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Marcelo Ângela Silva de Sousa

“Há que manter a confiança e estabilização e o aproveitamento de fatores externos”

Fonte

Marcelo afundou-se na completa irrelevância. Tornou-se, para os impérios mediáticos da direita, num familiar incómodo que só diz disparates e inconveniências de muito mau gosto nas festas. Todos fogem agora dele. Injusto? Justíssimo.

Qual a credibilidade de vir apelar à “confiança e estabilização” depois de ter andado perto de um ano a ameaçar semanalmente abrir uma crise política insana e brutal com a dissolução de uma Assembleia com maioria absoluta do partido do Governo, e estando esse Governo no início do seu mandato, e não havendo qualquer alternativa sequer viável quanto mais desejada pelo eleitorado? É que nem os malucos lhe dão razão.

Resta-lhe a Ângela. Uma artista capaz destes números:

“Não seria bom que num ciclo de potencial estabilidade, se seguisse um ciclo formado por mini-ciclos governativos, com fragmentação”, afirmou Marcelo, sublinhando que a sua "preocupação vem desde 2018” mas “está mais evidente”.

O Presidente não explica porquê, mas nas entrelinhas do discurso que levou à plateia de economistas está um óbvio défice de confiança na capacidade de o PSD conseguir liderar uma alternativa de direita estável. Coisa que aponta como vital, até para que não continuem pendentes e a marcar passo dossiés estruturantes para o país.

O Presidente nem precisa de explicar seja o que for. Manda umas patacoadas para o ar e a Ângela, especialista em entrelinhas, trata de publicar a interpretação oficial — devidamente sublinhada a negrito que é para a malta do PSD saber o que anotar e tomar providências. Estão muito bem um para o outro.

Entrar pela porta pequena

Enquanto que a invasão da Ucrânia pela Rússia não levanta dilemas ou paradoxos morais, o conflito entre Israel e os palestinianos é um nó górdio de responsabilidades mútuas que impede um julgamento moral imediato sobre os acontecimentos de 7 de Outubro e dias seguintes — aliás, sobre toda a história desse conflito desde 14 de Maio de 1948.

No caso da Ucrânia, o invasor é criminoso e todos os seus actos e retórica respectiva são manifestações de intenções e planos criminosos. Aqueles que defendem o direito de Putin a invadir, destruir e matar num país soberano que não atacou a Rússia têm de recorrer a narrativas esquizóides e delírios dementes para manterem a coerência da sua identidade fanática. Aqueles que defendem o direito dos ucranianos a defenderem-se do invasor criminoso, o direito a defenderem a sua vida e propriedade, não precisam de violentar a consciência para relatarem o que testemunham. A invasão é moralmente cristalina, só tem um responsável.

No caso do conflito entre Israel e os palestinianos, qualquer acto de violência remete para uma série de violências anteriores de ambas as partes, cada uma delas e todas ilegítimas por não serem pacíficas — muitas inumanas. Daí a polémica com as palavras de Guterres, onde estamos perante o clássico confronto entre a deontologia e o consequencialismo. Visto pelo primeiro critério, o 7 de Outubro foi uma acção terrorista cujo significado remete para as tentativas de extermínio do povo judeu ocorridas no passado. O mero silêncio perante esses crimes arrisca a ser visto como cumplicidade com o abominável. Visto pelo segundo critério, o 7 de Outubro nasce de um contexto e deve servir para mudar esse contexto. A sua utilização, ou mera referência, como meio para a paz corre igualmente o risco de ser visto como aceitação do abominável para a táctica militar e a estratégia política.

O facto de Guterres ter ousado ser diplomaticamente incorrecto ou até escandaloso, assumindo o dilema que a situação gera em quem for intelectualmente honesto, pode ser visto como um erro crasso e indelével na sua carreira ou, simetricamente, como o pináculo de um mandato na ONU onde, para variar, temos um secretário-geral que honra a natureza humana. Aquela natureza humana que ama a natureza humana.

Começa a semana com isto

Visita Guiada — Leal Conselheiro, Biblioteca Nacional de França, Paris

NOTA

O relato autobiográfico pormenorizado, com detalhes subjectivos e etnográficos preciosos, da depressão de um rei do século XV bastaria para inscrever esta obra na história universal da literatura. Mas, para o leitor curioso, e para diversos investigadores e seus diversos saberes, o Leal Conselheiro é muito mais.

Por exemplo, é um manual de formação de chefes inteligentes. É um manifesto a favor da alta educação. E é um testemunho amoroso acerca da influência da família, uma família carismática, no destino intelectual, moral e cognitivo dos seus príncipes e infantes (mesmo que sejam todos, pais e filhos, da plebe).

Revolution through evolution

Challenging prehistoric gender roles: Research finds that women were hunters, too
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For relationship maintenance, accurate perception of partner’s behavior is key
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Familiarity breeds contempt for moral failings
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‘I’d rather not know’: Why we choose ignorance
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Genetic risk scores not useful in predicting disease
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Fruit fly serenade: Neuroscientists decode their tiny mating song
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How to tell if your boss is a ‘corporate psychopath’
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Dominguice

Nunca sabemos o que se passa. Há quem oculte informação por interesse próprio, como o criminoso e o oportunista. Há quem opere secretamente por necessidade metodológica, como o militar e o diplomata. Há quem conte uma versão enviesada e parcial, como o político e o jornalista. Daí não sabermos o que se passa na Ucrânia, em Gaza e na casa da minha vizinha do 4º andar. Daí não sabermos o que se passou ontem nem o que se vai passar amanhã.

A diferença entre o estado onírico e o vígil não é relativa ao conhecimento. É antes do domínio das sensações. Sente-se muito melhor a realidade e seus sonhos se acordados.

Anáfora

E falando sobre um homem que ainda está ligado à TAP, João Galamba é um ativo tóxico no Governo, neste momento?

Não. Passou.

E não tem consequências?

Não estou a ver consequências. Está completamente desagendado, já ninguém fala nisso. Não há a mínima cobertura mediática em relação a esse tema. O tema do João Galamba ficou muito bem resolvido naquela noite em que o primeiro-ministro desceu as escadarias da residência oficial, chegou ao pé do microfone e disse "olhe, não mudo". Isso ficou resolvido. Toda a gente percebeu. Está tudo bem com o João Galamba.

Foi teimosia do primeiro-ministro?

Podemos também perguntar: e se ele estivesse a ir atrás da conversa do Presidente da República não se podia dizer também que era teimosia do Presidente da República?

Acha que devia haver a remodelação de que tanto se fala? Esta fase do pós-Orçamento do Estado é uma boa altura para isso?

Não vejo nenhuma razão, pelo contrário. Não há resistências em relação ao Governo, a não ser as normais, está tudo normal. Já não há casos e casinhos há 6 meses, a comissão de inquérito da TAP acabou há 3 ou 4 meses. Tem sido tudo na maior normalidade, regularidade.


Entrevista a Luís Paixão Martins

Catacrese

O livro tem muitos momentos em que critica os jornalistas, incluindo a falta de espírito crítico e também a falta de capacidade de reconhecer que erraram, nomeadamente na análise e nas sondagens. Acha que os jornalistas desconhecem o mundo das sondagens e a maneira perversa como podem ser usadas?

Acho, sobretudo, que os jornalistas estão pouco preocupados com a sua reputação. Estão muito preocupados com as reputações dos políticos, dos empresários, até dos populistas e muito pouco preocupados com a sua reputação. Os jornalistas e os meios de comunicação social acham-se superiores a isso, acham que não têm de dar explicações ao público. Nas eleições legislativas foi um desastre a cobertura mediática das sondagens. Os erros das sondagens da última semana, relativamente ao total, foram de 10 pontos, 12 pontos, 14 pontos. E não houve uma única autocrítica. Não houve um movimento, uma plataforma, qualquer coisa, que levasse as pessoas a rever processos, a analisar processos.


Entrevista a Luís Paixão Martins

Eufemismos

Que consequências políticas pode ter esse enfraquecimento político de Marcelo Rebelo de Sousa?

Não acho que seja muito positivo para o país, não é? Estou a constatar um dado. Há um aspeto que é muito interessante. O Presidente da República tem uma relação com os portugueses de afetividade muito interessante. Isso continua, não tem mácula nenhuma, mas é um Presidente que fica muito capturado pelas palavras. Produz muita comunicação. Dá a ideia que nem sempre a pondera demasiadamente e isso acaba por lhe tornar a palavra menos poderosa. O Presidente da República só tem dois poderes em Portugal. Um é dissolver a Assembleia da República e corre o risco de o resultado eleitoral não ser muito diferente do atual. E o outro é o poder da palavra.

E o Presidente da República banalizou-a?

É, gastou muito a capacidade de intervir na vida portuguesa através da palavra.


Entrevista a Luís Paixão Martins

Revolution through evolution

Hostile sexism linked to less responsive parenting
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Young children who are close to their parents are more likely to grow up kind, helpful and ‘prosocial’
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Soccer goalies process the world differently, muti-sensory integration tests show
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Private renting is making you age faster
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Why Is Democracy So Elusive in the Oil-Rich Middle East?
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Fresh light shed on mystery of infant consciousness
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Could a new law of physics support the idea we’re living in a computer simulation?
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Dominguice

Podemos associar a inteligência à bondade? Dois berbicachos iniciais, talvez insuperáveis. O que é a inteligência? E que raio será a bondade? Claro, não faltam definições reputadas de gente com obra para o primeiro conceito. Como não faltam definições desvairadas de gente com o seu ponto de vista, a sua circunstância, para o segundo. A inteligência pode ser usada para causar o mal absoluto. A bondade vista como a realização do interesse de um pode corresponder ao prejuízo para o interesse de outro. Abrindo uma passagem nesta selva à catanada, bute ligar a inteligência à sobrevivência dos organismos complexos. Quão mais inteligentes, mais complexos no seu comportamento. No caso dos humanos, a nossa complexidade biológica tornou-se fonte de complexidade cultural, acabando esta por se tornar fonte de complexidade material, ecológica e cósmica. Indo por aqui, a inteligência será tudo aquilo que aumente a complexidade. Parece um avanço quase irrisório na questão mas talvez seja decisivo se saltarmos agora para a bondade. A bondade mais simples, mais básica, será a mais imediata, definindo-se como adjectivação de tudo o que sirva a sobrevivência do organismo individual ou do seu grupo filial. A partir deste núcleo, vemos a bondade a aumentar de complexidade ao aumentar a complexidade dos grupos humanos. Da tribo à cidade, da tradição local aos direitos universais, há um trajecto em que a bondade se vai continuamente redefinindo cultural, política, social e pessoalmente. E sempre com esta lógica: o que é bom não passa de um melhor que.

Conseguir comparar dois bens, e dois males, e pesar as suas diferenças, as suas consequências, escolhendo o bem maior e o mal menor, eis o que o estúpido não consegue fazer. Pela complexidade é que vamos — para o melhor possível.

Ou esta: “não sejas demasiado justo, nem te tornes sábio de mais”

A situação de Israel na sua relação com os palestinianos causa a este observador distante na velha Lísbia, apaixonado pela cidade, um permanente estado de conflito moral. Culturalmente, a identificação é com a nação e cultura judaicas por razões de fundo etnográfico comum e modelos sócio-políticos similares. Civilizacionalmente, os palestinianos têm o mesmo direito que os israelitas a viverem num território de que sejam soberanos, sem margem para qualquer relativismo.

O ponto final do parágrafo anterior marca o limite da minha capacidade analítica no plano da História. A origem do país Israel confunde-se indistintamente com os séculos e milénios em que os povos da Europa foram a força política e militar mais decisiva naquela parte do Mundo. E esse nascimento tem uma relação directa com o Holocausto nazi. A violência que se abateu sobre os judeus até aos dias de hoje, começando pela invasão de Nabucodonosor só para ter uma data inicial qualquer e prosseguindo com o sistémico e ubíquo antissemitismo, é impossível sequer de elencar. Donde, quando são os israelitas a violentarem os palestinianos o risco moral é o da duplicidade, essa pulsão de encontrar justificações verbalizadas ou silentes para o que deve ser denunciado como abuso e crime.

No que tem sido, e não parece poder deixar de ser, uma guerra de vida ou de morte sem possível compromisso, ficar calado é sensato. Mas só porque a probabilidade de se largar uma obscena inanidade é altíssima. A ter de dizer alguma coisa, que seja esta: “debaixo do sol não há nenhuma novidade”.

Chalupices

«Campeão do Mundo em K2 500 metros no Mundial que decorreu em agosto último em Duisburgo, na Alemanha, juntamente com Messias Baptista, o canoísta português João Ribeiro veio esta quinta-feira a público questionar a dualidade de critérios que diz existir na Presidência portuguesa no que toca a condecoração de atletas de alta competição.

A demagogia faz parte da sociedade, é inato do ser humano que de uma maneira irracional leva a uma constante procura da aprovação do outro, estranho é quando de uma maneira racional e lógica comete-se erros na governação de uma sociedade, que só por si é injusta pelas oportunidades de uns e a falta de oportunidade de outros. A mentira e oportunismo de em um momento de relevo nacional e internacional dizer que se merece, pelo percurso, pela batalha e constante procurar do melhor resultado para o nosso país e no momento certo não ter a decência de condecorar dois campeões do Mundo“, pode ler-se na mais recente publicação de João Ribeiro no seu perfil oficial do Instagram.

Esta mensagem nas redes sociais surge precisamente no dia em que o presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou o também canoísta Fernando Pimenta e o seu treinador Hélio Lucas no Palácio de Belém, onde ainda recebeu os jogadores da Seleção Nacional de râguebi, fruto do resultado histórico obtido no Mundial de França.»

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