Cavaco e as “inverdades”

Não me surpreendeu a confusão que parece grassar no crânio de Cavaco Silva. Que ele não tem ainda grande ideia de como poderá “esticar” os seus futuros poderes já era bem notório.
Mas o que me espantou mesmo neste lamentável episódio do “secretário de Estado do acompanhamento” foi a pusilanimidade da criatura. Incapaz de assumir as suas palavras, resolveu desmentir o indesmentível: “eu não sugeri a criação de um secretário de Estado nem defendi a criação de nenhuma Secretaria de Estado. Apenas contei histórias de sucesso que ocorreram em outros países”, mentiu ele aos microfones da TSF. Note-se que ao “JN” ele tinha afirmado categórico: “tem de ser feito um acompanhamento com algum pormenor que deveria ser feito por um secretário de Estado especialmente dedicado a essa tarefa” (vigiar as empresas estrangeiras em Portugal). Depois, instado pela pergunta “vai propor isso ao Governo?”, confirmou, parecendo por uma vez ter uma ideia firme sobre algo: “já o estou a propor aqui”.
Puro engano. Pouco depois, caiu-lhe em cima um vendaval de acusações de se pretender imiscuir na vida do Governo. Em resposta, além da mentira, veio a fuga para o último refúgio dos tíbios: atribuir culpas a terceiros. Afinal, o deslize foi apenas “mais uma inverdade dos outros candidatos”, nada a que o pobre não se tenha já “habituado”. Armou-se em vítima, a criatura!
Só de pensar que esta personagem desprovida de palavra, de coragem e de respeito pela inteligência alheia vai ser o nosso próximo Presidente da República, até o intragável Manuel Alegre começa a parecer apetitoso. Que desgraça.

11 thoughts on “Cavaco e as “inverdades””

  1. O candidato que não aceita, 29 anos depois, a Constituição da República Portuguesa!

    1 – Cavaco Silva, JN, 27/12/05 (…) “Há uma coisa que pode ser feita em Portugal, que eu sei que já foi feita noutros países. Podia existir um responsável do Governo que fizesse a lista de todas as empresas estrangeiras em Portugal e, de vez em quando, fosse falar com cada uma delas para tentar indagar sobre problemas com que se deparam e para antecipar algum desejo dessas empresas se irem embora, para assim o Governo tentar ajudá-las a inverter essas motivações. Tem de ser um acompanhamento com algum pormenor que deveria ser feito por um secretário de Estado especialmente dedicado a essa tarefa.

    JN – Vai propor isso ao Governo?

    Já o estou a propor aqui.” (…)

    2 – Constituição da República Portuguesa:
    “Artigo 198.º
    (Competência legislativa)
    (…)
    2. É da exclusiva competência legislativa do Governo a matéria respeitante à sua própria organização e funcionamento.”

  2. A mim parece-me, claramente, que Cavaco tem problemas de equilíbrio. Ou seja: se de manhã diz uma coisa e à tarde diz outra, é porque não anda bem. Logo, desequilibrado, não?

  3. “fosse falar com cada uma delas para tentar indagar sobre problemas com que se deparam e para antecipar algum desejo dessas empresas se irem embora, para assim o Governo tentar ajudá-las a inverter essas motivações”

    ou seja proibir os sindicatos e as comissões de trablhadores de “prejudicarem” a economia nacional.

    Assim, de mansinho, é isto que nos está a ser proposto.

  4. É a Constituição, estúpido!

    O criminoso regressa (quase) sempre ao local do crime. Já que foi ele, o Cavaco, que tanto contribuiu para que os estrangeiros se apossassem dalgumas das nossas nacionalizadas mais rentáveis…basta consultar a lista dos novos donos das antigas empresas públicas: os finlandeses da Neste Oy na EPSI e CNP; os espanhóis do Banesto no BTA e da Total na Petrogal; os colombianos da Bavaria na Unicer e Centralcer; e os franceses da UAP na Aliança Seguradora, do Crédit Lyonnais na Tranquilidade, da Saint Gobain na Covina e do Crédit Agricole no Banco Espírito Santo. Além dos casos em que as empresas portuguesas se associaram em posição de subalternidade face ao grande capital estrangeiro, como no Banco Totta & Açores.

    Orgulhoso desse primeiro crime, Cavaco não quer deixar de intervir nas decisões de entrega de mais oportunidades nacionais às multinacionais estrangeiras da sua predilecção e de influenciar as privatizações que se avizinham. E assim tenta impor desde já na opinião pública, teses de interferência abusiva em domínios da exclusiva responsabilidade do governo e do Parlamento, mesmo que à revelia da Constituição, aliás à semelhança do modo como agiu nos primeiros anos da sua governação.

  5. [que raio de pouca sorte terem trazido na cauda do blog quando o criaram, estes parasitas que não vos largam…]
    O que me desanima Luis, é que faça o homem o que fizer, diga o que disser, quem decidiu que ele é bom nem liga aos “pequenos deslizes” Por mim, penso que é uma fé! Acreditam porque sim, e mais nada! Quem estiver contra é porque é mau, quem estiver a favor é lúcido e inteligente. Se vai ter aqules milhões todos para a campanha dos tais independentes, das tais “pessoas singulares”, é porque os seus apoiantes são bons e generosos. Aquilo é só amor. Os outros são terríveis que até têm partidos e tudo. Ele paira, nobre, acima dessas coisas, e o dinheiro chove do céu…

  6. Margarida,
    A proposta em si não é inconstitucional. Quando muito, seria inconstitucional o facto de um PR a fazer; coisa que Cavaco ainda não é. Mas claro que poderia ser boa mesmo assim. Só que não é o caso: já existe uma entidade com esse papel, a API.

  7. O Cavaco aproveitou a entrevista ao JN para dar uma Canelada ao Cadilhe que lhe havia chamado Eucalipto…
    E para avisar as administrações da Auto-europa e demais empresas estrangeiras em Portugal que estará, no futuro como esteve no passado, do lado delas…
    Os trabalhadores que aceitem as migalhas e pouco barulho, podem agradecer ter um trabalhinho, por isso pouca refilice e toca a trabalhar proletários… se não…

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