claro que cabe ao Governo em gestão interpretar o preceito constitucional quando este prescreve que aquele pode praticar os actos necessários à gestão dos negócios públicos, lançou o mote para a querela nesta matéria. Juridicamente, a abertura é enorme. Penso mesmo que não seria inconstitucional pedir um resgate ao FMI, simplesmente não cabe a Cavaco decidir isso, mas ao Governo. Não cabe a Cavaco lançar a questão como certa e gerar num minuto a discussão. Cavaco não decide o que pode um Governo de gestão fazer. Cavaco observa o feito e se tem dúvidas recorre ao TC.

Mais importante, porém, é a questão política. Ainda que possamos dizer que há margem constitucional para o Governo actuar, este último tem de fazer um juizo político evidente: tem a ver com a legitimidade reduzida; as consequências disso quando negoceia; e o condicionamento do futuro Governo.

Institucional e verdadeiro como é, Cavaco traçou mais uma vez o seu retrato da situação do país, da situação política e financeira; falou, com as costas direitas, do desentendimento entre os partidos, dos números da dívida, dos juros, do que aconteceu para chegarmos até ali, ali onde ele estava a marcar eleições.

Calhou, calhou numa branca institucional, que nesse retrato do caminho para a crise política não apareceu o chumbo do PEC e as consequências dele.

Calhou e calha bem a alguém.

“A campanha eleitoral vai ser extremamente dura”…

avisa Passos Coelho no site do PSD. Fico impressionada com o advérbio, mas apenas numa primeira leitura, porque entendo que para argumentos fracos são necessárias palavras fortes. Passos Coelho anda há dias e dias a tentar desfazer-se das suas palavras e das palavras daqueles que escolhe para seus conselheiros, como António Carrapatoso, à frente do Movimento “Mais Sociedade”.

A atrapalhação não surpreende, porque vem de quem lidera um Partido sem norte, um Partido que aprova e desaprova um curso de medidas essenciais para o país com o único e singelo argumento do amuo. Ajudado por um Cavaco mudo e fazer zaping em casa, Passos Coelho chumbou o PEC IV, totalmente responsável por todos os outros e pelos Orçamento vigente e anterior, e agora tem esta eloquente palavra a dizer ao povo:

Como pode ver o leitor agastado com as consequências daquele dia de loucura no Parlamento, Passos continua sem uma ideia. Sabe que a campanha vai ser dura. Aliás, extremamente. E por quê? Porque Passos tem propostas alternativas que o povo possa, finalmente, ver, após este todo este tempo de bota abaixo porque sim? Porque Passos vai explicar na cara de Sócrates por que é que o PEC IV é um erro, tendo ele soluções muito melhores?
Não. A campanha vai ser dura, aliás extremamente, porque Passos vai concentrar-se no que os outros alegadamente disseram acerca do que ele disse mas distorcendo a coisas. Parece que foi sobre o IVA, qualquer coisa como Carrapatoso ter proposto reduzir salários e apoios sociais e Pedro Passos Coelho ter admitido a subida do IVA.
É certo que à chegada aos estúdios da SIC, para ser entrevistado por Clara de Sousa, Passos disse que Carrapatoso era um homem “livre”, e correu para dentro do estúdio, onde confirmou que não excluía a subida do IVA, como já fora noticiado em todo o lado. 
Mas a campanha vai ser dura, aliás extremamente.
O líder do maior Partido da oposição promete perder o seu tempo a explicar que disse que talvez aumentasse o IVA porque antes isso a coisas piores, como tocar em pensões miseráveis, coisa de aplaudir, mas em todo o caso de recordar que está a falar de gente que é atingida pelo IVA. O líder do maior Partido da oposição já anunciou que a campanha dele vai ter por base o facto da do PS ir focar-se no PEC IV que foi chumbado no Parlamento.
É quase encantadora a infantilidade com que Passos explica ao país que vazios são os que vão falar no PEC IV e na importância que o mesmo tinha e na responsabilidade de quem o chumbou, como que não se dando conta de que toda a gente percebe que tal como no dia do dito chumbo ele não tem uma palavra para nos dizer.
Aguardemos pelo extremamente.

Pois é, Dr. Mário Soares

“A perspectiva de aumentar o IVA – que Passos Coelho anunciou, como teste – deve tê-lo convencido, pelas reacções negativas que provocou, que terá escolhido o pior momento para desencadear uma crise política, desejada por alguns, com certeza, mas cuja oportunidade o eleitorado em geral não compreende nem aprova. Nem pela maioria dos empresários que temem, com razão, a recessão que está à vista…

É certo que o líder do PSD deve ter sido muito pressionado pelos seus correligionários, ávidos de poder, que não escondem, aliás, que não o suportam e o querem substituir, uma vez realizada a sale besogne, como dizem os franceses. Isto é: o trabalho mais impopular e difícil. Como outros queriam “fritar em lume brando” José Sócrates. Mas ele não os deixou fazer…”

E agora? Vamos ter eleições, que se anunciam para fins de Maio, princípios de Junho. E até lá? Vai ficar o Governo demissionário, sem autoridade, a fazer o menos possível. Porque não é lógico que faça, como é óbvio, a política que o Parlamento rejeitou. Este é um dos imbróglios em que estamos metidos. Dois meses decisivos, sem que ninguém saiba para onde vamos. Foi, por isso, que me permiti alertar o senhor Presidente da República para o perigo de cairmos num vazio de poder. Mas, ao que disse, parece que “foi tudo muito rápido, e não teve espaço de manobra para intervir”.

A oposição está com uma espécie de TPM

Não me lembro da última vez que vi a oposição reunida levantar-se para infringir a Constituição com um sorriso na cara. O Governo quase em gestão, as eleições à porta e eis o primeiro acto eleitoral: revogação do decreto-regulamentar que define as regras da avaliação de desempenho dos professores e definição do início de negociações entre o Governo e os sindicatos de professores para a definição de um novo modelo.

Lê-se isto e, para além do oportunismo político, a meio do processo de avaliação, para além de mais uma cambalhota espectacular do PSD, não podemos deixar de ter vergonha de uma oposição inteira que, em mais de três décadas, ainda não aprendeu isto: não é normal que a AR revogue regulamentos administrativos e que dê ordens ao Governo em matéria administrativa. Chama-se separação de poderes.

A noite dos batoteiros e a ver vamos

Foi penoso ver que a banda passa e que ninguém diz nada que corrija erros evitáveis ou omissões perdidas no espectáculo degradante da oposição apostada na resolução da irresponsabilidade.

Começa por ser espantoso ver Portas propor que as resoluções sejam votadas diferenciadamente, por forma a que se vote a alínea que visa o chumbo do PEC e depois todas as outras. Isto não se aplica à nulidade da resolução do maior Partido da oposição que só queria chumbar o PEC, só queria chegar ao poder. Discutir, propor, pensar não é com o Partido que pode ser Governo, que pode ajudar o país, que aprovou o Orçamento em vigor e os anteriores, que aprovou todos os Pactos de Estabilidade até este.

Portas conseguiu que todas as Resoluções, incluindo a dele, ficassem reduzidas a cópias da do PSD, porque realmente Portas não queria saber de umas propostas a fingir que lá foram metidas pelo seu Partido e por outros, todos sabendo sem dor de alma que se chumbariam reciprocamente nessa parte dispositiva.

Ainda assim, lá estava Portas no final da noite afirmando que, ao contrário do que fora dito pelo PM, ele tinha apresentado propostas. Foi bonito. Lutou tanto por elas que as remeteu para votação separada para garantir que o que era aprovado era a rejeição do PEC. Não é pecado, Portas, mas tenha em conta que nós damos por isso.

Depois foi ver o drama lançado em torno da demissão do PM. Na SIC, antes de salvos pela intervenção de Reis Novais, houve certezas de que o PR podia recusar a demissão para que o Governo não ficasse em gestão, certezas de que todos iriam a correr comprar um livro sobre isso do Professor Freitas do Amaral e certezas quanto ao facto de um tal Governo estar limitadíssimo. Não está, o Tribunal Constitucional já o explicou, pode fazer basicamente tudo. A limitação é política. Um dia, escrevi sobre isso e disponibilizei o Acórdão. Por outro lado, o PR não pode recusar o pedido de demissão do PM, embora seja natural que se reúna com os Partidos e com o CE antes de aceitar o pedido.  Caso tal anormalidade acontecesse, o PM podia apresentar uma moção de confiança à AR e acabava-se a conversa, como explicou Reis Novais com clareza.

Dito isto, quando o Governo entrar gestão, cabendo-lhe a avaliação daquilo que é estritamente necessário para a gestão dos negócios públicos (186/5 da CRP) teremos, até às eleições, de estar atentos a Cavaco, que tem, naturalmente o poder de fiscalizar os actos praticados, o que implicaria, se Cavaco fosse um Presidente normal, em casos de dúvida, que se socorresse do TC. Calha que sabemos todos que o PR gosta de resolver assuntos jurídicos com as próprias mãos, em declarações ao país às oito da noite. Reis Novais falou nisto, ontem, também. Vamos ver se Belém consegue, perante a crise política, não abrir novas crises pré-eleitorais em cooperação com o PSD.

A frase da noite talvez vá para o simpático José Luís Arnaut, o qual, confrontado por Bernardino Soares, disse que o PSD aprovou os Orçamentos PS e os PEC passados porque “foi convencido pelo PS”, mas que desta vez “já não foi convencido”.

Palavras para quê?

Para não variar, temos Cavaco

As declarações do PR seriam cómicas se não fossem preocupantes, porque mais do mesmo, enganadoras, a revelação à boca de cena de tudo o que já se escreveu sobre a figura. Estou a escrever sobre estas declarações, que mereceram o texto luminoso do valupi.

Já não tolero, tendo de tolerar (pois), que Cavaco use os cidadãos como pregos do caixão que quer meter fundo na terra. A indecência com que afirma que o PEC IV “terá apanhado de surpresa os Partidos e os portugueses” é para lá de qualificação: esse bálsamo chamado PEC, ainda por aprovar, que Cavaco acha que devia ter sido apresentado em forma de projecto aos Partidos “e aos portugueses” , entidades equiparadas e ambas em choque pós-traumático.

O carinho de Belém vem em mais um discurso directo via declarações aos jornalistas explicando que assim não foi possível fazer nada, que agora tem de actuar “com muita ponderação” (shiiiiiiuuuuuuuu), medindo as palavras (iupiiiiiii), e alguma reserva”

Diz ainda que é o último garante do normal funcionamento das instituições democráticas. O último, imaginem.

Bom, deixem lá a Manuela Ferreira Leite falar. Sem reserva.

Sócrates agarrado ao poder?

Dizem que sim, por aí. Agarrado, tão agarrado ao cargo divertidíssimo que lhe calhou nas mãos por obra e graça do espírito santo que continua lá porque é essencialmente um pinóquio, um mentiroso, portanto. Não se percebe por que razão existe, neste momento, em Portugal, uma maioria PS no Parlamento e um Governo em coerência com esse resultado eleitoral. É coisa para agoniar a gente que passa por tantos postos de observação sem outra estratégia que não a do ataque ao carácter de quem misteriosamente nos governa.

O pesadelo a que muita da direita se acomodou, chamado democracia, funcionou e eis que Sócrates é PM, vejam só, a lata do povo português, mas felizmente há luar, para a direita acéfala a crise, um pão de ló para espetar na cara de Sócrates e ganhar tempo, porque enquanto agradecem a Cavaco o mandato mais nojento da nossa história, exercido  a cooperar estrategicamente com a oposição na descredibilização infame do Governo, embora sem todos os frutinhos que podiam ter tido, pensam, pensam muito, o que fazer se por uma vez forem consequentes.

Sócrates tão agarrado ao poder, não é? Então, pois claro, aquilo é tão bom! A crise, os números, as metas, pedir sacrifícios aos portugueses, uma maravilha. Ele agarradinho porque sim, um maluco. E não há maneira de o tirar dali.

Mentirinha. Há. E há tanto tempo. Moção de censura, dissolução da AR, então, malta? Façam-nos um pequeno favor, sobretudo com a voz presidencial por trás a dizer que há limites quanto aos sacrifícios que podem ser pedidos aos portugueses: antes de se lançarem sem vontade nenhuma ao poder, digam ao povo das alternativas claras que têm às medidas deste Governo, assim por exemplo em matéria de redução de despesa.

Venha daí uma direita que vê o poder como um escorrega que está ali na hora certa e até agora sem alternativas ao que critica.

Quem é o Pinóquio?

A direita com medo, a direita a salivar

Nunca a direita me causou tamanho espanto. Isto que se chama de democracia vive bem se direita e esquerda conseguirem ser alternativas de poder, com propostas ancoradas em projectos de governação que se vejam e, claro, com a determinação de exercer efectivamente o poder, premissa mais fácil ou mais difícil consoante os tempos que correm, mas que tem de estar sempre presente em quem nos diz votem neste ou naquele Partido, com um rosto que é a ilusão possível de um líder.

Não sei o que se passa com a direita. Com a direita que pode vir a ser Governo. Sei que há uma direita que aprova medidas de austeridade e que depois aplaude e comenta com mãos de Pilatos o discurso do Presidente comparsa que diz demagogicamente dos limites dos sacrifícios que podem ser pedidos aos portugueses.

Essa direita que sabe estar tudo mal e que apresenta proposta nenhuma, que se revê, repito, quase em lágrimas, num discurso de tomada de posse que lhe dá base para uma moção de censura, no dia seguinte pia baixinho e vota contra o instrumento parlamentar que pode derrubar o Governo. Alguém, no seu perfeito juízo, ouvindo o líder do PSD e todos os seus discípulos devorarem o que entenderam ter sido uma crítica violenta ao Governo e mesmo um novo plano de acção acredita que não concordavam com a moção de censura do BE? Concordavam, sim (tal como o CDS). Mas andaram para ali às voltas, tendo a opção de dizer bem alto que pura e simplesmente não reconhecem o BE como força política legítima ou coçar as unhas na madeira, como os gatos, cheios de medo do poder, cheios de medo do poder, cheios de medo do quê? Da responsabilidade.

Não querem, não podem, não sabem agir de acordo com o que dizem, isto é: ser autênticos. Se o fossem, já teríamos tido moção de censura, já teriam soprado ao ouvido de Cavaco que dissolvesse a AR. O PR, líder da oposição, já o teria feito. Mas e depois? Quem passaria a ser o rosto das medidas de austeridade? Não é melhor que seja o Sócrates? Não é melhor que seja ele e que se continue a dizer umas cenas na televisão, com os blogues a dizerem das suas, que isto tem um limite, isto que o PSD aprovou, sim, pois, sempre a referirem-se aos lugares, esses morangos cobertos de chocolate, perguntando se já estarão “preenchidos”?

Pois é. A miséria da direita, quando vamos às suas bases, aos jovens que escrevem na bloga, e que hão-de ser qualquer coisa no futuro, e alguns já são, já têm “lugares” e tudo, os malandros, encontramos a estratégia/preocupação recorrente, em forma de pergunta, de querer saber se “restam” vagas neste ou naquele organismo internacional ou então dão-nos conta de nomeações como se de crimes.

Desgraçada direita sem ideologia, sem projecto, sem propostas, com medo do poder, que só quererá quando entender ser isso bom para si e não quando for isso bom para o país; desgraçada direita que vai contando o tempo apontada para os lugares, salivando, salivando muito, são morangos cobertos de chocolate, não é poder, é uma cadeira quentinha.

Muito interessante: novos entendimentos sobre a liberdade de expressão e mais nos EUA

A private act can transform the entire world into a crowded theater, in his view, and he suspects that the First Amendment might not protect Quran burning or other acts that might drive listeners to violence. In Breyer’s view—and it’s clear from his dissent that Alito agrees—the Internet has created the possibility of a kind of First Amendment butterfly effect, wherein a Quran burning in a Florida parking lot can launch a revolution half a world away. They suspect that the line between public and private speech has been blurred, if not obliterated, by new technologies and they are each frustrated that the court still pretends otherwise in its First Amendment cases.

O fenómeno “não me escutem” mas escutem-me por favor Juiz carlos Alexandre

Anos e anos a queixarem-se do horror da comunicaçao social tomar posse de matérias do domínio da investigação, da prova, do julgamento, etc, para vermos casos como o deste Juiz, o mediático Carlos Alexandre, o homem de todas as bravuras na desobediência a despachos com os quais não concorda sem competência para não concordar, este homem que acredita, notem, acredita, que já foi alvo de escutas ilegais. Isto tem enorme interesse público porque a crença do homem coincide com ”a fase quente do processo freeport”.

 O Público sabe de tudo isto porque Carlos Alexandre “confidenciou” a suspeita de os seus telemóveis serem alvo do SIS a três colegas, que se prontificaram a falar com o Público.

Quem anda a escutar Carlos Alexandre que fala com um plafond miserável?