Todos os artigos de Nuno Ramos de Almeida

A campanha de Soares, quase em directo

Reportagem do jantar de ontem, em Almada. Segundo o candidato, “eles” andam por aí em pulgas “para conseguirem uma desforra da vitória terrível histórica que teve a direita em Fevereiro do ano passado”(os comensais aplaudiram). Dá para confirmar que Soares não morre de amores por Sócrates; ou talvez queira ultrapassar Louçã e Jerónimo pela esquerda.
Jorge Coelho não ficou atrás do mestre e adicionou a sua pérola: “em 1995, quando chegámos ao Governo, encontrámos o Alqueva escavacado e sem um único projecto, ou um escudo de apoio comunitário. E estava assim há 20 anos”. Ora deixa lá ver… 1995 menos 20 dá… pois; o período de desgraça engloba mesmo o consulado de Mário Soares como primeiro-ministro.
O secretário-geral é de direita, o candidato nada fez pelo Alqueva; com talking heads deste calibre, o PS não precisa de inimigos para nada.

Coisas estranhas que andam pela Internet


Bem podemos andar por aqui a discutir as malfeitorias do Pulo do Lobo, as basófias do Super Mário, os voos estilísticos do Quadrado ou a ortodoxia do Mais Livre. Tudo isso são trocos, ao pé da ciber-presença do Professor Aníbal Cavaco Silva. Ora pesquisem no Google a expressão “Mário Soares”; e vejam como surge logo um “Link Patrocinado” apontadinho… a um site de Cavaco.

Update: nada disso. Alertado por uma leitora, lá fui ler o tal www.anibalcavacosilva.com. Aquilo nada tem a ver com o dito cujo. Trata-se de coisa bem mais estranha: um caso de cybersquatting que “apanhou” vários nomes famosos, de Merche Romero ao EPC, e trata de publicitar livros, bonecos esquisitos e sei lá mais o quê. Como é que alguém investe em semelhante coisa, não sei. Mas tem graça. Como o meu engano, de que me penitencio abjectamente.

A campanha de Soares, quase em directo

Durante um colóquio com ambientalistas, Soares deixou cair a bomba: “sou um amante da guerra”. “Da Paz”, sussurou aflito Soromenho Marques. “Ah sim, da Paz”, acabou por emendar o belicoso candidato.
Ontem, num jantar com mais de 400 mulheres, lá teve de ouvir este desvairado elogio, da boca de Maria Belo: “Mário Soares gosta de pôr as mulheres a mexer. Gosta de ver as mulheres vivas e ama a parte viva de cada uma de nós.” É bom sinal; preocupante seria se ele as preferisse mortas.

Duas palavrinhas para quem acha que só uma ditadura seria capaz de mandar assassinar políticos libaneses:

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Elie Hobeika. O miliciano pró-israelita que em 1982 foi co-responsável pelos massacres de Sabra e Chatila. O vira-casacas calculista que, já aliado dos sírios, se ofereceu para testemunhar no julgamento de Sharon por crimes de guerra. O temerário que afirmou ter “cumprido ordens” para matar as centenas de refugiados palestinianos que pereceram nesses campos. Ele prometeu mesmo “revelações” sobre os massacres, mas preferiu “guardá-las para o julgamento”. Dias depois destas declarações, Hobeika foi vítima de um atentado bombista bem oportuno. Claro que o seu assassinato nunca foi nem será inteiramente esclarecido.

Pequeno contributo para um Tratado da Escatologia

Há milhares de anos que os odores associados a certas funcões menos nobres da nossa biologia têm sido continuamente vilipendiados. Já os clássicos gregos se referiam ao “fedor que aproxima o homem do bicho mais rasteiro” e aos “movimentos dos intestinos que trazem ao mundo a baixeza da nossa condição de seres contingentes e imperfeitos “. Mesmo o Cristianismo recusa a caridade a tais eflúvios: Simão o Estilita terá partido para um exílio de décadas no topo de uma coluna de pedra precisamente para expressar o seu desagrado pela falta de instalações sanitárias condignas e resguardadas na sua aldeia.
Mas chega sempre o momento de colocar tudo em causa: e se os odores associados aos ditos “movimentos dos intestinos” tivessem afinal um papel nobre e útil?
Mais — sustenham a respiração que vou revelar-vos hipóteses arrojadas —, e se o cheiro hediondo que tende a rodear até o indivíduo mais angélico mal ele se senta na sua sanita preferida, de livro na mão, fosse um sábio estratagema da Mãe Natureza? E se estamos em presença de um ardil protector, pacientemente urdido ao logo de séculos e séculos de cega mas infatigável Evolução?
O bicho-homem sentado, de calças em baixo e empunhando o seu romance predilecto, está vulnerável como em poucas outras ocasiões. Ainda por cima, e sobretudo se falamos de um exemplar masculino confinado às agruras da vida em família, ele trata de aproveitar aqueles preciosos minutos de privacidade para ler em paz e sossego. Trata-se assim de um momento muito especial e precário.
Tendo tudo isto em mente, não será o tal desagradável odor uma eficaz barreira protectora, desenhada para repelir a aproximação de empecilhos aos prazeres solitários da leitura? Hipótese que causa vertigens pela ousadia: a Evolução a fazer tudo para proteger o nosso convívio com a Literatura!
Ah, sábia Natureza que não dá ponto sem nó.

Os normopatas andam por aí!

Claro que toda a gente percebeu onde fui eu buscar inspiração para a minha pequena adivinha de há pouco. Mas não é só por estes exercícios de exploração cultural da Joana Amaral Dias que o Bicho Carpinteiro merece visita delongada.
A prosa panegírica de Medeiros Ferreira, por si só, é um deleite para a alma e uma sessão de cócegas para a disposição mais sisuda. Ora tomem lá isto: “a apresentação do livro «Mário Soares, o que falta dizer», feita por Carlos Amaral Dias foi um momento de grande qualidade cultural, como raramente as épocas eleitorais proporcionam. Recorrendo à mitologia e à sua formação, o Professor comparou Mário Soares a Orion, e chamou-lhe o caçador do futuro.E descreveu os normopatas como irremediavelmente falhos de perspectivas.”
Orion e normopatas. Imagino a “qualidade cultural” da função.
Então se teve algo a ver com a ode que o distinto professor compôs há uns tempos para exaltar um livro de Clara Pinto Correia, estamos conversados. Recordo de seguida alguns excertos, então pacientemente inventariados pelo nosso Zé Mário:
“Há pessoas que, num determinado tempo, representam, contradizem, infirmam e confirmam esse tempo. Fazem-no tão só porque pensam e porque pensar não é uma actividade homóloga de si própria, mas heteróloga porque pensativante.”; “transmigrando a sua subjectividade sobre pequenos/grandes acontecimentos que vão de Entre-os-Rios a entre as falas e as suas disjunções.”; “como os besuntos de cimento armado que se fazem, lá onde se catrapiscou uma lontra sob a luz indízivel da juventude.”; “relação inelutável entre personalidade e máscara, que no étimo grego reenvia ao mesmo.”; “Sabe-se, ainda, que os que usam a personalidade como máscara e a máscara como atributo da personalidade se auto-condenam à observância pública da perscrutação mais ou menos paranóide do sujeito mascarado.”

Calculo o esforço de Mário Soares para não adormecer.

À atenção do Dr. José Mário Silva

Será possível conjugar numa obra de arte os fantasmas de Gary Kasparov, do Deep Blue e de Descartes? Tudo acompanhado por uma dramática evocação das possibilidades da engenharia genética?
Move 36, do brasileiro Eduardo Kac, é tudo isso. Uma instalação complexa que inclui projecções e uma planta geneticamente alterada de acordo com uma transposição para código ASCII da famosa sentença cartesiana: Cogito ergo sum. A planta assenta raízes precisamente no quadrado onde se deu a famosa jogada que levou Kasparov a irritar-se com as capacidades inesperadamente inventivas do seu adversário cibernético.
Será isto uma corajosa exploração das fronteiras entre o inanimado e o inteligente, entre o artificial e o natural, entre a Arte e a Ciência? Ou apenas uma obra um pouco cerebral demais?
Podem ler aqui um completo texto do artista e uma crítica à peça, que esteve exposta há muito pouco tempo, em Paris.

Mais um Jogo do Quadrado

A pedido de inúmeros leitores, a braços com o aborrecimento natural das férias escolares, aqui está mais um dos nossos simpáticos passatempos. O objectivo mantém-se: identificar os Grandes Vultos da Cultura Lusa que compuseram cada uma das seguintes Odes a Manuel Alegre.
No fim, pode avaliar objectivamente a sua proficiência Cívica e Artística. Assim: de 0 a 25% — você não merece viver numa Pátria que deu à luz um poeta como Manuel Alegre; de 26 a 50% — alguém incapaz de perceber que o importante num Presidente é ser um Homem da Palavra não devia ter direito a votar; de 51 a 75% — se decorar mais uns sonetos de Manuel Alegre, você até lá vai; de 76 a 100% — você é um modelo de Cidadania, de Ilustração e está pronto para dominar “a linguagem sublime dos deuses” ou seja, votar em Alegre. Como prémio, fica desobrigado de ler qualquer obra de Inês Pedrosa em 2006.

1— Precisamos de rasgar a abulia, a ignorância e o pessimismo, de nos amarmos como Pátria, de sermos Homens de palavras limpas. E quem melhor do que um poeta para o corporizar, no topo da pirâmide, em nosso nome?!
2— Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
3— Ter um Presidente da República com um perfil destes, é um luxo, diferente da desesperança de outros que transformam a vida numa máquina de calcular, que subtrai em vez de somar, que divide em vez de multiplicar, em que tudo se resume à aridez de um número, de uma percentagem, de uma estatística gelada…
4 — Uma diferença que tem riscos, evidentemente, mas cuja razão de ser é exactamente a aceitação serena desse risco, a troco de uma palavra preciosa (e esta é uma candidatura de palavra): VERDADE
5 — Com ele (Cavaco Silva) em Belém lá teríamos a sarabanda de videirinhos, empresários do dia e da noite, chicos espertos, patos-bravos, autarcas celerados, chatins, tias, reaccionários, espiões, e oportunistas de toda a espécie a moer-nos o juízo.
6 — Aqui pode começar uma descoberta para todos. Mas, se me permitem, sobretudo para a Pátria.
7 — “O sonho comanda a vida” é afirmação do António Gedeão, que nos habituámos a ouvir cantada por Manuel Freire. “Pelo sonho é que vamos!”, dizia Sebastião da Gama. Mal de nós se fôssemos apenas, sem um grãozinho de loucura na asa (podem chamar-lhe também poesia) o tal “cadáver adiado que procria”, para usar a expressão de Pessoa. ( e até como tal teríamos uma fraca prestação porque andamos procriando muito pouco).
8 — as pessoas estão fartas de ser tratadas como carneiros que fornecem lã para as mantas do Poder
9 — Votar nele é um acto de pura poesia, que, como se sabe, é a linguagem sublime dos deuses e dos homens que deles se aproximam. Ser inteligente também passa por aí, como o vento pelo mar.
10 — Querida Inês, Você é a minha outra voz. Jamais a desautorizaria. Prepare-se para comentar as próximas sondagens.

Autores: Cristóvão de Aguiar; Teresa Rita Lopes; o próprio Bardo, o Grande Vate Alegre; João Gobern; Mário de Carvalho; Inês Pedrosa; José Dias Egipto

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Os refugiados estavam mesmo a precisar de um pouco de glamour (e de um patrocínio da Sacoor)

Primeiro, veio a série “Príncipes do Nada”; documentários onde Catarina Furtado passeia a sua bela silhueta e a expressão devidamente compungida por cenários de catástrofes e trata de aborrecer alguns refugiados. Já a vimos a saltitar entre os destroços da tsunami do ano passado com a graça de uma modelo numa passerelle exótica, teimar em falar Português com um miúdo indonésio e passear uma camisola com publicidade a uma marca a que está ligada, a Sacoor.
Ontem, veio a inevitável gala de solidariedade. Num auditório onde a RTP nem teve a preocupação de angariar assistência para deixar a sala composta, lá surgiu a Furtado com um micro-vestido absolutamente desadequado às circunstâncias; a não ser que as duas tiritas de pano que a custo lhe escondiam os seios fossem uma metáfora para as carências que os refugiados sofrem…
Aliás, a apresentadora/embaixadora/cartaz publicitário tratou de se certificar que era o verdadeiro centro de todas as atenções: enquanto os músicos convidados actuavam, ficava ela em palco meneando-se com ademanes de prima-ballerina; de Susana Félix a Mory Kanté, não houve quem se livrasse de levar com aquele adereço inopinado a fazer-lhes concorrência.
Enfim; temos todos de fazer pela vidinha.

Cavaco e as “inverdades”

Não me surpreendeu a confusão que parece grassar no crânio de Cavaco Silva. Que ele não tem ainda grande ideia de como poderá “esticar” os seus futuros poderes já era bem notório.
Mas o que me espantou mesmo neste lamentável episódio do “secretário de Estado do acompanhamento” foi a pusilanimidade da criatura. Incapaz de assumir as suas palavras, resolveu desmentir o indesmentível: “eu não sugeri a criação de um secretário de Estado nem defendi a criação de nenhuma Secretaria de Estado. Apenas contei histórias de sucesso que ocorreram em outros países”, mentiu ele aos microfones da TSF. Note-se que ao “JN” ele tinha afirmado categórico: “tem de ser feito um acompanhamento com algum pormenor que deveria ser feito por um secretário de Estado especialmente dedicado a essa tarefa” (vigiar as empresas estrangeiras em Portugal). Depois, instado pela pergunta “vai propor isso ao Governo?”, confirmou, parecendo por uma vez ter uma ideia firme sobre algo: “já o estou a propor aqui”.
Puro engano. Pouco depois, caiu-lhe em cima um vendaval de acusações de se pretender imiscuir na vida do Governo. Em resposta, além da mentira, veio a fuga para o último refúgio dos tíbios: atribuir culpas a terceiros. Afinal, o deslize foi apenas “mais uma inverdade dos outros candidatos”, nada a que o pobre não se tenha já “habituado”. Armou-se em vítima, a criatura!
Só de pensar que esta personagem desprovida de palavra, de coragem e de respeito pela inteligência alheia vai ser o nosso próximo Presidente da República, até o intragável Manuel Alegre começa a parecer apetitoso. Que desgraça.

O populismo soft

Não sei se é da companhia, mas Vital Moreira não conseguiu evitar a tirada mesmo ao gosto das turbas justiceiras: “já agora, cabe uma dúvida: se fosse Presidente, Cavaco teria vetado as medidas governamentais que cortaram nos privilégios dos militares, juízes, etc.?”
Outra dúvida: e se ele próprio, seduzido por algumas contrapartidas interessantes (“subsistema de saúde, idade de aposentação, etc.”), se tivesse inscrito há umas décadas na Academia Militar, desistindo de outras profissões mais prósperas (como a de deputado)? E se a meio da sua carreira todas as regras fossem alteradas? Será que Vital Moreira continuaria a escrever que se trata de simples cortes de “privilégios”?
Ah; já me esquecia. “Populismo” é clamar contra as benesses dos políticos, não contra as dos militares, dos juízes ou de outros grupos pouco simpáticos. Que memória a minha.

Portugal dos Pequeninos

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– Ó sotôra; as suas colegas continuam a dar-me negas!
– Não te preocupes, já te expliquei que a Matemática é que conta…
– Mas a sotôra de História diz que eu não distingo um infante dum elefante; e a de Português diz que eu sou um “analfabeto funcional”… o que é que isso quer dizer?
– Quer dizer que ela não sabe o que é mesmo importante. Fazer contas bem feitas. Isso sim, é o que nós precisamos na vida.
– Mas agora todos gozam comigo!
– Faz de conta que não dás por eles. Olha para cima, põe um ar superior e não respondas a nada do que te digam. Manda-os ler livros, se te chatearem. E, claro, continua a fazer-me queixas deles todos.
– A sotôra acha mesmo que ainda vou conseguir ser alguém na vida?
– Com esse jeito para as contas, tu vais longe. Não duvides, Anibalzinho!

Ferrugem na cabeça?

Osama bin Laden com Zbigniew Brzezinski

Pensar-se-ia que os recentes disparates de Ribeiro e Castro iriam ser atirados pela direita para debaixo do tapete mais próximo, como uma infelicidade a esquecer prontamente. Qual quê. Aí temos o bravo Henrique Raposo, do Acidental, a defender o mestre com galhardia. Mas com escasso sucesso.
Depois dos prolegómenos com as generalizações do costume sobre a esquerda, a arrogância e a aristocracia, lê-se: “quando se afirma que há ligações do pensamento radical de esquerda com o terrorismo, está-se a ligar o terrorismo com uma certa radicalidade da esquerda e não com todas as esquerdas. É assim tão difícil de entender? É radicalismo de esquerda = tácticas terroristas e não Esquerda = Terrorismo.”
Curioso. O que ainda há pouco se escreveu naquele mesmo blogue, a propósito das declarações de Ribeiro e Castro, foi isto: “defendia que a origem do terrorismo está na esquerda. Uma ideia que este ontem reiterou ‘A esquerda tem responsabilidades em grandes males do mundo. Isso é indiscutível’.” Se bem li, ficou escrito “a Esquerda”. É assim tão difícil entender o tamanho da asneira? Parece que sim, pelo menos a ajuizar pela continuação deste belo post
“Sim, o terrorismo – como arma política – foi inventado pelos jacobinos, continuado por anarquistas (sobretudo russos), foi a táctica de Lenine, foi a arma do terrorismo à la nova esquerda dos anos 70.” O terrorismo foi a arma do terrorismo. Este “raciocínio” está bonito, sim senhor. Para já nem falar na omissão de outros terrorismos que assustaram a Europa desses tais anos 70… e que eram de direita, imagine-se.
Depois destes voos conceptuais, vem o senhor recomendar-nos “livrinhos” e um artigo, pois “ler faz bem. Sobretudo a aristocratas de esquerda enferrujados”. Mas ler à pressa faz mal; como prova à saciedade o acidental comentador. Onde é escrito no artigo recomendado “the French Revolution, where the modern concept of political terror was invented”, lê o bom Henrique a simplificação traduzida que atribui a invenção do terrorismo aos jacobinos; esquecendo o adjectivo “moderno” e deixando de forma incontáveis exercícios mais antigos desta disciplina.
“Leia-se para se perceber a ligação entre o radicalismo esquerdista europeu e o radicalismo islamita”; escreve ele, recomendando um texto, onde é dito que o “homem que fez mais que qualquer outro para dar um molde Islâmico à ideologia totalitária foi (…) Hassan al-Banna”; um líder inspirado pelos fascistas italianos e aliado dos nazis!
Mas querem ler como encontra o tal artigo a ligação entre a esquerda e o terrorismo islamita? Através de um discurso de Rafsanjani onde ele usou a palavra “terror” em Inglês. Isto, claro está, só pode implicar que ele usa o “mesmo termo que Lenin tomou de La Terreur da Revolução Francesa. A linha desde a guilhotina e a Cheka até ao bombista suicida é clara”. Claríssimo: se o político iraniano usuou uma palavra em Inglês, só podia estar a referir Robespierre ou Lenine. Não se está mesmo a ver? Mas tal salto basta para se começar a entender os terroristas como orientados por um “leninismo degenerado”. Isto num texto onde abundam as menções à crise dos reféns em Teerão, mas onde, por mais que surja o nome de Bin Laden, não se encontra uma só referência ao Wahhabismo de origem saudita. Nem às origens da Al Qaeda como aliado do Pentágono na luta contra a ocupação soviética do Afeganistão. Claro que aceitar culpas de um ramo do Islão ou das chefias militares americanas no cancro que é o terrorismo islamita internacional estragaria a argumentação às autoras; e lá as faria perder a preciosa recomendação do Henrique.

“Ler faz bem. Sobretudo a aristocratas de esquerda enferrujados.” Gosto muito desta passagem. Mas olhe, caro Henrique, que aprender a pensar é exercício ainda mais recomendável.