Boas notícias do Japão

A desgraça no Japão aumenta, com a falta de alimentos e bens de primeira necessidade em várias zonas e com a incapacidade para arrefecer os reactores nucleares atingidos pelo colapso do sistema de refrigeração, fora o trauma e o pânico em toda a população. Para cúmulo, o local onde ocorreu nem sequer era o previsto para um sismo de intensidade similar, pelo que se continua a esperar que um outro ponto geológico – sabe-se lá quando – liberte as forças catastróficas que aí vão crescendo.

As boas notícias são estas. Literalmente. A consciência de que o movimento das placas tectónicas e a racionalidade têm uma e a mesma origem: o acaso necessário, o sentido absurdo.

4 thoughts on “Boas notícias do Japão”

  1. OSinhã! Até parece que ficaste com ciúmes…

    Valupi, penso que só falamos em absurdo em contraponto à ideia de um designio para o nosso universo. Se partirmos do principio de que não existe qualquer designio é ocioso falar em absurdo e até mesmo em acaso. Não te parece? Por outro lado, se aceitarmos a ideia de um designio para o universo, ficamos a braços com a tarefa impossivel de descobrir a natureza desse designio. E, assim sendo, pouco adiantará afirmar que existe um designio.
    O que é chato mesmo é a pecepção que temos de fazermos parte de uma realidade inacabada. É ver a Terra- Mãe à rasca para acalmar os seus continentes à deriva. E quando acalmarem de vez parace que ainda vai ser pior. Pelo menos para os terráqueos.
    Ter cosnciência disso, adianta alguma coisa? Talvez para emigrar a tempo: designio para os vivos; absurdo para os mortos do Japão (mas isso somos nós a falar por eles, os mortos).

  2. Mario, a questão do desígnio transcende a do sentido, creio, porque implica uma teleologia (ou finalidade) que é desnecessária no estabelecimento da relação causal. Assim, podemos dizer que a evolução biológica (ou o movimento cósmico) tem um sentido (uma orientação ou modo), mas não necessariamente (ou talvez nem sequer possivelmente) uma meta para além daquelas que decorrem das circunstâncias resultantes dos factores em acção e interacção.

    Já a temática do absurdo nasce no campo filosófico ou antropológico. É este animal que fala quem descobre, ou cria, o absurdo na sua consciência altamente poderosa. Tão poderosa que até conhece os seus limites e as suas contradições. Face à presença intelectual do absoluto e do infinito, a relatividade e efemeridade da experiência humana gera a contemplação na nossa própria condição: seres, tal como bem dizes a respeito da realidade, ontologicamente inacabados. Essa falta fundamental, esse “pecado original”, é o que nos move na procura do sentido redentor.

    Enfim, “lana caprina” que nos agasalha.

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