Todos os artigos de Valupi
Lições a colher, memória a cultivar
Até à escolha da equipa de Seguro, até se revelar quem serão os seus generais e lugar-tenentes, ainda estaremos no ínterim processual da mudança de oposição. Tempo para balanços, pois. E tempo para constatarmos que a eventual vitória do PS em Junho, continuando sem maioria absoluta, levaria o País para uma situação completamente imprevisível. Não por culpa do PS, que é o principal partido do regime democrático, mas por culpa do Cavaquismo e da cegueira sectária da extrema-esquerda.
Colhe reconhecer que é por uma lógica cristalina que se explicam as disfunções da direita e da esquerda. À direita existe uma cultura de usufruto do poder que vem do berço, nuns casos, e da mais completa ausência de escrúpulos, noutros. À esquerda existe uma cultura de contra-poder que vem da instrução, nuns casos, e da mais pueril ignorância, noutros.
Assim, este novo ciclo era inevitável para se evitar uma situação onde os boicotes ao Governo, e as chantagens sobre o PS, iriam continuar e crescer. Pura e simplesmente, não seria possível vencer. Mesmo o eleitorado socialista mais fiel não conseguiria resistir à permanente campanha de ódio que Belém, oposição e comunicação social promoviam com febril obscenidade.
Todavia, para alguns de nós, humildes mas garbosos cidadãos, há lições a colher e uma memória a cultivar. Quem sabe para onde quer ir nunca se perde.
Coisas que devemos à maturidade
Cavaco ainda não chegou à Madeira
Tea Party Madhouse
Grandes enigmas da política à portuguesa
PCP e BE dizem-se os autênticos representantes dos trabalhadores, do povo, das minorias, dos pobres, dos desempregados, dos doentes, dos miseráveis e dos que aguentam ler os livros de Žižek até ao fim. Eles sabem que os males sociais nascem da exploração capitalista e de uma democracia que está tomada pelos partidos neoliberais. Ao mesmo tempo, estes dois partidos recebem muito dinheiro do Estado, têm muitos deputados, têm muitos militantes e simpatizantes, têm património físico e podem a qualquer momento convocar toda a imprensa para comunicarem o que lhes der na gana.
Ora, por que razão, ou razões, não associamos a estes dois partidos nenhum – nenhum! – contributo decisivo no combate à corrupção? À partida, seriam as organizações ideais para ter uma postura implacável e uma obra relevante e extensa. Possuem a ideologia, as prerrogativas legais, os quadros e os recursos materiais que lhes permitem perseguir e expor as inúmeras actividades corruptoras de que acusam a direita, a começar logo pelo detestado PS. Contudo, a temática da corrupção apenas lhes serve como munição retórica. É uma pólvora seca que utilizam para brincar aos revolucionários.
Nada disto, no fundo, é grave. Grave é ver PCP e BE a ajudar aqueles que não tinham qualquer visão para o País para além de serem eles a ocupar o poder.
Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas
Mothers Have a Stronger Tendency to Mimic Their Daughters’ Consumption Behavior Than Vice Versa
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Exercise Has Numerous Beneficial Effects On Brain Health and Cognition, Review Suggests
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What Is War Good For? Sparking Civilization, Suggest Archaeology Findings from Peru
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Are Cancers Newly Evolved Species?
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Increased Muscle Mass May Lower Risk of Pre-Diabetes: Study Shows Building Muscle Can Lower Person’s Risk of Insulin Resistance
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To Help Doctors and Patients, UB Researchers Are Developing a “Vocabulary of Pain”
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Families Shifting from Private to Public Health Insurance for Children
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Kids’ Computer Use Can be a Great Equalizer Or Divider, Study Reveals
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Minority Rules: Scientists Discover Tipping Point for the Spread of Ideas
O caso Bairrão e o sistema ptolemaico
Mas podemos admitir que a juventude, a falta de experiência governativa e, enfim, e o gosto pela primeira vez de lidar com estas coisas, possa às vezes ter subido à cabeça de alguém… Pode ter acontecido, não é impossível, como você sabe. É alguém que obviamente acha que um papel que vem dos serviços de informação é verdade, que é também outro risco da falta de experiência governativa.
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Pacheco Pereira, Lobo Xavier e António Costa, na última Quadratura, trataram o caso Bairrão em registo de perfeito deboche. O Pacheco, como sempre, não resistiu ao seu provincianismo e quis mostrar à audiência que ele sabe tudo sobre o episódio, mas que apenas contará o suficiente para que se saiba que ele sabe. Lobo Xavier, com a sua tarimba de advogado, chutou rapidamente para canto as inconsequentes suspeitas de Carlos Andrade. António Costa achava graça, ria-se e declarava o caso encerrado.
Esta forma decadente de fazer o debate político, e de não fazer jornalismo, irá continuar na mesma até que apareça alguém que ofereça o sistema copernicano como alternativa ao ptolemaico. No actual, os agentes políticos, os comentadores e os jornalistas acham que o universo roda à sua volta. As suas intervenções são pensadas, fundamentalmente, a partir do cálculo das ameaças e vantagens individuais. Num possível futuro, o debate político será feito à volta de um centro donde irradia coragem e inteligência para todos. Nesse sistema, o caso Bairrão não daria vontade de rir. Pelo menos, até os responsáveis serem obrigados a contar o sucedido ou a irem fazer uma outra coisa qualquer com as suas vidas menos o exercício de cargos governativos.
Cineterapia

Meek’s Cutoff_Kelly Reichardt
Os ataques terroristas em Oslo permitem fazer uma associação de oportunidade a este raro filme que, embora dure só 102 minutos, não tem fim. Ou seja, o filme interrompe-se antes de acabar. Tem de ser o espectador a terminar a obra, se estiver para aí virado.
1845. Três famílias de pioneiros contratam Stephen Meek, um guia com experiência no terreno, para os auxiliar a transpor a Cordilheira das Cascatas, no deserto de Oregon, EUA. Confiantes e esperançosos, seguem-no por um atalho sem imaginar que ele se perderia no deserto e os levaria ao pesadelo. Sem água nem mantimentos, o grupo vai ter de encontrar forças e estratégias básicas que lhes permita sobreviver àquele lugar inóspito. E, quando se cruzam com um indígena, todos vacilam entre confiar num guia que se tem revelado pouco digno ou em alguém que, apesar de mais apto naquele território árido, acreditam ser um adversário natural.
Anders Breivik invoca uma preocupação com o multiculturalismo para justificar a sua acção. Só que, paradoxalmente, a resposta foi a destruição dos seus. Ele não atacou os supostos invasores, atacou os compatriotas, os concidadãos, os vizinhos. Queria encontrar o caminho mais curto para o fim dos seus pesadelos. Foi este o seu atalho.
O terrorismo é a ilusão de poder escapar às incógnitas da longa e misteriosa viagem. Não há atalhos para a civilização.
Hipócritas e velhacos
Os ranhosos continuam a repetir que Sócrates era o responsável pelo clima de hostilidade que progressivamente foi tomando conta da política nacional a partir de meados de 2007. Mas dizer isto é continuar no registo da filha-de-putice, porque esse ambiente resultou exclusivamente de Belmiro, Cavaco, Ferreira Leite e Pacheco terem apostado tudo em sucessivas tentativas de assassinato de carácter – as quais chegaram a envolver polícias, magistrados, escutas e ameaças de criminalização do anterior primeiro-ministro – a que se somava uma comunicação social a lançar difamações e calúnias. Os principais responsáveis políticos do PSD e CDS, secundados pelos imbecis do BE e PCP, diziam obsessivamente que Sócrates era mentiroso, indigno, canalha. O paroxismo desta violência verbal aconteceu quando vimos Sócrates ser comparado a Hitler, Saddam e Drácula na última campanha eleitoral. E o cúmulo do ódio veio pela boca suja do Miguel Relvas, ao bolçar que a família de Sócrates devia ter vergonha dele.
Da pesporrência raivosa de Louçã e PCP, cultores de um racismo ideológico imune a qualquer autocrítica, nem vale a pena falar. Mas, vai na volta, a culpa da sua fúria contra a burguesia, o capitalismo e a democracia também é de Sócrates.
Perguntas complicadas
Tragicamente ridículo
A Noruega é um dos países mais ricos e mais desenvolvidos do Mundo. Contudo, a polícia de Oslo dispunha somente de um helicóptero para transportar os seus agentes, o qual estava inoperacional no dia dos ataques por ter a sua equipa de pilotagem em férias. Essa aeronave tem apenas 4 assentos, dois deles para os pilotos. Para aumentar a dimensão do ridículo na tragédia, o primeiro barco usado para levar os polícias até à ilha de Utoya começou a meter água e avariou. Perderam-se 20 minutos numa travessia que demora 1 minuto. A força policial chegou 40 minutos depois de ter sido chamada, hora e meia após o começo da matança.
O longo ciclo do Cavaquistão
[countup date=2009/08/02-06:00:00]
Há quanto tempo está a Inventona de Belém por explicar:
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Há quanto tempo estão os crimes cometidos no BPN sem responsabilização:
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Há quanto tempo está Cavaco Silva no exercício de cargos de poder em Portugal:
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Aforismos para o XIX Governo Constitucional
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Em ranking que será divulgado na quinta-feira, a revista Exame analisou o conjunto das 25 maiores fortunas de Portugal, concluindo que os ricos estão mais ricos 17,8 por cento face a 2010, valor influenciado, diz a revista, pela valorização das participações de Américo Amorim e pela subida em bolsa da Jerónimo Martins.
Américo Amorim continua a ser o mais rico de Portugal
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Healthy economies support diverse entrepreneurial efforts, leading to high economic growth. But concentration of wealth reduces diversity, and with it the most likely growth rate for a country’s economy, according to the researchers.
The simulation results showed wealth concentrating regardless of economic cycles of growth and recession and regardless of whether wealth is split between two offspring every generation. As wealth concentrates with a few individuals, the growth of the economy will depend more and more on the returns of those few, making the economy less resilient to disruptions in their investments, the researchers said.
“The irony is that the economic diversity that helps ensure the presence of some successful enterprises and spurs economic growth could be lost if the success of these enterprises undermines economic diversity,” said Fargione. “To retain the benefits of a diverse capitalist economy, we need economic policies that counter what seems to be the innate tendency for economies to concentrate wealth and become less diverse.”
The simulations showed that a tax (or other mandatory donation to the public good) on the largest inherited fortunes would short-circuit the over-concentration of wealth. But the researchers stress that their point is to advocate not a particular policy, but a policy that accomplishes the goal of protecting long-term economic stability.
Os tempos estão para brincadeiras
Coisas que estão a acontecer
O nosso amigo Manuel Pacheco celebra o 1º ano do seu Coisas que Podem Acontecer. Como ele próprio conta, estamos perante algo mais do que apenas mais um blogue. Antes de tudo o resto, o exemplo dado é o de que vale a pena tentar comunicar com estranhos num meio estranho – como o Manuel fez ao começar a escrever nas caixas de comentários aqui do Aspirina B, por exemplo, para nosso proveito e deleite. Depois, decidiu-se a aprender as técnicas da formatação do texto e das ligações em HTML, acabando por finalmente criar um blogue e nele continuar a sua instrução e desenvolvimento.
É disto, precisamente disto, que Portugal precisa: cidadãos – tenham a idade, escolaridade e condição económica que tiverem – com tolerância zero para a ignorância própria. Neste momento da História, nas condições oferecidas por este País, temos tudo para crescermos colectivamente através do que for aprendido por cada um segundo o que lhe der na gana. E essa é uma outra forma de nos reconhecermos e compararmos, descobrindo quem são aqueles que estão fechados à aprendizagem e os que a procuram.
Eis um critério civicamente superior à dicotomia esquerda-direita, pois é mais nosso irmão aquele que quer aprender, mesmo que nos confronte na barricada oposta, do que aquele que se julga na posse da verdade ou que seja um farrapo de cinismo e pessimismo, mesmo que esteja do nosso lado.
Os imbecis preferem o nada
PCP e BE recusaram-se a negociar com o PS algum tipo de acordo que pudesse garantir estabilidade parlamentar após as eleições de 2009 porque não queriam fazer qualquer tipo de cedência à direita. Apesar de o PS ter ganhado as eleições, e apesar de saberem que ao PSD e CDS convinha manter o Governo minoritário para o derrubar na altura que fosse mais propícia para os seus interesses, bloquistas e comunistas exigiam que fosse o PS a ceder em toda a linha, chegando ao ponto de ter de abdicar do seu programa eleitoral, prática governativa e sentido histórico. Só transformados numa cópia do extremismo marxista seria possível aos socialistas portugueses obter a anuência da verdadeira esquerda.
Há várias razões políticas, sociológicas e até antropológicas para este radicalismo saloio, bastamente analisadas ao longo do tempo, mas há também algo do foro da inteligência pura e simples. Ao preferirem nada influenciar na governação, seja na Educação ou Saúde, Agricultura ou Finanças, só para se poderem continuar a reclamar ideologicamente imaculados, estão a privar o seu eleitorado de alcançar algumas das metas que ambiciona ver realizadas. A chantagem do tudo ou nada torna impossível a negociação. E, sem negociarem, terão de esperar pela maioria absoluta caso pretendam aplicar as suas soluções executivas. Ligeiro aborrecimento para estes puros e bravos defensores dos trabalhadores: não se prevê que tal maioria absoluta dada ao PCP ou ao BE, sequer aos dois em conjunto, aconteça neste milénio acabadinho de estrear.
Isto é coisa de imbecis, né?
Nós
Cabeças de amendoim
The irony of the situation at the moment, with markets opening tomorrow morning, is that the biggest threat to the world financial system comes from a few rightwing nutters in the American Congress rather than the eurozone.
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Há uns quatro meses, ainda o nosso Presidente da República só tinha cabeça para a promoção de sobressaltos cívicos, os principais responsáveis da União Europeia, do Banco Central Europeu, do FMI e de variados países com alguma importância (dos EUA à China, passando pelo Brasil e Alemanha), faziam abertos apelos ao consenso político em Portugal para se evitar o pedido de ajuda externa. Ninguém o queria, a começar pela Europa que o via como factor de agravamento radical do perigo sistémico já instaurado com os casos da Grécia e Irlanda e a acabar no Governo de então, o qual avisou clara e insistentemente que tal desfecho era a pior de todas as alternativas possíveis.
Ninguém o queria? Um grupo de irredutíveis cavaquistas passados não queria outra coisa. Apostaram em antecipar o que tinham previsto para Setembro e Outubro, receando que o Governo obtivesse cada vez melhores resultados orçamentais e tendo ficado assustados com uma manchete do Expresso: FMI já não vem. Ora, um mês após a tomada de posse do novo Governo, é evidente que as medidas adoptadas nos PEC I, II e III estão a dar suficientes/bons/excelentes (é à escolha do freguês) resultados sob o ponto de vista da redução das despesas, aumento das receitas e racionalização dos custos do Estado. E agora já se pode dizer, sem passar por avençado do Gabinete de Sócrates, que as medidas em causa não poderiam dar resultados imediatos logo em 2010, sendo que sempre se soube que o início de 2011 seria o período para descobrir se Portugal escapava ao destino de gregos e irlandeses. Pois bem, todos os números que têm saído confirmam aquilo que a minha vizinha do 4º andar se fartou de repetir: a decisão de chumbar o PEC IV, e assim provocar eleições, empobreceu e fragilizou muito mais um país já empobrecido e fragilizado por duas crises internacionais avassaladoras e indomáveis. A luta pelo poder, embora democraticamente legítima, foi ostensivamente contra o interesse nacional, apenas para proveito dos grupos ligados aos actuais governantes.
Os EUA confrontam-se com a mesma dilacerante constatação: um dos seus partidos prefere arrastar o país para colossais prejuízos se tal servir para atingir o adversário. O que Vince Cable, um inglês que talvez não seja socrático, diz da direita americana é, mutatis mutandis, o que há para dizer da direita portuguesa.



