É tudo uma questão de amor

João Miguel Tavares não consegue enganar ninguém, por mais que tente: estava fascinado por José Sócrates. Quem ler o seu artigo de hoje no Público, e ainda tivesse dúvidas de não ser amor mas ódio o que verdadeiramente sente, talvez perceba finalmente este processo mental, a bem dizer, não muito complicado.

Assim, Pedro Nuno Santos é perigoso porque é como Sócrates – um fazedor e reformista que deixou a direita fascinada, incrédula e roída de inveja. Com a vantagem, para Pedro Nuno, de não ter uma mãe falsamente rica, mas um pai legalmente rico. Irá ultrapassar Costa, tal como Sócrates suplantou Guterres. Diz Tavares. E não diz mal. Adiante digo porquê.

Tavares dixit:

“Aquilo que Pedro Nuno Santos aprendeu com Sócrates

Deixem-me esclarecer que a mãe muito rica de José Sócrates nunca existiu, mas o pai muito rico de Pedro Nuno Santos existe mesmo. Ou seja, não é ao Sócrates ensombrado pelo espectro da corrupção que me interessa comparar Pedro Nuno, mas sim ao outro Sócrates, o voluntarista e empreendedor – o Sócrates obcecado com a acção, que durante os seus dois primeiros anos de governo (de 2005 ao início de 2007) procurou reformar o país e manteve boa parte da direita presa pelo beicinho, impressionada com a sua coragem e energia. Dizia-se então que Sócrates estava muito mais próximo de Cavaco do que de Guterres.” […]

E a análise prossegue com conselhos a Montenegro.

Ó Tavares, espero que sim! Que o PNS queira fazer coisas. A bem de todos. Tem condições que Costa não teve: o pós-Troika foi orçamentalmente difícil e com dois parceiros parlamentares economicamente retrógrados do lado esquerdo, mas foi um sucesso; os mesmos parceiros e o céu que nos caiu em cima com o surgimento da pandemia, que deixou os países paralisados e as finanças ameaçadas; também vencida; e a crise energética provocada pela invasão da Ucrânia e a guerra que se seguiu, acompanhada de uma subida da inflação inesperada, que deixou todos novamente em stress e inseguros. Também, para já, superada. Enfim, foram oito anos exigentes e de intenso trabalho, para dizer o mínimo.

Perguntar, como os direitolas se atrevem a fazer, “mas afinal o que fez o Costa? Nada que se veja, não é?”

Vá lá, tem as contas controladas e a dívida muito reduzida. Venceu a inflação e aumentou os rendimentos. “Mas e a saúde? E a educação?”

 

Ah, sim , o SIM e mais a FNAM, nos médicos, e também o STOP, nos professores: tudo na rua, não é? Porque a maioria absoluta é a situação ideal para derrubar um governo democrático. Com a ajuda prestimosa de Sua Excelência o Comentador de Belém. Ah, e do Ministério Público. Conseguiram.

Pedro Nuno tem coisas para fazer, sim. Sem pós-Troika (pós-trauma?), sem pandemia e sem inflação será sem dúvida mais fácil “desconsiderar” António Costa e a sua governação. Oxalá o “desconsidere” por essas razões. Oxalá lá chegue e lá faça. Seria bom sinal do andamento do mundo.

16 thoughts on “É tudo uma questão de amor”

  1. que título insolente, Penélope. não creio que se possa amar com ódio, essa é mais uma herança intelectual que hei-de sempre combater.

  2. “Venceu a inflação…”

    Venceu a inflação? Mas é possível escrever barbaridades destas sem que os teclados se revoltem? Alguém invente uma forma de os teclados e os smartphones disferirem choques elétricos à malta que escreve coisas destas.

    Vai mazé ao supermercado, pá! Gastar o rendimento que o Costa te aumentou!

  3. Zé Manel: A inflação em Portugal não é agora inferior à da maioria dos países europeus? Não está perto dos desejáveis 2%?

  4. E foi o Costa que a derrotou?
    Tens ido ao supermercado?
    O teu rendimento aumento quanto?
    E já agora 2% é desejável para quem, porquê e até quando?
    Não percebes que dizer que o Costa derrotou a inflação é o mesmo que dizer que o Costa provoca incêndios ou o Costa cria emprego ou que no dia em que o Costa nasceu uma estrela nova surgiu no céu?

  5. Os preços das coisas que se consomem (despesas) aumentaram.
    Os rendimentos dos pobres (RSI), pensionistas, dos 600.000 funcionários públicos aumentaram, e o ordenado mínimo passou de 505€ para 800€ .
    O Passos diminuiu os rendimentos dos pobres (RSI), pensionistas, e funcionários públicos, e a Dívida em vez de diminuir aumentou, 101% do PIB para 134%.
    De quem é a culpa dos preços das coisas que se consomem subirem?
    De quem é a culpa de aumentar em vez de diminuir o salário mínimo, os rendimentos dos pobres (RSI), pensionistas e funcionários públicos?
    O País só pode distribuir aquilo que tem.

  6. Sócrates não é uma personagem odiosa?
    Sócrates não é a inspiração escondida de um PS que agora não o conhece, onde estão Silvas Pereiras, Galambas e sim, Pedros Nunos?

    E o PS ter uma ponta de vergonha e não se sentir dono do regime, pode ser? (“Seria bom sinal do andamento do mundo.” )

  7. sim , costa fez muita coisa que se vê , como tendas de campanha na almirante reis. bairros de pano em plena lisboa , um feito.

  8. Miguel Elias: E você ter uma ponta de vergonha, não ser reles e ordinário e não insultar pessoas que de nada estão acusadas, como o Pedro Silva Pereira, o João Galamba e o Pedro Nuno Santos?

  9. Ainda mais um ponto para reflexão.
    Eles atiram- se ao Sócrates como se este fosse um cão raivoso.
    Já foi condenado pela opinião pública.
    Já foi condenado pelo cm.
    Já foi condenado pela tvi.
    Já foi condenado pela cm tv.
    Já foi condenado pela cnn
    Já foi condenado pela moura guedes.
    Já foi condenado pelo rodrigues dos santos.
    Já foi condenado pela felgueiras.
    Já foi condenado por este vil jmt.
    Já foi condenado pelo gomes ferreira.
    Já foi condenado por…
    E por.
    E por
    E por.
    Curiosamente, ainda NÃO FOI ACUSADO DE NADA pela nossa justiça

  10. Penélope, está muito vidrada no receio da “acusação”, calma. Veja lá bem se acusei esses lugares tenentes de alguma coisa? O que disse e reitero é que foram (e desconfio que em alguns casos são) inspirados ( idolatras) dessa personagem odiosa e nefasta que agora o PS não conhece.
    Já agora, reles e ordinária é a sua tentativa leninista de me acusar exatamente do que está a fazer.

  11. Miguel Elias: “Personagem odiosa e nefasta” que toda a direita admirava e invejava, e não necessariamente pelas suas políticas, que não eram nada “de direita”.

  12. Penélope, “toda a direita admirava”, é obra. E mesmo que alguma direita o admirasse (para ai no 1º primeiro ano), depressa o grande embusteiro se revelou e se tornou consensualmente nefasto, até hoje para o PS.

  13. Penélope, a admiração e a inveja – da boa – produzem bem querer e bem fazer. ficas, portanto, proibida por mim de usares gratuita e execravelmente a palavra amor nessas questões que trazes a lume. deverás ainda, como castigo, e sendo gentil, reduzir à dose de chá. de chá de parreira; no que ao Miguel M. Elias diz respeito, vou tratar de lhe encerrar a adega e de lhe limpar os beiços tingidos de pipas chupadas. !ai! que riso

  14. Ui!!! Medo! Da série “Quem se mete com o PS leva”, na cabeça de um odioso. Já o criador da frase é pena que não vos tenha deixado doutrina de politico sério, vocês não a quereriam.

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