Todos os artigos de Valupi
A campanha pelo estado de excepção
Pedro Mexia – Se no fim deste processo, num processo desta natureza, contra um ex-primeiro-ministro, o crime realmente grave não é provado... isto é um flop grande. E eu não consegui ainda, em nenhum momento...
João Miguel Tavares – Mas as leis portuguesas estão feitas para esse flop existir, não é?...
Pedro Mexia – 'Tá bem, mas se há um flop probatório...
João Miguel Tavares – Mas a questão é que eu não acho. Acho que a coisa mais importante neste processo, apesar de tudo, é avaliar quem é que é aquele homem.
Governo Sombra – 8 de Novembro
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O Presidente da comissão das comemorações do 10 de Junho de 2019 assumiu há semanas, num programa de televisão, que (i) as instituições e entidades públicas que o escolheram, e que ele aceitou representar, para ser o rosto e a voz de um dos mais simbólicos feriados da Pátria são cúmplices de criminosos e que (ii) a “Operação Marquês” é um processo judicial cuja finalidade não é descobrir se eventuais crimes foram cometidos, e de que modo, e com que gravidade, antes a devassa, humilhação e condenação moral e política de um dado cidadão e do partido a que pertenceu. A seu favor, o facto de não ter sido a primeira vez que bolçou tal, a que se junta a evidência de ser exactamente assim que a indústria da calúnia e a direita decadente têm explorado o processo desde o período em que ele ainda não existia oficialmente mas já circulava no meio político-jornalístico e dava origem a reportagens em Paris e a tentativas de golpadas com a chancela da PGR para ajudar Seguro no páreo com Costa. Também a seu favor o facto de aceitar servir e promover aqueles que, garante e repete com dolorosa vontade de se partir à gargalhada, usam o Estado para ajudar os corruptos a escaparem impunes; logo, que são igualmente corruptos e que, na plena posse dos seus poderes corruptores e corrompidos, o emolduravam em Portalegre – o que faz do João Miguel Tavares, afinal, farinha do mesmo saco, para ir buscar a metáfora favorita do veterotestamentário Jerónimo.
O que releva, em tudo o que diga respeito ao caluniador profissional entronizado por Marcelo Rebelo de Sousa à custa da dignidade da República, é sempre quem lhe paga, ou quem o usa, ou quem se cala. No caso, o primeiro silente foi Pedro Mexia, fulano que ostenta uma licenciatura em Direito pela Universidade Católica no seu currículo. Que diria este licenciado em Estado de direito e seus códigos legais se tivesse de justificar a sua registada concordância com a acusação alucinada e fétida de termos leis feitas de propósito – portanto, com a conivência do Parlamento e dos eleitores, dos Presidentes da República e dos tribunais, passando pelos Governos e pelo Ministério Público, a que se junta a imprensa e a sociedade civil – para permitir impunemente a corrupção das mais altas figuras do Estado? Que diria este infeliz se o destino lhe pregasse a partida de ter de opinar na televisão, ou que fosse da varanda de sua casa, sobre a ideia de poderem existir processos judiciais cujo móbil “mais importante” não é o respeito pela Constituição e a aplicação da Lei, antes a “avaliação” de alvos políticos? E que diria o Sr. Araújo, esse exemplo deslumbrante da inteligência mais apurada ao serviço da liberdade mais indómita, calhando sujeitarem-no à mesma curiosidade? E que diria o alegrete, o pachola, o galhardo representante do mais nobre jornalismo, de seu nome Carlos Vaz Marques, se colocado entre as mesmas perguntas e a parede? E que diria Sérgio Figueiredo, director de informação da TVI, se interrogado sobre a utilidade social e/ou cultural de espalhar no espaço público esse programa político de ódio a Portugal e a certos portugueses que o caluniador profissional acha ser a chave do seu sucesso?
O silêncio, de facto, faz parte do modelo de negócio de quem utiliza meios de comunicação social de grande alcance para apoiar os negacionistas climáticos, para arrotar ignorância pesporrenta sobre o multiculturalismo, para alimentar o revisionismo sobre o Estado Novo, para ligar Vítor Constâncio, a propósito de algo que se provou e comprovou não passar de chicana e calúnia, a Adolf Eichmann, a Hitler, ao Holocausto. Podemos adivinhar o seu gozo, a soberba, ao constatar que pode insultar e ofender tudo e todos. O seu método consiste em olhar para as causas que defendem as pessoas que lhe pagam e para as causas das pessoas decentes, e depois arranjar maneira de se colar às primeiras e emporcalhar as segundas (se lhe cheirar a Sócrates e a esquerda) no limite do escândalo que obrigasse quem lhe paga a assumir responsabilidades editoriais. Poderia ser apenas um modo de vida como outro qualquer, seguramente menos nefando do que andar a traficar pessoas ou a assaltar idosos, mas acontece que é muito mais do que isso. A economia do sucesso deste caluniador está umbilicalmente ligada ao sucesso do que tem sido feito a Sócrates e ao PS pela oligarquia (com a, só aparentemente, paradoxal conivência do próprio Partido Socialista).
Começa hoje a ser interrogado o acusado que pode chutar o “Processo Marquês” para o arquivamento. Ignoro se o irá fazer, se o irá conseguir e, acima e antes de tudo, ignoro se cometeu algum crime. O que não dá para ignorar, sob pena de perder o respeito por mim mesmo, é a dimensão objectivamente corrupta que dá origem ao que veio a ser a operação de meter Sócrates na prisão a um ano de umas legislativas onde Passos Coelho concorria, onde Cavaco Silva protegia a direita, onde a procuradora-geral da República mostrava alinhamento político com o Governo e sua bandeira populista – e politicamente dirigida contra o PS – do “fim da impunidade”. Essa operação implicou várias ilegalidades e várias irregularidades, as quais, parece certo, ficarão abafadas pelo regime. Que já o começaram a ser ao se ter afastado as legítimas suspeitas existentes sobre o envolvimento de Carlos Alexandre e o afastamento de Ivo Rosa a partir do momento em que passaram a existir dois juízes no Ticão. Que não geram uma linha de espanto, sequer desconforto, ao se saber como a Caixa Geral de Depósitos foi usada de forma inaudita para se simular ter aí começado uma investigação que já durava há anos e anos.
Chegamos ao fim de 2019 com prováveis 15 anos de espionagem contínua sobre Sócrates, e sobre terceiros do seu círculo íntimo, onde até se obtiveram escutas ilegais de um primeiro-ministro em funções, e ninguém foi capaz de provar directamente uma única ilegalidade. Só existem comportamentos que chocam a moral comum à mistura com fantasias toscas, vergonhosas, e a esperança desesperada de que uma testemunha diga em tribunal o que precisa ser dito para o regime deixar cair a guilhotina. Conclusão: os milhões atribuídos a Sócrates são a milionésima parte de uma migalha quando comparados com a certeza de termos uma Justiça capaz de se enterrar na luta política mais sórdida e inconstitucional. Daí se compreender tão bem a campanha para que a “Operação Marquês” seja transformada numa concretização do estado de excepção.
Vamos lá a saber
Jesus é Deus
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Husbands’ stress increases if wives earn more than 40% of household income
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Menopause Isn’t the Only Reason for Low Libido in Older Women
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Schools less important than parents in determining higher education aspirations
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In Down Syndrome mouse model, scientists reverse intellectual deficits with drugs
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Financial therapy can aid well-being, stability
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Trash talk hurts, even when it comes from a robot
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Bot can beat humans in multiplayer hidden-role games
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Exactissimamente
Do povo e do putedo

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O populismo, na política portuguesa, começou em 2019? Usando o Aspirina B como grupo focal, a primeira vez que se fez referência ao populismo foi logo em Dezembro de 2005, tinha o blogue apenas dias de existência. Vale a pena recordar Luis Rainha e a citação que traz de Louçã: ““O que faz falta em Portugal é abrir a cultura, destruir a ideia de que a criação da mediocridade populista é a cultura de que o povo precisa e de que o povo gosta”. Depois desta estreia, o conceito voltou em 2007 aos escritos e por cá tem acompanhado o devir político nacional. Populista foi sempre a retórica do PCP e do BE, um populismo de esquerda clássico onde se desconfia do Estado de direito democrático, do Parlamento, e se repete a cassete sectária onde o “povo” pertence aos monopolistas de embrulho marxista. E populista começou a ser, exclusivamente, o discurso do PSD e do CDS a partir de 2008, onde o desabamento do seu império bancário e o sentimento de impotência perante Sócrates e a sua equipa levou a direita portuguesa a apostar tudo no moralismo e na judicialização da política, esteios do populismo larvar e inorgânico, mediático. Em 2008, Cavaco lançava – em tandem com o PSD – a estratégia do assassinato de carácter recorrendo à mais universal, básica, chicana: Sócrates era mentiroso. Nasceram os martelos “Falar verdade aos portugueses” e “Política de Verdade”, os quais enterraram a direita portuguesa numa decadência moral e intelectual que só se tem agravado. Foi dessa indigência e putrefacção que vieram o Chega e a Iniciativa Liberal.
A entrada de André Ventura e João Cotrim de Figueiredo na Assembleia da República está a ter um curioso e benéfico efeito no jornalismo político. De repente, passou não só a ser legítimo como urgente denunciar e desconstruir os discursos populistas e demagógicos. No entanto, esses discursos são em tudo variações do que tem sido considerado, validado, por esse mesmo jornalismo político como o normalzinho da Silva “fazer política”. A alteração de atitude e comportamento explica-se facilmente. Estando o jornalismo político dominado pela direita, agora há que defender o PSD e o CDS de clones que ameaçam manter a direita na oposição nos próximos séculos por causa de uma imparável fragmentação e radicalização. Isso significa que se tornou permitido, dentro das redacções do risível “jornalismo de referência”, fazer aquilo que estava vetado no passado. Antes das últimas legislativas, um qualquer passarão ou bronco do PSD e do CDS pôde dizer as maiores barbaridades no Parlamento e no espaço mediático que tal era levado ao colo e protegido pela “imprensa”. Estava tudo bem, contra os socialistas valia tudo. Agora, com os estreantes rivais em chungaria, alto e pára o baile. Saltam exercícios de aplaudida salubridade e apelo à razão e à decência. A pulhice entranhada no PSD e no CDS é para uso exclusivo, eis a lição do jornalismo político português. Afasto deste argumento sobre textos de opinião e reflexão o trabalho jornalístico sobre a tese de doutoramento do Ventura, o qual é uma típica investigação de jornalismo genérico e fundamental.
Como se vê na notícia acima, apenas um exemplo e muito longe de ser o mais grave, o populista André Ventura é uma criação do populista Passos Coelho. O mesmo Passos que em 2010 promovia a ideia de se julgarem e condenarem políticos por razões exclusivamente políticas. O mesmo Passos Coelho, de braço dado com Cavaco Silva, que em 2018 fez campanha para a recondução de Joana Marques Vidal sugerindo que tanto Costa como Marcelo pretendiam ser cúmplices de criminosos.
Talvez o fenómeno a que estamos a assistir na comunicação social, então, também se explique recorrendo às referências metafóricas de Ventura e Passos, isso de terem aparecido as prostitutas baratas no bar de alterne das putas finas.
Inês Ferreira Leite ou Luís Rosa, qual deles defende a liberdade?
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Há uma altura em que três homens estão a falar ao mesmo tempo, por cima uns dos outros, na tentativa de calar a mulher que discursa clara e pujantemente. Que estaria ela a dizer de tão grave para suscitar tão impulsiva, descontrolada e agressiva resposta? Estava a referir evidências que qualquer pessoa decente tem a obrigação de invocar a respeito do que a Justiça tem feito a Sócrates, evidências relativas aos abusos judiciais, exploração mediática e perseguição política; mas só se a intenção for a de avaliar a “Operação Marquês” com honestidade intelectual, claro. Ora, isso os tais homens não suportam dado serem parte da claque que fará tudo o que puder para ver Sócrates condenado – sendo o gozo ainda maior se for condenado por corrupção sem provas pois, nesse cenário, a essência de um julgamento político ficaria exuberantemente inscrita na História como exemplo do poder absoluto da oligarquia portuguesa.
Ao longo das intervenções de Inês Ferreira Leite podemos ver como ela é sistematicamente interrompida com comentários irrelevantes, cuja finalidade é essa mesma de interromper a argumentação e saltar para uma pseudo-conclusão (e sectária, preconceituosa, enviesada) que desvaloriza e esconde o fio condutor do raciocínio da Inês. Todavia, ela responde a cada tentativa com implacável atenção, rapidez e fluidez, recuperando os conteúdos que queria transmitir. Admirável capacidade dialógica.
Não só os homens presentes (4 jornalistas e 1 procurador) foram activos na tentativa de boicote das posições da Inês como não deram o mínimo destaque ao que de mais importante era dito pela jurista. E, de entre as várias declarações que por si só justificariam um debate autónomo (especialmente, a pedagogia sobre o estatuto e papel do Ministério Público), a mais importante foi relativa à falta de fundamento para a detenção de Sócrates. Sobre isto, os dois jornalistas a soldo do militante nº 1 do PSD que dirigiam o programa nem tugiram nem mugiram, minha nossa senhora do Caravaggio.
Como é que se defende a liberdade? Através da perversão do poder policial e dos abusos da Justiça ou pela livre criação de leis que garantam a liberdade para todos – o que implica punir quem ameace a liberdade, a vida e a propriedade? A resposta devia ser óbvia, séculos depois das revoluções liberais que instituíram o Estado de direito democrático como a mais civilizada forma de convivermos social e politicamente uns com os outros, mas em Portugal a “Operação Marquês” permite identificar quem pretende usar as forças policiais e a Justiça para atingir alvos políticos e objectivos comerciais. Luís Rosa, e quem lhe paga, pertence a esse conjunto de poderosos influenciadores do espaço público que está em campanha para a condenação de Sócrates mesmo que não existam provas de ter cometido qualquer acto de corrupção. Luís Rosa concebe-se como um soldado da parte mais forte, aquela que até dispõe de aliados no Ministério Público e nos tribunais fora os restantes impérios de comunicação que espalham diariamente as mesmas mensagens – daí sentirem que podem impunemente violar a Lei e os princípios constitucionais sem correrem o menor risco de sofrerem com isso.
Na “Operação Marquês” está em causa descobrir se um primeiro-ministro em Portugal cometeu crimes de corrupção. Esta suspeita é a mais grave que alguma vez se investigou na Justiça portuguesa, dadas as implicações para o sistema partidário, a governação e o regime. Tudo deve ser exaustivamente apurado, esclarecido e julgado pelos magistrados responsáveis ao longo do processo. Porém, ainda mais importante do que a eventual corrupção de um primeiro-ministro é a eventual corrupção da própria Justiça. A “Operação Marquês” é também uma avaliação dos protagonistas e procedimentos de quem fez a acusação e de quem a julga em tribunal. Os que defendem a liberdade jamais aceitarão que lhes ofereçam a cabeça de um político enquanto lhes roubam a inteligência e a coragem.
Carlos Alexandre, o matador
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Novo triunfo glorioso para Carlos Alexandre. Com a praça do Conselho da Magistratura lotada pela mais apaixonada e exigente afición jurisprudencial que existe na Grei, Carlos Alexandre voltou a cortar duas orelhas e o rabo à Justiça, saindo em ombros levado pela Cofina e prolongando a ovação de pé que recebe apoteoticamente na indústria da calúnia, na direita decadente e no populismo bronco e encardido.
Este juiz é o nosso grande matador, incomparável, super. Consegue recusar promoções para se manter firme no centro da arena, enfrentando a bandidagem socialista olhos nos olhos antes de lhe espetar com a espada flamejante da santidade de Mação. Consegue ir para a televisão promover a sua excelsa pessoa formada na telescola e na missa e, milagre, arranja espaço para declarar que um certo arguido que lhe foi confiado pelo Estado e pela Constituição não passa de um reles criminoso – estando, então, esse famigerado arguido assim exposto sem piedade nas suas misérias ainda sem sequer ter sido acusado e, três anos depois dessa condenação televisionada em julgado pelo superjuiz, ninguém fazendo a mínima se será condenado em tribunal, e do quê, nos próximos não fazemos puto ideia quantos anos. Agora, tal como a notícia suso relata, consegue despejar por cima de toda a Justiça portuguesa, também em entrevista na TV, uma suspeição apocalíptica que só um ser ungido pelo divino conseguiria urdir e proclamar: Ivo Rosa teria sido escolhido como o magistrado que decide na fase de instrução criminal da “Operação Marquês” através de um falso sorteio, um sorteio manipulado – ou seja, Carlos Alexandre declarou que a instituição que representa e onde ganha a vida (quando também não anda a pedir empréstimos a amigos) é corrupta; que Ivo Rosa era o corrupto da dupla “sorteada”; logo, que todo o regime é corrupto, que o mundo é imundo ó pá, quod erat demonstrandum. Perante estas artísticas e bravíssimas faenas, a nossa Justiça assume que nada pode fazer porque nada consegue ouvir do que o fulano vozeia alto e altaneiro. O matador cortou-lhe as orelhas, à Justiça resta aceitar o seu destino de morte e consolar-se na merecida surdez.
Quando os pulhas, os fanáticos e as alimárias dizem que Carlos Alexandre faz aquilo que mais nenhum juiz conseguiria fazer “no combate à corrupção” e no castigo da malandragem, isso de fingir ser o juiz dos direitos e garantias dos arguidos para efectivamente se comportar como um aliado dos procuradores e da sua (de ambos, juiz e acusação) pulsão justicialista, acabamos por reconhecer a provável veracidade dessa imagem. De facto, talvez mais nenhum juiz a não ser esta ridícula e escandalosa figura aceitasse o obsceno papel de se fantasiar como a espada do catolicismo rural profundo para assim gastar os dias mergulhado na devassa da privacidade dos “senhores e senhoras de Lisboa”. Almas perdidas para o Diabo. Encharcados de vícios, pecados, bacanais.
Talvez. É uma fezada.
Colectivização do comentariado direitola
Rui Ramos, 19 de Novembro – A cubanização do SNS
José Diogo Quintela, 19 de Novembro – Servidão Nacional de Saúde
João Miguel Tavares, 19 de Novembro – A esquerda é a maior amiga da saúde privada
Henrique Raposo, 19 de Novembro – Viver em Portugal, ir ao médico na RDA
Ricardo Costa, 19 de Novembro – Faz sentido amarrar jovens médicos ao SNS?
Vamos lá a saber
Coração eterno da Mouraria
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Girls and boys alike rank trying your best and working hard as key to having fun; winning ranked 40th in importance
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Can a Cat Improve Your Grandma’s Life?
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Beating diabetes: is there a role for nutraceuticals?
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How meditation can help you make fewer mistakes
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Smart people may learn music faster
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New artificial intelligence system automatically evolves to evade internet censorship
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Reappropriation — by which a group of people reclaims words or artifacts that were previously used in a way disparaging of that group — can tame uncivil discourse
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Alarmismo, sensacionalismo e voyeurismo, é disto que o bom povo gosta
Gonçalo Ribeiro Telles no Reino da Estupidez
«“A diminuição severa de água da chuva disponível no solo pode resultar na diminuição de disponibilidade de água dos rios e dos aquíferos, o que numa situação limite pode condicionar a quantidade de água disponível para consumo humano e do ecossistema”, alerta Paula Quinteiro, coordenadora do estudo e investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), uma das unidades de investigação da UA.
“Na atualidade já se identifica alguma pressão nos recursos de água verde [água da chuva] sendo que esta pressão irá aumentar significativamente no futuro, dando a indicação de que em algumas situações, e dependendo dos requisitos de água necessários para garantir e maximizar o crescimento de vegetação, devem ser implementadas medidas de gestão/captação e eficiência de consumo dessa água”. Entre as medidas podem, por exemplo, “ser implementados sistemas de recolha de água da chuva por forma a garantir a respetiva disponibilidade para irrigações agrícolas e florestais”.»
Alerta: diminuição de chuva põe em causa ecossistemas
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Não sei, não entendo, qual a razão que o impede ou atrasa pois não frequento o meio partidário, parlamentar e governativo, mas sei, e entendo, que Portugal e Espanha (e também Marrocos e outros países mediterrânicos, quantos mais melhor) se deviam unir na criação de um centro de investigação capaz de liderar mundialmente a descoberta de novas metodologias, tecnologias e políticas em ordem a captar, distribuir e reutilizar a água da chuva no maior volume possível. Esse centro de investigação, com uma ambição tão alta, pede uma escala de investimento sem paralelo com as verbas usuais nas faculdades e institutos universitários. Deveria antes ser algo congénere do Projeto Manhattan e do Programa Apollo, mutatis mutandis. Dada a diversidade climática e meteorológica na Península Ibérica, e especialmente tendo em conta a previsão de vir a ser esta uma das regiões planetárias mais afectadas pelas alterações climáticas e pela ameaça de desertificação, temos todas as razões para começar anteontem a diminuir o impacto desse futuro já presente. Simultaneamente, uma tal iniciativa, onde o papel do Estado ao serviço do bem comum seria levado à sua pontencialidade máxima, ficaria como monumento glorioso para as gerações – para além de unir espanhóis e portugueses numa jangada de vanguarda científica e técnica.
Noutras partes do Globo avança a investigação de ponta a respeito do aproveitamento da água do mar, e não só, através da dessalinização. Também a tal teremos de recorrer, confirmando-se as previsões que os actuais modelos climáticos produzem e a repetição dos anos de seca que se têm registado. Todavia, é para mim escandaloso constatar como este alerta de Paula Quinteiro não gera qualquer sobressalto na opinião publicada, no discurso político, sequer no ecologismo inorgânico.
Esse alheamento exibe um país de ignorantes. Ignorantes em matérias científicas e ignorantes em vivência cívica. É o mesmo país que desprezou a inteligência, a paixão, a missão de Gonçalo Ribeiro Telles, alguém que anda há décadas a falar nesta e noutras questões agora assustadora e urgentemente vitais. Um país que quer ter cães e gatos em casa mas não suportaria ver uma galinha a ser morta para uma canja e que acha que os incêndios, também agravados pelas alterações climáticas em cima da desertificação e abandono rural, é uma cena que o Marcelo vai resolver obrigando os socialistas a demitir ministros.
É com melancolia dolorosa e revoltada, que se transforma em serena força de combate, que podemos assistir a um documento com 46 anos que só ganhou em actualidade com a passagem do tempo; tinha este português de lei 51 primaveras e o Marcelo-padrinho ainda era Presidente do Conselho:
Isto é o da Joana, diz Luís Rosa
Luís Rosa pretende que aconteça a Sócrates o mesmo que foi feito a Leonor Cipriano, condenada sem provas e após tortura policial.
Luís Rosa usa a sua carteira profissional para servir quem fez da “Operação Marquês” um processo de assassinato político.
Independentemente da descoberta se Sócrates é inocente ou culpado, o que uma investigação isenta deveria conseguir estabelecer sem margem para a menor dúvida e com a máxima rapidez, ver o uso da Justiça em cumplicidade com a comunicação social para perseguições políticas é, antes de um golpe de Estado, o mais grave atentado contra o Estado de direito democrático, a República e a liberdade.
Rui Rio e a lama
Um canal de TV que seleciona imagens destas para ilustrar uma noticia, revela que é capaz de colocar o jornalismo na lama e de recorrer à falta de educação e ao abandalhamento dos mais elementares princípios de relacionamento humano.https://t.co/Jlsfj13WTE via @sicnoticias
— Rui Rio (@RuiRioPSD) November 7, 2019
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Alguém se recorda de ler ou ouvir Rui Rio a insurgir-se furibundo contra o “jornalismo na lama” e contra o “abandalhamento dos mais elementares princípios de relacionamento humano” numa qualquer outra altura ou a propósito de um qualquer outro assunto? Ninguém, nem o próprio. De certezinha absoluta, tal não se encontra no seu canal Twitter e nas suas declarações públicas desde que se tornou candidato a presidente do PSD e até à actualidade. Mas esteve próximo em 2014 – Rui Rio confessa-se “em choque” com a prisão de Sócrates – embora nem aí tenha chegado à ira dos idos de Novembro de 2019. Motivo para a explosão twittada? É ver, ver a parvoeira em questão, e pensar no que isso diz de Rio.
Umas beiçolas à mostra deixam um candidato a primeiro-ministro pronto para defender com a vida os mais elementares princípios de relacionamento humano. Então, como explicar que esse mesmo candidato a primeiro-ministro tenha feito uma campanha eleitoral onde traiu os mais elementares princípios do respeito pelo Estado de direito, da presunção de inocência, da separação de poderes, da ética republicana, da honestidade intelectual e da integridade de carácter? Como explicar que esse mesmíssimo candidato aceite conviver calado com uma indústria da calúnia onde foi buscar munição assim que desistiu de brincar aos políticos decentes e corajosos?
Causticar o jornalismo por causa de um inane exercício de pulhice do Expresso que só rebaixa quem o fez e encher aí a boca com a grandiloquência dos “princípios de relacionamento humano” quando temos uma indústria da calúnia que diariamente amplifica crimes e disfunções de magistrados ao serviço do comércio e da agenda política da oligarquia, que trata como criminosos sem defesa possível cidadãos inocentes até prova em contrário, muitos nem sequer ainda acusados nem se sabendo se alguma vez o serão, que devassa e explora a privacidade até de testemunhas em processos, eis o retrato de um chefe político impotente. Impotente para defender a cidade.
Não admira que o Twitter de Rui Rio seja um espectáculo de amadorismo bacoco e egocentrismo transparente. Ele dá muito mais valor à sua imagem, tal como a concebe no mundo pequenino que habita, do que aos mais elementares princípios da vida em comunidade num Estado de direito democrático. Foi exactamente por isso que resolveu encher de lama as legislativas de 2019.
Serviço público
Lapidar
«[…]
Nisso não se diferencia da política, atividade a que João Vasconcelos também dedicou uma parte da sua vida. Não é possível estabelecer qualquer ligação direta entre o modo como saiu do Governo e a sua morte. Mas, em nome da cínica doutrina que domina as relações entre a política e a justiça em Portugal, bastou a suspeita, uma simples constituição de arguido, para que a experiência política de João Vasconcelos e dois outros colegas terminasse, eles se sentissem compelidos a abandonar os seus lugares no governo e o chefe do dito aceitasse a sua saída, sucumbindo a uma máxima de que à justiça o que é da justiça, que tendo sido boa quando referindo-se à separação de poderes, hoje apenas esconde a cobardia dos políticos face ao frequente conluio em fases processuais precoces entre acusação e media.
A saída de João Vasconcelos do governo merecia ser ensinada em cursos de política e faculdades de direito, porque consuma a inversão total da separação de poderes em que vivemos. O estatuto de arguido, justamente criado para proteger um suspeito, foi aceite como fundamento suficiente por um governo para perda de condições de exercício de funções. Sem cuidar sequer de analisar dos méritos da causa da parte acusadora - e chamo-lhe assim porque já vi o Ministério Público em ação vezes suficientes para saber que não busca a verdade, como magistratura independente, mas a demonstração das suas teses, mesmo que sejam só hipóteses, meras conjeturas ou até raciocínios contaminados por imaginações que mereciam análise de como se formam.
[…]»
Revolution through evolution
Simple blood test for early detection of breast cancer
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Scientists should have sex and gender on the brain
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Any amount of running linked to significantly lower risk of early death
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Thinking in a foreign language can reduce emotional biases
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What factors predict success?
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Voters agree with polls that favor their candidates
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The truth about misinformation
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