O caso Bairrão e o sistema ptolemaico

Mas podemos admitir que a juventude, a falta de experiência governativa e, enfim, e o gosto pela primeira vez de lidar com estas coisas, possa às vezes ter subido à cabeça de alguém… Pode ter acontecido, não é impossível, como você sabe. É alguém que obviamente acha que um papel que vem dos serviços de informação é verdade, que é também outro risco da falta de experiência governativa.

Minuto 4

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Pacheco Pereira, Lobo Xavier e António Costa, na última Quadratura, trataram o caso Bairrão em registo de perfeito deboche. O Pacheco, como sempre, não resistiu ao seu provincianismo e quis mostrar à audiência que ele sabe tudo sobre o episódio, mas que apenas contará o suficiente para que se saiba que ele sabe. Lobo Xavier, com a sua tarimba de advogado, chutou rapidamente para canto as inconsequentes suspeitas de Carlos Andrade. António Costa achava graça, ria-se e declarava o caso encerrado.

Esta forma decadente de fazer o debate político, e de não fazer jornalismo, irá continuar na mesma até que apareça alguém que ofereça o sistema copernicano como alternativa ao ptolemaico. No actual, os agentes políticos, os comentadores e os jornalistas acham que o universo roda à sua volta. As suas intervenções são pensadas, fundamentalmente, a partir do cálculo das ameaças e vantagens individuais. Num possível futuro, o debate político será feito à volta de um centro donde irradia coragem e inteligência para todos. Nesse sistema, o caso Bairrão não daria vontade de rir. Pelo menos, até os responsáveis serem obrigados a contar o sucedido ou a irem fazer uma outra coisa qualquer com as suas vidas menos o exercício de cargos governativos.

11 thoughts on “O caso Bairrão e o sistema ptolemaico”

  1. Por acaso, não é verdade. Eu ouvi, claramente ouvido, o António Costa dizer repetidamente que era este um caso grave, e até um dos casos mais graves desde a instauração do regime democrático. De resto, passaram todos 3/4 do programa a falar do assunto, saltando por cima do caso da Noruega, que estava agendado, como o moderador anunciou uma ou duas vezes. E nunca ouvi o Costa dizer que o caso estava encerrado. De modo que, Valupi, desta vez não estou a ver: teremos nós ouvido o mesmo programa? Ou o registo, para ser eficaz, tem de ser fúnebre?

  2. Em qualquer dos casos o problema não está encerrado. Não queremos fazer comentários enquanto sua excelência o digníssimo primeiro sinistro não explicar porque considerou lixo o sr.Bairrão. Se foram secretas ou outras tretas é menos importante. Importante, visto que a governação deve ser transparente como disse sua excelência o acima citado, é saber-se porque tal sujeito merece o respeito e o convite dum ministro e no minuto seguinte já não merece. Não minta sr. sinistro que o mentirómetro está ativo e embora já bastante carregado de mentiras ainda aceita mais. Aliás temos um armazém preparado para as guardar.

  3. marvl, discutiram-se dois casos ligados no tempo e nas entidades: o de Bairrão e o de Jorge Silva Carvalho. A conversa, em certos momentos, misturou os dois, até para confusão dos participantes. Mas em relação a Bairrão, António Costa desvalorizou e até fez umas chalaças com a Moura Guedes. Chegou a falar dos convites que fez no passado para o cargo de secretário de Estado no propósito de frisar que tudo lhe parecia uma trapalhada sem importância de maior. A sua grande preocupação, e sem qualquer surpresa por ser inevitável, era com as alegadas fugas de informação dos serviços secretos para empresas e o trânsito de quadros no mesmo sentido da forma como aconteceu com o Silva Carvalho.

  4. Caro Val, creio que o Costa até andou bem, deixou que as comadres fizessem o seu trabalho e no fim gozou que nem um patinho.
    Creio que foi inteligente na abordagem do problema, deixando nofim uma nota de preocupação dura e nada pacífica.
    Diga-se em abono da verdade que eu até simpatizo com o homem, talvez por isso não tenha visto tanto erro.

  5. Mais preocupante, do meu modesto ponto de vista , é o facto de ter sido um sms da Moura Guedes para o Pedro que mudou tudo. Governantes sob chantagem? O que sabe a família Moniz que assusta o Pedro?

  6. Caro Teofilo,

    Se, actualmente, não fosse politicamente incorrecto, eu diria antes que o Costa “gozou que nem um Cabinda!”

  7. Teofilo M, Costa terá várias características estimáveis, e até admiráveis, mas desde que continuou a participar na Quadratura depois do Pacheco ter feito a pulhice de ler as escutas, assim validando o vale tudo dos ranhosos, ele perdeu credibilidade para mim. A sua tolerância para com o caudal de conspirações e calúnias que Pacheco e Lobo Xavier largaram naquele espaço não parece ter defesa possível.

  8. Vexa anda muito sensível com o a liberdade de cada um, nem dá par ver o que é feito do libertário Val de boa memória que se tinha somente a factos.

    Trata o Maltez e o Pacheco com um desdém aflitivo a virar perseguição pidesca sem que se veja onde viu ofensa, o que honra quer lavar, agora é o Costa que é banido.

    O caso “Bairrão” vai queimar muita gente neste triângulo amoroso que não tem onde cair de morto. Partidos, finanças e comunicação são seres intermutaveis e autofágicos.

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