Cineterapia


Meek’s Cutoff_Kelly Reichardt

Os ataques terroristas em Oslo permitem fazer uma associação de oportunidade a este raro filme que, embora dure só 102 minutos, não tem fim. Ou seja, o filme interrompe-se antes de acabar. Tem de ser o espectador a terminar a obra, se estiver para aí virado.

1845. Três famílias de pioneiros contratam Stephen Meek, um guia com experiência no terreno, para os auxiliar a transpor a Cordilheira das Cascatas, no deserto de Oregon, EUA. Confiantes e esperançosos, seguem-no por um atalho sem imaginar que ele se perderia no deserto e os levaria ao pesadelo. Sem água nem mantimentos, o grupo vai ter de encontrar forças e estratégias básicas que lhes permita sobreviver àquele lugar inóspito. E, quando se cruzam com um indígena, todos vacilam entre confiar num guia que se tem revelado pouco digno ou em alguém que, apesar de mais apto naquele território árido, acreditam ser um adversário natural.

Fonte

Anders Breivik invoca uma preocupação com o multiculturalismo para justificar a sua acção. Só que, paradoxalmente, a resposta foi a destruição dos seus. Ele não atacou os supostos invasores, atacou os compatriotas, os concidadãos, os vizinhos. Queria encontrar o caminho mais curto para o fim dos seus pesadelos. Foi este o seu atalho.

O terrorismo é a ilusão de poder escapar às incógnitas da longa e misteriosa viagem. Não há atalhos para a civilização.

10 thoughts on “Cineterapia”

  1. Excelente, Val … obrigado!
    De facto, “não há atalhos para a civilização”… há caminhos que, a não serem escrupulosamente respeitados, conduzem à barbárie.
    Um abraço.

  2. Concordo em parte com não haver atalhos para a civilização. Só em parte, porque as revoluções revestem quase sempre um aspecto “terrorista”. De rotura, se quiseres, Val.

  3. atalhar, no que quer que seja, na existência, é sempre um momento de fazer calar – interromper: um muro que interrompe o flama do flanar. :-)

  4. Psicologia e filosofia, diria eu, no melhor estilo peripatético da Reboleira. Duas estrelitas para não ficar esmorecido, seu Valupi. O facto – obviamente não reportado pelas presstitutas da media onde o meu amigo se inebria com abandono para atingir orgasmos kundalínicos -é que esses “seus” do gajo eram tanto dele como são seus: umas centenas de jovens da juventude trabalhista norueguesa profundamente crítica da opressão israelita sobre os palestinianos. Comprende? Ou precisa dum enxerto encefálico para ver a Luz daqui a uns meses se as condições em laboratório se mantiverem óptimas?

    Esse traste assassino, seja ele racista ou neo-nazi, nacionalista ou o diabo que o carregue, possui como característica natural, aliás como todo o resto do seu quilate, a inflamabilidade necessária para ser ateado com uma faísca duma nota de 100 dólares a roçar-lhe pela ponta do nariz e um bem engendrado conto do vigário. Essa é a lição de politricks mais dificil de se aprender.

  5. “…paradoxalmente, a resposta foi a destruição dos seus”

    Não, ele não considera “seus” os alegados “traidores” que assassinou. “Seus” são os que estão em guerra contra o Islão e contra os “marxistas culturais”, em qualquer parte do mundo. Breivik é um novo tipo de neo-nazi, o neo-nazi global.

    Ele quis nazisticamente vibrar um golpe mortal no governo e apagar a nova geração de líderes do partido trabalhista norueguês, que ele idiotamente apelida de “marxistas culturais”. A xenofobia, mas também o reaccionarismo fascista, o ódio ao multicuturalismo, mas também o ódio à democracia e ao “marxismo cultural” são os dois pilares inseparáveis da mente que planeou e executou o massacre de jovens indefesos.

  6. Infelizmente o assassino tem antepassados – o traidor Quisling que foi chefe do Governo norueguês de 1942 a 1945. O jornalista brasileiro Claudio Abbramo chamou ao major Hadad o «Quisling» libanês em 1982 – tempo de Shatila e Sabra. A História repete-se.

  7. Ana Paula Fitas, grande abraço.
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    Mario, uma revolução não pode ser equivalente ao terrorismo. Este é um acto de destruição cego sobre civis levado a cabo sem aviso prévio e sem intenção de negociar seja o que for. Uma revolução, mesmo que seja violenta, corresponde à instauração de um novo regime ou paradigma.
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    Sinhã, interessante imagem.
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    V. KALIMATANOS, larga o vinho.
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    José Manuel, pois.
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    jcfrancisco, pois.

  8. Valito,

    A máscara de taberneiro mal informado, boateiro, neuro-mandrião, mas muito cumpridor dos regulamentos das bófias democráticas governamentais, não te fica bem porque mereces melhor. Desafivela a coisa e manda fora. A menos, evidentemente, que sejas menos feio com ela.

    E esta (http://www.youtube.com/watch?v=h60r2HPsiuM&feature=player_popout) é a praga que te perseguirá e ao resto dos mercenários do verbo vaidoso e trapalhão até ao dia em que o teu corpo for ofertado pelos coveiros do dia às minhocas terraristas.Triste sina-terapia, a dos otários, engordar a biomassa subterrânea com mais de 70 kilos de gorduras e ignorância.

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