O conflito na Geórgia teve mortos, destruição, violência. Mas foi, à mesma, uma ópera bufa. Não se chegou a saber qual era o plano de Saakashvili, ou até se havia algum. À distância, a ideia mais credível é a de que a invasão da Ossétia do Sul pelo exército georgiano teve como única intenção o reforço da posição russa na região, tal a estupidez da acção. Para a NATO, tratou-se de agir para reparar os estragos e conter o empurrão que procurava derrubar o Governo de Tbilissi. Para a Rússia, esteve em causa capitalizar interna e externamente, passando uma confiança militar que é altamente benéfica para Putin. E para a comunicação social internacional, foi uma ocasião de entretenimento com a temática da Guerra Fria, mas sem qualquer convicção ou esforço de parecer reflexão séria. Agora, nem um pio se ouve sobre o conflito. E nós?
Nós devíamos imitar os governantes competentes, os militares de carreira e os diplomatas com um mínimo de experiência: só dão importância ao que é importante. Ora, neste caso só as comunicações diplomáticas tinham importância. E essas não se revelam. O que se revela são os seus resultado. As exibições de força militar, as discrepâncias entre acordos e execução dos mesmos, as declarações dos políticos, tudo isso faz parte da liturgia diplomática e é, com se constata invariavelmente, absolutamente secundário para o desfecho dos conflitos. Onde tudo se decide é na negociação, fazendo-se ameaças e ofertas que são – por definição – obscenas.
A maior parte dos problemas que nos angustiam por via da comunicação social não existem. Serão problemas que outros podem resolver, não nós, ou serão problemas em que não temos acesso a informação suficiente para sabermos o que está em causa. Desistir de lhes dar importância é urgente, porque é urgente ocupar a inteligência com problemas sobre os quais tenhamos poder de decisão.
Geórgia, vai-te foder.




