Lapidar

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Nisso não se diferencia da política, atividade a que João Vasconcelos também dedicou uma parte da sua vida. Não é possível estabelecer qualquer ligação direta entre o modo como saiu do Governo e a sua morte. Mas, em nome da cínica doutrina que domina as relações entre a política e a justiça em Portugal, bastou a suspeita, uma simples constituição de arguido, para que a experiência política de João Vasconcelos e dois outros colegas terminasse, eles se sentissem compelidos a abandonar os seus lugares no governo e o chefe do dito aceitasse a sua saída, sucumbindo a uma máxima de que à justiça o que é da justiça, que tendo sido boa quando referindo-se à separação de poderes, hoje apenas esconde a cobardia dos políticos face ao frequente conluio em fases processuais precoces entre acusação e media.

A saída de João Vasconcelos do governo merecia ser ensinada em cursos de política e faculdades de direito, porque consuma a inversão total da separação de poderes em que vivemos. O estatuto de arguido, justamente criado para proteger um suspeito, foi aceite como fundamento suficiente por um governo para perda de condições de exercício de funções. Sem cuidar sequer de analisar dos méritos da causa da parte acusadora - e chamo-lhe assim porque já vi o Ministério Público em ação vezes suficientes para saber que não busca a verdade, como magistratura independente, mas a demonstração das suas teses, mesmo que sejam só hipóteses, meras conjeturas ou até raciocínios contaminados por imaginações que mereciam análise de como se formam.


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Paulo Pedroso

2 thoughts on “Lapidar”

  1. a mim nada , morre carradas de gente de ataque cardíaco , ainda ontem morreu um a correr , outro a snifar e um a ver a bola. nenhum deles era politico , nenhum deles era arguido e todos eram semi novos.
    paz à sua alma , espero que a tenha levado limpa porque é a única coisa que se leva daqui.

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