Aproximação a Modem Talking II

conceptronic2.jpg Se existe uma banda capaz de trazer para o mainstream a glitch music, essa banda são os Conceptronic. Oriundos da Holanda (where else?), há vários anos que esses rapazes têm tentado conquistar ouvintes, ignorando a incapacidade da crítica especializada em perceber o alcance da sua música – ficou famoso um artigo de Matt Broad no NME (infelizmente não disponível on-line), em que este classificava a música da banda como «pure bullshit». Chegou ontem às lojas de discos dignas desse nome o segundo álbum dos Conceptronic, sagazmente intitulado MODEM TALKING II. O disco, para além de finalmente cumprir 14 anos depois as promessas da música concreta que se podia ouvir em Wohnton dos Oval, possui características tão universais que aposto que haverá poucos leitores deste blogue que não irão sentir uma estranha familiaridade ao ouvir os seus temas. Exemplo paradigmático disso mesmo é a faixa «KBPS: Fifty Six» que deixo aqui de seguida: nunca ouvi música que, de forma tão revolucionária e sublime, consiga cumprir todos os parâmetros para comunicar com os seus potenciais ouvintes. Ou servidores.

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14 thoughts on “Aproximação a Modem Talking II”

  1. Não conhecia nada disto (o que diz de mim, não destes amigos). A faixa «KBPS: Fifty Six» é um achado. E, talvez, e de facto, também seja genuíno bullshit, brilhante bullshit.

  2. Fiasco coisa nenhuma, primo. Agradeço-te penhorado a (para mim) novidade. Apenas acontece ter em alta estima o conceito de “bullshit”, podendo aplicar-se ao que ouvi sem vergonha nem achaques.

  3. (Tu percebeste que a banda não existe e que tudo isto é uma invenção, né? Que fui eu que fiz a capa e que a faixa é simplesmente o ruído de um Modem 56Kbps a tentar ligar-se a um servidor, certo? Que angústia.)

  4. A tua angústia recordou-me uma anedota de S. Tomás de Aquino. Num dia de estudos, os colegas quiseram pregar uma partida ao muito sério, muito beato, muito crédulo Tomás. Um deles gritou-lhe “Tomás, depressa! Anda ver uma vaca a voar”. O futuro doutor da Igreja disparou em direcção à janela, só para ser gozado alarvemente pela malta. Mostrando que estudar compensa, teve ali um golpe de judo que ficou para a posteridade: “Prefiro acreditar que uma vaca possa voar, do que um monge possa mentir.”

    O que o lenda já não regista, mas que se pode adivinhar, é a reacção do grupo à tirada pomposa, cheia de acinte envolto em candura. E a reacção só me parece ter sido uma: pausa, nova leva de gargalhadas, ainda mais altas e rasgadas, seguida de sessão de calduços. É desta têmpera que se faz a santidade.

  5. Que bela história, primito.

    Eu conhecia um tio de uma amiga minha que nunca conseguia rir-se das anedotas. Quando ouvia a punchline, dizia sempre: «Ó ó, isso pode lá ser…». Não conseguia ultrapassar o problema da verosimilhança. Tipo: «Vira-se uma HP para uma Epson: esta cópia é tua ou é impressão minha?» e ele dizia: «Ó ó, isso pode lá ser: as impressoras não falam». O tipo era hilariante.

  6. pois eu, palhaça, caí como uma tansa. nem aquela do «genuíno bullshit», nem a do «paleio» me deram alguma luz sobre o acontecimento… :p

  7. então o valupi já julga voar tão alto que se compara ao santo Tomás de Aquino? Ter confessado ter feito figura de parvo tinha-lhe ficado melhor. Apesar do tão modernaço bullshit. confirma-se: bem me parecia que valupi era pseudónimo de um gajo tonto armado em inteligente.

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