Politicopsicose – II

A crise financeira internacional é de ridícula dimensão quando comparada com a crise na direita portuguesa. Quem diria que, 6 meses depois de ter sido corrido do PSD, esse deslumbrado do Menezes estaria a pedir a cabeça da discípula dilecta de Cavaco? Para isto poder acontecer, uma calamidade carece de ter acontecido. E aconteceu: chama-se direita portuguesa.

A direita portuguesa não tem para onde se virar. As figuras que aparecem, tanto nos partidos como na imprensa, são nulidades, sem excepção. A verdade é a de que ninguém estava preparado para a eficácia e coragem política de Sócrates. Nem o PS. Mas é um facto, e um novo ciclo começou na democracia portuguesa, onde o nível de profissionalismo e responsabilidade subiu e se estabelece agora como referência máxima. E é por isso que as declarações de Menezes – até há bem pouco tempo o chefe do maior partido da oposição – espelham com detalhe o estado de um grupo de portugueses que enlouquece um bocadinho mais a cada dia que passa:

Esta forma austera, distante, pseudo-rigorosa em excesso do Eng. Sócrates exigia agora distensão, alegria, um guterrismo competente social-democrata. Como a seguir ao cavaquismo o país aspirava a um guterrismo, a seguir ao socratismo aspira a um guterrismo competente, de rosto humano, social-democrata. Só que, paradoxalmente, o guterrismo que se está a perfilar é um socratismo metamorfoseado, e o PSD está a tentar imitar o Eng. Sócrates dos primeiros tempos, com a sua circunspecção.

6 thoughts on “Politicopsicose – II”

  1. alguém me disse: vai ver este post….uma pequena maravilha….

    bom aqui estou a ler. a re-ler. a sorrir. a concordar.

    da maravilha assertiva….:)

    abraço.

    ______________________.

  2. O PSD, como se sabe, é um saco de gatos esfomeados de poder. Vale tudo.
    Mas essa agora do profissionalismo e responsabilidade socratinos como referência máxima, faxavor…
    Ó modesto, francamente, larga o binho!!!…

  3. a calamidade da direita portuguesa como lhe chamas é a sua própria natureza, indisfarçada. Que se zanguem que eu me divirto e talvez se descubram algumas verdades.

  4. Gosto das tuas observações, excepto da prova que apresentas da loucura do Amnezes, que aliás não precisa de ser provada, tão patente ela é.

    O caso é que o meco agora marcou um ponto, se calhar por acaso, mas marcou: é verdade que a Manela do Leite disse ter saudades da política orçamental rigorosa dos primeiros três anos e meio do Sócrates.

    Antigamente, os pêpêdês roíam-se de saudades do Sá Carneiro. Agora choram o Sócrates dos primeiros anos. Estão a ibuluir, carago. A Manela do Leite anseia ganhar as próximas eleições, por isso convinha-lhe que alguém com tomates fizesse todo o trabalho sujo e duro antes de ela lá chegar. Ganda saloia, a muler!

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