Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

O melhor do PCP

«O antigo militante comunista Carlos Brito entende que a queda do governo de António Costa foi um "golpe de estado judicial".

Em entrevista à jornalista da Antena 1, Cristina Santos, um dos rostos históricos do PCP, que entretanto rompeu com o partido, não poupa nas palavras e classifica o processo que levou à saída de António Costa como um "golpe de estado judicial" que teve por trás objetivos políticos.»

Fonte

Num golpe de Estado, uma facção política derruba o poder vigente recorrendo a meios ilícitos. E depois ocupa o poder. Aqui, no 7 de Novembro, uma facção da Justiça derrubou o Governo com a colaboração decisiva do Presidente da República. Essa facção da Justiça não precisa de ocupar o poder porque já detém um poder exclusivo. Trata-se do poder máximo em democracia: o uso de várias formas de violência, desde a espionagem à coerção física, passando pela ameaça ao património e à reputação. Nenhuma autoridade política pode fazer a esta facção o que ela faz a quem quiser, do anónimo ao primeiro-ministro.

Carlos Brito e Vital Moreira “não poupam nas palavras” ao denunciarem o gravíssimo abuso de poder da procuradora-geral da República e demais procuradores envolvidos na golpada. Por frete ao PS? Só broncos e pulhas o dirão. Para quem veja a República a ser atacada por quem possui os instrumentos policiais, eles estão nas muralhas da cidade. Estes dois probos cidadãos saíram do PCP, por preferirem a liberdade ao fanatismo, mas o melhor do PCP não saiu deles.

Os jornalistas são acéfalos?

Pergunta a Penélope aqui em baixo. É uma boa pergunta, pois o conceito de acefalia também remete para a carência de chefia, não só de inteligência.

Para mim, os jornalistas não são acéfalos. Mas também não são jornalistas. Isto é, há jornalistas jornalistas, o que implica necessariamente uma robusta e fértil inteligência ao serviço de um bem público, e há jornalistas que não são jornalistas. Estes últimos, preenchem quase todos os lugares disponíveis no chamado jornalismo político.

Torna-se simples de entender, depois do desgosto de aceitar.

É Natal, paz e amor e tal, mas Marcelo não merece elogio nenhum e o jornalismo é acéfalo

Pensará o Presidente que fala por natureza e, quando fala, só estúpidos o ouvem. Parece ponto assente na sua cabeça. Ele saberá, de facto, quem abraça e beija por esse Portugal fora. Mas não é assim, e invocar as sondagens para dar a entender que continua a ser muito amado, podendo retomar o à-vontade nas passeatas pelas ruas, é uma estratégia de redenção e fuga para a frente completamente infantil e que enganará muito poucos.

No caso das gémeas, diz que foi pelo facto de o filho não conseguir nada através da Presidência que (o filho) foi falar com o Secretário de Estado (e sem sem o seu conhecimento, pasme-se). Foi mesmo assim, Marcelo? Então o Presidente não mandou contactar o hospital de Santa Maria para “esclarecer o que se passava” com o processo das gémeas, sabendo perfeitamente que essa já seria uma forma de dar seguimento à cunha e também uma forma de pressão?

E depois disso, sabendo que a opinião dos médicos era negativa e emitida sob embaraço, não enviou o dossiê para o Governo, para que a pressão continuasse por outra via, em vez de cortar ali o assunto?

E cabe na cabeça de alguém que, depois do interesse inicial do Presidente, este se tivesse desligado totalmente do processo ao ponto de nem perguntar ao filho qual o desfecho do mesmo ou pelo menos se já tinha alguma resposta positiva de alguém?

Agora vem beber uma ginjinha no dia de Natal e mostrar-se muito melindrado, muito desiludido,  porque o filho andou a fazer das suas sem o seu conhecimento, já lá vão quatro anos. Quatro anos em que Marcelo não soube de nada de nadinha do que era feito do caso das gémeas! Que farsa, meu deus.

E os jornalistas que o seguem não têm uma simples pergunta para lhe fazer, como , por exemplo, se passou a consoada com o filho, ou  se não acha que, ao enviar o processo para o Governo, não estava a pôr fim à cunha inadmissível do filho, querendo antes que a mesma seguisse por outra via?

Ou ainda se não acha que a naturalização forçada e interesseira das gémeas é um exemplo que ele e a sua família não podem dar de aproveitamento do SNS para turismo de saúde, à conta dos impostos dos portugueses que cá vivem e trabalham?

Ou os jornalistas são acéfalos?

 

 

Revolution through evolution

Less social media makes you happier and more efficient at work
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Prescrição de contato com a natureza para a saúde física e mental
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Eating meals early could reduce cardiovascular risk
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Apes remember friends they haven’t seen for decades
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Creativity in the age of generative AI: A new era of creative partnerships
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Artificial intelligence can predict events in people’s lives
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Public opinion polls may not be as straightforward as you think
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Dominguice

Para quem ainda se lembra da histórica emissão da TSF no incêndio do Chiado, em 1988, e que depois passou uns 20 anos com o hábito de acordar com a TSF, e com a TSF ir para a faculdade e para o emprego, a perspectiva de esta estação de rádio vir a desaparecer surge como uma perda pessoal. Até à compra pelo Marco Galinha, em 2020, a TSF continuava a ser um dos raríssimos meios de comunicação social onde o editorialismo não afectava o noticiário. Apesar de ter tido directores com agenda política (sempre laranja), ou mera preferência militante (laranja sempre), o corpo redactorial produzia conteúdos que respeitavam o que de melhor o código deontológico do jornalista coloca como ideal. Algo aparentemente simples de servir ao público: “Just the facts, ma’am”. A presença de Fernando Alves, verdadeiro artista da recriação poética do poder da rádio como experiência de intimidade através dos sons da palavra, igualmente conferia à TSF um estatuto único onde conviviam a feérica atenção à actualidade com o respiro de uma tradição arcana de fazer rádio. A crescente e imparável digitalização da sociedade, com o inerente hibridismo de linguagens mediáticas, permitiu uma fluída e enriquecedora transição para o modelo de rádio pós-antenas. Parecia ter tudo para ficar como património nacional do que o jornalismo deve ser, não parece que vá resistir ao dinheiro e à falta dele.

Ou o Estado financia o jornalismo como serviço público ou um investidor interessado nesse paradigma terá de compreender que a informação e a opinião não valem nada, por existirem em excesso. O que vale, o que merece ser pago, é a coragem da integridade e a cultura da inteligência.

Que pena a sonsice tratante não pagar imposto

«O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, confessou esta quinta-feira que estava já a pensar em bater, com António Costa, "o recorde de ter um só primeiro-ministro durante dez anos" e lamentou que o destino não tenha querido que assim fosse, dado que o líder do Governo está demissionário. Na apresentação de cumprimentos de Natal em Belém, a última de Costa enquanto primeiro-ministro, o Presidente da República revelou até que tinha "uma fórmula" para o que pensava que seria ainda o futuro político comum aos dois, que "estava convencido de que ia durar mais tempo".»


Fonte

Corrigindo Marina Costa Lobo

«As atitudes populistas em Portugal estavam difundidas há anos. Temos inquéritos que comparam Portugal com outros países onde os partidos de extrema-direita têm muito mais peso, e as atitudes dos cidadãos não eram substancialmente diferentes. Os cidadãos portugueses eram tão populistas, ou mais populistas, do que os de outros países. A diferença é que não havia oferta partidária, não havia um partido que representasse essas atitudes.»

Marina Costa Lobo

Falso. Existia oferta partidária para o populismo larvar antes do Chega. Esquecendo o PCP (cujo populismo está subjugado pela identidade partidária vivida como religião messiânica), constatou-se no PSD, logo desde 2004 com Santana Lopes, que o principal partido da direita portuguesa abdicava de elaborar projectos de governação (como com Cavaco) e de ter líderes a jurar missão de vida (como com Durão). Em vez disso, apareceram pela primeira vez em Portugal as campanhas negras imitadas dos EUA. Santana apostou em conspurcar o adversário, não em encantar ou sequer convencer o eleitorado. Há racionalidade nessa opção, dada a sua inferioridade política na comparação com Sócrates nesse contexto, mas o custo afectou todo o regime, alterando a qualidade das interacções no sistema político e começando a dissolver a comunidade. Foi assim que Santana promoveu pessoalmente os boatos lançados pela sua máquina de campanha sobre uma burlesca relação homossexual entre Sócrates e Diogo Infante. Foi assim que Santana deu luz verde para se lançar e explorar o caso Freeport. A partir daqui, o PSD jamais viria a abandonar a pulsão de judicializar a política, e depois de politizar a Justiça — mecanismos centrais no populismo da extrema-direita.

Ferreira Leite foi escolhida em 2008 para presidir ao PSD por duas razões: (i) Passos Coelho nessa altura era apenas um tipo jovem e bem parecido mas oco e estouvado, em quem Cavaco não confiava; (ii) a Manela era a personagem ideal para Cavaco poder interferir nas eleições de 2009, usando o PSD como instrumento da estratégia de Belém. A campanha que fizeram foi abertamente de assassinato de carácter (o “falar verdade”) e judicialização da política, usando o Face Oculta e a Inventona de Belém para cobrirem o Governo, o PS e, especialmente, o primeiro-ministro de suspeições de crimes gravíssimos, inauditos. Ferreira Leite, passando numa ocasião em Aveiro (o centro da espionagem a Sócrates), chegou a fazer declarações sobre o seu medo de poder estar a ser escutada pelo Governo. Há mais do que ironia, ou espanto, na avaliação desta atitude. Há a identificação de um potencial sinal relativo ao que ela conhecia acerca do que estava a acontecer ao seu adversário.

Logo em 2010, logo depois de se tornar presidente do PSD, Passos sugeriu explicitamente que apoiava a ideia de se condenarem judicialmente governantes por causa das suas opções políticas. Esta bandeira populista por excelência viria a ter concretizações variadas. Por um lado, é o substrato do futuro discurso castigador sobre os “piegas”, “a zona de conforto”, a “seleção natural”, “ir além da Troika”, etc. Por outro lado, é a semente da invenção de Ventura como artista populista, fenómeno que ocorreu por iniciativa e apoio de Passos. Meter Ventura em Loures, em 2017, foi o que ocorreu ao líder do PSD de então para abrir uma frente de crescente extremismo com um PS suportado pelo PCP e BE. Ele sabia que Ventura iria ensaiar pela primeira vez em Portugal um discurso retintamente populista com a chancela de um partido fundador do regime democrático. O Pedro sabia disso, o Pedro queria isso.

As declarações de admiração por Passos de Ventura, e de legitimação de Ventura por Passos, têm-se sucedido desde o nascimento do Chega. Ainda mais significativamente, a retórica “contra a corrupção” e o fetichismo com Sócrates não foram invenção de Ventura, já tinham mais de 15 anos de sistemática exploração pela direita partidária e mediática. 15 anos em que a degradação das instituições, em que o culto do “andam todos a roubar” e “os governantes são criminosos”, foi obra de políticos e ex-governantes da área do PSD e CDS.

Donde, estás parcial mas substantivamente errada, Marina.

É tudo uma questão de amor

João Miguel Tavares não consegue enganar ninguém, por mais que tente: estava fascinado por José Sócrates. Quem ler o seu artigo de hoje no Público, e ainda tivesse dúvidas de não ser amor mas ódio o que verdadeiramente sente, talvez perceba finalmente este processo mental, a bem dizer, não muito complicado.

Assim, Pedro Nuno Santos é perigoso porque é como Sócrates – um fazedor e reformista que deixou a direita fascinada, incrédula e roída de inveja. Com a vantagem, para Pedro Nuno, de não ter uma mãe falsamente rica, mas um pai legalmente rico. Irá ultrapassar Costa, tal como Sócrates suplantou Guterres. Diz Tavares. E não diz mal. Adiante digo porquê.

Tavares dixit:

“Aquilo que Pedro Nuno Santos aprendeu com Sócrates

Deixem-me esclarecer que a mãe muito rica de José Sócrates nunca existiu, mas o pai muito rico de Pedro Nuno Santos existe mesmo. Ou seja, não é ao Sócrates ensombrado pelo espectro da corrupção que me interessa comparar Pedro Nuno, mas sim ao outro Sócrates, o voluntarista e empreendedor – o Sócrates obcecado com a acção, que durante os seus dois primeiros anos de governo (de 2005 ao início de 2007) procurou reformar o país e manteve boa parte da direita presa pelo beicinho, impressionada com a sua coragem e energia. Dizia-se então que Sócrates estava muito mais próximo de Cavaco do que de Guterres.” […]

E a análise prossegue com conselhos a Montenegro.

Ó Tavares, espero que sim! Que o PNS queira fazer coisas. A bem de todos. Tem condições que Costa não teve: o pós-Troika foi orçamentalmente difícil e com dois parceiros parlamentares economicamente retrógrados do lado esquerdo, mas foi um sucesso; os mesmos parceiros e o céu que nos caiu em cima com o surgimento da pandemia, que deixou os países paralisados e as finanças ameaçadas; também vencida; e a crise energética provocada pela invasão da Ucrânia e a guerra que se seguiu, acompanhada de uma subida da inflação inesperada, que deixou todos novamente em stress e inseguros. Também, para já, superada. Enfim, foram oito anos exigentes e de intenso trabalho, para dizer o mínimo.

Perguntar, como os direitolas se atrevem a fazer, “mas afinal o que fez o Costa? Nada que se veja, não é?”

Vá lá, tem as contas controladas e a dívida muito reduzida. Venceu a inflação e aumentou os rendimentos. “Mas e a saúde? E a educação?”

 

Ah, sim , o SIM e mais a FNAM, nos médicos, e também o STOP, nos professores: tudo na rua, não é? Porque a maioria absoluta é a situação ideal para derrubar um governo democrático. Com a ajuda prestimosa de Sua Excelência o Comentador de Belém. Ah, e do Ministério Público. Conseguiram.

Pedro Nuno tem coisas para fazer, sim. Sem pós-Troika (pós-trauma?), sem pandemia e sem inflação será sem dúvida mais fácil “desconsiderar” António Costa e a sua governação. Oxalá o “desconsidere” por essas razões. Oxalá lá chegue e lá faça. Seria bom sinal do andamento do mundo.

Revolution through evolution

How do women picture the partner of their dreams?
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Breastfeeding alters infant gut in ways that boost brain development, may improve test scores
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New study shows exercise can boost brain health
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People might have more success if they were less assertive
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Thinking about God inspires risk-taking for believers, study finds
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Jurors recommend death penalty based on looks, but new training can correct the bias
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New Theory Claims that Identity Resides in the Human Genome and is Compatible with Cognitive Perspectives of ‘Self’
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Sem piada nenhuma

Na fronteira da Europa

Honest question: Russians or migrants? Or both?

Na América:

Da morte dos passarinhos:

Dominguice

José Luís Carneiro apoiou Seguro contra Assis em 2011, e de novo em 2014 contra Costa. Isto parecia-me uma certidão de óbito para o futuro político do senhor, confirmada pelo seu perfil mediático discretíssimo e reforçada com o episódio do telefonema para a administração da RTP aquando da polémica com um desenho animado da autoria de Cristina Sampaio: “Carreira de Tiro”. Aparecendo como rival do antecipado vencedor Pedro Nuno Santos na corrida a secretário-geral do PS, foi tratado como figurante no espectáculo da vedeta barbuda, destinado a rapidamente sair do palco sem deixar saudade nem lembrança. Terminada a votação, conhecidos os resultados e, especialmente, atendendo ao que descobrimos do candidato a primeiro-ministro José Luís Carneiro, impõe-se um desagravo: pode ser ele o sucessor de Pedro Nuno Santos, assim tenha saúde e vontade quando tal oportunidade surgir. Porque o principal poder político foi demonstrado, isso de inspirar confiança para liderar uma governação competente e responsável.

O que prova outra coisa. Coisa terrível. A evidência de o PS ter excelentes quadros, vários potenciais grandes líderes, muitos recursos humanos para ocupar diferentes funções governativas com eficácia à altura das necessidades. E a evidência de o PSD ser um deserto na comparação. E de a restante oposição ser quase toda um circo, um zoo ou um covil no que toca a qualidade política.

Lucília sem papas na língua

«“Estão hoje também bem patentes as profundas e entrecruzadas raízes dos ataques desferidos a uma magistratura com provas dadas e que permanecerá inquebrantável e incólume a críticas desferidas por quem a visa menorizar, descredibilizar ou mesmo, ainda que em surdina ou subliminarmente, destruir”, afirmou Lucília Gago.

“É de lamentar e de refutar abordagens bipolares que tanto parecem enaltecê-lo como quando fustigado por vendavais, que incidem e impacientam certos alvos de investigações, o passam a considerar altamente questionável e inoperante, clamando por redobradas explicações nunca suscetíveis desse ponto de vista de atingir o limiar da suficiência”, acrescentou.»

Fonte

Temos uma procuradora-geral da República que se permite fazer declarações públicas onde lança para o ar a suspeita de haver quem queira “menorizar, descredibilizar ou mesmo, ainda que em surdina ou subliminarmente, destruir” o Ministério Público — e o Carmo e a Trindade nem sequer tremem de frio. É um discurso político, com tripla finalidade: (i) tribal, falando para dentro ao garantir que vai continuar a defender os prevaricadores; (ii) persecutório, ameaçando com represálias maximalistas quem ouse vocalizar críticas às acções dos procuradores; (iii) terrorista, espalhando alarmismo estapafúrdio e canalha.

Lucília Gago, portanto, está na posse dos nomes daqueles que querem destruir o Ministério Público. Destruir. Não só menorizar, não apenas menorizar e descredibilizar. Destruir. Ou seja, desfazer, demolir, arrasar, exterminar a tal magistratura “com provas dadas”. Não seria, então, seu óbvio e indelével dever denunciar esses tão perigosos inimigos da Justiça, da Constituição, da República, da democracia, da liberdade? Como pode o regime, as instituições, o sistema partidário continuar a funcionar como se uma das mais importantes magistradas em Portugal não tivesse alertado a Grei para uma ameaça existencial à sua continuidade como Estado de direito democrático?

Acontece que ninguém liga. A técnica consiste em ficar calado, deixar passar. Porque não há em Portugal, verdadeiramente, uma singular figura política interessada em acabar com os crimes cometidos por procuradores. Acabar? Corrijo: não há em Portugal uma singular figura política, ou jornalística, interessada sequer em denunciar os crimes cometidos por procuradores. Lucília Gago sabe bem com quem está a lidar.

Estado de negação colectivo

A transformação de Rui Rio num herói do combate a um Ministério Público disfuncional e criminoso expõe luminosamente o estado de negação colectivo que, na inconsciência e impotência que provoca, é o que permite a disfunção e os crimes na Justiça.

Sim, Rio mandou umas bocas assanhadas contra os procuradores-gangsters e tentou um pacto para a Justiça cuja singular medida relativa ao abuso de poder consistia em alterar a composição dos conselhos superiores. Se tal chegaria para acabar com a devassa, se tal faria qualquer diferença, é outra discussão. Mas Rio é a mesma vácua personagem que escolheu o caluniador Paulo Rangel para liderar a campanha das europeias em 2019. Rio é a mesma triste figurinha que tratou Azeredo Lopes como culpado no caso Tancos, Costa como seu cúmplice, e isto em cima da ida às urnas em Setembro de 2019. Rio é o trágico banana que não teve estaleca para impedir Ventura de contaminar o PSD e o regime.

Não, pá, este fulano não é herói de coisa alguma.

O Pacheco não é parvo

Quando não há provas suficientes, faz-se fugas de informação ou faz-se aquelas cenas de buscas sistemáticas. E isto é que é uma prática que, podendo ser legal no limite, é uma prática inaceitável do ponto de vista da democracia. É uma prática que inquina a vida pública. Implica em muitos casos abuso de poder. Porque muitas vezes a atitude é esta: "Tenho indícios". O que é que são indícios?...

*_*

Que é sempre uma forma que tem efeitos na opinião pública, porque é sempre uma maneira de dizer que não há fumo sem fogo. Portanto, se o Ministério Público faz estas coisas é porque há fogo.

*_*

Vá lá ver... Eu não sou jurista, mas não sou parvo. Quando digo não sou parvo é no sentido do senso comum. Quer dizer, a gente vê coisas e o senso comum implica interpretá-las. Eu não acho que isto seja a mesma coisa de um primeiro-ministro andar desconfiado dos bancos, e andar com maços de notas entregues por um motorista, do que aqui se veio a saber. Portanto, eu faço distinções, e distinções a partir do que se conhece publicamente.

Pacheco Pereira, 3 de Dezembro

Pacheco Pereira é um cidadão com crescente poder político e mediático desde os anos 80. Abandonou a política activa em 2011, continuando militante do PSD, sendo há uns bons trinta anos um dos mais prolixos e influentes dos comentadores políticos. Embora seja designado como historiador, graças às suas investigações e obras de diferente tipologia nessa área de estudo, a sua formação académica foi em Filosofia. Tem como marcada característica comportamental achar que sabe tudo acerca do passado, do presente e do futuro da humanidade. Estes os predicados para o considerar a mais donosa das vedetas da indústria da calúnia.

Porquê? Porque são incontáveis as suas declarações, textos, posições políticas e cívicas com as quais não só é fácil concordar mas que até apetece aplaudir, louvar, mandar a cartola pelos ares no júbilo de assinar por baixo. Como aqui — A ideologia antidemocrática do justicialismo — cuja versão oral televisionada se encontra acima ligada. Este é o Pacheco em versão Dr Jekyll, promovendo a salubridade do regime, do espaço público e da comunidade. Só que logo depois, no caso acima citado com uma diferença de poucos minutos, aparece o Pacheco em versão Mr Hyde. Neste papel, a sua obsessão com Sócrates tolda-lhe o juízo, implode o seu edifício moral, arrasa a sua ética, e a pulsão assassina comanda-lhe a motivação.

Veja-se do que é capaz. Começa por reconhecer que o Ministério Público comete abusos de poder a coberto da figura dos “indícios”. Admite que o Ministério Público é autor de fugas de informação quando não consegue obter provas. Explica que essas fugas de informação, sob a capa de serem “indícios”, funcionam na opinião pública como provas da culpabilidade dos visados por causa da autoridade institucional do Ministério Público. E, de repente, num rebate de consciência, sente necessidade de excluir a Operação Marquês da lógica da sua crítica, apesar desse processo ser histórica e exemplarmente adequado a ilustrar tudo o que tinha acabado de denunciar. Exclusão que não pode sustentar pelos factos, o que leva a sua dissensão cognitiva a agarrar-se à mais infantil imbecilidade no afã de manter a sua identidade de Torquemada do Sócrates. Ao invocar o “senso comum” como critério interpretativo para avaliar partes soltas e esconsas de um caso com a complexidade homérica da acusação a Sócrates, o Pacheco desmente-se a si próprio. Assume aliviado o seu lugar no rebanho que pasta o que o Ministério Público abusador do poder, literalmente criminoso, quer que ele engula.

Este suicídio da sua honestidade intelectual é o fruto podre de o Pacheco se ter servido de todos os abusos, e crimes, fornecidos pelo Ministério Público aquando da operação Face Oculta. Então, o Pacheco era o general de campo do tandem Ferreira Leite-Cavaco, e o PSD e o Presidente da República serviram-se abertamente da espionagem feita a um primeiro-ministro. Falhada essa intentona, a dois meses das eleições foi lançada a Inventona de Belém. E na última semana de campanha, quando já era pública a farsa montada por Cavaco, o Pacheco apareceu frente às câmaras a profetizar que estaria para breve a revelação de graves crimes cometidos pelo Governo socialista. Meses mais tarde, o mesmo Pacheco iria chafurdar nas escutas a Vara e Sócrates, mais uma vez aparecendo frente às câmaras a garantir que elas tinham indícios de crimes sortidos, embora não tivesse dado a mínima explicação acerca do que caluniosamente denunciava. João Oliveira, deputado do PCP que ouviu o mesmo material captado na espionagem, disse que não havia ali nada com relevância criminal.

Ou seja, o Pacheco afinal é cá dos nossos. Tem dois pesos e muitas medidas. Em competição eleitoral, vale tudo, e um Ministério Público abusador e criminoso a favor do laranjal torna-se de uma utilidade preciosa para cobardolas e pulhas. Ele limitou-se a aproveitar as vantagens ao dispor na ocasião. Fora desses transes, há que trabalhar para a fantasia de ser um impoluto e sapiente senador da República. O paladino da moral, da decência e dos bons costumes, tais como se elaboram a partir da magnífica biblioteca da Marmeleira. É que ele não é parvo, é apenas um tipo que troca a filosofia pelo senso comum quando não resiste a mergulhar de cabeça no justicialismo.

Querem ver que as gémeas eram filhas de amigos de Lacerda Sales?

Por favor alguém pergunte ao Presidente da República por que razão enviou o pedido do filho para o Governo, apesar de já ter obtido pessoalmente dos médicos de Santa Maria um parecer negativo, se não foi para o pressionar no sentido da satisfação desse pedido?

E não. A resposta de que fez com aquele pedido o que faz com todos não colhe. Aquele já tinha uma resposta.

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