27 thoughts on “Bloco central dos interesseiros”

  1. prá semana reabrem maternidades e urgências, depois será a retribuição do bloco e comunas para a revogação do aborto e casamentos mm/ff. é a broad coalition orchester conduzida pelo chefe da filarmónica de boliqueime.

  2. então mas esta coisa de acabar com o modelo de avaliação não vai contra o que o passos preconiza, de reduzir a despesa pública? Prémios e promoções automáticos para toda a gente? Ou será que se esqueceram de informar os profs que ficam é sem os ditos até ver?

  3. Diz que o Parlamento não tem competências para esta revogação e vai pedir fiscalização constitucional. Dá-lhes, isto agora é sem tréguas.

  4. O que é cómico é que o PSD ao alinhar nesta sujeira, rasteirou o CDS, o PCP e o BE, roubando-lhes muitos dos votos que eles esperavam contabilizar dos coitadinhos dos professores. Esta direita e esta esquerda radical não têm mesmo vergonha na cara.

  5. A estupidez está a chegar a níveis épicos. Para o PSD, que vai ter de se confrontar com eles se, por desgraça, chegar a ser governo. Mas sobretudo para os professores. Mas o que é que aquelas almas acham que o PSD pretende com isto? É que no curto prazo, é óbvio: comprar votos. Por aí, os professores não se importam de se vender, já percebemos.
    Mas no longo prazo, ou seja, naquilo que o PSD de Passos pretende para a educação, a lógica é simples: quanto pior a educação pública, melhor. Quanto mais pessoas tirarem os filhos do ensino público para o privado, onde essa avaliação é feita sem qualquer tipo de aborrecida papelada para preencher, mais argumentos há para que seja permitida a “livre escolha” aos pais – ou seja, que possam usar as suas contribuições para o ensino público e aplicá-las no privado. Daí ao cheque-ensino, é um pequeno passo. Depois, funciona assim: todos recebem uma subvenção mensal para a educação. Quem quiser, usa no colégio de preferência, paga mais uns 200 Euros ou assim, e tem acesso a um ensino privado com controle efectivo de qualidade, que entretanto se começa a multiplicar como cogumelos. Quem não quiser, ou não puder, usa na escola pública sem pagar mais nada, mas sabendo de antemão que quem manda são os professores e sindicatos, ninguém os controla, e que têm cada vez menos recursos e menos alunos. Uns anos disto, e temos um ensino efectivamente privatizado, subsidiado em boa parte pelo estado, com o recurso às públicas para os remediados, numa pescadinha de rabo na boca – quanto mais alunos da classe média fogem para os privados, mais a escola se degrada, mais alunos fogem, até que andar “na pública” seja tão mal visto na sociedade como viver nos bairros sociais.

    Ou seja, o sistema universitário americano, aplicado à escolaridade obrigatória. Como é que gente com dois dedos de testa não vê isto é para mim um mistério. Ainda para mais professores. Começo a acreditar que se o PSD resolvesse propor a demolição das obras do Parque Escolar, o Guinote aplaudia de pé.

    Mas enfim, ninguém nega que as universidades americanas são as melhores do mundo. Custam é 20.000 euros. Por ano.

  6. “Depois, funciona assim: todos recebem uma subvenção mensal para a educação. Quem quiser, usa no colégio de preferência, paga mais uns 200 Euros ou assim, e tem acesso a um ensino privado com controle efectivo de qualidade, que entretanto se começa a multiplicar como cogumelos. Quem não quiser, ou não puder, usa na escola pública sem pagar mais nada, mas sabendo de antemão que quem manda são os professores e sindicatos, ninguém os controla, e que têm cada vez menos recursos e menos alunos.”

    Onde é que eu assino? ;)

    Sou um grande admirador da escola pública, e os meus filhos andarão na escola pública enquanto depender de mim – defendo que só em igualdade de circunstâncias se poderá aferir o verdadeiro mérito de um estudante.

    Não sou é egoísta ao ponto de impor o meu ponto de vista, por via de impostos e duma fatia considerável de orçamento que faz falta noutras áreas, a quem pensa diferente de mim; isso é ditatorial. Peguem lá o cheque, e ide à vossa vida – deixai é de me azucrinar a cabeça.

    O mesmo se aplica ao SNS – com todos os seus méritos (e defeitos), é obsceno o Sr. Belmiro pagar a mesma taxa moderadora que eu, assim como eu pagar o mesmo que o Sr. Alberto das hortaliças (por sinal, o que é ainda mais absurdo, eu não pagaria – sou dador de sangue, informação que escamoteio por uma questão de princípios).

    Para o outsourcing, e em força. Já ontem era tarde.

  7. Para já não falar da selecção dos alunos, que os privados já fazem e que ainda mais fariam por uma questão de concorrência entre si. O resultado é o que diz o Vega: nas escolas públicas ficaria a ralé, em termos de rendimentos e em termos de aproveitamento escolar, perdendo-se pelo caminho aquele mito de que os pobres vão passar a poder estudar no São João de Brito.
    Depois do enorme investimento feito pelo governo na modernização das escolas públicas, dotadas agora, na sua maioria, dos mais recentes meios tecnológicos, e da política determinada de melhorar a qualidade do ensino através de uma maior exigência e responsabilização, esta atitude do PSD é inqualificável de tão descaradamente eleitoralista (apesar de apenas dirigida aos professores, que são uma minúscula parte do eleitorado). Aliás, eu gostaria de saber em que países europeus vigora esse sistema do cheque-ensino puro e duro. Se alguém me puder elucidar, agradecia.

  8. Vega, tristemente certeiro, o teu comentário.
    Agora, por favor, explica-me como é possível que o BE e o PC alinhem, só pra ver se caçam uns votos daqui a uns meses. Consegues?

  9. Até doi de tão na “mouche” o comentário de Vega. Aqui a Edie deixou-lhe uma pergunta pertinente. Eu deixo outra. Será ele capaz de me explicar como é possível que aqueles em cujas mãos vamos deixar os nossos filhos e netos, tenham a desfaçatez de se deixar comprar, de se vender, desta abjecta maneira! Rapidamente um outro Vilhena que nos escreva a HISTÓRIA DA PULHICE POLÍTICA (E TAMBÉM HUMANA)

  10. Coitaditos dos professores que agora já não se podem avaliar uns aos outros. Que pena!Em muitos casos (quiçá na maioria) o avaliador também era avaliado, candidando-se às mesmas quotas. Vai ser muito difícil ou mesmo impossível arranjar um modelo substituto tão “justo e equilibrado” como costuma dizer a sra ministra.

  11. ana, queres dizer que o modelo não possui mecanismos objectivos de avaliação e que não se pode confiar na ética profissional dos professores-avaliadores? Acho duro para a classe (quiçá injusto).

  12. Mas quem ficou mais triste no meio disto tudo foram os alunos que estavam a adorar ter nas aulas dois professores (o avaliador e o avaliado), é mais um trauma para os meninos, coitaditos!

  13. …mas vivo noutro em que o desempenho é avaliado por superiores hierárquicos e por pares, como se faz em qualquer avaliação de desempenho digna do nome, “all over the world”. No caso dos professores portugueses deveria ser diferente porquê?

  14. Marco, a tua questão é relevante, e será por aí que a proposta será feita. Mas nota que estamos a falar de um serviço público (e não de uma oferta pública), que é por definição suportado por todos, independentemente de usarem ou não. Quando admites que as pessoas possam fazer o opting-out do sistema, pões em causa a própria existência do modelo de educação universal gratuita e do seu papel equalizador. Repara, se aplicarmos a tua lógica hoje, a consequência imediata é que o ensino público perde imediatamente 18% dos seus fundos (correspondente à percentagem de alunos no privado).
    Como é que achas que a tua escola pública, que aprecias e onde tens os filhos, se aguentaria com menos 1/5 dos fundos? Ficava na mesma, melhor, ou começavas a pensar em tirar os miúdos de lá? E os outros pais?
    ___

    edie, os comunas (PC e BE) não têm hipótese de recusar (pelo menos enquanto não forem poder). A lógica deles, populista-tonto, é que os trabalhadores têm sempre, sempre razão. Se algum dia quebrarem essa lógica, deixam de ter razões para existir.
    E de qualquer maneira, a situação, julgam eles, é win-win. Respondem a todas as exigências, mesmo as mais tontas, e depois procuram capitalizar o caos, quando ocorrer. Quando as coisas começarem a descambar outra vez, acusam o governo da altura de “descurar a educação”. E tens mais “maiores manifestações de sempre”.
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    ana, concordo muito contigo, este modelo era excessivamente burocratizado e confuso, embora melhor que nada. Eu sou adepto de um bastante mais simples: há um director de escola, que é avaliado pelos resultados da mesma. Este director avalia os professores, despede os incompetente e promove os competentes. Simples e elegante, tal como nos colégios privados. Espera pela pancada.

  15. E esses pares “do seu modelo de avaliação de desempenho” também concorrem às mesmas quotas que a Edie?
    Por acaso conhece algum modelo de avaliação como o dos “professores portugueses”?

  16. ana, no mundo cá fora também há sistemas de promoções. E há prémios de desempenho. Quanto maior for a fatia que o colega tira do bolo, menor será a minha. Mas há mecanismos – como há no sistema português de avaliação dos professores, que nem é muito original – para controlar essa subjectividade.

    Estes modelos não foram inventados ontem nem foram um delírio da ex-ministra da Educação, acredite.

    Mas, a questão que se coloca agora é muito mais pragmática: não temos dinheiro para continuar a sustentar 95% de Muito Bons – isso sim, uma verdadeira originalidade portuguesa.

  17. Pois eu não conheço outro modelo que se assemelhe e este que considero uma autêntica idiotice.
    Se querem um ensino de qualidade porque razão não implementam um modelo centrado no desempenho do professor na sala de aula? Com agentes externos a avaliar os professores? Seria, na minha opinião, um modelo que garantia a qualidade da escola pública.

  18. ana,

    mas isso é uma heresia! Elementos externos à escola, alheios a uma realidade tão específica e tão única, a debitar avaliação sobre o desempenho dos professores? E o professor só o é enquanto na sala de aula?

    Bem, acho que isso dava para mais uma manifestação, desta vez a ocupar a Av. da Liberdade, Marquês, Parque Eduardo VII e sabe-se lá mais o quê.

    (sejamos honestos, nenhum modelo de avaliação é suficientemente bom para quem não quer ser avaliado)

  19. Vega, eu devolvo-lhe a pergunta: Se a única preocupação do ministério da educação sempre foi a valorização do ensino, porque nunca foi proposto o modelo que eu defendo, ou outro similar baseado no desempenho do professor na sala de aula? Acha que isso interessa ao governo?

    Edie, primeiro, não se trata de querer ou não querer, trata-se de implementar um modelo que valorize a escola pública. Segundo, é principalmente (e sublinho principalmente) na sala de aula que se vê o real valor do professor e não noutros papéis que são da competência de outros agentes. A avaliação dos professores devia passar, também, pelo desempenho dos alunos nos exames nacionais.
    Mais: considero um absurdo que desde os educadores de infância até aos professores do ensino secundários estejam todos incluidos na mesma carreira. Isso acontece nos outros países da europa? Claro que não!

  20. ana, concordo com a edie quando diz que se um modelo baseado em avaliações externas fosse proposto, caía o Carmo e a Trindade. De qualquer maneira, o que vemos até hoje é o ministério a propor, bem ou mal, um modelo de avaliação que não seja baseado em fantasias corporativas, e ter como resposta uma rejeição em massa por parte dos professores e respectivos sindicatos. Rejeição pura, nota, sem que do outro lado haja uma só proposta que saia do chavão “os professores querem ser avaliados, não querem é este modelo”. Alternativas: zero. Aliás, honra te seja feita, e partindo do pressuposto que és professora, és a primeira com quem falo que avança com um modelo razoável. O resto da classe celebra a queda da avaliação sem nenhuma alternativa de uma maneira generalizada.
    Mas se estou enganado, indica-me por favor onde estão essas propostas, e o que está a ser feito para as vender aos responsáveis do governo.

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