Coisas que estão a acontecer

O nosso amigo Manuel Pacheco celebra o 1º ano do seu Coisas que Podem Acontecer. Como ele próprio conta, estamos perante algo mais do que apenas mais um blogue. Antes de tudo o resto, o exemplo dado é o de que vale a pena tentar comunicar com estranhos num meio estranho – como o Manuel fez ao começar a escrever nas caixas de comentários aqui do Aspirina B, por exemplo, para nosso proveito e deleite. Depois, decidiu-se a aprender as técnicas da formatação do texto e das ligações em HTML, acabando por finalmente criar um blogue e nele continuar a sua instrução e desenvolvimento.

É disto, precisamente disto, que Portugal precisa: cidadãos – tenham a idade, escolaridade e condição económica que tiverem – com tolerância zero para a ignorância própria. Neste momento da História, nas condições oferecidas por este País, temos tudo para crescermos colectivamente através do que for aprendido por cada um segundo o que lhe der na gana. E essa é uma outra forma de nos reconhecermos e compararmos, descobrindo quem são aqueles que estão fechados à aprendizagem e os que a procuram.

Eis um critério civicamente superior à dicotomia esquerda-direita, pois é mais nosso irmão aquele que quer aprender, mesmo que nos confronte na barricada oposta, do que aquele que se julga na posse da verdade ou que seja um farrapo de cinismo e pessimismo, mesmo que esteja do nosso lado.

17 thoughts on “Coisas que estão a acontecer”

  1. Val:
    Obrigado pela deferência. Julgo que tem um tratamento para comigo para além do que mereço. Não, não estou a ser humilde, simplesmente realista. Depois parece que me conhece há muito tempo, porque o relato que me faz, eu não o faria melhor.
    Diz e muito bem que nunca é tarde para se aprender algo, mesmo com muita idade e escolaridade mínima. Assim o homem queira. Hoje temos uma panóplia de coisas a que nos agarrar desde que a vontade assim o determine.
    Dá-me gosto quando me dirijo ao Espaço Internet, aqui em Freamunde, uma sala com dez computadores que a Câmara de Paços de Ferreira pôs ao dispor da população de Freamunde que queira matar as suas tardes de ócio e inteirar-se das notícias que a internet põe ao nosso dispor. Apraz-me quando ali vou, ver criaturas quase da mesma idade que eu estar ali a manobrar o computador, além da juventude que aproveita para jogar uns jogos em simultâneo. Entristece-me quando outros da mesma idade criticam os que para ali vão e quando lhes é perguntado porque não fazem o mesmo dizem que não tem pachorra e que a internet vicia.
    Para alimentar o meu blogue e não precisar de surripiar vídeos adquiri uma pequena máquina de filmar e com um programa “Pinnacle Studio 14” fazer os meus filmes e assim tornar-me independente. Acontece que sou criticado por vários mas o que mais me entristece e dá pena é serem os que nada produzem em prol da sua terra. Eu com este trabalho quero deixar para os vindouros algo que um dia possam consultar e saberem o que era a sua terra e o seu povo.

  2. é mesmo isso e por isso que cá venho – para me fundir toda em aprendizagem – comunicar é muito, muito mais do que debitar meia dúzia de palavras.

    ainda bem que os textos que colocavas aqui serviram de motor de arranque para criares um lá, Manuel Pacheco. já lá fui algumas vezes, como sabes, incluindo na inauguração – mas um bom dono da casa saberá como bem receber e estimar os seus convidados – que são todos os que com vontade e por bem lá vão. que o protagonismo nos faça a todos sempre melhores, e não o contrário, porque de outra forma estamos a cultivar, como tão bem foi dito, a ignorância própria.

    (e que cada soprar da vela seja um crescer da tua terra. parabéns.) :-)

  3. “Eis um critério civicamente superior à dicotomia esquerda-direita, pois é mais nosso irmão aquele que quer aprender…”.
    Se o meu prezado amigo Val quiser criar um “partido” com este Programa…eu serei o primeiro subscritor, o primeiro financiador, o primeiro propagandista, o primeiro militante.
    É disto, exactamente, disto, que Portugal carece: cidadãos, cidadania activa, ética da responsabilidade e menos, quase nada, de “convicções”, as mais das vezes, tolas.
    Parabéns, também, ao aniversariante.

  4. Daqui também o meu grande abraço de parabéns ao Manuel Pacheco. Creia que me comoveu o seu comentario aos elogios tão merecidos do Valupi! Gostaria de lê-lo mais vezes.

  5. Já não se vê muito disto na blogosfera. Gracias, Val e Manuel Pacheco. Ainda sou do tempo em que as pessoas contavam a par das ideias…e dos contadores de visitas.

  6. Queridos amigos, a história do Manuel Pacheco é um exemplo inspirador que, por sorte, veio parar ao nosso conhecimento neste blogue. Quem agradece sou eu, pois quero viver num país – e num planeta! – onde este amor pela vida seja a regra e não a excepção.

  7. Parabens caro Manuel. Em variadas ocasions fez loubança dos seus textos, mais uma vez o fago. Tanto aquí como no seu blog é um prazer lêr a lingua portuguesa á decorrer nos post. Críticas há de haver sempre.Nem caso. Recordar uma frase da literatura castelhana , do Quixote : “ladran luego cabalgamos”.

    Mais uma vez , Val, só concordar com tão belas palavras. Eis o cerne da vida, por acima de tantas e tantas circunstancias, a tolerancia Zero, como bem dis , para a propria iganorancia. O saber sempre faz melhores pessoas, e e o que faz posivel que um pais poda ser melhor.

  8. Agradecimento:
    Sentado diante do meu computador a arranjar forma de agradecer os comentários dos vários comentadores do Aspirina B, – que luxo de comentadores – a todos o meu obrigado, uma vez que Coisas que Podem Acontecer não o pode fazer derivado à sua tenra idade. Neste momento deitado no seu berço, ao pé de mim, vai admirando com os seus olhos bem abertos e perspicazes – prevejo-o um dia uma enciclopédia – assim como as suas mãos e pernas sempre a mexer-se em sinal de concordância com tudo o que vou debitando para este texto.
    “Antes de tudo o resto, o exemplo dado é o de que vale a pena tentar comunicar com estranhos num meio estranho – como o Manuel fez ao começar a escrever nas caixas de comentários aqui do Aspirina B, por exemplo, para nosso proveito e deleite”. É o que faz haver uma relação e não um conhecimento. O Além sendo uma incógnita leva-nos a criar ilusões que um dia confrontados com a realidade vemos o quanto a nossa imaginação estava enganada. Acontece com as cartas de amor, com a voz angelical de várias personagens, que depois confrontado com o aspecto físico, por vezes, passa a ser uma desilusão.
    A blogosfera tem aspectos iguais às Redes de Rádio que operavam no exército, principalmente na guerrilha ultramarina, com as companhias que estavam isoladas, onde todos os soldados sentiam esse isolamento, menos os rádios telefonistas, estes comunicavam com uma série de soldados, de outras redes rádio, só se conheciam pela voz, mas haviam uma ligação que quando algum demorava, por férias, folga ou outros afazeres, nos levava a perguntar qual o motivo da sua ausência.
    É este manancial de atitudes que se torna rico, onde o iletrado comunica com o letrado, sem no entanto se sentir complexado – pelo menos aqui no Aspirina B – que entra numa roda de comentários, faz os comentários que quer, sem ser excluído.
    Deixo para o fim para agradecer individualmente à Sinhã, José Albergaria, consulto muitas vezes o Mainstreet, Madsol e o seu Branco no Branco, Teófilo M no seu Akiagato, à Aniper pelo seu abraço, Maria pelo seu Jardim de Luz, ao Val pelo muito que me incentivou, pela vida fora tive poucos professores mas está incluído nesses poucos e por último o Reis que há também muita simpatia e essa é derivada de os Freamundenses serem alcunhados de Espanhóis mas, não lhe perdoo a sua vinda aqui e não me ter avisado.
    A todos, Coisas que Podem acontecer está eternamente agradecido.

  9. oh pacheco! poupa-me os agradecimentos que a leitura dos lençóis é penosa e para representante do estilo já cá temos o poeta da treta. acho que o teu produto vende bem nas tardes da júlia, tenta e diz que vais da minha parte. no hard feelings or bitter taste in the mouth.

  10. desculpa – não tinha recebido ainda, Manuel Pacheco, e até foi bom ter recebido este peido anónimo, há peidos que calham bem, e aqui fica o meu sorriso sobre o teu agradecimento que só agora li: obrigada.:-)

  11. Manuel Pacheco,
    Muito obrigado pelo que é, pelo que faz e como o faz.
    Gosto de o ler na sua lingua, que é minha e a de todos os seus amigos e admiradores.
    Sábio, não é aquele “anónimo”, cuja flatulência pensativa dava para corrigir a nossa divida pública, mas sim o que o meu amigo representa: uma vontade imensa de aprender, sempre, sempre.
    Abraço e melhores sucessos.

  12. albergaria congeminada com freamunde, um exemplo de cooperação literária a seguir pelas restantes autarquias. subsídios já de seguida.

  13. Vergonha minha, ainda não ter dado os parabéns ao Manuel Pacheco. Parabéns pelo blogue, pelos textos, e por esse magnífico comentário. Um abraço.

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