Todos os artigos de Valupi

És tão bronco

Estou convicto de que mais de 80% dos socialistas parecem achar que a política não depende das circunstâncias e das possibilidades reais, mas apenas das vontades. A sua ideia é que a política deve comandar totalmente a economia e esta deve estar ao serviço dos desígnios daquela, ou seja, não deve ser limitada pela realidade, pelo contrário, deve impor-se-lhe.

É por isso que quando se lhes diz que não há dinheiro, respondem que sim, que há! O dinheiro aplicado hoje é - respondem - investimento com retorno no futuro (andamos nestes anos a ver esse retorno, e de que maneira...). Dizem também uma frase arrogante que cala qualquer ignaro: "um país não se gere como se fosse uma casa", o que tem o mesmo valor substancial de um carro não se conduz como um avião, embora tanto um como o outro precisem de ser conduzidos.

Henrique Monteiro

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Uma das principais noções de Economia – especificamente, macroeconomia – é a de que as decisões individuais obedecem a uma lógica diferente das decisões colectivas. Individualmente, se uma pessoa decidir gastar menos irá conseguir poupar mais. Socialmente, se todos os indivíduos decidirem gastar cada vez menos a economia entra em colapso pois deixa de haver trocas comerciais, consumo, produção e emprego. Logo, a economia de um Estado não se rege pelas regras válidas para a economia das famílias. Mas estes princípios básicos não atrapalham o Monteiro dos carros e dos aviões, o qual passa o tempo a avisar o povo para fugir dos socialistas perdulários e irresponsáveis.

Os socialistas, explica pedagogicamente, são uma espécie de loucos. Como doidos que são, têm alergia à “realidade”. Na “realidade”, a economia é que manda na política, revela-nos o Monteiro, e os socialistas insistem na sua maluquice de ser a política a ter de mandar na economia. Este cromo, que já foi director do Expresso e que já brilhou numa comissão de inquérito onde foi fazer queixinhas de Sócrates por causa de um telefonema que durou mais de uma hora, considera que as circunstâncias económicas são a verdade e que as decisões políticas que ponham em causa essa verdade devem ser denunciadas como lunáticas. Tudo bem, os broncos também têm direito à liberdade de expressão. Só é pena que o Monteiro não emigre para um país onde esteja em vigor esse modelo apolítico. Nesse poiso onde a economia seja lei e a política uma fantochada – onde, portanto, não exista um Estado de direito nem uma representação democrática mas apenas o soberano mercado – o Monteiro dos telefonemas seria feliz. Poderia, finalmente, ver-se livre dos socialistas.

Seguro, o homem que veio para limpar a porca

Os anos do passadismo troiko são também os anos de um desastre chamado António José Seguro. Um líder da oposição que elegeu como uma das suas primeiras três prioridades nacionais… a corrupção no PS. Para a combater, Seguro prometeu que iria obrigar os membros do Secretariado, vejam bem, à “assinatura de um compromisso de honra” em como respeitariam um “código de ética” a desenvolver para o “exercício de funções públicas“. Ora, qualquer criança com 4 anos já sabe que Seguro é aquele político que veio para dar “bons exemplos”, veio para criar “uma forma diferente de fazer política”, a qual passaria a ser “com ética e com transparência”, pois então. Mas não só, Seguro também se anunciou como o político que só promete o que pode cumprir, não é como a restante cambada. Por exemplo, Seguro pode acabar com todos os sem-abrigo em 4 anos. Já o prometeu, portanto vai conseguir. É apenas uma questão de o meterem no poleiro e está feito. Por acaso, ainda não se lembrou de prometer a cura para o cancro e o fim da fome em África, porque teriam igual destino. Foi só porque não calhou. Assim, existirá algures nas instalações do PS um “código de ética para o exercício de funções públicas” que os candidatos socialistas conhecerão de ginjeira e cujas respectivas assinaturas num “compromisso de honra” garante que irá ser cumprido sem mácula nem vacilações. O facto de ninguém na opinião pública saber do que se trata ou contém é apenas um pormenor sem qualquer importância na grande engenharia celeste.

Em vez de, desde a primeira hora, o PS ter denunciado a traição que PSD e CDS fizeram ao afundarem o País para terem cobertura estrangeira para todo o tipo de vilanias e reengenharias sociais, em vez de vermos o PS a desmontar a violência constante de um Governo que despreza, humilha e odeia os portugueses, vimos Seguro a ser cúmplice de Passos no ataque ao Governo anterior e a ser sistematicamente achincalhado e metido no bolso. Acaba com esta cena gaga de Seguro ter exigido aquilo que o Governo acaba exactamente de lhe dar.

Felizmente, o PS vai sobreviver a este homem e reocupará o seu lugar de esteio da democracia nascida de Abril.

Revolution through evolution

Girls Make Higher Grades Than Boys in All School Subjects, Analysis Finds
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Women leaders perceived as effective as male counterparts, study reports
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Big sisters do better: New study of siblings finds eldest girls have the edge
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Lower verbal test score for toddlers who play non-educational games on touch screens
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Experimental drug prolongs life span in mice
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Around 60% of people who contemplate or attempt suicide do not receive treatment
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Don’t Like the Food? Try Paying More

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É escolher

Passos e Portas não nos caíram em cima da cabeça por misteriosas avarias divinas. Há uma história muito simples de contar da sua chegada ao poder, a qual não mereceria especial atenção não se desse o caso de estarmos perante o maior logro eleitoralista de que há registo em democracia (se existe outro maior, venha ele), logro esse que passou por afundar o País custasse o que custasse. Eis que voltaram a violar o seu pacto eleitoral feito de juras e promessas aos cidadãos e à sociedade com este anúncio de mais empobrecimento sob o título DEO. Aos actos devemos somar as inenarráveis declarações onde fica claro que a estratégia de comunicação do Governo é manter um permanente nevoeiro de guerra. As contradições entre os membros do Executivo, e dos governantes consigo próprios – que já nem são mensais ou semanais, podem ser diárias e até horárias – cumprem a função de confundir e anestesiar imprensa e opinião pública.

Demos um saltinho a meados de 2010. Estava a todo o vapor o plano para reeleger Cavaco e, logo de seguida, derrubar um Governo minoritário a ser queimado em altas labaredas tanto pela direita como pela esquerda no meio da maior crise económica internacional em 80 anos e da maior crise política e financeira da União Europeia desde o começo do euro. Na comunicação social a exploração dos “escândalos” socráticos era intensa, feroz e maníaca. Ernâni Lopes, já consciente de estar no fim do seu tempo de vida, junta-se ao Crespo, Medina Carreira e João Duque para deixar o seu último contributo para a Grei, uma síntese holística a caber num A4. Quem tiver estômago para ver, ou rever, este programa poderá satisfazer uma curiosidade cheia de significado e contar quantas vezes os participantes chamaram “aldrabões” a Sócrates, Vieira da Silva e tutti quanti. E qual o motivo para a adjectivação chula? Aparentemente, os socialistas eram aldrabões porque tinham ideias diferentes das deles, e juntamente com essas ideias apresentavam outras contas e outros cálculos. Vejam só, haver quem discorde da gente séria em matérias de economia e política… Que falta de respeito dos xuxas, essa máfia.

Com o máximo de consideração que a pessoa e a sua memória me merecem enquanto concidadão, temos de perguntar o que diria hoje Ernâni Lopes tanto do grupo que ajudou a chegar ao pote como da figura que fez neste programa. Por exemplo, ninguém teria imaginado que a Ferreira Leite viesse a ser um dos principais rostos da oposição a Passos, pelo que talvez ele também fizesse uma qualquer mea culpa. E independentemente dos factores subjectivos que estivessem a influenciar as intenções do famoso economista nessa fase crucial da sua existência, o facto é que a retórica por ele assumida foi a mesma que já antes e depois a direita utilizou no tiro ao carácter de Sócrates e de quem o apoiasse, ou tão-só que não o atacasse, mesmo que fosse um mija na escada qualquer.

Vem nisto uma conclusão óbvia: Passos e Portas são apenas o topo do icebergue de uma direita decadente, rapace e traidora – ou simplesmente muito estúpida, é escolher.

Cineterapia

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The Act of Killing_Joshua Oppenheimer
a imagem que falta
L’image Manquante_Rithy Panh

Num feliz acaso, tem sido possível nas últimas semanas estar em Lisboa e ver estes dois documentários em ecrãs que lhes fazem justiça. São como o lado côncavo e convexo de uma mesma realidade, a violência política extrema que culmina com uma desumanização absoluta e com assassinatos em massa. E são dois exercícios artísticos de uma originalidade que nos envolve radicalmente e conduz-nos ao espanto.

Ao filme de Joshua Oppenheimer não basta ser visto para se acreditar no que mostra. Ficamos do princípio ao fim incrédulos, literalmente de boca aberta, com o que nos aparece à frente. Trata-se de uma das mais poderosas experiências mediáticas dos últimos anos, e é preciso ter muita memória, e muita erudição, para ir buscar algo que se compare.

O filme de Rithy Panh assume o registo biográfico e faz dele o trampolim para se elevar a uma visão de alcance histórico. A solução cinematográfica para dramatizar a violência “que falta” alia a elegância estética com a tristeza pungente de um testemunho de viva voz. A eficácia desta forma serve liricamente o conteúdo da mensagem, elevando-a a uma dimensão universal.

Que têm em comum as mortes de civis indonésios comunistas, ou supostos comunistas, na Indonésia, com as mortes de civis cambojanos às mãos de comunistas, ou supostos comunistas, no Camboja? Ideologicamente, nessa superfície dos rótulos, são fenómenos que estão no extremo oposto. Quanto à tipologia dos crimes, assemelham-se, ambos podendo configurar genocídios pelo número de mortos causados. Dado o grau máximo de violência dos casos documentados, os filmes são registos antropológicos e filosóficos antes e depois de o serem políticos e sociais, exibindo de modo complementar um mesmo olhar sobre a natureza humana.

Os assassinos estão entre nós porque nós somos os assassinos. Estes documentários são duas lições magistrais sobre essa verdade de todos os tempos e lugares.

Vasco, o improvável turiferário

Se VGM era um príncipe da escrita e na cultura, era também, num assumido contraste, um ferrabraz na política, embora, falado pessoalmente, estivesse sempre muito distante da ferocidade adjectivada dos seus artigos. O homem que esteve com Sá Carneiro e dele se afastou (e que dele se mantinha bem crítico) era, contudo, o mais improvável turiferário de uma figura como Cavaco Silva, depois de ter arrastado a asa a esse ridículo projeto de moralismo político que deu pelo nome de PRD.

Francisco Seixas da Costa

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A questão aqui tocada no texto citado pode ser alargada a toda a elite intelectual da direita, sejam eles quem forem. O ódio alucinado que Vasco Graça Moura derramava nas suas intervenções de teor político são uma característica apenas do período de Governos socráticos. Acontece que ele não era a excepção quanto ao estilo e conteúdo das suas catilinárias, antes apenas mais uma voz no meio de um imenso berreiro na comunicação social. Mas, mesmo assim, surpreendia, ou até espantava, ver um homem de alta cultura a esboroar o seu prestígio em exercícios de uma violência patética, se não fosse doentia. E podemos deixar sem comentário o favor que VGM concedia a uma figura moral e intelectualmente nula como Cavaco, pois para andar na política, de facto, não é preciso saber quantos cantos têm os Lusíadas.

À interrogação de Seixas da Costa temos de juntar a memória do que Cavaco fez aquando do funeral de Saramago. Não só se recusou a estar presente como deu como desculpa estar de férias. Ter continuado a defender politicamente um fulano que ofendia o sentido mais essencial da função de Presidente da República, isso de representar o Soberano, na ocasião em que o Povo prestava homenagem a um dos seus melhores no campo das artes e do prestígio nacional, leva-nos para um corolário fatal: ninguém que se assuma como amante da cultura, ou como patriota, pode aceitar ser vexado por quem exerce a função de chefe de Estado de forma sectária, rancorosa e vil.

Pelo que há uma grande diferença entre ser e parecer. VGM foi uma pessoa que passou a sua vida no circuito mui apelativo e confortável da alta cultura portuguesa, e aí deixou obra de mérito e aplauso. Mas só isso não chega para ser um exemplo de cultura ou de patriotismo. É preciso juntar-lhe a grandeza e a coragem. Aquilo, precisamente, por que Cavaco não ficará conhecido na História.

Revolution through evolution

Neurotics don’t just avoid action: They dislike it, study finds
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Cyber buddy is better than ‘no buddy’
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Rural microbes could boost city dwellers’ health, study finds
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Why Habitable Exoplanets Might Mean Humanity Is Doomed
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Teachers’ Scare Tactics May Lead to Lower Exam Scores
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Mental Illness Not Usually Linked to Crime, Research Finds
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Taking a Walk May Lead to More Creativity Than Sitting
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Not Having Much Luck with Relationships? Be Humble, Study Finds

Um chicote tem muita serventia

Heródoto conta a seguinte história nas suas Histórias, livro IV. Os citas eram um povo que costumava cegar os seus escravos para que fossem mais fáceis de dominar e mais produtivos na recolha e transformação do leite. Uma vez, os homens citas abandonaram a sua terra para irem combater os medos durante 28 anos, muito longe dali. Ao finalmente voltarem a casa, encontraram um grande fosso e muitos jovens à sua espera para os impedir de entrar no território. Esses jovens eram os filhos nascidos das mulheres citas que haviam ficado e dos escravos cegos. Tinham nascido com a capacidade de ver e viam que eram iguais aos senhores que escravizaram os seus pais. Então, os citas lançaram-se contra eles com as suas armas de combate, lanças e arcos, mas os jovens lutaram ferozmente e conseguiram resistir. Até que um guerreiro cita se lembrou de pedir aos seus camaradas para abandonarem as armas e pegarem apenas nos chicotes usados nos cavalos. Disse: “Ao verem-nos com armas, pensam que são iguais a nós. Mas se nos virem apenas com chicotes, saberão que são escravos.” Assim fizeram e os jovens fugiram deles cheios de medo.

Este relato tem sido divulgado vezes sem conta dada a sua natureza exemplar. Também na escravidão moderna, especialmente na americana, o chicote era visto como algo mais do que apenas um instrumento de agressão física. Ele simbolizava a despersonalização do escravo, reduzido à sua condição animal. E hoje, em Portugal, é um muito bom dia para regressarmos a esta lição com mais de dois mil anos.

Porque hoje, em Portugal, celebramos o fim de uma ditadura que reduziu a existência dos meus avós e pais a algo congénere com a escravidão nisso de os ter obrigado a viver grande parte da sua vida sem liberdades e sem desenvolvimento económico e social. E porque hoje, em Portugal, temos no poder senhores que mentiram, caluniaram e ofenderam só para conseguirem estar na posição em que nos podem tratar a chicote. O chicote, devidamente escondido até às eleições de 2011, consiste no discurso e nas acções que nos reduzem a estróinas e madraços, culpados por toda e qualquer vilania que este Governo se lembre de fazer no seu grande projecto de garantir o futuro radioso, ou tão-só seguro e confortável, aos seus membros e apoiantes. É por isso que estes senhores, assim que já não precisaram do voto dos tansos que enganaram, de imediato nos mandaram emigrar, nos disseram para não sermos piegas perante o desemprego e o empobrecimento, rosnaram para comermos e calar pois eles, os nossos senhores, eram os nossos salvadores. As chicotadas eram para o nosso bem. Chicotadas para acabar com o regabofe no jardim à beira-mar plantado.

Pelos vistos, resulta sempre.

Um caso de consciência

Cavaco seria um notável caso de estudo, ou estudo de caso, da duplicidade moral em pessoas com autoridade pública, mas num grau em que se atinge expressão esquizóide, calhando haver alguém nesta terrinha com coragem para o elaborar. Não havendo, resta pegar no que está espalhado por aí. E com esta ressalva: há uma lógica cristalina na aparente bipolaridade patológica de Cavaco, uma lógica que consiste em atacar o PS e ajudar o PSD.

Na passada terça-feira, repetiu uma mensagem que lhe temos ouvido com insistência no último ano – e sob diversas variações ao longo dos anos em que se tem apresentado como o político acima da “politiquice” e, portanto, acima e distante de todos os outros políticos:

O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou hoje que é nas empresas que está "o grande pilar da recuperação do país" e não nos "faits divers", porque "intrigas, agressividades, crispações, e insultos entre agentes políticos" não promovem o crescimento económico.

Fonte

Com este Governo, há finalmente um Presidente da República que espalha harmonia e pacificação. Os propósitos não poderiam ser melhores, esforçando-se o Chefe de Estado por elevar a qualidade do debate político. Cavaco é o nosso supremo guia, apontando a meta no horizonte para a qual todas as acções de todos os políticos devem convergir: o crescimento económico; isto é, levar o pão a casa de quem trabalha, em vez de se andar a perder tempo e energia em palavrório que não puxa carroça e ainda deixa as cabeças muito confusas e com ideias perigosas. Quem não aprovar estes sábios conselhos do Professor, lídimo representante da gente séria, não poderá ser bom chefe de família e talvez deva ser barrado à entrada do Estádio da Luz, escusado será lembrar.

Certo. Aliás, se não existissem partidos nem nunca o Sócrates tinha levado esta merda à bancarrota com os aeroportos e TGVs que andou para aí a construir à maluca, mais aquela cena do apartamento comprado à máfia russa com dinheiros das PPP. O Medina Carreira era primeiro-ministro vitalício desde 1975 e reinaria a felicidade e a opulência (embora não necessariamente por esta ordem). Certíssimo. Então, como explicar o que o mesmo Presidente da República andou a dizer e a fazer antes de 5 de Junho de 2011?

Cavaco regista duas espectaculares inovações que os 30 anos de actividade presidencial anteriores à sua entrada no Palácio de Belém não foram capazes de produzir: a Inventona de Belém e o discurso da tomada de posse do seu 2º mandato. No primeiro episódio, estamos perante uma tentativa de perversão e manipulação de dois actos eleitorais, legislativas e autárquicas, levado a cabo por um órgão de comunicação social e a Casa Civil, ambos contando com o apoio explícito de Cavaco. No segundo, estamos perante um comício no Parlamento onde se pediu a demissão do Governo pela rua. A forma como a sociedade portuguesa reagiu a estas afrontas ao Estado de direito, à República e à democracia é bem o nosso mais nítido retrato enquanto comunidade que não se respeita a si própria. Deixemos, pois, essas misérias e vejamos dois outros exemplos já esquecidos:

Cavaco duro como nunca para Governo e empresários2009

Cavaco Silva não acredita que o Governo desconhecia negócio entre PT e TVI2010

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