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Um pulha é um pulha é um pulha

O antigo presidente social-democrata Marques Mendes defendeu na terça-feira que o PSD deve “ter a coragem” de dizer mais vezes que “a maior falha” foi cometida pelo anterior Governo, que “lançou o país na bancarrota e meteu cá a ‘troika'”.

“A falha maior cometida no país foi do anterior Governo, que lançou o país na bancarrota e meteu a ‘troika’ cá dentro. O PSD muitas vezes não faz esta parte de combate político, e devia fazer”, afirmou Luís Marques Mendes, na terça-feira à noite, na apresentação da candidatura laranja à Câmara de Almada.

30 de Abril de 2013

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Num artigo do “Financial Times” desta semana, Paulo Rangel e Marques Mendes são citados como sendo a favor de que Portugal peça ajuda externa o mais rapidamente possível.

Parece que as coisas se perspectivam mais ou menos assim, para alguns dirigentes do PSD: Portugal é forçado a pedir apoio maciço externo, reconhecendo de uma vez por todas que as taxas de juro da divida pública são incomportáveis. Imediatamente o Presidente da República convoca eleições, que o PS vai perder e o PSD vai ganhar, quem sabe até com maioria absoluta. Haverá lugares para “boys” e “girls” que estão fora do poder há anos. E o principal problema de Portugal, isto é, o facto de termos um governo liderado por José Sócrates, ficará resolvido. Vamos todos à nossa vida renovados, com o sol a brilhar e os horizontes largos. A cereja em cima do bolo será que o PSD poderá enquanto governo responsabilizar o PS, a Angela Merkel, a Comissão Europeia, ou o Jean-Claude Trichet, à vez, por tudo o que de medidas de austeridade tiverem que ser tomadas durante toda a legislatura.

Infelizmente, esta atitude tão “blasé” do PSD em relação à inevitabilidade da ajuda externa é contrária aos interesses do País. A ideia de que uma intervenção externa igual à da Grécia e Irlanda pode ser benéfica para Portugal já foi desconstruída várias vezes. Desde logo, pelo que está a acontecer naqueles dois países: desde que solicitaram ajuda as taxas de juro associadas às suas dívidas públicas não desceram. Pelo contrário. Actualmente os mercados estão interessados em testar a solidez do euro. O que está em causa é a própria sobrevivência da moeda única.

[…]

Ao longo dos últimos meses, José Sócrates e Teixeira dos Santos têm feito bem em resistir às supostas evidências de necessidade de recurso à ajuda externa invocadas por um coro de operadores económicos, muitas vezes anónimos, e agora pelo PSD. Sócrates será teimoso, mas a sua resistência tem objectivos políticos reais. Porque enquanto Portugal tem resistido, a conjuntura e a forma de auxílio a Portugal tem-se tornado ligeiramente mais favorável.

A resistência de Sócrates serve Portugal, 3 de Março de 2011

Testa aqui o teu QI*

Lê o texto abaixo e diz-nos de tua justiça: é de direita ou de esquerda? Ou não será nem de uma coisa nem de outra?

A consolidação orçamental delineada neste [XXX], ao criar um quadro de estabilidade e sustentabilidade financeira, robustece os “fundamentais” macroeconómicos e gera maior confiança na nossa economia. As políticas estruturais em que assenta a sustentabilidade desta consolidação orçamental permitem, por sua vez, promover a Ciência, a Tecnologia e a sociedade da informação, melhorar a qualificação dos portugueses e, através de uma profunda reforma da administração pública, reduzir a burocracia e simplificar o sistema fiscal. Criam-se, assim, condições para um ambiente no qual a iniciativa privada, dos cidadãos e das empresas, possa afirmar-se cumprindo o seu papel primordial e incontornável no relançamento da economia, identificando oportunidades, assumindo riscos, investindo e criando emprego. Só com este contributo decisivo será possível colocar de novo Portugal na rota do desenvolvimento económico e da coesão social, uma rota que nos aproxime dos padrões, mais elevados, da União Europeia.

*QI: Quociente de ideologia

Atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher

Podemos perder votos, mas não vendemos ilusões. E é esta cultura que queremos levar para o novo Governo de Portugal. Uma nova cultura do exercício do poder, um princípio que já aplicamos hoje na oposição: o de não prometer nada na oposição que não tenhamos a certeza que não possamos vir a fazer quando formos Governo. Honrar as promessas feitas é o melhor contributo que temos a dar para aumentar a confiança dos portugueses no sistema político. […] Só através do bom exemplo – e como está carenciada a vida pública portuguesa de bons exemplos por parte dos governantes e dos políticos… – nós podemos aspirar a merecer a confiança dos portugueses.

Seguro, discurso de encerramento do XIX Congresso Socialista, minuto 35

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O actual secretário-geral do Partido Socialista não poupa na farronca: anuncia-se como o “bom exemplo” para o conjunto dos governantes e políticos portugueses. Antes dele, a miséria moral. Com ele, a salvação messiânica. Uma consulta rápida à memória confirma que esta auto-confiança e apreço por si próprio constitui o núcleo principal da sua visão para a sociedade. Na prática, o que Seguro pretende é viver rodeado de indivíduos que lhe confirmem através de movimentos basculantes da cabeça e palmadinhas nas costas que sim, que é ele e só ele quem dá os bons exemplos.

Há dois anos, no XVIII Congresso, Seguro prometeu obrigar os membros do secretariado nacional do PS, assim como todos os candidatos socialistas às futuras eleições autárquicas, europeias e legislativas, a assinarem um código de ética. Nunca mais se ouviu falar desse documento, daí não se saber o que poderia conter, mas à partida seria um manual para que qualquer dirigente, candidato e militante pudesse dar bons exemplos sem ter de estar sempre a perguntar ao Seguro como se faz. O desaparecimento de tão valioso código está envolto em denso enigma. A menos que se trate já, afinal, de um daqueles exemplos bons com que Seguro vai trazer para a sua base de apoio as multidões desiludidas com a política. De facto, o problema de termos muita gente a dar bons exemplos é o de isso gerar uma indiferença generalizada. O povo deixaria de valorizar o esforço, acabando por se afastar. “Não”, pensou Seguro, “que se lixe a imposição de um compromisso de honra à rapaziada – tenho de ser eu a mostrar o caminho, a conduzir as massas, a suportar sozinho o homérico peso da exemplaridade”.

No fundo, tudo se resume ao princípio proclamado com pompa:

não prometer nada na oposição que não tenhamos a certeza que não possamos vir a fazer quando formos Governo

Sejamos elevados o suficiente para esquecer que esta fórmula com três negativas quer dizer, se o plano ainda for o de respeitar a lógica, que estará em causa prometer na oposição apenas aquilo sobre o qual exista a certeza que não vai ser feito, e fiquemo-nos com o que, aparentemente, Seguro queria transmitir. Trata-se, segundo afiança, de “uma nova cultura do exercício do poder“, pelo que dá ideia de ser uma cena bué importante. Pelo menos, ficamos logo a saber que os anteriores secretários-gerais do PS não a perfilharam, caso contrário ela não seria nova, a estrear. Quem antecedeu Seguro na liderança do partido, garante Seguro ao partido que lidera pelo exemplo, andou a vender ilusões para não perder votos. Onde, quando e de quem é que ouvimos cassete igual?…

Há algo, ou há muito, de estouvado em conceber a governação como uma prova de apego a promessas eleitorais só pelo facto de terem sido apresentadas. Isso parece colidir com o princípio de realidade, e levado às suas consequências máximas acabava com a própria necessidade de um Governo. Contudo, Seguro não se atrapalha com estes aspectos mais aborrecidos da questão, e cá estaremos para ler o seu programa eleitoral a essa luz ofuscante. Lembremos, só para terminar o devaneio, a nobre inspiração que está na origem de tão ambicioso projecto de regeneração da política portuguesa:

A presidente do PSD criticou este domingo as novas promessas de apoio social anunciadas por José Sócrates, considerando que o secretário-geral do PS devia ter «vergonha» das promessas que fez e não cumpriu nos mais de quatro anos de Governo.

«Pois não só não tem vergonha como ainda por cima agora anuncia outras tantas promessas para depois não cumprir caso ganhe as eleições», afirmou Manuela Ferreira Leite, citada pela agência Lusa, que falava no decorrer na Festa de Verão do PSD de Vila Real.

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«Não prometo nada que não tenciono fazer e digo apenas aquilo que considero possível fazer e que está de acordo com as prioridades que o País enfrenta (…) eu como potencial responsável por um governo não devo, não quero nem faço promessas que não tenciono cumprir por não ter essa possibilidade», afirmou Manuela Ferreira Leite

Revolution through evolution

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Socorro!

Depois do “balde de água fria” da intervenção de Sérgio Sousa Pinto, os elogios de Álvaro Beleza.

O dirigente socialista dirigiu um voto de confiança a António José Seguro: “Conseguiste unir o partido, vais unir o país”, disse-lhe. Para, depois, o classificar como “honesto, dedicado, humano, rigoroso, atencioso”. “Um homem de caráter execional”, resumiu.

Seguro comoveu-se.

Fonte

Nas muralhas da cidade

Para quem não milite num partido, nem simpatize com algum partido, nem seja evangelista nem sectário de alguma ideologia de funda convicção ou epidérmica adesão, e que, mesmo nesse abandono e plasticidade, se saiba e queira apaixonado pela cidade – o meu caso – a situação é esta e só esta:

– PCP e BE propõem um modelo de sociedade com laivos românticos, utópicos ou alucinados (riscar o que não interessa), o qual, em coerência, não lhes suscita qualquer exercício de demonstração de viabilidade. Se a fizessem, ganhariam logo as próximas eleições com 90% dos votos. Como não a fazem, contentam-se em boicotar a democracia e chularem a República, resignados e acomodados ao tribalismo que lhes dá a identidade e o sustento.

– PSD e CDS não propõem qualquer modelo de sociedade, pela simples razão de já se encontrarem a viver no seu modelo favorito, este em que detêm a superioridade económica, financeira e social. Só se preocupam, em coerência, com o projecto do poder pelo poder. Esta condição conduz inevitavelmente a uma decadência intelectual e moral, terreno fértil para a baixa política, a cultura da calúnia e a praxis conspirativa a que reduzem o “fazer política”.

– O PS propõe o cumprimento da democracia liberal, a qual é inerentemente um processo de ininterruptas reformas. As reformas são inevitáveis pelo próprio sucesso da liberdade democrática e pela ontologia do devir histórico, os quais geram constantemente estruturas e circunstâncias novas que pedem correspondente adaptação do regime e da comunidade. No PS encontra-se o melhor do legado romântico da esquerda com o melhor da tradição pragmática da direita. Daí o PS ser atacado à vez, ou em simultâneo, pelas extremidades do sistema dado ocupar o centro agregador da comunidade agente.

Ora, este é o retrato do bloqueio que nos faz mal. Não vemos nos protagonistas, em nenhum deles, as capacidades, sequer o intento, para alterar o status quo. Que fazer? Um desfecho benéfico seria o enfraquecimento do PCP e do BE até ao ponto em que uma de duas coisas acontecesse: ou aceitavam governar em democracia, passando a negociar soluções com o PS, ou desapareciam do Parlamento, acabando o seu disfuncional papel. Igualmente benéfica seria a chegada à liderança do PSD e do CDS de uma geração de líderes que recusasse a decadência e passasse a ter o interesse nacional no centro das suas prioridades. Muito provavelmente, essa alteração de cultura seria ela própria suficiente para longos períodos de supremacia eleitoral a sós ou em coligação com o PS dada a concentração de inteligências e vontades no desenvolvimento de propostas para o enriquecimento do País.

Se nada do que atrás foi exposto acontecer, e para aqueles que continuarem a querer honrar o seu estatuto de seres livres, a terceira alternativa é a de todos os tempos e lugares: saírem de casa, chegarem-se à frente de peito cheio e descobrirem nos vizinhos os amigos com quem vão lutar nas muralhas da cidade.

Mais um feriado para o galheiro

Os sabujos da linhagem de Miguel de Vasconcelos que acabaram com os feriados da Implantação da República e da Restauração da Independência – apenas e só para que dessa forma os “mercados” ficassem a saber que tinham a sua gente a tomar conta da piolheira e disposta a roer os ossos dos portugueses – conseguiram destruir mais um feriado: o 25 de Abril.

Em 2013, a maioria dos deputados presentes no Parlamento para a sessão solene de comemoração dos 39 anos da “Revolução dos Cravos” aplaudiu e aclamou com urros e espasmos mais um comício do Golpista de Belém. Disse esse activíssimo e poderosíssimo reformado que as eleições são um instrumento ultrapassado, inútil, face à superioridade da Troika. O que a Troika quer é o que deve ser feito, mesmo quando o que quer está errado, e até muito errado. Por exemplo, explicou aquele que alguns reconhecem como primeiro magistrado da Nação, a realidade mudou muito, tanto que em dois anos os pressupostos do Memorando perderam sentido. Que pode fazer o Governo de Portugal nessa ingrata situação? Segundo o homem que desconfia da segurança dos seus emails, nada de nadinha de nada. Já ele, o Comandante Supremo das Forças Armadas, está em condições de resgatar a honra perdida. Ora pasme-se com a bravura:

Assim, alguns dos pressupostos do Programa não se revelaram ajustados à evolução da realidade, o que suscita a interrogação sobre se a «troika» não os deveria ter tido em conta mais cedo.

Pimba. Tomem lá uma interrogação. Catrapau. É desta fibra a nossa direita, aprendam. Ah, vocês da Troika estão a dar cabo disto tudo porque nem sequer com a realidade conseguem atinar? Então, olhem, vamos interrogar-nos acerca disso… E depois não se queixem… Estamos a avisar, ok?… Ok???…

Antigamente, o 25 de Abril servia para reviver na comunidade o ideal de soberania, democracia e liberdade onde já nasceram duas gerações de portugueses e têm vivido milhares de imigrantes. Agora, o 25 de Abril serve para o Presidente da República ir à Assembleia da República informar os deputados da suspensão de um país chamado Portugal – e já não por 6 meses mas por tempo indeterminado.

Cidadãos avisados começarão de imediato a recolher assinaturas para que em 2014 o feriado seja oficialmente abolido de modo a não voltarmos a passar por tamanha humilhação.