A ressacar de uma pandemia, Putin achou que essa era a janela de oportunidade perfeita para dar vazão à sua megalomania criminosa e imperialista. Pensava, ou alguém pensou por ele, que a Europa e os EUA iriam repetir a passividade com que viram a Crimeia ser abarbatada pela Rússia, deixando agora a Ucrânia ser anexada por inteiro e os ucranianos a sofrerem o castigo putinista, para não perturbarem as suas economias nem assustarem os seus eleitorados “ocidentais”. Enganou-se completamente no cálculo e assim arrastou o Mundo para novos sofrimentos e para uma insana ameaça de uso de armas nucleares na Europa. A tal “operação especial” que iria ser um passeio até Kiev é, na geopolítica, uma guerra que causará ainda maiores riscos internacionais se for ganha pelo invasor.
Por cá, esse evento recordou-nos do pior do PCP. E também nos deu uma chusma de maluquinhos “anti-ocidentais”, mistela do inesgotável antiamericanismo da esquerda pura e verdadeira com os antitudo, das vacinas ao Estado, passando pela defesa da democracia e da liberdade, e acabando na anti-inteligência. É uma lição a respeito do poder dos vieses cognitivos, essa condenação mental à estupidez que todos, sem excepção, transportamos nalgum grau. Só que no caso do putinismo deve-se ter tolerância zero face a quem escolhe apoiar, aplaudindo ou justificando, o responsável único pelas mortes e pela destruição.
Quanto à política nacional, são ainda os vieses a moldar o rumo dos acontecimentos. Deles veio o chumbo absurdo de um Orçamento. Daí vieram eleições com uma tão inesperada quanto irónica maioria absoluta do PS. A que se seguiu um período doentio em que não existe oposição viável, limitando-se os agentes políticos à esquerda e à direita a envenenar o espaço público em vez de pensarem a coisa pública.
Um ano de merda? Não, pá, foi o melhor 2022 de sempre. Podia ter sido tão pior, né?
