Todos os artigos de Valupi

Nada e tudo

Em 2024, descobrimos que na mais importante democracia do Mundo, por causa do poder global dessa nação, os eleitores preferiram ser governados por quem instigou o mais grave ataque às instituições democráticas dos EUA desde a Guerra Civil, alguém que tem um passado profissional (assumido pelo próprio) de megalomania rapace, e que está envolto em vários casos judiciais, tanto civis como penais. Ou seja, a maioria dos eleitores (desta vez, Trump ganhou o voto popular) não se importa de ter um criminoso na Casa Branca. E fica a suspeita de ser essa uma das suas características mais apelativas para quem lhe deu o voto.

Mas pior estão os russos, que aprovam a política imperialista de Putin. No início da segunda invasão da Ucrânia, havia a ténue esperança de que o povo russo se revoltasse contra a insana destruição e carnificina. Tal não aconteceu, até ao contrário a acreditar nas sondagens, talvez ligado ao facto de haver muitos edifícios na Rússia com cinco e mais andares providos de varandas.

Quanto aos portugueses, têm um primeiro-ministro que se passeia sorridente, feliz da sua vida. E com toda a razão, pois ele era apenas mais um líder do PSD a prazo quando Lucília Gago e Marcelo Rebelo de Sousa reduziram uma maioria absoluta a um parágrafo. Agora, diverte-se a imitar o Chega e a comprar votos. Pouco lhe importa quanto tempo a coisa dure, ele já conquistou o título. Continuará a rir-se pelo resto da sua carreira política.

Que podemos fazer? Nada, óbvio. E tudo. Tudo o que quisermos.

Revolution through evolution

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Dominguice

A 29 de Outubro, ninguém no mundo e arredores imaginaria que o Manchester City se iria afundar num ciclo de derrotas consecutivas e repetidas como não se via no clube há 18 anos. No final do dia 30 de Outubro, igual, apesar de ter perdido contra o Tottenham. O mesmo a 5 de Novembro, quando perdeu com o Sporting, isto depois de ter perdido frente ao Bournemouth. Toda a gente continuava a pensar que Guardiola, tranquilamente o melhor treinador de sempre a avaliar pelos títulos conquistados, num clube cheio de estrelas e dinheiro, e com o gigante Haaland sem lesões, iria voltar à supremacia do costume. Só que não. Paralelo com Rúben Amorim, dado como um génio na paróquia, que se convenceu de ser ele o messias que o Manchester United desespera que chegue. As condições para a sua entrada no actual clube não poderiam ter sido mais favoráveis, com a sua vitória ao City a carimbar a promessa de ser desta que um verdadeiro sucessor de Alex Ferguson aparecia para o clube regressar ao prestígio perdido. Amorim, e legitimamente, acreditava que, acontecesse o que acontecesse, iria sempre ter muito melhores resultados do que Erik ten Hag. Ao chegar ao United, distribuiu sorrisos e confiança, teve excelente imprensa. E disse coisas, como “Vão ver uma ideia” e “Este era o clube que mais desejava treinar”, deixando no ar que tinha recusado ocupar a lugar de Guardiola. E depois veio a realidade, que é esta: actualmente, o MU está pior do que com o holandês. No espaço de duas semanas, o sonho transformou-se num estupendo pesadelo que, lá está, ninguém no mundo e arredores seria capaz de imaginar a 15 de Dezembro.

Os treinadores de futebol famosos não são especialistas em sistemas complexos, nem têm remédios contra a aleatoriedade. São apenas milionários relações-públicas das suas entidades patronais.

A homilia de Jesus

Vamos imaginar que Jesus acha a Igreja Católica a religião mais fixe, dentre todas as que existem. E que ele voltava à Terra, vivinho da Silva. As boas gentes exclamariam coisas do género “Estás como novo, é divinal!” e “O mundo precisa é de um tipo igualzinho ti, um tipo realmente impecável, pá!”. Calhando a parusia ocorrer em finais de Dezembro, e havendo ainda uns dias livres antes do Juízo Final e suas drásticas alterações ao quotidiano, naturalmente o papa de plantão pediria a Jesus para ser ele a despachar a mensagem de Natal. Que diria Jesus? Pediria o fim das guerras e que nos tratássemos como irmãos? Contaria uma parábola nova? Limitava-se a abrir os braços, soltando um sorridente “Deixai vir a mim as criancinhas”?

Esta madrugada, ouvindo na rádio parte da missa do Galo e o noticiário religioso da quadra enquanto fatiava quilómetros até caselas, tive uma epifania a respeito. Sei o que Jesus diria na mensagem de Natal. Sei com certeza absoluta, infalível. Que era isto: "Pessoal, é óbvio que vocês estão muito interessados nas minhas ideias, e cheios de curiosidade para saber se tenho voz de locutor profissional ou de choninhas, mas eu não voltei à Terra para falar, venho para ouvir. Ora, quem aí na assistência é capaz de me explicar que um fulano passe décadas, ou uma vida inteira, a estudar e a repetir o que eu disse há dois mil anos, e depois abuse criminosamente das carências e fragilidades de outros que me procuram, ou então que encubra esses criminosos tornado-se cúmplice num tipo de crime especialmente violento pois destrói personalidades e os seus futuros? Que caralho se passa aqui, foda-se? Foda-se! Podem começar a falar."

Pai Natal, oferece um telelé ao Marcelo!

Por estar em Cabo Verde, informou Marcelo, o Presidente da República não conseguiu ver as imagens da polémica operação policial no Martim Moniz. Mais disse o senhor, com os dois pés bem assentes em solo pátrio, que ainda não tinha tido oportunidade para ver aquilo de que todos falavam.

É no que dá chegar aos 76 anos sem nunca ter usado um daqueles telemóveis que passam vídeos e tudo. E, o que é ainda mais triste, constatarmos que Marcelo não tem ninguém à sua volta que lhe empreste uma maquineta dessas, seja no seu trabalho ou quando convive com amigos e familiares.

Triste. Um verdadeiro triste.

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Dominguice

O suspeito do ataque num mercado de Natal na cidade de Magdeburgo será, num certo sentido, o exacto oposto de um fundamentalista islâmico. Acresce que era psiquiatra e psicoterapeuta, estando na Alemanha desde 2016. No entanto, o que aparenta ter feito com intenção é de uma violência absurda que não se distingue em nada do terrorismo de alegada origem religiosa. Não sabemos se haverá algum discurso racional seu que insira o acontecimento nalgum tipo de lógica ou se ele sofreu um agudo ataque psicótico que esgota o sentido do seu comportamento. Sabemos é que o caso desperta o choque e o ódio na população, dadas as perdas humanas e o simbolismo do local escolhido. Esta reacção, choque e ódio, é não só inevitável como saudável.

Mas se não der lugar à empatia que veja Taleb al-Abdulmohsen como ser humano, como vítima, os terroristas e os fascistas poderão cantar vitória.

Curso de ciência política

«A vida politica tem isso comsigo. Quanto mais estreito e mais apertado é o circulo social onde se manifesta, quanto mais vizinhos e conhecidos são os que vivem d’ella, tanto mais acanhada, mexeriqueira e antipathica se torna. Se a politica do nosso paiz é já pequena, como elle, e degenera em desavença de senhoras vizinhas, que fará das terras pequenas d’este paiz, em que muito acima dos principios e dos partidos estão os mexericos e as vaidadesinhas que brotam como tortulhos á sombra das arvores do campanario?!

Que desconsoladora distancia da realidade ao ideal da vida dos povos!»


A Morgadinha dos Canaviais_Júlio Dinis_1868

Pacheco e o complexo

«Este cidadão que aqui escreve não tem, nunca teve, nem nunca terá qualquer “complexo com a PIDE”, porque a combateu, porque a conheceu, e porque no dia 25 de Abril de manhã era um e de tarde era outro, entre outras coisas por ver os torcionários com medo a fugir pelos interstícios dos buracos onde estavam escondidos.

[...]

A utilização sistemática da violação do segredo de justiça para os jornalistas “amigos”, ou para parecer que há crimes quando não há provas, ou para funcionar como punição sem julgamento, ou — tão mau como isso — a eternização das investigações, escutas telefónicas, violação de prazos e utilização da prisão como mecanismo intimidatório, sempre sem responsabilização e sem apresentar resultados, tudo isto é abuso, abuso de poder e suja uma instituição como o MP e impede que a luta contra a corrupção seja limpa, transparente e eficaz. Eficaz, sem abusos. É mais difícil? Não estou certo, dá é mais trabalho, exige mais competência e uma outra cultura de responsabilidade.»

Pacheco Pereira

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Este homem, que de facto acrescenta conhecimento valioso à cultura portuguesa através da sua faceta de historiador, é para mim o mais importante dos caluniadores profissionais em actividade. A sua importância resulta da capacidade para defender a cidade, as instituições da República, a Constituição, o bem-comum, a liberdade com o seu verbo. Como se pode aferir na citação acima. Os seus colegas na indústria onde enche o bolso não o fazem por terem alergia à decência. Porém, contudo, todavia, este é o mesmo homem que protagonizou, desvairado, tudo o que agora denuncia como práticas nefandas. Em 2009, tomado pela ilusão de ser ele quem iria levar Ferreira Leite a derrotar Sócrates nas legislativas desse ano, andou a espalhar publicamente calúnias gravíssimas que tinham nascido da violação do segredo de justiça e de autêntica espionagem política a um primeiro-ministro. Nessa altura, tentou que os eleitores, a dias de irem votar, acreditassem que havia crimes sem provas. Meses depois, fechou-se numa saleta da Assembleia da República para escutar as gravações e saiu de lá a dizer que eram “avassaladoras”, sem explicar porquê ou no quê. João Oliveira, deputado do PCP que fez o mesmo exercício de devassa, declarou que as escutas não registaram nada com relevância judicial ou política. Este episódio do Pacheco a babar-se de excitação ao chafurdar na intimidade de Sócrates e Vara estava ao serviço da exploração maximalista do Face Oculta em contexto de governação do PS com minoria, tendo sido alimento para uma comissão de inquérito parlamentar que decorria.

Donde, isto da PIDE é conforme, né? Se der jeito, bute sem hesitação. Pinta-se o alvo como monstro, fica justificada a violência. Dá para adormecer descansado. Mas o efeito mais dissoluto do Pacheco Pereira na sociedade — na comunidade — nem corresponde ao seu papel de agente pidesco. O pior vem do que acima está pespegado. O retrato de um Ministério Público onde se cometem crimes. Crimes. Crimes sistemáticos, nas suas palavras. Crimes com intenção e consequências políticas, para lá do efeito devastador que têm nas vidas das pessoas apanhadas pelo MP e entregues aos «jornalistas “amigos”» para serem torturadas e devoradas. Ora, que está a impedir o fulano que combateu a PIDE de ser coerente e consequente com as suas palavras? Por que razão o Pacheco não age de acordo com o seu pensamento, e não parte para novo combate contra o mesmo tipo de mal? Terá medo?

Infelizmente, a resposta mais provável leva-nos de volta a 2009: Sócrates. Se há político, e respectivo partido ao tempo da sua liderança e anos seguintes, que foi atingido por 90%, ou mais, dos crimes do MP é Sócrates. E o Pacheco preferia carregar lenha para o Inferno a mover uma palha na defesa de quem odeia apaixonadamente.

E que tal um Dia Internacional contra a Inânia?

O nosso Presidente da República disse coisas sobre a corrupção: Dia Internacional contra a Corrupção.

5 parágrafos, curtinhos. O primeiro, diz não sei quê do esforço nacional. O segundo, diz não sei quê sobre o bem comum. No terceiro, diz não sei quê de um sobressalto. No quarto, diz não sei quê acerca de não sei quê. E no quinto, diz não sei quê ética e jovens. Há câmaras de vácuo com muito mais substância no seu interior do que a inanidade acima disponível para leitura.

O problema não está no comunicado, este apenas um sintoma. O problema é que, a caminho de 10 anos como Chefe de Estado, ninguém se lembra de Marcelo ter alguma vez dito coisa que valesse a pena reter por alguns segundos na esperança de ter vestígios de relevância acerca do tema. O que contrasta com o seu ainda mais longo passado como comentador-mor, onde gastou centenas ou milhares de horas a gozar à brava com os casos de “corrupção” que foram entalando e queimando magotes de socialistas.

Talvez a corrupção seja uma cena que tenha desaparecido assim que entrou no Palácio de Belém, posto que Sócrates coiso. Pelo menos, no mínimo, não está preocupado com o tal fenómeno que continua a alimentar a indústria da calúnia e a direita decadente. Se estivesse, conseguiria dizer algo de factual, concreto, tangível sobre corrupção em Portugal. Não consegue, caso encerrado.

Honra lhe seja, imita os caluniadores profissionais. Se estes também não conseguem apresentar sequer um número a respeito, por que razão haveria um tipo que ofende os portugueses estar a chatear-se com matéria tão abstrusa e perigosamente definidora do carácter de quem sobre ela discursa?

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Dogs use two-word button combos to communicate
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Study finds some audience members believe brilliant characters who aren’t white males are “unrealistic,” even when based on real people
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Dominguice

É possível, é benéfico, ser-se radicalmente simplista em certos assuntos. Como neste, pessoas. Há dois tipos, e só dois. Aqueles que sabem e aqueles que não sabem. Aqueles que sabem, sabem que não sabem apesar do tanto que sabem. Aqueles que não sabem, não sabem sequer aquilo que sabem. Depois acontece isto: 知者不言,言者不知. Uma forma de definir a maturidade, ou ainda melhor a sapiência, consiste na capacidade para perceber a que grupo pertence aquele que ouvimos ou lemos. Só um dos grupos tem a cultura da humildade. Só um dos grupos nos quer enganar.

Sorte a nossa se convivermos com quem sabe que não sabe.