A influência do Sporting nas eleições americanas

Não é segredo para ninguém que tanto Obama como McCain têm interrompido as respectivas campanhas para acompanhar de perto a crise entre Paulo Bento e Vukcevic. Vale tudo como desculpa, desde dizer-se que se tem de ir a correr para o Congresso ajudar o Plano Polson até utilizar o estado de saúde da querida avó; só para se ficar um dia inteiro a ler os jornais desportivos portugueses em segredo. E este desvario justifica-se, pois muito do que vai ser o Ocidente, especialmente no que concerne à economia, vai sair deste conflito entre um jogador da bola e o seu treinador.


Bento veio dizer que não convoca Vuk porque ele trabalha pouco. Com esta declaração, o treinador obriga-nos a ficar do seu lado. Porque a questão ganha um decisor, acaba o diz que disse que não disse mas que talvez pense. Esteve muito bem Paulo Bento ao esclarecer a situação. O treinador representa um conjunto maior e de incomparável importância, a equipa e o clube, pelo que recolhe o nosso favor de imediato. Mas agora temos de olhar para o vencedor. E a primeira evidência é a de que ele é um lampião. Daí, como bom vermelhusco, ter atacado o jogador com uma serôdia ideologia: o trabalho. Esta noção de que o valor de um jogador tem alguma relação com o trabalho é perversão vinda de Marx e da industrialização. É uma alienação onde se reduz o humano ao mecânico, procurando que aquele se adapte e conforme aos ritmos deste. Eis um sinistro regime onde se valoriza a uniformização, a obediência, a cobardia. Todos se vigiam, procurando denunciar aqueles que estarão a trabalhar menos; e todos se odeiam, reduzidos a uma existência em que se sabem apenas uma peça na opressora máquina da produção. São proletários, escravizados interiormente por essa abstracção chamada igualdade.

Vuk, pelo contrário, é um capitalista. O seu capital é o talento, o seu ideal o individualismo. Sempre que joga, investe o seu capital. Nem todos os investimentos correm bem, mas alguns são um sucesso que só um capitalista como ele poderia obter. Assim, é óbvio que este jogador não precisa de trabalhar como os outros. É precisamente ao contrário: os outros têm de trabalhar porque não sabem fazer mais nada. Trabalham porque são pobres, ou porque não são ricos, ou porque têm o capital parado, sabe-se lá. O negócio do Vuk é o da criatividade, indústria onde aqueles que não a têm podem esfalfar-se 24 horas por dia durante 65 anos que apenas conseguirão ficar cada vez pior. Já o criativo poderia trabalhar apenas um dia por mês que continuaria a ser o elemento decisivo no processo produtivo das ideias, utilizando os restantes dias para aquilo que lhe dá valor: alimentar a inspiração. É por isso que as jogadas e golos do Vuk conseguem, com regularidade, ser essa maravilha de sorte, gana e esbanjamento artístico – como só um capitalista do talento se pode dar ao luxo de fazer.

Esta referência ao trabalho é particularmente infeliz vinda de alguém que representa o Sporting. O nosso pai fundador, o Visconde de Alvalade, fugia do trabalho com quantas forças tinha. Por isso foi um excelente advogado, de resto. A sua atitude era lógica, coerente com a sua missão: encarar os acasos da vida com desportivismo. Daqui nasceu uma filosofia, o sportinguismo, caracterizada por uma superioridade moral aristocrática que punha sempre em último lugar o trabalho. É por isso que se diz que o Sporting é o clube dos ricos, dos queques e, enfim, de todos aqueles que não tendo vintém não se importariam nada de ser milionários ou, em alternativa, simularem essa condição. É isto que importa salvaguardar, porque para cheiro a povo já temos todos os outros clubes; e nisso eles são imbatíveis.

Paulo Bento, um lampião, venceu a batalha, e agora resta esperar que Vukcevic, esse leão, ganhe a guerra. Quero que encontre rapidamente um clube onde possa continuar a investir para proveito dos espectadores. Porque um Mundo onde todos têm de ser iguais, e onde a criatividade vale menos do que o trabalho, é uma imagem do inferno. E isso é algo que nenhum presidente norte-americano poderá tolerar, daí estarem tão preocupados.

10 thoughts on “A influência do Sporting nas eleições americanas”

  1. Aqui está um brasileiro que não entende NADA do futebol português (exceto pela seleção, que melhorou graças ao BRASILEIRÍSSIMO Felipão), mas que ficou muito adimirado com a página e resolveu fazer aqui este contato inicial dando os parabéns aos colaboradores e que ganharam uma audiência aqui em Ribeirão Preto, situado no estado de São Paulo, Brasil.
    Abraço a todos…

  2. Nem de propósito: mais dois pontos perdidos pela burrice de Paulo Bento e a sua incrível estratégia de «trabalho». Desfez em poucos dias a equipa que deu boa conta do recado na Ucrânia e tirou jogadores que tinham dado boa resposta. O ano passado fez isso uma série de vezes: tirou o Pereirinha depois de um belo jogo com o Porto e no jogo seguinte colocou o Abel no seu lugar – perdemos no Restelo com o golo a surgir daquele lado. O Adrien saiu da equipa depois de jogar bem com a Roma, o Yannick depois de um bom jogo com o Braga,é sempre assim. De Paulo Benrto espera-se sempre o pior. Tudo isto começou na célebre fase no Porto «Em caso de dúvida devia pontapear a bola» referindo-se ao guarda-redes. Quanto pontos foram perdidos com esta teimosia? De Paulo Bento espera-se sempre o pior…

  3. Valupi,

    Nunca perdes uma boa ocasião para passares a mão do tesão natural pelo lombo macio do capitalismo. Agora até os pontapés de canto, os dribles e individualismos do futebol te servem. Compreende-se, no estado em que anda o socialismo do teu protegido Sócrates e do resto das sub-conas de Bruxelas, fazeres a apologia desses gajos nem é assim tão condenável. Se algum ofendido te bater à porta a pedir contas, já sabes: diz-lhe que é tudo legal e aprovadinho pelos “Polsons” dos parlamentos.

  4. Lucas Valvassora, toma lá outro abraço aí para Ribeirão Preto. Quanto ao Felipão, teve mérito, mas também precisou da sorte. Do que não precisávamos era da sua casmurrice, mas isso é outra conversa.
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    jcfrancisco, o Pereirinha é um caso curioso, pois me parece totalmente errado usá-lo como defesa. Veremos qual vai ser a evolução do Bento em relação a essa interrogação.
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    CHICO, teu raciocínio que liga socialismo, Sócrates e Bruxelas – na relação com a suposta “apologia desses gajos” – tem qualquer coisa de encantador e de encantatório, embora continue a ser completamente lunático. Talvez seja isso que encanta, vai na volta.

  5. Delirante! Pareces um hooligan treinador de bancada, estás sempre com os rascas no bota abaixo ao treinador, seja ele o Bento, o Scolari ou quem vier. Se perdemos, a culpa é do treinador. E ainda não percebeste que esse Vuk é um atrasado mental, talento prá bola, mas sem cabeça.

    Bom, mas ante isso do que o que fez a escumalha portista depois do jogo com o Leixões: fizeram uma espera aos seus próprios jogadores e insultaram-nos de filho da puta pra baixo, incluindo o esforçado Lisandro Lopez que se esgadanhou todo e marcou um golo de antologia. O Cebola, que ia com a criança sua filha ao lado, apedrejaram-lhe o carro à saída do estádio do dragão. Última ralé esta massa associativa do FCP. Escória abaixo de lixo. Não sabem perder com um mínimo de dignidade. Uma geração “educada” pelo bardinório mafioso do Pinto da Costa.

  6. Lá isso declaraste, mas depois disseste mal dele e elogiaste o Vuk. De Bento dizes que é lampião, vermelhusco, com uma ideologia serôdia. Que fez uma referência infeliz à falta de trabalho de Vuk. O lampião Bento só quer trabalho e obediência, é adepto dum sinistro sistema onde se valoriza a uniformização e a cobardia. Mas Vuk, o verdadeiro leão, tem génio criativo capaz de maravilhosas jogadas inspiradas e artísticas. Assim entendeu também os teus juizos o doente de futebolite jcf, que vem carregar as cores com a “burrice” do Bento.

    O Sporting é ou deveria ser um clube de élite, sim, de gente civilizada e educada (fora os Cintras), onde até final da época se deveria apoiar o treinador e confiar nos jogadores. Começar no bota-abaixo em Setembro ou Outubro é impróprio de um sportinguista. Quem gostar disso, pode juntar-se à escumalha arruaceira do FCP.

  7. Discordo. Bento perdeu o sportinguismo quando censurou os assobios dos adeptos, e no mesmo passou deu oportunidade a que o Veloso (outro lampião) e o Moutinho (mais um lampião) viessem igualmente dessacralizar a relação com o clube (o clube só existe porque existem os adeptos, é esta a ontologia da coisa). Maneiras que neste momento somos responsáveis e ficamos do lado do treinador (ou seja, é Vuk quem terá de recuar ou sair), mas denunciamos à boca cheia o lampionismo de PB porque somos leões.

    É assim, compadre.

  8. A burrice do Paulo Bento vem do seguinte: para ele jogam os que treinam muito na semana e não os que jogaram bem na semana que passou. É simples, é burrice, é estupidez, é tudo isso junto.

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