De caretas

Existirá uma rosto típico dos portugueses, que nos distinguisse dos espanhóis e italianos ou de outras nacionalidades latinas? Se existir, e não existe, pode bem ser este. Estou a ver um documentário acerca dele, Pete Souza. É o fotógrafo oficial de Obama, neto de açorianos. Retintamente português ou galego. E mais uma curiosidade lusitana na Casa Branca, ainda antes do cachorro.

A estrada da Beira e a beira da estrada

Se houvesse alguma dúvida de que não era mais possível suportar uma “situação” sustentada apenas na chantagem e no desprezo pelas mais elementares regras da democracia, o gesto final deste tiranete vindo das Beiras encarregou-se de a desfazer.

Zé Manel

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Em sintonia com a Fernanda, também eu me deslumbro com a decadência do PSD. É um partido que não produz pensamento e é alérgico à inteligência, mas cujos quadros e conselheiros habitam no topo da pirâmide social, tendo acesso às melhores fontes onde se poderão informar e instruir. A sua ocupação, ubíqua, da comunicação social implica que tenham à mesma de produzir um qualquer discurso. Sem surpresa, é o discurso da hipocrisia mais obscena e do ódio. A surpresa vem da longa duração deste miserável registo, que incrivelmente – depois de uma violenta e opressiva campanha de assassinato de carácter contra Sócrates, como nunca tinha sido feita em Portugal contra um político – lhes custou as eleições em 2009, e ameaça as de 2011, sem que retirem as devidas ilações. Só que eles não aprendem, nem quando todas as sondagens valorizam uma postura responsável e a favor da governação. A gula e prepotência dos oligarcas precisa das injecções de dopamina que só a instabilidade política oferece quando estão afastados do pote – os interesses dos mais frágeis nunca incomodaram os abastados, não seria agora que tal anestesia iria desaparecer.

A suposta direita nacional (tão estúpida que me recuso acreditar corresponda à verdadeira direita), assim que Ferreira Leite foi eleita presidente do PSD entrou em campanha eleitoral sem outro projecto que não fosse o de vencer pela destruição moral do adversário. Foi um plano concertado com Cavaco Silva, cujos discursos e acções o confirmam para além de qualquer dúvida. Resultou desta indigência política um absurdo intelectual: o grotesco dirigido contra Sócrates – fazendo dele alguém que seria capaz dos esquemas mais sofisticadamente malévolos e criminosos e, simultaneamente, alguém destituído das mais básicas competências governativas – espalhou-se de forma tóxica contra todo e qualquer um que tivesse ligação política, administrativa ou opinativa com o Primeiro-Ministro. Milhares e milhares de cidadãos eram, de repente, agentes e cúmplices de ilegalidades, incúrias e gestão danosa, segundo os publicistas do PSD. Este caldo esquizóide, de acordo com as previsíveis dinâmicas da psicopatologia, gerou fenómenos paranóides, onde quem se atrevesse a manifestar o seu apoio ao Governo era acusado de ser assessor do mefistofélico gabinete, e também fenómenos delirantes, em que se começou a pedir ao PS para decapitar a sua liderança e entregarem a cabeça de Sócrates ao PSD, já que eles tinham chegado ao limite do desespero com tanta derrota e humilhação seguidas às mãos daquele… daquele… monstro!

O Zé Manel, nesta incarnação em que já não precisa fingir ser jornalista, tem sido de uma transparência ofuscante. Ei-lo aqui a desabafar o quanto lhe custa ver um tipo chegado das Beiras a ganhar eleições democráticas. É uma “situação” insuportável, diz-nos febril. Ele, logo ele, o pau para todo o serviço de Belém, que conhece como poucos o que significa o desprezo pelas mais elementares regras da democracia. Dificilmente encontraremos melhor retrato do que é o actual PSD do que o dado por estas infelizes criaturas a ladrar a quem passa na estrada.

Impressionar no emprego, seduzir em festas, brilhar nos jantares

A Dose of Safflower Oil Each Day Might Help Keep Heart Disease at Bay
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Medically Underserved Girls Receive Less Frequent Evaluation for Short Stature
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Feeling Angry? Say A Prayer and the Wrath Fades Away
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Good News for Meat Lovers: Most Ready-to-Eat Meat Products Contain Very Few Cancerous Compounds
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Mentholated Cigarettes No More Harmful Than Non-Mentholated Brands
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Psychologists Find the Meaning of Aggression
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Study Reveals Social, Financial, Other Benefits of Toy Libraries
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New Study Examines How Leaders Explain Unpopular Decisions
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After Collective Trauma, Religiosity and/or Spirituality Found to Affect Health Outcomes
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Pulling an All-Nighter Can Bring on Euphoria and Risky Behavior
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Contented Citizens Vote Against Change

Um livro por semana 227

«Anthero Areia & Água» de Armando Silva Carvalho

Armando Silva Carvalho (n.1938, Olho Marinho) revisita o tempo e a vida de Antero de Quental a partir dum seu poema publicado na Revista Colóquio-Letras nº 173 e da leitura das Cartas de Antero na edição de Ana Maria Almeida Martins.

Para além de João de Deus, Herculano, Bulhão Pato, Cesário Verde ou Raul Brandão, para além de Proudhon, Hegel, Tolstoi ou George Sand, que povoam o tempo de Antero, há nesta homenagem poética uma aproximação feliz. Toda a literatura é uma homenagem à literatura e, por isso, Armando Silva Carvalho escreve no registo de Antero: «Secretário da alma, o coração / Não descansa na laje da morada em que sossega. / Estremece nos seus sonhos / E volve em seu redor o olhar desmesurado: / É dia de além sol, além lua, além distância / Rasgadas as palavras de abandono / E luta. Mas a Terra é a escrita / E o livro o Universo».

Num certo sentido é o século XXI que responde ao século XIX: «Há coisas que normalmente não vemos: os obituários. / Cheira a fim de regime e só os loucos ou extremistas / Acham que tal coisa é uma boa perspectiva / Escreve hoje na gazeta um jornalista famoso. / Ninguém recorre aos mortos que acabam de morrer / Para uma visão do mundo e do futuro». Apetece responder: só a Poesia sabe fazer esse intervalo entre dois mundos separados: «Cento e dezoito anos não são tempo / Que faça arrefecer um corpo / Escrito. / Podem ser apenas uma noite, um sonho alucinante / Ou um dia inteiro, de natureza desperta / Um fruto, uma folha, uma raiz».

(Editora: Assírio & Alvim, Capa: Mário Cesariny)

Broad Coalition Briefing

Sugestões para o PSD aproveitar o tempo que falta até às eleições através da sua coligação com o PCP e BE no Parlamento, a qual já lhe deu tantos inolvidáveis sucessos:

– Acabar com a avaliação na Função Pública.

– Acabar com os limites ao endividamento autárquico.

– Aumentar as pensões e o salário mínimo para o dobro ou triplo (valor final a negociar com o Jerónimo).

– Desfazer as obras feitas nas escolas e vender o entulho resultante.

– Reabrir todas escolas do Ensino Básico encerradas desde 2005 e quadruplicar os funcionários e professores lá alocados desde que garantam participar em caminhadas na Avenida da Liberdade em dias a indicar por um senhor de bigode.

– Dotar cada vila com mais de 5000 habitantes de hospital próprio.

– Desviar o dinheiro investido em ciência e tecnologia para a festa do Avante, a festa do PPD/PSD Madeira e as festarolas do BE.

– Criar uma comissão parlamentar de inquérito para averiguar a responsabilidade de Sócrates no assassinato do arquiduque Francisco Fernando, a partir das notas tiradas pelo Pacheco aquando da sua aturada investigação das escutas à moda de Aveiro.

(mais) razões para amar Miguel Macedo

Por muito zangado que fique o primeiro-ministro, por muito que franza o sobrolho, pensando que nos mete medo, não mete medo nenhum, vai ter que ouvir, o que quer e o que não quer ouvir. E tudo o que dissermos ao primeiro-ministro, é pouco para o que ele fez ao país.

Vamos ter uma luta terrível pela frente, vamos ganhar, mas vamos passar muito…

O PSD não vai para a campanha “encolhido” porque se há alguém que tem de ir para a campanha com olhos no chão, são aqueles que conduziram o país à situação em que está.

Se o primeiro-ministro pensa que intimida o PSD com a sua famosa má disposição, está enganado. E quero dizer-lhe que no PSD também há quem tenha muito má disposição, a começar por mim, e que já não temos paciência para aturar estas cenas que faz permanentemente ao país.

Fonte

Afinal, Ferreira Leite tinha razão

Por mais que nos custe, temos de dar o braço a torcer, ou talvez ela prefira o pescoço, porque Ferreira Leite tinha toda a razão e foi injustamente criticada. Agora vemos como sempre colocou o interesse nacional em primeiro lugar e procurou alertar os portugueses para os perigos iminentes. De facto, ela bem sabia das desgraças que Passos Coelho poderia causar nas finanças públicas, por isso deixou-o fora do Parlamento para que pudesse procurar uma outra carreira, por exemplo em telenovelas, ou tão-só um brinquedo para ficar entretido. Foi uma decisão que procurou defender o prestígio de Portugal da estouvada imaturidade, cujo alcance poucos na altura compreenderam, mas que hoje até na Alemanha se aplaude pelo rasgo visionário.

Vinte Linhas 602

A tertúlia nas Escadinhas do Duque ou o voo das gralhas

Nas Escadinhas do Duque nº 19-A funciona uma livraria que é também editora – a Bonecos Rebeldes. Isto é o aspecto formal mas existe um outro aspecto, o informal, que tem a ver com a tertúlia ou, pelo menos, o espírito de tertúlia. Quer isto dizer que não há horários rígidos nem quórum mínimo. As pessoas aparecem e falam principalmente de banda desenhada mas também de outros temas. Estava presente o caricaturista Aniceto Carmona que, enquanto o diabo esfrega o olho, fez a minha caricatura. Obrigado!

Um de nós trazia a revista «Lisboa Convida» dirigia por Sofia Paiva Raposo e Vera Abecassis: a propósito da Sociedade Guilherme Coussul o nome de Sidónio Muralha surge como Possidónio Muralha. Talvez por causa do nome de Possidónio Cachapa. Num dos balcões da livraria está a «Fotobiografia de José Cardoso Pires» da autoria de Inês Pedrosa: numa fotografia tirada na Avenida da Liberdade de José Cardoso Pires com Maria Rosa Colaço e Manuel da Fonseca, aparece o rosto de Fernando Piteira Santos mas na legenda surge o nome de Mário Tomé. A recente edição do Círculo de Leitores da «Viagem a Portugal» de José Saramago tem uma gralha na página 252 (São João de Alpalhão em vez de São João de Alporão) o que leva o livreiro e editor José Vilela a procurara nas estantes a edição original de 1981 da Editorial Caminho para confirmar a gralha. Lá está – o que quer dizer que sempre lá esteve. Um de nós viu numa livraria perto da Chiado edições em castelhano e inglês da «Viagem a Portugal» onde a gralha pousou de novo – Alpalhão por Alporão. Mas na Nova Enciclopédia Larousse na ficha de José Manuel Mendes aparece a fotografia de Francisco Belard. Enfim…

A verdade política da Política de Verdade

Esta é a pequena história do meu fracasso no marketing político. Em 2004 eu trabalhava para a agência que viria a fazer a campanha que opôs Santana Lopes a José Sócrates (legislativas de 2005). Para os profissionais brasileiros vale tudo quando se está em campanha, e nesse tudo coube a criação do blogue Portugays onde mais do que se insinuou a homossexualidade do candidato socialista. Não satisfeitos com isto, que a imprensa portuguesa da altura ainda mal espiolhava a blogosfera como depois veio a fazer, um dos marqueteiros melhor relacionados com os jornais do Brasil pediu a um camarada que colocasse uma notícia dando conta da alegada ligação entre Sócrates e Diogo Infante que, como é óbvio, passou para a imprensa deste lado do Atlântico. (…)

Ricardo Gross, Como as coisas se fazemapud Miguel

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Se existisse imprensa em Portugal, este testemunho seria imediatamente investigado. Para algo do género ocorrer, implica que há dezenas de pessoas que conhecem os factos directamente ou por ligação directa com os protagonistas. O que sabemos é que a notícia no jornal brasileiro existiu, que ela chegou a Portugal e que foi alimentada. Enfim, se existisse imprensa em Portugal, Cavaco não resistiria ao caso das escutas nem à sua ligação à SLN.

Do outro lado, temos Sócrates, um alvo para campanhas de assassinato de carácter ainda antes de ter chegado a Primeiro-Ministro, e a quem já fizeram de tudo, incluindo a devassa da sua privacidade para efeitos de espionagem política e incriminação conspirativa. Para Sócrates há milhares de páginas e de horas de investigação por parte de variadas autoridades. Tem sido um fartar vilanagem, onde o segredo de Justiça é uma gargalhada. Isto acontece porque o PSD domina a comunicação social, não tem qualquer escrúpulo ético e anda a ser dirigido por sucessivas lideranças medíocres que se limitam a recorrer à insídia. E nem é por mal, é só porque não sabem fazer mais nada.

PSD faz História

Esta crise política já estava prevista, só que era para o final do ano, com o chumbo do Orçamento. O primeiro-ministro não achava bem esse calendário e foi ele que resolveu provocar a crise política agora e tentar lançar as culpas para cima dos outros.

Marques Mendes

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Segundo nos conta Marques Mendes, repetindo os seus pares partidários, Sócrates quis provocar uma crise política nesta altura e o PSD não pôde fazer nada para a evitar. Ou porque Sócrates sozinho é mais forte do que o PSD no seu todo, ou porque o PSD nem vê com maus olhos a crise que Sócrates pretendeu abrir porque lhe dava mais jeito agora e não lá para o Outono. É isto que nos está a dizer o aquilino Marques Mendes. E continua. Que Sócrates, para abrir uma crise que lança a nossa economia para o centro do furação mundial e tem consequências sistémicas para outras economias europeias, apenas precisou de ser mal-educado. Bastaria ter dado uma palavrinha a Cavaco e tudo isto teria sido evitado. Um telefonemazinho, não era preciso mais. Assim, como se armou em rufião, está a pagá-las… hã… isto é, desculpem-me… está a ganhá-las, pois era isto mesmo que ele queria, o malandro!

Contudo, porém, todavia, há uma coisinha que Marques Mendes não nos está a explicar. É que se a sua tese é para ser algo mais do que a enésima manifestação da decadência dos sociais-democratas, por que razão não vimos o PSD a tentar negociar um PEC que só tinha de ficar fechado em finais de Abril e que só foi levado a Bruxelas a 11 de Março para efeitos de dar um sinal político que era absolutamente necessário dar naquela altura e daquela forma inequívoca? Que impediu o que seria a lógica decisão do PSD à luz das acusações que agora lançam: evitar que Sócrates levasse a sua maquiavélica perversidade avante e obrigá-lo a defender os mais altos interesses de Portugal nas vésperas de tão crucial cimeira europeia? É que seria uma cicuta a que ele não poderia fugir, posto que anunciou estar pronto para negociar qualquer das medidas. Anunciou-o até ao último dia, incansável e veementemente.

A estupidez deste PSD ultrapassou todos os limites da responsabilidade. É, verdadeiramente, um momento histórico.

V9

Estamos num buraco, mas confesso que estou bem mais optimista do que ontem.

8:15 – Enquanto levo o filho à escola, ouço na TSF que a primeira – a primeira – medida que o PSD propõe é o aumento do IVA. O Partido do “sempre pela despesa, nunca pela receita” propõe, no primeiro dia de pré-campanha, aumentar impostos. Gargalhada matinal, para espanto do miúdo.

11:00 – Em breve viagem a caminho de uma reunião, o patrão, que nunca fala de politica senão um ocasional “todos iguais”, está tão indignado como eu, afirma que Sócrates “ao menos tem tomates” e faz gala em afirmar que vai de votar nele. Grande espanto, desta vez meu.

13:50 – Para espairar, vou a pé almoçar, caminhada de 3 kms. Muita gente à porta dos escritórios, ou em regresso, em pequenos grupos. O assunto é inevitavelmente o mesmo. Nas conversas que vou ouvindo de passagem, o tom é geral: espanto, indignação incipiente, fala-se abertamente de politica, não são propriamente simpáticos para Sócrates, mas muito menos para Passos Coelho.

Tenho a sensação, apenas pelo dia de ontem, que este não está bem a ver no que se meteu. Vamos ver as primeiras sondagens. Se forem más para os laranjas, entram em pânico. And the fun begins.

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Oferta do nosso amigo Vega9000

Um livro por semana 226

«O Mundo de Ruben A.»

de Liberto Cruz, José Brandão e Nicolau Andresen Leitão

Era Ruben A. para a ficção, Ruben Andresen Leitão para o jornalismo e para os livros de História. O segundo nome (Alfredo) surge apenas em documentos oficiais. Embora os Andresen se tenham fixado no Porto, Ruben vem nasce em Lisboa em 1920 no nº 25 do Príncipe Real que «tem por lá a árvore mais extraordinária da cidade de Lisboa». Com 7 anos vai viver com a avó materna para o Porto (Campo Alegre) ao lado de Sophia, prima direita: «Vivemos e brincámos juntos nas mesmas casas, nos mesmos jardins». Desta época é o seu primeiro texto: «Minha querida mãe, já sei escrever só e gosto muito». Com 9 anos assiste ao naufrágio do navio Deister na Foz do Douro: «Vi que a morte era o desaparecimento, a impotência, a crueldade». Em 1933 cria o jornal O Falcão de Prata mas só em 1946 se inicia nos grandes jornais: Jornal de Notícias, Diário Popular e Expresso. Em 1942 reprova três vezes a Psicologia e vai para Coimbra depois de um professor declarar que «não recebia lições dos alunos e que o reprovaria sempre». Quando ensina numa Escola Comercial, Ruben descobre um logro: «os de História ensinavam Francês, os de Francês ensinavam Geografia e os de Geografia não ensinavam». Em 1947 emigra para Londres e trabalha no King´s College com Charles Boxer: «Quarteirões inteiros cheios de mortos, sítios que foram casas, meia dúzia de tijolos, pedras abandonadas pela guerra, atenção às minas». Salazar surge como crítico («No livro Páginas II explora-se o reles, o ordinário, o palavreado porco. O autor não pode representar Portugal nem ensinar português») embora mais tarde reconsidere e escreva: «o maluco do homem tem habilidade e competência para o cargo». Ruben A. definia-se como «geógrafo falhado» mas foi sempre um cultivador de amizades; segundo Sophia «o Ruben tinha o dom da amizade».

(Editora: Assírio & Alvim, Prefácio: Mário Soares, Poema: David Mourão-Ferreira)

A oposição que somos

Quando o PS pediu reuniões com a oposição parlamentar para tentar um compromisso que desse estabilidade à acção governativa, ocorridas em Outubro de 2009, nenhum partido aceitou qualquer tipo de acordo, por mínimo que fosse. O Executivo teria de governar em minoria, sujeito ao capricho dos líderes que perderam as eleições. De imediato se constatou a disfuncionalidade de tal situação, ficando o PSD como penhor da viabilidade do Governo PS. Nessa altura, Ferreira Leite garantiu que iria deixar passar o Orçamento para 2010, só abandonaria o barco após concluir essa missão. Cavaco aceitou e aplaudiu. Chegados ao Orçamento para 2011, já com Passos a marcar passo, alimentou-se um drama apenas resolvido por força das circunstâncias: havia que assegurar a reeleição do Presidente da República. Assim que Cavaco fechou esse ciclo, e logo na noite da vitória eleitoral, começou a lançar fogo para cima do Governo. O que se seguiu em Belém depois do fel e desvario emocional de 23 de Janeiro, para espanto de toda a gente incluindo os seus apoiantes, tem vindo num crescendo de irresponsabilidade e violência institucionais.

É sintomático que não nos lembremos de uma única condição invocada por algum partido da oposição para a partilha da responsabilidade governativa. O PCP não pediu uma nova reforma agrária ou o aumento da produção à sua moda, o BE não disse que governava se pudesse sacar o dinheiro aos bancos e aos ricos, o PSD não reclamou a expulsão de Sócrates do Largo do Rato e o CDS não exigiu o recrutamento de um milhão de polícias. Nada de nada propuseram, estavam unidos no asco aos socialistas. À esquerda, porque precisam de inimigos impossíveis de vencer, logo permitindo uma luta que nunca poderá acabar. À direita, porque os fidalgotes falhos de inteligência e coragem estão condenados a serem vazadouros dos ódios nascidos da sua impotência.

A oposição continuou até esta quarta-feira a tentar boicotar a governação de todas as formas disponíveis, indiferente às consequências que são evidentes. Atingiu nessa irracional tarde o cúmulo da negatividade ao impedir Portugal de continuar a resistir à tempestade financeira internacional, sem se ter dado sequer ao trabalho de apresentar um esboço de alternativa para a defesa do interesse nacional.

Que grande lição, e não só de política.

Levar a luta mais longe

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Fenprof promete voltar a encher a Avenida da Liberdade no dia 2 de Abril

Fonte

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Esta ideia estrambólica de achar que basta encher a Avenida da Liberdade para ter razão só será confinada ao seu populismo carnavalesco quando alguém se lembrar de encher a A1. São trezentos e três quilómetros de boas rectas e suaves curvas, oferecendo sete áreas de serviço e duas áreas de descanso. A taxa de portagem para os manifestantes, de acordo com o cálculo da altura do veículo medida à vertical do primeiro eixo e seu número total de eixos, parece ficar em conta, não sendo impeditiva da adesão suficiente para o efeito desejado. A Fenprof, sozinha, consegue produzir o espectáculo desde que tenha o cuidado de o lançar no Facebook com uma frase bem esgalhada. Depois bastará meter uma cunha para Cavaco apelar a um sobressalto rodoviário aquando da próxima actuação no tour Magistratura Reactiva 2011. E toma lá disto, ninguém resiste ao poder da auto-estrada.

Qualquer dúvida acerca da exequibilidade do plano, João Pinto e Castro explica.

A noite dos batoteiros e a ver vamos

Foi penoso ver que a banda passa e que ninguém diz nada que corrija erros evitáveis ou omissões perdidas no espectáculo degradante da oposição apostada na resolução da irresponsabilidade.

Começa por ser espantoso ver Portas propor que as resoluções sejam votadas diferenciadamente, por forma a que se vote a alínea que visa o chumbo do PEC e depois todas as outras. Isto não se aplica à nulidade da resolução do maior Partido da oposição que só queria chumbar o PEC, só queria chegar ao poder. Discutir, propor, pensar não é com o Partido que pode ser Governo, que pode ajudar o país, que aprovou o Orçamento em vigor e os anteriores, que aprovou todos os Pactos de Estabilidade até este.

Portas conseguiu que todas as Resoluções, incluindo a dele, ficassem reduzidas a cópias da do PSD, porque realmente Portas não queria saber de umas propostas a fingir que lá foram metidas pelo seu Partido e por outros, todos sabendo sem dor de alma que se chumbariam reciprocamente nessa parte dispositiva.

Ainda assim, lá estava Portas no final da noite afirmando que, ao contrário do que fora dito pelo PM, ele tinha apresentado propostas. Foi bonito. Lutou tanto por elas que as remeteu para votação separada para garantir que o que era aprovado era a rejeição do PEC. Não é pecado, Portas, mas tenha em conta que nós damos por isso.

Depois foi ver o drama lançado em torno da demissão do PM. Na SIC, antes de salvos pela intervenção de Reis Novais, houve certezas de que o PR podia recusar a demissão para que o Governo não ficasse em gestão, certezas de que todos iriam a correr comprar um livro sobre isso do Professor Freitas do Amaral e certezas quanto ao facto de um tal Governo estar limitadíssimo. Não está, o Tribunal Constitucional já o explicou, pode fazer basicamente tudo. A limitação é política. Um dia, escrevi sobre isso e disponibilizei o Acórdão. Por outro lado, o PR não pode recusar o pedido de demissão do PM, embora seja natural que se reúna com os Partidos e com o CE antes de aceitar o pedido.  Caso tal anormalidade acontecesse, o PM podia apresentar uma moção de confiança à AR e acabava-se a conversa, como explicou Reis Novais com clareza.

Dito isto, quando o Governo entrar gestão, cabendo-lhe a avaliação daquilo que é estritamente necessário para a gestão dos negócios públicos (186/5 da CRP) teremos, até às eleições, de estar atentos a Cavaco, que tem, naturalmente o poder de fiscalizar os actos praticados, o que implicaria, se Cavaco fosse um Presidente normal, em casos de dúvida, que se socorresse do TC. Calha que sabemos todos que o PR gosta de resolver assuntos jurídicos com as próprias mãos, em declarações ao país às oito da noite. Reis Novais falou nisto, ontem, também. Vamos ver se Belém consegue, perante a crise política, não abrir novas crises pré-eleitorais em cooperação com o PSD.

A frase da noite talvez vá para o simpático José Luís Arnaut, o qual, confrontado por Bernardino Soares, disse que o PSD aprovou os Orçamentos PS e os PEC passados porque “foi convencido pelo PS”, mas que desta vez “já não foi convencido”.

Palavras para quê?

Broad Coalition Report

O Comandante Supremo da Broad Coalition for Change, Steps Rabbit, acompanhado do General Michael Grasses e do Brigadeiro Mark Tony Coast, revelou ao começo da noite que os bombardeamentos da coligação atingiram todos os alvos seleccionados com ruinoso sucesso:

Juros da dívida atingem máximo histórico de 8,1%

A moeda europeia caiu pelo segundo dia consecutivo após a votação no parlamento português que levou à demissão do primeiro-ministro José Sócrates, alimentado especulações nos mercados de que Portugal terá mesmo de recorrer a uma ajuda externa.

Confederações receiam consequências económicas

Chumbo do PEC provoca “stress” nos mercados, alerta OCDE