Da raridade da excelência crítica

Neste O Outro Lado falou-se da entrevista de Costa à Visão. Foi mais uma ocasião em que comentadores medíocres (embora sendo dos melhores nessa indústria) se exibiram dominados pelos seus vieses ideológicos e tribais. E foi mais uma ocasião em que um comentador excelente (portanto, como significa a etimologia, que se eleva sobre os restantes) foi o único a criticar o que realmente aconteceu, tendo ainda a capacidade de dar um também excelente conselho ao secretário-geral do PS.

Ana Drago repetiu a lengalenga da “má educação” de Costa, e partiu para o assassinato de carácter e para o escárnio. Como deixou explícito, não suporta que o actual primeiro-ministro tenha opções políticas que ela não aprova, levando-a a considerar que esse primeiro-ministro é um traste. João Taborda da Gama inventou uma “irritação” de Costa contra a Iniciativa Liberal, dessa forma anunciando a sua simpatia para com esse partido. A lógica que propalou era a de que essa “irritação” mostrava a fraqueza do primeiro-ministro perante a força dos “liberais”.

Paulo Pedroso começou por explicar a armadilha em que Costa caiu ao aceitar ser fotografado naquela pose e desmontou os argumentos dos seus colegas de mesa em duas pinceladas, remetendo para a prova: a entrevista. O que lá está é um político que sabe o que quer, o qual não está irritado com ninguém. Bem pelo contrário, Costa vê que o comentariado não puxa carroça e que as oposições são uma lástima. O que chamam “arrogância” é antes confiança e descontracção, e ainda realismo e responsabilidade. O seu papel não é agradar ou consolar comentadores, editorialistas e gandulagem partidária, é governar. Óbvio.

Pedroso apelou a que Costa volte a chamar o PS e a sociedade para assim receber um influxo de inteligência e motivação renovadas e ampliadas. Aconteça ou não, fica como uma proposta que honra a sabedoria de quem a faz. Só lhe faltou explicar que a origem do duvidoso “queques que guincham” não veio de uma intenção de agredir pela grosseria antes de uma tentativa falhada de fazer humor. Costa não tem jeito para as piadas porque ele não é tribuno, na dimensão da oralidade exibe-se com sérias dificuldades prosódicas e retóricas. Daí a oferta que deu à plateia, mais uma inanidade para ser explorada até à ultima gota pela estupidez mediatizada.

A excelência de Paulo Pedroso vem de ele ser primeiro um cientista social e só depois um simpatizante socialista. Esta é a fonte da sua honestidade intelectual, da sua pertinência, da sua coragem crítica, e corresponde a um ponto de vista superior sobre os acontecimentos. Por favor, dêem mais poder a este homem.

7 thoughts on “Da raridade da excelência crítica”

  1. não vi, talvez veja um dia destes, o programa mas, sabes, acredito piamente no que me dizes que disseram. e então, maravilhada com a forma como expões tanto a porcaria como o tesouro, bato muitas palmas a Paulo Pedroso e acrescento nos elogios: se ele estuda a realidade, e a compreende por essa razão mais e melhor do que os demais e muito muito mais do que os badalhocos ao serviço, também existe outra razão para que se destaque e seja elevado à categoria de tesouro: também ele foi alvo de injustiça e calúnia e difamação e assassinato de carácter e humilhação e destruição da sua vida pessoal e familiar e política. ele nunca poderia não ver e não sentir e não denunciar o que é ser limpo e mostrar essa limpeza. adorei, adorei, adorei

  2. se fosse antes de tudo sociólogo não faria esta análise…é um autêntica filho do iscte , primeiro que nada filiado no ps. e que não perdeu a esperança de ter um lugar no poder , de aí a graxa ao costa , patrão e mentor da sua ex catarina.
    e o costa é um bronco. e parece que agora também vaidoso.
    brincas , não?

  3. Yo

    A critica politica só é séria quando se respeitam as regras da boa educação e os princípios da civilidade.
    Ocorre que nas suas supra criticas a António Costa, apenas utilizou termos ofensivos pejorativos próprios de cidadãos mal educados e sobretudo mal formados. E, sim, sou Socialista, mas nunca leu neste espaço nem uma palavra minha que ofenda, enquanto cidadão, qualquer figura politica, da esquerda ou da direita ou do catavento.

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