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Mudam-se os tempos, não muda a vocação

João Miguel Tavares começou a sua ascensão ao estrelato da política-espectáculo em Março de 2009, quando os deuses lhe ofereceram uma decisão de Sócrates que só se explica por ímpeto sentimental, dado que foi uma real estupidez política: queixa-crime de um primeiro-ministro (e logo aquele, naquela altura) por causa de um texto de opinião, o que lhe abriu as portas para a fulgurante carreira como caluniador profissional que exibe pimpão. Quem não passara até então de um palhacito irrelevante da croniqueta via deslumbrado como era tão fácil encher o bolso. De imediato, saltou do DN para o esgoto a céu aberto, e foram-no tirar de lá para que a Sonae continuasse a vingança iniciada em 2007 pelo Zé Manel.

Ele tem um modelo de negócio que implica o recurso a todos os instrumentos da baixa política para continuar a ter valor para quem lhe paga. Assim, é sistemático na perseguição ao PS e serve-se do arsenal blindado na indústria da calúnia para difamar personalidades socialistas e pressionar mediaticamente agentes políticos, institucionais, policiais e judiciais nos casos que as envolvam. Logicamente, precisa de “polémicas” para gerar tráfego e audiências, característica que é típica do registo panfletário que assume a coberto do formato da crónica na imprensa escrita e da tipologia do “humor” na TV. As querelas com outras personalidades do meio político e mediático aumentam o seu valor no mercado, para além de lhe gerarem momentos de êxtase narcísico ao contemplar, a partir do fundo da sua vacuidade, como tantos notáveis lhe dão importância.

No mais recente exemplo desta dinâmica, aparece Luís Aguiar-Conraria – O aborto e a polémica à volta de Almeida Costa: resposta a João Miguel Tavares. Quem ler o que está em causa verá como a fórmula é sempre mesma, com JMT – selectivamente – a colocar-se como defensor do que é aberrante e violento na esperança de que alguém morda o isco. No caso, temos as posições ultrajantes de Almeida Costa sobre a violação e a gravidez. Noutros casos, temos o que já escreveu e disse sobre o Chega, Ventura, Estado Novo, todo o sistema político português. E o Partido Socialista. E Sócrates. E quem teve relações politicas, profissionais e/ou pessoais com Sócrates.

O Luís carimba o texto de JMT como desonesto, acrescentando que o autor não é sério, mas fica a ideia de que a sua resposta é suave. Pressente-se que se conhecem e frequentam, que se estimam como duas vedetas da “opinião”. E que a única razão para lhe responder foi ter sido nomeado desfavoravelmente, caso contrário continuaria a pensar que o artigo em causa era um balde de merda mas nada diria a respeito.

Há uma cumplicidade no ecossistema da política e da imprensa portuguesa, por díspares razões, que explica o sucesso do caluniador profissional pago pelo Público. Accionistas, directores, jornalistas e comentadeiros, na sua enormíssima maioria, gostam do serviço que JMT presta como força de desgaste do PS, cheerleader do passismo e carrasco dos ódios de estimação da pulharia. Daí alguém que enche a boca a dizer que o regime está podre, que “isto é só corruptos”, ter sido escolhido para presidir ao “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. Daí só lhe responderem se tiverem sido beliscados na sua vaidade, caso contrário é uma curtição.

Como teria sido o trajecto de “jornalista” deste Tavares se tivesse à mesma nascido em Portalegre mas na primeira metade do século XX? Leopoldo Nunes mostra como.

Cândida Almeida explica

«A saída de Pinto Monteiro de procurador-geral e a sua saída do DCIAP, com as entradas, respetivamente, de Joana Marques Vidal e Amadeu Guerra, foram vistas na altura como uma oportunidade para o MP ser mais determinado no combate à criminalidade económica e financeira. Faz esse balanço?

Sinceramente, acho que não. Houve uma maior posição e vontade persecutória, mas essa vontade traduzida nos processos deu em absolvições ou decisões condenatórias muito leves. Houve acusações, que não me parece que tivessem sido em maior número mas foram mais mediatizadas, que depois deram em absolvições ou punições muito reduzidas. Vou explicar porquê. Porque não é o facto de o procurador ou procuradora-geral mudarem que muda a lei para o MP e a autonomia que o MP e os seus magistrados têm para investigar.

Agravou-se o problema dos megaprocessos?

Não.

Mas temos um problema com os megaprocessos?

Não temos. O problema tem a ver com os sistemas, os ordenamentos jurídicos de cada país. Portugal é um pais que tem um sistema muito protetor do arguido. Vou fazer a comparação entre o crime económico e financeiro e um homicídio. No homicídio, temos um corpo, as provas que ele nos dá, ou o local do crime. Na acusação temos de dizer "no dia X, às tantas horas, aquela pessoa encontrou-se com outra, depois matou-a voluntária e conscientemente". São meia-dúzia de artigos. E não são precisos cartapácios de anexos com contas. Vamos agora para uma corrupção ou para um processo de abuso de confiança. Tudo isto precisa de documentação, de perícias, tem de se provar, documento a documento, que aquilo não corresponde à verdade. Os megaprocessos são fundamentalmente prova adquirida por perícias e ela exige documentação.

A perceção que temos é de que esses processos se arrastam indefinidamente.

Vamos ver. Normalmente, seria muito estúpido que um corrupto ou um indivíduo que comete um abuso de confiança pusesse o dinheiro em Portugal. Vai colocá-lo em off-shores. Portanto, temos de pedir a colaboração do país para que nos sejam fornecidos os elementos necessários para descobrirmos o percurso do dinheiro. E isto demora muito tempo, porque os países não são obrigados a dar prioridade. Tenho um caso, o dos submarinos, em que pedimos aos colegas alemães durante anos e até hoje não enviaram documentos nenhuns. Eles não são obrigados. Havia um grupo de reflexão e de cooperação ao nível da UE e a certa altura colocou-se a possibilidade de haver uma norma de Direito Europeu dando prioridade aos pedidos dos colegas relativamente a crimes graves. Isso não avançou.»


Fonte

Começa a semana com isto

Este trecho mostra uma situação aparentemente neutra para a maior parte de nós, audiência enfastiada e distraída em Portugal. Ninguém sabe o que se passou entre Amber Heard e Johnny Depp nem existe alguém que perca uma caloria a pensar no assunto (se calhar existe, os outrora fãs do outrora Adónis e quem vista a camisola da Amber ou do Johnny). A dupla de celebridades também não corre o risco de ser associada a Sócrates, a Ricardo Salgado ou à Ucrânia, pelo que é possível usar o seu actual litígio para realçar uma dimensão da Justiça que estes 18 minutos ilustram pedagogicamente.

A Justiça é a impossível aplicação da matemática às relações entre humanos. Impossível porque – ao contrário de outras áreas onde a matemática permite o acesso à realidade económica, sociológica e psicológica por aproximação – a lei institui a aparência de ser objectiva. Pois bem, apesar do rigor e exaustão do texto legal e apesar da eventual recolha de abundantes e legítimas provas, a decisão judicial, em qualquer instância, é sempre subjectiva. Sobre essa subjectividade coloca-se um rochedo granítico chamado Constituição. E a vida continua, a comunidade resiste.

Ora, no vídeo vemos a advogada do galã a interromper sistematicamente o interrogatório que estava a ser feito pela advogada da parte contrária a Heard. A juíza deu-lhe razão na maioria dos casos. Pergunta: tal intervenção de Camille Vasquez contribui para se chegar à melhor decisão judicial possível ou procura o seu oposto? A resposta que dermos define a nossa pessoa cívica.

Revolution through evolution

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Dominguice

Direita e esquerda, em política, só são dois referentes horizontais na ilusão de óptica do semicírculo parlamentar. Conceptualmente, esquerda e direita correspondem a dimensões verticais, nascidas da inevitável hierarquização do poder. Podemos reduzir o poder à energia, para comodidade simplista do argumento, e considerar a “lei do mais forte” como sendo o regime imposto por aquele, indívíduo e/ou grupo, que tem mais energia. Energia física, através do corpo maior ou mais musculado, ou mais rápido, mais ágil. Energia humana, pelo número de indivíduos que comandar. Energia mecânica, através da posse de utensílios, animais e/ou máquinas. Energia explosiva, através de armamento de fogo e rebentação. Energia tecnológica, nascida da energia cognitiva e seus produtos intelectuais. Energia financeira, a qual gera a multiplicação de si própria numa relação directa. Assim, a direita é aquela concepção política que pretende perpetuar em certas minorias a posse ou controlo das fontes de energia; a esquerda é aquela concepção política que pretende colocar nas maiorias a posse, ou o usufruto, das fontes de energia.

Se pensarmos a esquerda e a direita num plano com 3 dimensões, de imediato constatamos a sua perpétua actualidade. E damos razão ao que se lia no topo da porta da primeira escola de ciência política de que há notícia, a Academia de Platão: «Μηδείς ἀγεωμέτρητος εἰσίτω μου τὴν στέγην»

Entretanto em Rilhafoles

"Nós só queremos as oportunidades que o PS teve. O engenheiro Guterres herdou um país no pelotão da frente da Europa, o engenheiro Sócrates herdou um país com os problemas todos resolvidos nas finanças e com uma economia quase a gerar pleno emprego. E agora o doutor Costa herdou o país livre da 'troika' que nós expulsamos de Portugal (...) Desculpem lá, mas isto já começa a ser sorte a mais."


Luminária do passismo
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Costa, cuidador institucional de Marcelo

"O sr. Presidente anunciou está anunciado. Fez certamente bem, é por isso que é Presidente da República. Não condicionamos o timing do uso da palavra pelo sr. Presidente. Entre o Governo e o Presidente da República não há obviamente segredo. A política interna e externa é conduzida pelo Governo, devendo o Governo manter permanentemente informado o Presidente da República. O sr. Presidente conhece desde sempre o que o Governo faz e pensa."


Primeiro-ministro muda a fralda ao xexé de Belém

Cortar a direito

«[o PSD] não admite, em qualquer circunstância dialogar e negociar com forças populistas e extremistas. Consideramos esta uma questão central neste processo de clarificação interna. Em tempo útil, de forma praticamente isolada, o primeiro subscritor desta Moção alertou para os riscos da nossa ambiguidade na relação com o Chega. O resultado das eleições legislativas confirma que tinha razão. Lamentamos que, em 2020, muitos tenham ficado convenientemente calados e, ainda pior, venham agora definir o PSD como “a casa comum dos não socialistas”. Na casa do PSD não cabem racistas, xenófobos e populistas.»

Jorge Moreira da Silva – Moção de Estratégia Global

A direita portuguesa está numa encruzilhada que o trecho acima citado ilustra quanto ao fundamental da questão. Trata-se de ir escolher entre quem quer continuar o passismo – o qual criou e lançou Ventura, e está disposto a levar esse lúmpen de variegadas patologias para o poder – e quem quer salvar o partido de uma anomia que já leva 18 anos de continuada degradação intelectual e ataque à Constituição e ao Estado de direito.

Para se medir o tamanho da façanha que este simpático Jorge abraçou, qual forcado numa pega sem ajudas, basta lembrar as declarações de Cavaco, Passos, Ferreira Leite e demais dirigentes do PSD a favor do acordo feito nos Açores entre o PSD e o Chega. A fina flor deste entulho laranja não só fez pressão para Rui Rio se autodecapitar no meio do Atlântico como se mostraram entusiasmados com o crescimento do Chega. Figuras paradigmaticamente anedóticas da oligarquia reaça, como Maria João Avillez e Jaime Nogueira Pinto, olham para Ventura e vêem uma marioneta ao serviço da sua vingança contra o maldito 25 de Abril.

Até agora, não apareceu ninguém de ninguém no PSD a responsabilizar Passos pela introdução da extrema-direita no Parlamento. Moreira da Silva também não o irá fazer, por todas as razões e mais algumas. Tal não impede que, continuando o que já mostrou em relação ao Chega, venha a ter acções e gestos que o consagrem como vero republicano e insigne estadista. Uma forma de o testar quanto a esse destino é básica: basta pedir-lhe a sua opinião a respeito de Sócrates. Se vier com a tanga da “bancarrota” e for mais um a pôr lenha no auto-de-fé poupa-se tempo e ficamos logo com o retrato pronto para ser arquivado.

O verbo “refundar” aparece cinco vezes na moção deste promissor candidato a presidente do PSD e, portanto, a líder da oposição. E o caso não é para menos, dada a decadência do PSD desde a fuga de Barroso para Bruxelas e para os corredores da alta finança. Porém, como vimos com Rio, declarações de arrebimbomalho e foguetório esperançoso são fáceis de colocar no papel e na pantalha mas tendem a rebentar como bolhas de sabão quando aparece a realidade a reclamar lideranças autênticas. Veremos.

Dominguice

O que vemos do mundo é um fragmento. Esse fragmento está em devir, condenado a desaparecer no instante mesmo em que aparece. Mas quem testemunha o fragmento destinado ao desaparecimento é também apenas e só um fragmento de si próprio. Não sabe de onde veio, para onde vai, porque devém aqui e agora. As profundezas caóticas de nós próprios são-nos inacessíveis, fatalmente fantasiadas com histórias e delírios, som e fúria.

Os deuses choram de inveja desta liberdade, desta alegria.

Sem o Zelensky era tudo mais fácil

«No mesmo dia 9 de Maio, Zelensky resolveu responder à parada da Praça Vermelha desfilando sozinho numa das principais avenidas de Kiev. A cena foi patética: vestido com o habitual uniforme militar, o herói de nenhuma batalha travada, o Churchill da Ucrânia, pop star de todos os Parlamentos e descrito como um génio da comunicação, dizia a Putin que em breve iria ter dois dias da vitória para celebrar contra nenhum do russo. Há um mês, Zelensky desdobrava-se em ofertas de negociações, dizia já ter abdicado da Crimeia e da NATO e acusava o Ocidente de estar a prolongar a guerra à custa da destruição da Ucrânia. Hoje mudou radicalmente: diz que não cederá nem um centímetro de território, que está a lutar contra nazis e que só a vitória lhe interessa. O que mudou, entretanto, foi que a NATO o convenceu de que, com o apoio que não lhe faltaria, ele iria derrotar os russos e entrar para a História como o homem que venceu o Exército Vermelho, mesmo que à custa da destruição da Ucrânia.»


Os bem informados

Prefere ser cúmplice de racistas, xenófobos e salazaristas

«O candidato à liderança do PSD Luís Montenegro promete não descaracterizar o partido ou ultrapassar “linhas nucleares” em relação ao Chega, mas avisa que não será “cúmplice da perpetuação do PS no poder”.

Na proposta de estratégia global entregue esta quinta-feira na sede nacional, intitulada “Acreditar”, o antigo líder parlamentar do PSD refere-se expressamente ao partido Chega no capítulo dedicado ao posicionamento político do PSD.

“Nesse trabalho, de ampliação da nossa base eleitoral, nunca ultrapassaremos as linhas nucleares dos nossos valores e princípios. Mas não contem connosco para distrair o PSD com discussões estéreis a propósito de um imaginário e extemporâneo diálogo com partidos como o Chega. Fazê-lo é fazer um frete ao PS”, afirmou, na única passagem da moção de 66 páginas em que se refere expressamente ao partido liderado por André Ventura.»


Montenegro sobre Chega: “Não vou ser cúmplice da perpetuação do PS no poder”

Negociações à moda de Estaline

Porquê dar importância ao que na Soeiro Pereira Gomes se vai pensando e dizendo acerca da invasão da Ucrânia pela Rússia? Por duas principais razões: (i) o PCP é um partido que já contribuiu e pode (potencialmente) continuar a contribuir para a qualidade da democracia e (ii) porque qualquer manifestação de fanatismo por um partido com representação parlamentar deve ser criticada e combatida.

Neste comunicado – Nos 77 anos da Vitória sobre o Nazi-fascismo – Pela Paz! Não à escalada de confrontação! Não à guerra! – tropeçamos em 15 parágrafos que narram o (quase solitário) triunfo da União Soviética contra os nazis, os quais (ficamos a saber) tinham sido apoiados pelo Reino Unido, França e Estados Unidos da América em ordem a que acontecesse o “ascenso do fascismo, que os grandes grupos económicos e financeiros viam como um instrumento para levar mais longe a sua política de exploração, opressão e domínio.” e também para que Hitler acabasse com a URSS, garante o PCP. 77 anos depois, os comunistas portugueses olham para a Ucrânia e vêem a repetição da História: eis os capitalistas-fascistas ocidentais a apoiar os nazis ucranianos com vista a conseguir destruir a Rússia, a qual tem então de se defender recorrendo a uma “intervenção militar” preventiva em nome da luta contra o imperialismo.

Obviamente, é inútil tentar discutir com quem exibe este grau de delírio. O interesse está antes em aprendermos como pensam os actuais dirigentes do PCP. E eles pensam, e proclamam, que as democracias que ajudem a Ucrânia a defender-se do invasor e a cuidar da sua população massacrada, oprimida e em fuga são – exactamente por isso – entidades que devem ser catalogadas como “nazi-fascistas“. Daí, apesar de não gramarem o Putin, ficarem de peito cheio ao lado do agressor da soberania ucraniana pois a sua violência destrutiva e inumana está dirigida contra o inimigo comum, o “imperialismo“. Os fins a justificarem os meios, portanto.

O PCP não perde uma caloria a lamentar que a Rússia de Putin não tenha optado por negociações e apelos à paz em vez de ter começado os bombardeamentos e mandado avançar os tanques. Pelos vistos, compreende e aceita que Moscovo tenha cagado d’alto nos “princípios da Carta das Nações Unidas e da Acta Final da Conferência de Helsínquia“, coisa só para ocidental cumprir. E agora, já que os russos estão lá dentro, o PCP faz claque para que a malta aceite o facto consumado e ofereça o que der na gana de Putin reclamar. São as “negociações” à moda de Estaline, um dos bravos que manteve uma parte do Mundo a salvo do “imperialismo“.

Como seria um Governo português só com ministros deste PCP? Quantas horas levariam, após a tomada de posse, a ameaçar os “nazi-fascistas” da União Europeia e dos EUA com “intervenções militares” preventivas em nome da “cooperação e amizade entre todos os povos do mundo“?

Linchamento de regime

«Igualmente indiciado está, para o Tribunal da Relação de Lisboa, que foi por solicitação de Carlos Alexandre que Maria Teresa Santos fora transferida para o "Ticão", por ter mais experiência e não por, como alega José Sócrates, ser "próxima" daquele juiz.

Para Jorge Antunes, nada mais ficou indiciado, incluindo uma "atuação dolosa" e o alegado"conluio" entre os arguidos com "a intenção de prejudicar" o antigo primeiro-ministro. "A versão do assistente [José Sócrates] não se mostra minimamente fundada, sendo aliás incongruente e inconciliável [com o que foi apurado]", acrescentou o magistrado.

O juiz desembargador decidiu, por isso, não mandar Carlos Alexandre e Maria Teresa Santos para um julgamento, que, no seu entender, só poderia culminar numa "absolvição". "Perante o acervo probatório recolhido, não é de todo provável que o tribunal de julgamento se convença, para além de toda a dúvida razoável, dos factos imputados pelo assistente aos arguidos", concluiu Jorge Antunes.»

Tribunal rejeita pedido de Sócrates para Carlos Alexandre ser julgado

Para este juiz, Jorge Antunes, é irrazoável admitir que pudesse existir em Carlos Alexandre uma “intenção de prejudicar” José Sócrates, mesmo apesar de ser factual, extenso, profundo e ostensivo o real prejuízo causado por Carlos Alexandre a José Sócrates, assim violando o seu dever, a deontologia e o Estado de direito.

Já com Sócrates, todo o sistema judicial, todo o sistema político e toda a comunidade considera razoável a violação dos seu direitos e a sua condenação na praça pública por corrupção quando ninguém de ninguém é capaz de provar o mínimo acto de corrupção.

O silêncio de chumbo que se impõe na comunicação social sobre esta parte da Operação Marquês, em que se expõe um dos mecanismos pelos quais a Justiça foi fonte de injustiça, inscreve na História que se fez de Sócrates o alvo de um linchamento de regime.