Isto é bonito:
Benfica, Braga e Porto nos quartos-de-final da Liga Europa
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Mas isto é lindo:
A team of researchers at the Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), Portugal, discovered that […]
Isto é bonito:
Benfica, Braga e Porto nos quartos-de-final da Liga Europa
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Mas isto é lindo:
A team of researchers at the Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), Portugal, discovered that […]
Nesta quinta-feira vamos ter a reedição do psicodrama por que passámos para a aprovação do Orçamento, onde Cavaco forçou o acordo. Na altura, era a sua reeleição que estava na berlinda, e não o interesse nacional – como ficámos a saber com o discurso da tomada de posse, em que contradisse tudo o que tinha andado a defender em relação à estabilidade e acalmia dos mercados.
Agora, temos o líder da oposição a brincar aos poderosos, ele que nem no seu partido tem mão. À sua volta vê uma Europa que admira Portugal, inesperadamente, como um exemplo de resistência à especulação que ataca o euro. E dentro de casa tem todo o tecido económico na dependência da sua decisão, a parada não pode ser maior. Não é só areia a mais para a sua camioneta, é o facto da sua camioneta ter os pneus furados e a bateria nunca ter funcionado. A retórica do coitadinho que está muito magoado com o malcriadão do Primeiro-Ministro apenas serve para alimentar os tontos e os fanáticos, no mundo dos adultos fazem-se contas à vida e reina a mais gélida lucidez.
De maneira que se formos para eleições por causa do PSD, pondo-se em causa o que o Governo negociou com os seus parceiros europeus, Passos Coelho entrará para a História como um dos mais criativos políticos que este país já conheceu. E logo se verá se foi suicida ou genial.
Em resposta aos deputados dos vários partidos que questionam o governante sobre as recentes medidas de austeridade anunciadas na semana passada pelo Governo antes da reunião de sexta-feira em Bruxelas, Teixeira dos Santos defendeu que “deve ser respeitada a autonomia e o poder de iniciativa” do Executivo.
Neste sentido, Teixeira dos Santos entende que “a Assembleia da República não tem o direito de limitar o poder de iniciativa do Governo“, pois “o Governo não está sob tutela e deve ser respeitada a sua autonomia e iniciativa“.
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O que Teixeira dos Santos diz faz parte do b-a-bá constitucional e da cidadania. Vale para qualquer Governo, independentemente da sua composição partidária. E não há situação onde melhor se aplique do que esta da governação europeia em que decisões colectivas afectam os Estados individuais, especialmente quanto está em causa encontrar uma solução para um problema que gravosamente tem ultrapassado a capacidade dessa mesma Europa para o resolver.
Aqueles que apodam esta necessidade de garantir condições de governabilidade como equivalendo a um situacionismo ou tirania estão a perverter o sentido da democracia. Pretender que um Governo legítimo continua a ter de se subalternizar ao Parlamento sem outro critério que não a vontade dessa assembleia é, isso sim, a instituição de uma ditadura – aquela da autocracia parlamentar já ao arrepio do próprio Estado de direito.
Se querem derrubar o Governo no respeito da Lei, façam-no quando vos der na gana. Se querem boicotar a governação porque na gana vos dá, vão-se foder.
A Fernanda tratou do assunto. Fica um sentimento de incredulidade, os episódios absurdos sucedem-se num crescendo. E a comparação com o trapalhão Américo Thomaz não é justa, pois Cavaco é o primeiro Presidente patafísico. Só de pensarmos no potencial de violência que estas palavras transportam para as vítimas involuntárias da guerra, militares e civis, estropiados e traumatizados, a que se junta a angústia das famílias que planeavam mandar os seus filhos menores para o estrangeiro de modo a evitar o alistamento obrigatório, atinge-se um paroxismo nauseabundo.
E pouco mais há a dizer, talvez só recordar dois outros factos. Que as declarações não foram espontâneas, antes escritas para serem proferidas na cerimónia do 50º Aniversário do início da Guerra em África – o que implica que alguém teve tempo para as pensar, depois para as escrever, talvez para as reler ou dar a ler a outros na Casa Civil. E que no infame discurso da tomada de posse não se faz, nem sequer formal ou lateralmente, uma única referência às Forças Armadas – cujos efectivos arriscam a vida, e dão o seu melhor, em diferentes palcos internacionais ao serviço da paz e do nome de Portugal.
Falou-se muito na ausência de contextualização da crise nacional com a europeia e mundial na catilinária de 9 de Março. Era uma prova grosseira da intenção sectária, divisionista e persecutória que enformava todo o discurso. E também se falou da ausência de endosso literário para Camões, Pessoa ou Torga, ou mesmo para Margarida Rebelo Pinto só para irritar a alma eterna de Saramago. Cavaco preferiu citar boletins do Banco de Portugal e sua poesia desconstrutivista. Mas nenhuma figura pública se escandalizou (ou se escandalizou o suficiente…) com a ausência de uma singela palavra para os portugueses que servem o Estado e a Comunidade através das carreiras militares por parte do seu Comandante Supremo na solenidade da sua investidura na Assembleia da República. O que me leva a concluir que já é possível decretar oficialmente que neste país não mora ninguém de direita.
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Rumsfeld, para muitos, devia ser julgado por crimes de guerra. E Jon Stewart, para muitos mais, representa o melhor da esquerda americana enquanto intervenção crítica adentro da indústria da política-espectáculo. Este é o contexto para a curiosa prestação dos dois acima mostrada. De um lado, temos um dos homens mais poderosos à face da Terra, protagonista de uma guerra absurda por ter nascido de mentiras fabricadas pelos Estados Unidos e por continuarmos sem conhecer os seus reais efeitos para a região e para o Mundo. Do outro, temos um dos jornalistas mais acutilantes e militantes, ao ponto de já ter inscrito o seu nome na história da sociologia política. Que resultou? Não é evidente. Tanto pode ter sido um fiasco, como um confronto de génios, como até uma vergonha.
Mas esta certeza podemos ter: estavam muito satisfeitos por se exibirem juntos. Não se vê o menor sinal de ressentimento em Rumsfeld, bem pelo contrário, e o Jon parece que está a discutir com a sua professora primária, cheio de cuidados e mesuras. O que não é necessariamente mau, nem necessariamente bom, mas que seguramente introduz fértil complexidade onde outros apenas admitem o maniqueísmo.
Amanhã, se conseguir vencer as forças hostis do capitalismo e da servidão voluntária, estarei a combater a crise na Cinemateca – exactamente às 19.30 e durante exactamente 70 minutos (quase o mesmo que uma hora e tal). Para tanto, terei de subornar o agente do imperialismo de serviço, oferecendo-lhe dinheiro a troco de protecção legal. Só depois me será permitida a entrada no recinto para uma luta ideológica sem ambiguidades, porque a preto e branco, e sem ruído, porque muda:
A EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA, PECUÁRIA E INDUSTRIAL DE ESTREMOZ NO ANO DE 1927
de Artur Costa de Macedo
Sei bem que estas medidas não são para todos, até porque a sala Luís de Pina só ostenta 47 galhardas cadeiras, o que resulta num total de 94 pessoas a ter lugar sentado e ao colo. Com a ajuda da FENPROF ainda daria para enfiar entre 50 a 200 mil professores para além da lotação, mas não está prevista a presença de algum delegado sindical a essa hora nas redondezas, pelo que é melhor nem se darem ao trabalho de aparecer. Deixem as medidas mais radicais de combate à crise para a vanguarda que papa filmes portugueses dos anos 20, por favor.
Não estava na gigantesca manifestação de apoio ao Governo. Reuniu qualquer coisa entre as 300 mil almas e os 10 milhões de espíritos; não contando com os turistas, uma praga nas zonas do evento. Esta mole, dita dura, saiu à rua para gritar bem alto que está com o Governo e que, sem o Governo, não vamos lá nem saímos daqui. Só o Governo importa porque só o Governo tem a solução. É por isso que cada um dos manifestantes, sem excepção, tem a sua concepção própria, e tão própria, do que o Governo deve fazer para dar a volta a isto, para resolver os problemas, para levar a felicidade ao cidadão.
Um dos aspectos mais bonitos do 12 de Março, para além do ambiente de festa e romaria, foi a perda da virgindade política. Muitos nunca tinham participado numa manifestação, fosse porque são adolescentes ou jovens adultos, fosse porque esta foi publicitada como sendo apartidária e sem sindicatos. A experiência de ser parte de uma comunidade que se corporaliza em massa é entusiasmante, como sabe qualquer adepto de futebol que vá ao estádio. É uma poderosa fonte de endorfinas, a qual se multiplica em novas libertações hormonais de cada vez que se revive o episódio através das imagens ou palavras. Nesse sentido, o protesto de rua com bandeirinha na mão e cantoria pode até ser viciante, como igualmente sabe qualquer militante do PCP ou sindicalista afecto. Se acrescentarmos a estes benefícios as vantagens do exercício físico, temos que a política, afinal, pode ser uma fonte de saúde e alegria. Eis nesta faceta medicinal uma inesperada vitória contra o cinismo e o alheamento cívico.
A grandiosa manifestação de apoio ao Governo causou dois pequenos problemas, contudo. No lado dos revolucionários profissionais, há apreensão com a liberdade daquela malta. Se a moda pega, o negócio que mantêm há décadas corre risco de fechar. Porque eles sabem bem que as manifestações profissionais têm de ser paradas militares onde só desfilam as tropas e as armas escolhidas pelos generais. Somente quem sabe para onde se deve dirigir a História está em condições de escolher as palavras de ordem adequadas ao momento dialéctico da implacável luta de classes. Isto de cada um levar o seu cartãozinho, com a sua frasezinha, é uma perigosa cedência democrática que, no fundo, apenas promove a propriedade e a iniciativa privadas. Não é tolerável na verdadeira esquerda, evidentemente. No lado dos espoliados do pote, há frenesim de revolta. Estão prontos para um golpe de Estado, já que têm a perfeita consciência de não conseguirem encher as ruas com a sua boa e honesta gente. E, também, porque a rua serve é para acelerar ou estacionar, eles preferem o interior de casas de inatacável reputação e melhor arquitectura. Uma parte deste beautiful people alinhou sem complexos no apoio ao Governo, aclamando o enorme sucesso daquela tarde garrida e galhofeira. Outra parte não suporta o cheiro do povo, e foi a contragosto que aplaudiu o trânsito de milhares de indivíduos entre o ponto A e o ponto B (e o C, D e E, no après-manif); mas o ódio a Sócrates a tanto obriga, os tempos estão difíceis.
Os organizadores, merecidamente em absoluto estado de graça, criaram o Fórum das Gerações – 12/3 e o Futuro. A parte mais interessante da manifestação de apoio ao Governo começou.
Foi criado um grupo de auto-ajuda para casos agudos de afastamento do pote, cuja actividade consiste na publicação frenética do emblema do grémio. Desta forma, e bastando apenas 48 horas de contínua aplicação da terapia, cada participante atingirá um estado catatónico que lhe permitirá efectuar os movimentos mínimos necessários à sua subsistência, e à deslocação para o local de trabalho, sem ser acometido por ataques de pânico ao se lembrar de quem dirige os seus partidos.
A quantidade de luz solar que chega à Terra numa hora chegaria para satisfazer as necessidades energéticas do Planeta todo durante um ano. Com o acidente nuclear no Japão a agravar-se e a ter consequências políticas internacionais, talvez a indústria da energia solar antecipe os saltos tecnológicos previstos em consequência de um muito maior investimento.
O começo da edição de Março/Abril já chegou a um monitor perto de ti. E traz uma pergunta aliciante.
Biologists Show How Veggies Work in Cancer-Fighting Diet
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Text Messaging Helps Smokers Break the Habit
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Loss of Plant Diversity Threatens Earth’s Life-Support Systems
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Big Games, Close Scores Lead To More Auto Fatalities For Winning Fans
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What You See Is What You Do: Risky Behaviors Linked to Risk-Glorifying Media Exposure
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Web Use Doesn’t Encourage Belief in Political Rumors, But E-Mail Does
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Passive News Reports May Lead Readers to Feel They Can’t Find the Truth
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How Do People Respond to Being Touched by a Robot?
Pela Avenida da Liberdade, claro. E ainda bem. Olha que nome tão indicado. Liberdade. Mas depois precisa de continuar a andar. Fazer caminho. Isto é, encontrar o caminho. E subir a escadaria de S. Bento. Pois. É algo um bocadinho mais demorado, e difícil, do que os revoltosos profissionais e os viciados em revoluções televisivas vendem nas esquinas. Vais ter de estudar. Muito. Para deixares de ser parvo.
Mas passa por lá, claro. Só pode. A avenida da cidadania. Na liberdade.
A desgraça no Japão aumenta, com a falta de alimentos e bens de primeira necessidade em várias zonas e com a incapacidade para arrefecer os reactores nucleares atingidos pelo colapso do sistema de refrigeração, fora o trauma e o pânico em toda a população. Para cúmulo, o local onde ocorreu nem sequer era o previsto para um sismo de intensidade similar, pelo que se continua a esperar que um outro ponto geológico – sabe-se lá quando – liberte as forças catastróficas que aí vão crescendo.
As boas notícias são estas. Literalmente. A consciência de que o movimento das placas tectónicas e a racionalidade têm uma e a mesma origem: o acaso necessário, o sentido absurdo.
O maior partido da oposição considera que o Governo não respeita as instituições, para além de ser composto por incompetentes e mentirosos logo desde a sua formação. Que o leva a não apresentar uma moção de censura, então? O PSD não quer o melhor para o País? E o melhor para o País não será o derrube do Governo, desejo manifestado por todos os partidos opositores e pelo Presidente da República?
Acontece que o PSD faz parte do funesto lote descrito por Cavaco no Parlamento:
Muitos dos nossos agentes políticos não conhecem o país real, só conhecem um país virtual e mediático.
Na prática isto quer dizer que Passos tem de esperar que lhe cheguem os estudos de opinião e as sondagens para decidir o que fazer, posto que ele também não tem ideia do que seja o país real. Será que o eleitorado quer ver o PSD a avançar decidido para o pote ou o mais cauteloso é ir boicotando a governação de modo a que seja Sócrates a sair pelo seu pé, sem direito a vitimizações? Dúvidas e mais dúvidas, problemas chatos.
Claro que há um atalho possível: pedir ajuda a quem sabe. Cavaco conhece o país real como só ele, sabe bem o que fazer e tem um plano para Portugal. Se sentir vergonha por estar a recorrer ao líder da oposição para se orientar, Passos ainda se pode safar se começar já a ler os tesouros doutrinários que estão guardados neste local: presidencia.pt. Também dispõe de fotos e vídeos para completar a instrução, não se pode queixar de falta de material.
Caso não consiga interpretar correctamente os discursos, dado que são sofisticadas peças literárias que requerem várias releituras até se chegar às mensagens que o autor pretende transmitir, Passos tem aqui uma última esperança: facebook.com/CavacoSilva. Trata-se igualmente de um canal digital, mas este com textos muito mais acessíveis, porque curtos e simples, cada um oferecendo sintetizada toda a presciência de quem conhece ininterruptamente o país real desde 1980, quando foi ministro das Finanças. Este tal de Facebook é um meio excelente para fazer amigos revolucionários, ocupar praças públicas e derrubar ditadores, pelo que é da maior utilidade para qualquer partido com ambições de Poder.
Pois é, Passos, afinal isso de seres apenas um político virtual e mediático pode nem ser tão mau assim. Tens computador?