A cidadania passa por lá

Pela Avenida da Liberdade, claro. E ainda bem. Olha que nome tão indicado. Liberdade. Mas depois precisa de continuar a andar. Fazer caminho. Isto é, encontrar o caminho. E subir a escadaria de S. Bento. Pois. É algo um bocadinho mais demorado, e difícil, do que os revoltosos profissionais e os viciados em revoluções televisivas vendem nas esquinas. Vais ter de estudar. Muito. Para deixares de ser parvo.

Mas passa por lá, claro. Só pode. A avenida da cidadania. Na liberdade.

26 thoughts on “A cidadania passa por lá”

  1. E os patrões camionistas vão parar… será coincidência? (ninguém me manda ter 60 anos… e memória…). Vai de retro, satanás!

  2. Ó reis, és capaz de ter razão. Infelizmente. Mas … põe os olhos no Japão. Já viste que o tsunami só destroi e deixa no seu rasto tanta, tanta dor! Não te parece que seria melhor fazer apelo à inteligência e evitar, se possível a força bruta da natureza que, pelos vistos, tanto desejas?

    Tu e a miserável comunicação social que nos caiu em cima? Essa tal que é feita (como não seria?) pela avalanche de “doutores” em comunicação social que as nossas insignes universidades privadas vêm produzindo com inaudita profusão e que outra saída não têm senão dizer amen aos bosses que lhes dão o pão a comer e que nós sabemos bem o que querem: vender papel, vender tempo de antena (ah! como o pagode gosta de ver sangue!) e não só!

  3. Bravo! Aleluia!! Até que enfim!
    Escrevi um post exactissimamente com esta coisa de que para deixarem de ser “parvos” têm de estudar e muito e chego aqui e vejo que talvez, afinal, eu não seja assim tão reaccionária!
    Bravo! Aleluia!

  4. Boa, Valupetas! Acabei de reparar que mudaste uma palavra neste teu post. Como se pode confirmar no «cache» do blogue, os «revoltosos profissionais» foram durante umas poucas horas «manipuladores profissionais». Fizeste bem em corrigir o post, pois tanto tu como os socretinos que te acompanham já nos revelaram não querer ser confundidos com o pessoal das manifs. Assim está mais correcto: a rua aos «revoltosos profissionais» e as cadeiras dos gabinetes socretinos de S. Bento aos «manipuladores profissionais» e viciados em propaganda televisiva.

  5. “É algo um bocadinho mais demorado, e difícil, do que os revoltosos profissionais e os viciados em revoluções televisivas vendem nas esquinas”…

    Abraço

  6. Bom tenho que dizer qualquer coisa ali ao Ibn Erriq. Pretencioso ãnh! Não fazes a coisa por menos! E depois o pretencioso sou eu que num parágrafo, apenas num parágrafozito, julgo ter “descoberto a origem de todo o mal”! A verdade é que, ao que parece, estou bem acompanhado na minha “descoberta”! Senão vê lá o que se atreveu a dizer alguém que, suponho, muito estimas, no seu conhecido ABRUPTO:

    “O espantoso relato “jornalístico” da manifestação de hoje “em directo” pelas televisões e nalguns jornais que se dizem de “referência”, mostra como o jornalismo português está a milhas de qualquer deontologia básica da informação e de qualquer critério mínimo de qualidade profissional. Alguém faz sequer nas redacções uma vaga ideia de como nenhuma televisão (e jornais) sérios em todo o mundo faria isto? Hoje voltou-se ao PREC e aos comícios em directo. Hoje a televisão de Hugo Chávez foi o padrão do “jornalismo” português.”

    Como vês estou bem acompanhado! Ou não?! Pois é, ó Ibn Erriq, não se trata de “matar o mensageiro”, estribilho a que tantas vezes recorrem nauseados os que não suportam lhes apontem o dedo. Do que se trata é tão só de reagir contra as mentiras mais ou menos subtis e tão mais perigosas e nefandas quanto mais subtis, contra as omissões insidiosas do “mensageiro”, que infelizmente são o prato que a toda a hora nos é servido com a mais descarada desfaçatez.

  7. Ó ANIPER, acredito não ter à “ars” da literatura para fazer-me compreender por tão ilustre leitor. O “sutnami” foi dito coa licenza para expressar o jeito de cómo uma mareia humana formada por gente saida a rua e que junta vai avançar e a gritar para ser ouvida. Motivado tudo por uma causa democrática, por um desejo de querer expressar na rua, de maneira pacífica, aquilo que alguns acham não é percevido por os garantes do benestar. Não só é governo são o resto de nós os cidadãos e tudos os agentes sociais.

    O sutnami de verdade é o do Japão. Abraço para todos as pessoas que o estão a sofrir.

    Não supe vêr a face violenta do sutnami. Talvez porque acredito que é possivel que os jovens podam ser escoitadas sem chegarem a violência. Assim desejo. Concordando , pois em que tudo seja feita sem violência, onde fica o problema em sairem a rua, os jornais etc. se à causa é justa e são muitos os doentes?. Ulá a democracia?.

    Não desejo a força bruta da natureza para que os jovens sejam ouvidos. O problema é real, há uma geração desprazada, que ja tem idade suficinte para ser tida em conta. Faz tempo que iste problema ia sair a rua, e real. Os sindicatos, os partidos têm ligação com esta gente?. Acho que não. E os partidos não precisaram nenhuma reforma?.
    A democracia vive do movemento social, da escuta da sociedade e uma maneira de fazer-se escutar é sair á rua. Suponho que sair á rua tambem têm um custo, ja o dizia o cantante: “não me obriguem a vir para â rua gritar…..”.
    Também tem um custo e não gosta os que ja estamos tranquilos numas cadeiras bem asentadas, embora a vida segue e outros chegam com outros problemas. Istes pelos vistos vêm foder-nos a tranquilidade, não sim?. Haverá que escuta-los e tambem resolver o problema.
    “Tu e a miserável comunicação social que nos caiu em cima?”
    Até de agora niguem me comparara com a comunicão social, e ainda que seja no seu apartado de miseravel, tal comparação, dame um ar de palestrante importante. Obrigado.
    Além disso, concordo bastante co que segue no texto, e não estou nem um bocadinho perto deses tais doutores, das universidades privadas e dos comunicadores que os povres têm de vender a su alma . Sim há muita comunicação que é pulhice e esterqueira, mas há outra que não é assim.
    Comunicação social foi tambem a que houve na Tunicia e no Egipto. Assim que olho o cão.

  8. Nem com o país e o cadáver do Estado Social a ser enterrado a pázadas de PEC’s socialistas, freneticamente, com convulsões esquizofrénicas de negação e mentira patológica constante, vocês são capazes de um pequeno acto de contrição, mea culpa ou arrependimento que seja. Foda-se que vocês são um dos FDP mais execráveis, provocadores de vómito e náusea estridente, da peçonhenta família dos lambe-boteiros socrateiros. Vão pró caralho que a vossa hora está a acabar, cabrões. Voçês estão no rol dos responsáveis pelo estado a que chegou esta merda. Foram apoiantes, coniventes e branquearam até mais não. Não esqueceremos …

  9. Ó ANIPER antes só que mal acompanhando.

    Ah quanto “aos autores” do abrupro, o que desejo é que tenham um menino na barriga das pernas. Está claro?

    Se és ou não o que tu és ou deixassem de ser é lá contigo, que te faça bom proveito.

    Acerca da tu identidade com o abrupto, nada tenho a dizer. Cada um com o seu igual, pelos vistos incomodam-vós às mesmas coisas. Liberdade

  10. Este é um “post” reaccionário.
    Estive na Avenida da Liberdade e estavam lá pessoas de todas as idades, credos e partidos. Não era só a geração “à rasca”. ainda que tenha sido esta a dinamizadora da manifestação. Tratou-se de um grito de protesto contra uma classe política (esta e a que está na forja) que durante os últimos 35 anos governaram o país e conduziram Portugal a um beco sem saída. As pessoas estão fartas de serem manipuladas, usadas e desprezadas por esta corja (os políticos e suas clientelas) que, alternadamente, vem delapidando as riquezas de país (as materiais e as humanas) numa ganância despudorada que já há muito ultrapassou todos os limites. Não, não se trata de uma geração à rasca, mas de várias gerações que não têm qualquer horizonte na vida: os que trabalharam e hoje têm reformas de miséria, os que terminaram os cursos e não têm emprego e todos nós, inclusive as gerações vindouras, que irão pagar uma dívida monstruosa até ao fim da sua vida. Tratou-se, isso sim, de um acto de cidadania, como há muito tempo não assistia em Portugal e só espero que seja o primeiro de muitos que irão seguir-se. Sim, este governo deve cair, pois é corrupto (ainda que não seja original nisso), mas, acima de tudo, é incompetente e mente. Mente despudoradamente todos os dias. Por isso, deve sair. Estamos fartos. Esta foi a mensagem. Basta!
    Não perceber isto, é estar completamente divorciado da sociedade e dos problemas reais que a afectam. Só por cegueira partidária ou oportunismo político se pode criticar os manifestantes que, este fim de semana, desfilaram em Lisboa e noutras cidades de país. Por isso, este é um post reaccionário.

  11. Méne! É uma pena que o sistema democrático já não tenha tanta piada quando não nos dá jeito a nós.

    Quanto à estupidez não se cura com “instrução”. E a prova está à vista em todos os quadrantes.

  12. rui mota,
    “Tratou-se de um grito de protesto contra uma classe política (esta e a que está na forja) que durante os últimos 35 anos governaram o país e conduziram Portugal a um beco sem saída.”
    Que classe política propões então, para substituir esta que importa derrubar?
    Como se deve derrubá-la?

    “Só por cegueira partidária ou oportunismo político se pode criticar os manifestantes que, este fim de semana, desfilaram em Lisboa e noutras cidades de país.”

    È proibido criticar? É criticável discordar? Na nova sociedade, quem poderá criticar/discordar e quem não poderá?

  13. Edie,

    Eu proponho ética e transparência na acção política, Isso pressupõe responsabilidade e controlo dos actos praticados (accountability). Para que isso seja possível (um longo caminho, concedo) é necessária uma justiça que funcione e orgãos políticos separados do poder judicial. O controlo dos orgãos elegidos democraticamente (no caso, o parlamento) são, obviamente, necessários. Mas, isso já existe, dir-me-á!
    Não. Existe no papel, mas não funciona na prática. O sistema é – ainda – deficitário do ponto de vista democrático. Pode e deve ser melhorado.
    Pode parecer pretencioso, mas eu já vi este sistema a funcionar. Existe, não é perfeito, mas está anos luz à frente do nosso. Porquê?
    Porque, para além da educação (há cem anos atrás já 99% dos povos do Norte da Europa eram alfabetizados e as mulheres tinham direito de voto) existe uma cultura humanista e democrática com mais de um século de existência e uma ética de trabalho (mas também de responsabilidade) que não existe no nosso país (eu aqui acrescentaria no Sul da Europa, para não ficarmos isolados). Com todos os seus defeitos e limitações (não há sociedades ou sistemas perfeitos como sabemos) as sociedades protestantes do Norte europeu são, entre outras razões, mais ricas porque mais bem organizadas e porque há ética, rigor, transparência e responsabilidade. Tudo coisas que não existem cá. Pelo menos em abundâmcia.
    É dofícil, eu sei e nós nem somos protestantes (ninguém é “perfeito”), mas podemos tentar melhorar. Ora o que se vê hoje (já nem falo do tempo da “outra senhora”) é que nos últimos 37 anos, o país evoluiu na “fachada”(o cenário), mas não evoluiu na mentalidade.
    Porque a falta de formação (qualificação) e participação civíca (cidadania) são ainda deficientes e a pobreza é endémica (o país com piores índices e maiores assimetrias salariais da Europa) é fácil alimentar o clientelismo (corrupção) e manter a impunidade.
    Basta olhar para a rotatividade existente entre os principais partidos políticos (vulgo “bloco central”) que mais não são do que um bloco central de interesses. A maior parte dos dirigentes políticos nunca trabalharam, fazem a sua carreira nas juventudes partidárias (Sócrates, é apenas um exemplo), mantêm-se nos aparelhos partidários e, depois de passarem pelo governo são, frequentemente, nomeados para as administrações das empresas (bancos, seguradores, construtores civis, etc.) apoiam o governo para serem apoiadas por este. Um circulo vicioso. E assim se mantém o “sistema”.
    Junte-se a isto uma justiça corrupta e corrompida que faz chantagem permanente com o poder político, pois conhece os seus “podres” e usa esse poder para construir/destruir a vida dos cidadãos e temos uma ideia aproximada do regime em todo o seu esplendor. Podia continuar aqui a encher a caixa de comentários, mas deduzo das suas unteligentes perguntas que já percebu onde é que eu queria chegar. Com isto perdi meia-hora do meu precioso tempo…
    Bom dia e boa sorte!

  14. rui mota,

    agradeço a meia hora perdida do seu precioso tempo, mas só foi perdida na medida em que não respondeu às perguntas. De resto, fiquei a perceber que partilhamos muitos pontos de vista e que o Rui partilha com Sócrates a defesa do modelo nórdico. Muito bem.

  15. Edie (esta é mesma a última resposta)

    Eu não sei se o Sócrates defende o modelo nórdico. Mas sei que ele não o pratica. Posso afirmar isto, porque vivi num país nórdico 30 anos. Chega?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.