Os refugiados estavam mesmo a precisar de um pouco de glamour (e de um patrocínio da Sacoor)

Primeiro, veio a série “Príncipes do Nada”; documentários onde Catarina Furtado passeia a sua bela silhueta e a expressão devidamente compungida por cenários de catástrofes e trata de aborrecer alguns refugiados. Já a vimos a saltitar entre os destroços da tsunami do ano passado com a graça de uma modelo numa passerelle exótica, teimar em falar Português com um miúdo indonésio e passear uma camisola com publicidade a uma marca a que está ligada, a Sacoor.
Ontem, veio a inevitável gala de solidariedade. Num auditório onde a RTP nem teve a preocupação de angariar assistência para deixar a sala composta, lá surgiu a Furtado com um micro-vestido absolutamente desadequado às circunstâncias; a não ser que as duas tiritas de pano que a custo lhe escondiam os seios fossem uma metáfora para as carências que os refugiados sofrem…
Aliás, a apresentadora/embaixadora/cartaz publicitário tratou de se certificar que era o verdadeiro centro de todas as atenções: enquanto os músicos convidados actuavam, ficava ela em palco meneando-se com ademanes de prima-ballerina; de Susana Félix a Mory Kanté, não houve quem se livrasse de levar com aquele adereço inopinado a fazer-lhes concorrência.
Enfim; temos todos de fazer pela vidinha.

2 thoughts on “Os refugiados estavam mesmo a precisar de um pouco de glamour (e de um patrocínio da Sacoor)”

  1. Caro Luís Rainha,

    só para dizer que acho os seus posts fantásticos. É do melhor que se vê por aí nos blogues. Parabéns, e continue.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.