Todos os artigos de Valupi

O sonso

Cavaco Silva tem um perfil passivo-agressivo. Há vários sinais deste comportamento. Mas também podemos resumir tudo à sonsice. Como agora em Viseu. Disse que João Lobo Antunes é uma das figuras mais prestigiadas da medicina portuguesa e um cidadão com comportamento exemplar. Mas porquê dizer que a água é líquida? Para largar o veneno, acrescentando que a polémica à volta de Lobo Antunes é tema de campanha político-partidária. Ora, como o caso foi criado na Presidência da República, temos que Cavaco foi ao Cavaquistão confirmar que pretende atacar o Governo e o PS sem descanso. E que está metido até ao pescoço na campanha político-partidária; que tenta, por todos os meios, influenciar.

É, o cavaquismo não foi um acaso.

Amanhãs que se odeiam

A esquerda imbecil ― actualmente representada pelo PCP, BE e borboletas que saltam de um para o outro conforme o vento ― é mais religiosa do que a Igreja Católica. Porque os católicos aceitam a ciência e advogam o ecumenismo, mesmo que a contragosto, enquanto as seitas marxistas são fundamentalistas e ultramontanas, e fazem gala disso. Em consequência, PCP e BE disputam a posse da verdadeira esquerda. E vão mantendo uma guerra fria feita de picardias melhor ou pior abafadas. A última nasceu com um texto de João Teixeira Lopes. Nele, o bloquista diz várias banalidades, uma delas que entre o PCP e a Máfia a diferença é menor do que entre o Cornetto Love Chocolate e o Cornetto Choc Disc. Isto pedia uma resposta, ou muitas, mas é mais rápido ficar por este espasmo. Vítor Dias começa impecavelmente: Os tontos nunca dizem a verdade. Depois desta entrada a pés juntos, deixou-se tomar pela emoção e nunca mais conseguiu acertar uma, de tão trôpego de raiva estar.

Os camaradas odeiam-se. E pela mais lógica das razões: os tiranos não partilham o poder.

Spartacus e a fruta

Pedro Sales, dedicado censor de serviço no Arrastão, resolveu expor na sua malignidade um poderoso inimigo da revolução, a Carolina Patrocínio. E o que Sales descobriu chega para acabar com ela e com todo o PS: a chavala é esclavagista.

pedro sales escravatura carolina

Talvez um dia este Sales presenteie a Humanidade com a sua definição do que deve dizer uma rapariga para não ser carimbada como tonta imatura e arrogante. Se for um tipo porreiro (e é, não se duvida), fará a destrinça entre tontas imaturas e tontas maturas, ambas arrogantes, e também entre as tontas imaturas e maturas não arrogantes. Vai ser de um gajo ficar tonto, mas vai valer muito a pena. E sublinho pena.

Entretanto, o esclavagismo acaba de entrar no debate eleitoral. A questão impõe-se obrigatória: quantos mais no BE consideram que a Patrocínio obtém a fruta descascada graças ao trabalho escravo? Não nos esqueçamos de que há uns tempos valentes isso tinha um nome: escravatura. [sick] Portanto, está a explicar-nos o Sales, não há cá merdas, estamos mesmo a falar de escravatura, daquela dos tempos valentes. Resta só saber quantos bloquistas ficaram indignados com a situação e estão prontos para lutar contra a extracção de grainhas das uvas, e caroços das cerejas, na casa da menina.

Todavia, e para lá da supina relevância política da denúncia, o Sales está apenas a exibir o seu termómetro. É que estamos em Agosto. Faz um calor de ananases. Tem ainda mais razões para se excitar com a fruta da Carolina.

Bloco Central sem o PSD

Ontem, enquanto ouvia José Miguel Júdice explicar à Ana Lourenço que a estratégia do PSD passa por dizer o menos possível aos portugueses até à votação, pois ao revelar as suas ideias perde votos, ficou claro que o PS tem de se preparar para um Bloco Central sem o PSD; isto é: pedir, insistente e entusiasticamente, nova maioria.

Devem já ser dezenas de milhares os eleitores tradicionalmente votantes no PSD que não poderão, em consciência, dar o voto à desgraça política e intelectual que Ferreira Leite e seu grupo manifestam. Essas dezenas precisam de se transformar em centenas até às eleições. E garantir que o PS tenha de novo condições para continuar o que teve apenas dois anos e meio para fazer: governar para o bem comum.

Planta o teu velho numa TV

Coincidiu com a chegada ao poder da areté de Sócrates a queda da folha geracional. A geração que em 74 estava no fulgor vitalista, a virar para os trinta, trintões pujantes, e quarentões aí para as curvas e regaços, está agora nos 60, 70 e 80. Estão velhos, fartos, azedos. E por excelentes razões: o tempo não volta para trás. Porém, se voltasse, eles iriam repetir o que fizeram, o qual consistiu em encher a pança ― a própria, a da família e a dos amigos. Por isso, ao falarem do presente, da situação, dos que governam, eles limitam-se a imaginar que são todos iguais, que se faz agora o que eles fizeram antes. A única diferença é a de que neste tempo, por se verem acabados, permitem-se falar no assunto; enquanto nos 30 anos anteriores eram cobardes ou gulosos demais para denunciar fosse o que fosse. Há excepções? Inúmeras, mas essas quase que não aparecem na TV.

Na TV aparecem omnipresentes o Pacheco, o Crespo e o Medina. São três variações da caducidade, entre tantas outras, cada uma com encantos próprios. A mais espectacular é a do Medina. E a última edição dos Negócios da Semana fica como um Nec plus ultra.

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Embuçado

Aquilo do 31 da bandeira começou bem. Aposto que deve ser uma ideia já com vetustas e aristocráticas barbas. Talvez seja conversa de família séria, daquelas com senhores de bigode de ponta acerada. Fantasia muito glosada em copiosos jantares copofónicos. E a banhos nos Algarves. Até que alguns bravos pensaram: esta cena é youtubesca, é moderna, é toda nossa. E lá vai alho, escadote e filmezinho.

Mas pensemos. Pensemos nisto de estarem a pedir para brincarmos. Nessa pedinchice para vermos no roubo da bandeira de Lisboa, e precisamente do local mais nobre do Município, apenas uma brincadeira. E para alinharmos na brincadeira. Na brincadeira deles. Para a qual não nos convidaram. Mas pela alminha de quem é que eu vou achar piada a que se roube a bandeira de Lisboa, nem que seja por 5 minutos? Monárquicos sim, palonços não.

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Para quando a entrada no século XXI?

O Bloco, pela voz de Helena Pinto, veio dizer que:

Infelizmente, este ligeiro recuo na queda do crescimento da economia não altera o quadro geral de profunda crise que o país ainda vive, não são estas três décimas que vêm alterar este quadro.

Começa por ser um truísmo. Mas rapidamente se desvela como palimpsesto. O BE está a falar de uma notícia apenas para passar mensagens demagógicas. A informação nem sequer é respeitada na sua objectividade e relevância, no que permite entender e perspectivar das dificuldades económicas nacionais e internacionais, antes se distorce até conseguir ficar conforme à promessa: vota Bloco se achas que o Estado te deve dar dinheiro.

Na sua génese, o BE tem um grupo que se designava Política XXI. Pelos vistos, não têm grande poder lá dentro. Porque este modo sistematicamente demagógico, populista, sofístico de fazer oposição é tudo menos adequado ao século. Claro que 3 décimas não acabam com a crise, mas as mesmas 3 décimas, ou menos, poderiam servir para o Bloco decretar o agravamento da crise, a desgraça do País, o desespero do PS, Governo e Sócrates. Bastaria que elas fossem negativas ― e, de imediato, entrariam em palco taxativas, superlativas, magníficas.

O Bloco sabe que o seu produto se dirige a um público-alvo composto de fanáticos e ignorantes. Tropa-fandanga que vai ter muita dificuldade em abandonar o século XX, uns, o XIX, outros.

Até os cancerosos, Zé Manel?

Ontem o Público conseguiu fazer um truque que merecia ser estudado, ficando só a dúvida quanto ao local da investigação: se em escolas de jornalismo e comunicação social, se em seminários de
ética, se em cursos de psiquiatria, se em congressos de veterinária. Tratou-se de dar título à notícia que anunciava a redução do número de pacientes em listas de espera, e também do tempo respectivo. Eis o que foi escolhido pelo diário de referência pago pela SONAE:

Tempo médio de espera para uma cirurgia é de quase três meses e meio

Hoje, milagrosamente, alguém deve ter olhado para um espelho e corou de vergonha. E apagaram, trocando o título por um outro que se limita a dizer a verdade. Talvez um dia se saiba quem foi o herói que conseguiu levar o Público a aceitar fazer jornalismo em condições tão adversas para a agenda do Zé Manel.

Que se passa?!

Já passa do meio-dia, daqui a um bocado tenho de ir almoçar, e ainda não ouvi ou li alguém da oposição a queixar-se de que este Governo só trabalha para as estatísticas e que Sócrates é o grande culpado pela surpreendente recuperação económica em Portugal, França e Alemanha no último trimestre; e ainda pela não menos surpreendente vitória de Portugal contra o Liechtenstein, uma equipa surpreendentemente equivalente à dinamarquesa, revelação surpreendente do surpreendente Queiroz. É que se esta falcatruagem dos números continua, ainda corremos o risco de ver as exportações a aumentar, o desemprego a diminuir e as grandes obras a ficarem cada vez mais justificadas. E depois eu quero ver como é que Portugal vai resistir a tanto desenvolvimento.

E já agora, e se não incomodar muito, façam política com as pessoas, ok?

Desesperante

“isso mostra-nos o desespero em que está o PS”26 de Julho de 2009

Louçã: “Traficâncias de Sócrates mostram desespero”25 de Julho de 2009

O discurso do PS sobre a maioria absoluta e a instabilidade «é uma chantagem de quem está desesperado»21 de Junho de 2009

As pessoas estão numa situação desesperada21 de Junho de 2009

Portugal está desesperado21 de Junho de 2009

Estão desesperados21 de Junho de 2009

Acomodar-se ao desespero12 de Junho de 2009

Louçã: “O primeiro-ministro está a desesperar com o crescimento do Bloco”12 de Maio de 2009

Louçã acusa Partido Socialista de estar desesperado com a Esquerda1 de Março de 2009

“desesperados com a esquerda”28 de Fevereiro de 2009

Desespera o congresso unanimista28 de Fevereiro de 2009

Estratégia desesperada do Não9 de Fevereiro de 2007

Desesperado e nervosíssimo20 de Janeiro de 2006

Louçã acusa PS de desesperar e confundir eleitores 9 de Janeiro de 2006

Frase de completo desespero22 de Dezembro de 2005

A direita está «desesperada»2 de Fevereiro de 2005

“coligação de desesperados”28 de Novembro de 2004

Quinto Império

As brasileiras estão a repovoar Portugal. Nada de mais justo. Os africanos também, com as nativas. Polvilhando com genes de Leste, e um cheirinho chinoca, daqui por 10-15-20 anos vamos ter uma mestiçagem que nos dará alegrias no desporto, encantos na passarela e consolos na academia.

Já era tempo de se começarem a contar estas histórias de amores e de vida. Já era tempo de conhecermos melhor os nossos vizinhos, amantes e filhos.

Lelé da cuca

A ser verdade o que esta notícia relata (e é), Ferreira Leite não tem condições psicológicas, ou cognitivas, para ser Presidente do PSD, nem voltar a fazer parte de um alto cargo no Estado. Repare-se:

Fico até sensibilizada com esse facto, nunca vi em relação a nenhum outro partido tanto escrutínio em relação às listas, eu fico orgulhosa com isso, significa que o PSD neste momento é uma verdadeira alternativa.

Isto é apenas o aquecimento, estamos perante uma reacção tipicamente infantil, de escola primária. A senhora tem o partido dilacerado, a ferro e fogo, em guerra civil, com passarões como Marcelo a dizer que há merda da grossa, e ela consegue fazer uma imitação muito credível de um estado esquizóide. Mas ainda não é matéria clínica. Isso vem a seguir:

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Bute aí dizer verdades

Não sei quem é o responsável pela comunicação da campanha do PSD, muito menos quanto ganha, mas sei que está a ganhar demais, mesmo que esteja a trabalhar à borla. Veja-se esta real bosta:

prometam só o que podem cumprirfaçam política com as pessoasolhem por quem mais precisaportugal não pode ficar hipotecado

Para isto ter conhecido a luz do dia, magotes de cérebros sociais-democratas deram instruções nervosas a magotes de músculos no pescoço em ordem a produzir um movimento vertical de assentimento às suas cabeças. E lá saiu o mais recente manifesto do atrofio nacional. Estamos perante quatro mensagens que retratam o futuro de Portugal se visto por uma clarabóia de um prédio de 2 andares na Lapa. É o ai Jesus que estamos falidos e desorientados, agarrem-se que vamos a pique em direcção ao inferno.

A minha mensagem preferida é Façam política com as pessoas. Gostava de falar com o seu autor, em alternativa com as pessoas dentro do PSD que acharam por bem lançar esse repto às pessoas fora do PSD. Gostava de compreender. No fundo, gostava de conseguir passar pelo cartaz e não sentir esta sufocante culpa. Quem é que não está a fazer política com as pessoas? E andam a fazer politica com o quê, em vez das pessoas? E que podemos fazer para acabar com isso? A problemática aflige-me uns minutos todos os dias.

Terem feito quatro cartazes que se distinguem apenas pelo inane conteúdo verbal, e onde a Manela aparece como uma avantesma, vai bem com a realidade deste partido: é a crise da social-democracia à portuguesa, a falência da inteligência política.

Silly monarchy

A brincadeira-crime da bandeira foi um sucesso. O 31 da Armada lidera agora a notoriedade da blogosfera portuguesa. E fez história.

O que nos leva para a pergunta: serão os actuais monárquicos incapazes de fazer História? Porque este roubo de património municipal (espremida, é a isto que se resume a acção) é apenas uma palhaçada. E uma palhaçada antimonárquica, precisamente por consistir na destituição da bandeira de Lisboa. Alguém lhes devia ter explicado que o municipalismo pertence ao ideário da causa Real, como Agostinho da Silva explicava a quem tinha a sorte de o conseguir ouvir ou ler. Se queriam marcar uma posição cívica, tinham colocado a bandeira da monarquia junto com a de Lisboa; ou acima, para o folclore. Fazendo a troca, arriando e roubando um dos símbolos de Lisboa, provaram que não passam de tontinhos.

A monarquia não é para cabeças de plástico.

Miscelânea

Can Graphic Design Make You Cry?

Temptation More Powerful Than Individuals Realize

Greenroofs Can Save Cities Millions Of Gallons Of Water *

Does This Avatar Make Me Look Fat?

2-Minute Memoir: Crazy Love **

Emotional Healing and the Automatic Defense System

Twenty-Three Phrases to Help You Fight Right ***

How to Ask Better Questions

Dogs’ Intelligence On Par With Two-year-old Human, Canine Researcher Says

The Art of Resilience

Compassion Meditation Changes the Brain

Why Groups Fail to Share Information Effectively

The rewards of volunteering

Cooperative Classrooms Lead to Better Friendships, Higher Achievement in Young Adolescents
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* O candidato à Câmara de Lisboa que se comprometer no apoio a esta solução, tem o meu voto.
** Porque ficam algumas mulheres com alguns homens que as vão destruindo no processo de se destruírem? O melhor é deixá-las falar, contar a sua história.
*** Isto treina-se.

Mendes Bota com remédio infalível contra a gripe

Recentemente, Ferreira Leite teve de ficar em casa por causa da gripe atlântica, logo por azar coincidindo com a agendada visita a uma festa, do PSD na Madeira, para a qual não tinha sido convidada no ano passado. Tendo bem presente o prejuízo causado ao PSD e ao País por essa ausência na bebedeira da Lagoa, Mendes Bota decidiu não convidar a Manela para a festa do Pontal, de forma a evitar o contágio pela gripe algarvia. Recorda-se que a senhora faltou no ano passado, apesar de ter sido convidada. Estava com a gripe do mutismo, não conseguiu discursar durante todo o Verão de 2008. Nada disto faz sentido? Pois, mas foi mesmo assim que se passou.

Vários investigadores confirmam o acerto de Bota, recomendando que se siga esse exemplo de contenção do vírus: acabar com os convites à Presidente do PSD, partido que já gripou muito antes da pandemia ter começado.