Outra péssima notícia

marcy.jpg

Geoffrey Marcy, um americano maluco (vide foto, que me deixa mentir), revelou estar convicto da existência de dezenas de milhares de milhões de planetas habitáveis no conjunto das galáxias. Dezenas de milhares de milhões de seja o que for é capaz de ser alguma coisa já assim de dimensão razoável. Se falamos de planetas iguais ao nosso, então, é uma quantidade que começa a ser interessante, como dizem aqueles que não têm nada para dizer. Para mim, significa que até poderá haver vida inteligente em algum canto do universo, um único que seja, apesar das evidências em contrário. O lado chato, negativo, péssimo, está na quantidade de imbecis que se antecipa existirem pelas impiedosas leis do cálculo probabilístico. Imbecis com antenas coladas à cabeça e a quererem telefonar para casa. Cenários de horror.

Péssima notícia

SteveKilleleaFinal.jpg

Steve Killelea, um australiano maluco (vide foto, que não me deixa mentir), organizou o Global Peace Index a pedido da revista The Economist, uma revistazeca que pouca gente conhece e onde escrevem pessoas muito burras e mal-intencionadas. Portugal aparece como o nono país mais seguro dos 121 listados. E temos os mesmos pontos do que o Canadá, pelo que nos roubaram um lugar. Moralmente, somos o 8º país mais seguro do Mundo, já a morder os suecos.

É uma péssima notícia, ’tá claro. Porque não dá para culpar Sócrates pela maluquice do australiano maluco.

Camilo Pessanha

sanguem.jpg

A propósito do último post do meu primo Valupi (e de um comentário muito pertinente da sininho), veio-me à memória uma boleia que apanhei há muitos anos de um colega de trabalho. Eu tinha entrado para a empresa há muito pouco tempo com apenas dezassete anitos: era um jovem muito tímido que, para além de apenas vir a perder a virgindade na semana seguinte, possuía gostos muito duvidosos em matéria tão diversa e essencial como a música, a literatura, o cinema e o vestuário. O Engenheiro que me deu a boleia chamava-se Eurico e estava particularmente bem-disposto, porque aquele era o seu último dia de trabalho nesse antro que era (será que ainda é?) a EFACEC. O Eurico tinha sido seleccionado num concurso internacional para trabalhar no Parlamento Europeu, onde ia ganhar o triplo e trabalhar muito menos – ou, pelo menos, eram estas as expectativas do seu ego inchado. Ao longo da viagem, ele foi-me dizendo essas coisas sempre com uma mão no volante e a outra a tentar tirar um macaco do nariz. Era uma visão que me provocava um misto de repulsa, riso e angústia. Isso durante uns bons vinte minutos, enquanto seguíamos para Gaia: Ah, que engraçado a gente se conhecer logo hoje no meu último dia (dedo no nariz), em Bruxelas parece que as gajas são umas doidas (dedo no nariz), tens um sotaque mesmo esquisito (dedo no nariz). Quando já estávamos a chegar à minha casa, oiço um

– Ai ai!

e uma explosão de sangue salpica o pára-brisas. De tanto furar o dedo no nariz, o Eurico tinha rompido uma veia e estava a sangrar que nem um desalmado. Ele lá encostou o carro a muito custo, sempre com uma das mãos a fazer pressão no nariz (Ó puto! Não tens um lenço, caralho?!), a camisa cheia de sangue, a Rádio Cidade aos berros, aquilo era tudo uma coisa muito aflitiva para mim. Entramos num café, o Eurico foi à casa de banho e de imediato a clientela se interessou pelo caso, devido à quantidade de sangue que tinha nas calças. Lá fui explicando que o meu colega tinha começado a sangrar do nariz quando ia a conduzir e começaram logo a chover os conselhos da praxe (Ele que ponha água, Que vire a cabeça para trás) mais um que jamais irei esquecer até ao fim da minha vida (Ele que coma uma banana). Passado cinco minutos, o Eurico voltou muito pálido com o nariz vermelho e inchado: continuava a esvair-se em sangue numa gloriosa hemoptise de poema final. O dono do café (Que pena não ter aqui uma banana, caramba) lá ligou para as emergências, que tratava dessa merda e que uma ambulância já vinha a caminho. Quando os moços do INEM chegaram, o Eurico já tinha desmaiado e levado bofetadas duas vezes (cada vez que lhe batiam nas bochechas, saía ainda mais sangue do nariz). Os paramédicos perguntaram-me se era familiar (Não? Então não pode ser) e o tipo lá foi sozinho para o Hospital perante o olhar solidário da pequena multidão que se tinha juntado em frente ao café (Ouçam o que vos digo: aquele gajo ainda vai morrer). Nunca mais o vi. Não sei se chegou a fazer um trabalho meritório ou a comer gajas doidas em Bruxelas: apenas vos posso dizer que no outro dia o Fiat já não estava lá. Tinha deixado no café um papel manuscrito dentro de um envelope com o meu nome. Pedia imensas desculpas pela ocorrência da véspera, que agora já estava bem e que agradecia do fundo do coração a minha paciência. Em baixo, havia um boneco com uma banana enfiada no nariz. O desenho era muito giro.

Rendimento mínimo

Nestes prados da quinta dos cavalos não há cavalos nenhuns. Só João vai caminhando pela berma da estrada e o viajante pára ao lado dele. Não sendo velho é uma figura antiga, delida pelo tempo, ou pela vida. E há nele a servitude primitiva que este viajante já julgava extinta.
De manhã tirou-se de cuidados e foi à vila ao médico espanhol, à boleia dum vizinho. Em breve se despachou e agora não há transportes, não tem remédio senão voltar a pé. Tem a mãe à espera em casa, já muito velha, e ainda mais achacada do que ele. Há mais irmãos mas desgarraram todos, depois que voltaram de Angola. Foram para lá quando eram pequenos, cresceram nos colonatos do Cunene. Havia o gado, e aquelas terras grandes… Agora o que lhe vale é o rendimento mínimo.
Quando o carro estaca no largo, João ainda não se convenceu de que o viajante parou na estrada e o trouxe para casa. O que lhe vale é o rendimento mínimo. E ao vê-lo assim, a afastar-se cabisbaixo, fica a pensar o viajante que deu boleia a um símbolo de alguma coisa maior.

Jorge Carvalheira

«Rua do Arsenal» de José Ferreira Marques

16_2ejpg[1].jpg

Se o espaço deste romance é a Rua do Arsenal, o tempo é o tempo português dos anos 60 do século XX: «Aos novos, levava-os a guerra. Outros fugiam a salto para França. Os menos afoitos não resistiam ao encanto das luzes da capital.». Luís chega da sua terra a Lisboa olhando para os títulos de uma vitória do Benfica à porta de Santa Apolónia. Começa por descobrir os cafés: «juntou-se a uma tertúlia que abancava no Café Império, mistura de marialvas, amantes do fado, alguns estudantes e até forcados.» Cansado de ouvir na televisão a preto e branco «Adeus até ao meu regresso», participa na campanha eleitoral de 1969, mas acaba preso pela PIDE como se lê no bilhete entregue a Cecília: «O Luís foi preso. Deve estar em Caxias. Não me procure. PS – Consta que foi um Silveira do Técnico que o acusou.» Trata-se de Fernando António, o primeiro marido de Cecília. Ele simboliza o Portugal «velho» enquanto Luís surge como o Portugal «novo» ao lado de quem Cecília vai ouvir a célebre frase «Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas!». Entre dois mundos opostos, Cecília rejeita Fernando e corre para Luís na Rua do Arsenal, a rua onde se começaram a amar. A mesma rua onde foi assassinado o rei D. Carlos e o príncipe Luís Filipe em 1908 e mesmo ao lado da Câmara onde foi proclamada a República em 1910. Depois de Bichos do Mato com o olhar da guerra colonial, este Rua do Arsenal desenha em páginas vibrantes o mundo cinzento dos escritórios, dos cafés, dos estudantes e dos polícias que povoaram a Lisboa dos anos 60. Quando os homens «enchiam os bolsos de esperança» e fugiam a salto, que o medo «não matava a fome».

Editora – Palimage

José do Carmo Francisco

Aproximação a Modem Talking II

conceptronic2.jpg Se existe uma banda capaz de trazer para o mainstream a glitch music, essa banda são os Conceptronic. Oriundos da Holanda (where else?), há vários anos que esses rapazes têm tentado conquistar ouvintes, ignorando a incapacidade da crítica especializada em perceber o alcance da sua música – ficou famoso um artigo de Matt Broad no NME (infelizmente não disponível on-line), em que este classificava a música da banda como «pure bullshit». Chegou ontem às lojas de discos dignas desse nome o segundo álbum dos Conceptronic, sagazmente intitulado MODEM TALKING II. O disco, para além de finalmente cumprir 14 anos depois as promessas da música concreta que se podia ouvir em Wohnton dos Oval, possui características tão universais que aposto que haverá poucos leitores deste blogue que não irão sentir uma estranha familiaridade ao ouvir os seus temas. Exemplo paradigmático disso mesmo é a faixa «KBPS: Fifty Six» que deixo aqui de seguida: nunca ouvi música que, de forma tão revolucionária e sublime, consiga cumprir todos os parâmetros para comunicar com os seus potenciais ouvintes. Ou servidores.

Podem comprar a música dos Conceptronic, por apenas €11,26, aqui.

Um estado policial

Segunda, 28 de Maio, 10.07 da matina. Este exemplar pagador de impostos, e vosso humilde escriba, recebe ordem para encostar o seu magnífico bólide numa rotunda de Cascais, mesmo no raio da rotunda. O agente é carrancudo, e, logo que se apanha com os documentos da viatura, dispara “O senhor sabe porque é que foi mandado parar?…”. O meu intrigado e resignado “Não…” demorou menos de 1 segundo, mas nesse intervalo tive tempo de rever o trajecto por uma rua sem trânsito, sem semáforos, sem traços contínuos, de sentido único, e percorrida dentro do limite de velocidade. Também tomei consciência da inovação metodológica: a pergunta a suscitar a autoavaliação, o Estado a promover a responsabilidade, o agente a ser agente de pedagogia. Fiquei dividido entre a elevação da abordagem e a suspeita de me estar prestes a descobrir inusitado vilão rodoviário.

“Onde está o documento da inspecção?…”. Também gostaria eu de saber, eu que nem sabia da obrigação de andar com ele. “Que documento é esse?…”, larguei enquanto fazia o número de procurar várias vezes na carteira. Olhava para o chão do carro, bancos, portas, à espera de dar com gavetas imaginárias a abarrotar desses documentos. “É um assim verde!”, e mostrava-me o papel do seguro numa mão e a impaciência de quem manda na outra. “Pois, não tenho. Mas tenho ali o selo…”. Marquei pontos, havia uma prova a meu favor que o obrigou a um movimento defensivo. “Sim, isso eu sei que também consigo ver, mas falta o documento!”. E faltar o parvo papel correspondia a 30 euros a menos no meu parco papel, fui informado. Entretanto, uma voz terceira invadiu o nosso colóquio. Transmitia referências precisas de um automóvel, marca, cor, e sentia-se urgência na voz. O agente dava passos incertos, dobrava a minha papelada, mirava a entrada da rotunda. Comecei a ficar concentrado no acto seguinte, antecipando o pagamento por Multibanco nos próximos segundos.

Aproximou-se da janela, abaixou-se e, quase íntimo, perguntou “Vinha a falar ao telemóvel?…”. Desta vez ultrapassei o segundo antes de responder. Talvez um segundo e meio, mais coisa menos coisa. Até deu para catrapiscar os meus dois telemóveis ali em frente às mudanças. Que pergunta incrível. Era uma pergunta que nos catapultava num lance epistemológico. Tanto eu como ele estávamos obrigados a mudar de papéis. Agora, era eu o agente da autoridade, com poder de aplicar a lei. Ele, um civil que está perdido, a pedir informações. As possibilidades eram variadas, feéricas. Era-me dada a possibilidade de ser infractor, denunciador, fiscalizador e juiz em causa própria. E tudo isto antes da 11 da manhã. Apetecia-me, então, prolongar esse estatuto. Usar o cargo para resolver problemas bem mais importantes, como os relativos às questões existenciais. Por exemplo, responder às perguntas “Ando a falhar a minha vocação?” e “Sou verdadeiro com os que amo?”, procedendo depois à passagem das respectivas multas em caso de transgressão. Ou dizer que iria pensar, que responderia depois do almoço, lá mais para a tarde, se não chovesse. Enfim, a pergunta era pessoal. Que tinha aquele gajo a ver com as minhas chamadas telefónicas?

A CAMA GRANDE

À memória, escusado lembrar, de Mestre Leiria

Martim amava Sílvia. Amava-a muito. Por assim dizer, todas as noites. Para o irmão Paulo, na cama ao lado, era um tormento que ninguém merecia.

Chegou a Martim o primeiro ataque cardíaco. Iria ser também o último. Numa tarde, saíra Sílvia a fazer compras, disse ele a Paulo:

– Chavalo, eu sei como vai ser, quando eu lerpar.

Paulo fez-se desentendido, e até podia está-lo. Martim, mano como poucos, explanou.

– Quando eu for desta, tu hás-de, malandro… Se até se lê nos olhos!

Paulo, olhando agora o chão, rendia-se. Martim prosseguiu:

– E já que é isso, mais vale ires aprendendo. Eu nunca a tratei mal.

A partir dessa noite, dormiram todos três na cama grande. Anos, anos largos.

Morreram sem dar por isso, uma noite de Inverno em que o calorífero lhes queimou o ar.

fv
Amsterdão, 27-V-2007

«Lugares Comuns»

Koffie-1.jpg

Conhecia eu, de JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES, os malandros sonetos de Este Lado Para Cima, de 1994, mais as esplêndidas crónicas que, no ano seguinte, escreveu no JL. Depois perdi-o de vista. Ou outros, alguns bem menos interessantes do que ele, ma toldaram.

Só recentemente soube que, nesses dois exactos anos, estava ele trabalhando numa série de curtos textos, que em 2000 (ed. de Mariposa Azual, Lisboa) apareceram, e a que chamou Lugares Comuns. Todos concebidos e redigidos num café do Porto. Como esta minúscula obra-prima:

26 DE SETEMBRO

Há muito tempo não me calha um café pela chávena esquinada. Por ela me apercebi que o ciclo de rotação das chávenas pelos clientes é, em média, de uma vez por mês.
Setembro inteiro passou sem que me tivesse calhado uma curta vez que fosse, a familiar chávena esquinada. Dia após dia rodei a pequena asa branca, na pressa de conhecer no perímetro da cerâmica, aquela ferida antiga. Na última vez que a usara, uns lábios tinham-na beijado com tanto afago pela manhã que pelo final do dia trazia ainda, indeléveis, as marcas daquele afecto. Não é fácil lavar um beijo.
De quando em vez o acaso rasga o espaço do Café, e chega-nos desde o balcão a inconfundível voz de cacos espalhando-se em descuido contra o mosaico do chão.
Desconfio seriamente que a chávena tenha morrido.

Há mais aqui. João Luís Barreto Guimarães (1967, na vida diária médico-cirurgião) tem ainda, junto com Jorge Sousa Braga, um blogue sobre poesia.

O esplendor da ignorância numa página da «Sábado»

Vidal%20Cavalcanti%20-%20Cemiterio%20Consolacao.gif

Estive no Castelo de São Jorge numa feira «alternativa» e deram-me a revista Sábado, edição de 10-5-2007, depois de ter votado num concurso para apurar a melhor fotografia do seu «stand». Até aqui tudo bem.

Depois a coisa azedou. Descobri na página 14 do caderno «Primeira escolha» um artigo de divulgação com o sugestivo título de «Um bar de poetas». Segundo a jornalista Catarina Serra Lopes, a «livraria-bar» fica junto ao elevador da Bica. Passo a citar: «Daí a criação de A Da Mariquinhas, inaugurada, com ironia, a 1 de Novembro, Dia de Finados, um dia apropriado para abrir uma livraria de poesia visto que a maioria dos poetas já morreu». Mas não se trata de ironia; é apenas ignorância. Ignorância esplendorosa, pois se atreve a vestir a capa da ironia.

O que os proprietários não sabem (nem a jornalista) é que a «comemoração de todos os fiéis defuntos» ocorre de facto em 2 de Novembro e não a 1 de Novembro. Nessa data surge outra festa, de conteúdo muito diferente – a festa de todos os santos. Trata-se de uma das festas maiores da Igreja. Chamar-lhe «Dia de Finados» é um erro crasso. No estado actual das coisas não se pode esperar que um agente cultural (ou o jornalista que o entrevista) conheçam a história da Igreja, mas aqui trata-se de uma questão de calendário civil. Qualquer agenda lhe dirá que o dia 1 de Novembro é o de Todos os Santos e não o Dia de Finados.

Que não saibam o que é o amicto, a alva, o cordão, o manípulo, a estola, a casula, o cálice, a patena, o corporal, o sanguinho, o véu, o turíbulo ou a naveta – vá que não vá. Passa. Agora chamar Dia de Finados ao Dia de Todos os Santos é mesmo o esplendor da ignorância. Ou, como dizia o Jô Soares – Esta juventude é um espanto!

José do Carmo Francisco

Miranda July x 205

23br.jpg Ora aqui está um objecto que junta três das melhores coisas que o mundo tem para nos oferecer hoje em dia: os Blonde Redhead, o Mike Mills e a Miranda July. Sobre a autora desta autêntica obra-prima que é Me And You And Everyone You Know, confesso aqui (rendido) que não consigo falar nela sem me subir desalmadamente os níveis dessa vaca que se chama glicemia (vejam, por exemplo, a forma super-original que ela arranjou para apresentar no vil HTML o seu novo livro de contos No One Else Belongs Here More Than You). Quando aos Blonde Redhead, apenas vos digo que são responsáveis por um dos grandes discos deste ano (chamado 23, reparem no mimo da capinha) e que lhes gabo o bom gosto de terem recorrido a Mike Mills para realizar o vídeo do single «Top Ranking». O rapaz, que deve partilhar algumas das minhas profundas fantasias, resolveu fazer o teledisco recorrendo apenas a essa musa do bom-gosto que é a minha menina July. Reparem bem como só ela é que conseguiria resgatar do fracasso uma ideia tão bela, simples e preguiçosa que é filmar (pormenor fundamental, nada disto funcionaria com fotografias) um ser humano em 205 poses diferentes. Agora, se me permitirem, vou mudar o Post Status para «Published», clicar em «Save», tirar a insulina do frigorífico e sucumbir a esta repentina vontade que me deu de suspirar.

Uma versão com maior qualidade (Quick Time) pode ser vista aqui.

Aspirina Box #1

boxas.jpg

Não sei se já repararam mas, na coluna da direita, logo por baixo do elenco dos enfermeiros, o blogue tem agora uma nova secção intitulada Aspirina Box. A ideia é criar uma jukebox virtual para cada um dos aspirínicos que será actualizada todas as semanas com sete temas escolhidos pelos mesmos (isto partindo do princípio que os meus estimados colegas estejam com pachorra para isso). Quanto à minha box, resolvi escolher coisas relativamente recentes, exceptuando «La Ahada Yalam», a versão de Robert Wyatt do original do compositor iraquiano Nizar Zreik que fecha o sublime CUCKOOLAND (2003), e uma raridade dos Boards of Canada chamada «Macquarie Ridge» e que apenas pode ser encontrada na edição japonesa de THE CAMPFIRE HEADPHASE (2005). Quanto ao resto, há a techno minimaltista de «Over The Ice» de The Field (desde KID A dos Radiohead que não ouvia a voz humana ser integrada de forma tão original na textura da música electrónica), um momento trovadoresco de M. Ward (por quem nutro uma admiração muito pouco sadia), mais uma prova da desbunda que é o último disco dos The Bees, e ainda duas faixas muito progressivas intituladas «Breaker» dos Low e «Kidz are so small» dos Deerhoff, que é para dar um ar ainda mais esquizofrénico à coisa.

Agarrados à charrua

plough2.jpg

O primeiro sinal de alarme, incomodativo, veio do BE. O Bloco tinha capital intelectual e espaço mediático para ser oposição. Mas não o conseguiu, porque não se muda de identidade como quem muda de votação; aí está o PCP para o provar à saciedade. Fica-se pelo folclore. O segundo sinal de perigo, dramático, veio do PSD. Barroso destruiu o PSD ao entregá-lo a Santana em vez de a Ferreira Leite. Com Marques Mendes, e sem chefe seguinte à vista, o PSD não existe, criando um pesado vazio de poder que é nefasto para a democracia. O terceiro sinal de desastre, trágico, vem agora dos críticos de opinião. O coro que tem tentado, em ondas sucessivas, macular a imagem de Sócrates, está finalmente afinado. Consideram que se pode estabelecer analogias entre os casos de merda que têm entretido abutres nos últimos 2 anos de Governo e aquilo que foi a inscrição do salazarismo na História de Portugal. Fosse eu patrão destes escrevinhadores, estavam todos despedidos. Alguns, sovados.

Quando se tem o topete de afirmar que Sócrates, seja de que forma for, está a reduzir a liberdade dos portugueses, há algo que imediatamente se torna óbvio: o autor da afirmação acaba de perder a credibilidade. É preciso já não ter a noção do que seja a responsabilidade (e o ridículo) para despejar nos meios de comunicação tamanha boçalidade. É preciso estar possuído por uma soberba que esmaga até o espólio político e cultural mais próximo, a nossa História recente de 30 anos. É preciso ignorar os fundamentos da democracia, estar tão envenenado pelo cinismo que se deixou de sentir qualquer pertença à comunidade — só restando as ligações ao ressentimento oriundo de uma megalomania atrofiada e atrofiante.

Esta semana foi fértil em exemplos de irresponsabilidade, até maldade, em políticos e publicistas, mas nenhum é mais revelador do que o processo disciplinar ao professor Fernando Charrua. Ainda sem se conhecerem os factos na origem do caso (que exibem um quadro de oportunismo e disfunções individuais), culpou-se Sócrates pela decisão de Margarida Moreira. Fantástica indução, a qual abole todos os critérios de sensatez e boa-fé. Como se fizesse sentido denunciar um monstro de manipulação e, em concomitância, atribuir-lhe um erro tão grosseiro — e tão prejudicial para o próprio intento tirânico — como esse de perseguir um professor por uma boca de corredor. Sinceramente, perdeu-se a vergonha de se passar por imbecil. Mais: tal postura é conforme ao desinteresse em falar dos verdadeiros tiranetes do País, aqueles que se passeiam noutros corredores bem mais silenciosos e recatados.

De maneiras que é isto: até os nossos críticos estão a precisar de reforma. Sócrates tem sido areia a mais para muita camioneta, e a maior parte deles nem nunca viu um tractor. Ainda estão agarrados à charrua, pensando sempre a direito, devagarinho.

«Enfim, só!»

JS.jpg

Os largos ombros do Público que me desculpem, mas este texto, de António Barreto, é histórico. Um dia será ‘nosso’. Seja nosso já hoje.

ENFIM, SÓ!

Público, 27.05.2007
António Barreto
Retrato da Semana

A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal. A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.

Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.

Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.

Oestilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.

Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.

I am a DJ, I am how I say

djson.jpg

Abram alas, que o Daniel Jonas tem um novo livro de poesia. Após a edição do belíssimo Os Fantasmas Inquilinos (Cotovia, 2005) e da sua magnífica tradução de Paradise Lost de John Milton (Cotovia, 2006), o Daniel está de regresso com um livro que promete surpreender até os seus leitores mais suspeitos, categoria na qual me incluo com grande euforia. Se uma das características mais notáveis do autor de Moça Formosa, Lençóis de Veludo (Cadernos do Campo Alegre, 2002) era o seu perturbador domínio do poema na sua forma extensa, Sonótono (Cotovia, 2007) surpreende por ser integralmente constituído por 50 sonetos (todos originais, exceptuando a tradução do soneto 17 de Milton). Menos surpreendente, para o leitor assíduo de Daniel, será a componente auto-refencial ou metapoética de quase todos estes poemas. Ao lê-los, fiquei com uma visão do formato dos quatorze versos em tudo comparável com a que Jonas deve ter tido do corpo da baleia. Até os elementos mais intrínsecos da escrita do soneto (como a métrica, a rima, a pontuação, a cesura ou o encavalgamento) surgem nestes poemas sobretudo como mecanismos de análise ou dissecação das potencialidades do formato: não é a escrita que se traveste de soneto, é o próprio soneto que surge despido pela acção da escrita. Num autor que sempre se caracterizou por uma ímpar inventividade lexical e por uma fala árida (não é por acaso que, a páginas tantas, surge o nome de Luís Miguel Nava), Sonótono consegue, ainda assim, ser o seu livro mais difícil e fascinante. Mas apenas será feliz o leitor que, a este livro, aplicar todos os princípios necessários à da visão dos estereogramas.

BENGALEIRO OU HORACIANAS

Físico o tractor quente arremessou
Contra as colheitas de ouro o breu de corvos
Trazendo a noite em ondas de onde andou
De foice afoita, a luz sugando a sorvos.
Modorrento, o vapor da chaminé,
Máquina de fazer nuvens, levando
Ondinas ao empíreo mar, rapé
Da paz entre titãs que ordenhando
Alheias colinas se houvessem mais
Desavindo. Van Gogh ou Fabergé:
Ovos de palha, gemas siderais
Chocados em estrelado canapé.
      Entrar nesta pintura eu queria
      Se à entrada não pedissem a poesia.

(in Daniel Jonas, Sonótono, Cotovia, 2007)

Duas lágrimas e uma chaga

blog500_lagrimas.jpg

Ninguém me consola de ver o Esplanar parado. Supõe-se (bom, suponho) que tanto Carlos Leone como João Pedro George andam em parte incerta.

Aliás (uma confissãozinha, num blogue anti-confessional, como é este), se eu alguma vez – quod Deus avertat – começasse um blogue sozinho, haveria de chamar-lhe assim: Em Parte Incerta. Não tenho planos. Estou muito bem aqui. Mas, pelo sim pelo não, ponho o pezinho em cima do lindo nome. Até porque há quem tenha um blogue pessoal e um Aspirina… Mas não falem disto ao Zé Mário.

Ninguém me consola, também, de dar com o Não li nem quero ler de rodas no lamaçal. Ele que era tão parvo, tão divertido e, aqui e ali, tão indispensável.

Mas nem tudo são desconsolos. As Ligações perigosas – essas, de cabo a rabo indispensáveis – continuam ligadas ao mundo.

Actualização

Uma busca sobre Casais Monteiro leva-me ao blogue A Vez do Peão b. Carlos Leone mora aqui.

Tudo pela Pátria

0008a905.jpg

Manuel Passos é homem para sessenta. – Mais um pouco! – concede ele, a silvar a dentadura. Há trinta anos regressou de Angola e deixou passar o tempo. Logo que o génio lhe deu algum sossego, arranjou a caixa dos apretrechos. E quando está de maré vem abancar no Rossio, os olhos cheios de paisagens africanas. Toma o lugar do cliente, encosta-se à parede da farmácia, e fica-se a olhar os restos do império, que ainda passam.
Traz no braço dois obuses tatuados, pequeno espólio do serviço militar.
GAC 2 – Tudo pela Pátria – 1968
E ao mesmo tempo que vai puxando o lustro, olha de lado um africano enorme, que lá vai, de braço dado, com a sua matrona branca.
– Cada um com o seu é que estaria bem! Branco a branco, preto a preto! Mas cada um sabe da sua vida!
A matrona e o africano pararam no passeio, a quezilar com um patrício inconformado.
– A cabeça é o ponto fraco deles, vê-se na porrada e nos estudos. Não são dados a inventar, ficam-se pelo que ouviram. E nunca se atiram de cabeça!
As lembranças que me sobraram da guerra desmentem-lhe a teoria. Mas alimento a conversa e tomo notas.
– Isso é para quê, diga lá?!
– Para nada! É tudo pela Pátria!
O Passos põe-se a olhar os canhões que traz no braço. E sorri-me, displicente, já andava esquecido deles.

Jorge Carvalheira

«Os Dias na Noite»

PedroChagasFreitas.jpg

Pedro Chagas Freitas

Tive o prazer de apresentar, na Fnac do Chiado, o novo romance de Pedro Chagas Freitas. Como escreveu este vosso servidor no prefácio à obra, Os Dias na Noite é um livro «duro», «mais um», do jovem jornalista de Guimarães. «Para ler com algum contrapeso de esperança no mundo.»

E mais escreveu o prefaciador: «Pedro Chagas Freitas é um modelo de crueldade literária. Não há miséria humana que o comova, e que por isso se adoce a nossos olhos. Não existem suficientemente boas disposições no bicho humano que o convidem ao lirismo. O sangue corre, as almas dilaceram-se. Cedendo a alguma pirosice, diríamos que a bolinha vermelha é, no que ele escreve, constante».

Sr. Ministro, leia aqui no Aspirina

b1c99e2c26904ab888d2dcdf7702b538.jpg

O ministro, a Ota ou como o autismo só pode criar suspeições

Público, 25.05.2007
José Manuel Fernandes

O ministro das Obras Públicas passou da teimosia ao autismo e deste a uma tão desastrada cegueira que, com toda a frontalidade, é preciso perguntar: a quem interessa este ministro? A quem interessa mesmo que o aeroporto se construa na Ota? Por que motivos a insensatez de tal opção não é explicada numa altura em que já se percebeu que os motivos que levaram a escolher a Ota já não são válidos? É que se não há um argumento racional a favor da Ota, só outras fidelidades, ou interesses desconhecidos, podem explicar uma tal teimosia. Por isso, ou o ministro e o Governo explicam a bondade da Ota, ou a dúvida instalar-se-á na opinião pública. É que se Mário Lino estivesse limitado à capacidade de raciocínio de quem tem um único neurónio, algo que por certo não sucede num engenheiro “a sério” que até está inscrito na Ordem, o que disse seria desculpável. Tendo mais neurónios, por que fez do discurso uma sucessão de atoardas, inverdades, mistificações e disparates?
Como é que um ministro diz que a Margem Sul do Tejo é um “deserto para onde seria necessário deslocar milhões de pessoas”? E como foi possível tentar corrigir agravando o disparate, dizendo que não se referia à Margem Sul, apenas às localizações alternativas propostas para o novo aeroporto?

Para assim falar, ou Mário Lino nunca olhou para um mapa de Portugal, ou vive em Marte. Qualquer das alternativas fica mais perto de Lisboa do que a Ota; qualquer delas é hoje servida por duas ou três auto-estradas já construídas. Há uma linha férrea que passa por lá. Um hospital central mais perto do que haveria na Ota. Indústria por todo o lado. Há portos perto, enquanto para a Ota só se poderia contar com o “famoso” porto de águas profundas de Peniche, hipótese que alguns lunáticos já colocaram. Em suma: qualquer das novas localizações está mais próxima dos milhões de pessoas que deveria servir do que a Ota. Mesmo para quem mora em concelhos a norte do Tejo como Cascais, Sintra ou Oeiras. De resto, se para ter um aeroporto fosse necessário deslocar para as suas proximidades “milhões de pessoas”, então o melhor é deixá-lo onde está, no centro de Lisboa. Mário Lino falou também de um deserto e de sítios “sem gente, sem turismo, sem comércio” quando lhe bastaria, de novo, olhar para o mapa ou abrir o Google Earth para perceber que estava a dizer um disparate. Ou não existissem estudos a defender que, excluindo o impacto ambiental, Rio Frio seria melhor do que a Ota, estudos que estão na Internet mas que Lino disse não existirem…

Não contente, interrogou-se sobre se a engenharia portuguesa teria alguma dificuldade em resolver o problema de “um aterrozinho num mundo onde se constroem aeroportos no mar”. Sucede que o tal aterrozito implicará a movimentação do equivalente a uma coluna de terra com as dimensões de um campo de futebol e 10 quilómetros de altura. Faz-se, mas só com muito dinheiro. Ou, por outras palavras, dando muito dinheiro a ganhar a muita gente. Em Portugal sabe-se o que isto costuma significar.

Mário Lino quer ainda construir uma nova central ferroviária em Chelas. Caríssima, como está bem de ver. E quer levar o TGV por viadutos e túneis até à Ota, outra obra faraónica e propícia a megaconcursos e monumentais derrapagens financeiras.

A pérola final foi considerar que escolher aquelas localizações seria como construir “uma Brasília no Norte do Alentejo”. Norte do Alentejo? O nosso engenheiro “a sério” já esqueceu a instrução primária, pois lá terá aprendido que os lugares em discussão ainda ficam na Estremadura, e nunca deve ter olhado para os mapas das regiões-plano, pois situam-se na que é conhecida por “Lisboa e Vale do Tejo”.

É caso para perguntar se o ministro sequer leu os dossiers…

José Manuel Fernandes