Duas palavrinhas para quem acha que só uma ditadura seria capaz de mandar assassinar políticos libaneses:

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Elie Hobeika. O miliciano pró-israelita que em 1982 foi co-responsável pelos massacres de Sabra e Chatila. O vira-casacas calculista que, já aliado dos sírios, se ofereceu para testemunhar no julgamento de Sharon por crimes de guerra. O temerário que afirmou ter “cumprido ordens” para matar as centenas de refugiados palestinianos que pereceram nesses campos. Ele prometeu mesmo “revelações” sobre os massacres, mas preferiu “guardá-las para o julgamento”. Dias depois destas declarações, Hobeika foi vítima de um atentado bombista bem oportuno. Claro que o seu assassinato nunca foi nem será inteiramente esclarecido.

8 thoughts on “Duas palavrinhas para quem acha que só uma ditadura seria capaz de mandar assassinar políticos libaneses:”

  1. É arriscadissimo fazer um atentado destes. Ninguém garante que ele não tenha tido o cuidado de guardar o seu testemunho num cofre qualquer para o caso de ser vitima de um atentado e que agora não apareça publicado em meia duzia de jornais.

  2. Co-?
    Claro convenientemente esquecido que o homem vingou o massacre de Damour pela Fatah onde 100 libaneses foram massacrados milicias Palestinianas. Aliás a unidade paramilitar que atacou Sabra e Chatila intitulava-se Brigada Damour…
    E para mais uma prova de que naquela zona a população é carne para canhão veio a ser entre outros cargos no Governo Libanês pró Sírio: Ministro dos Refugiados. Não se ouviu nenhum protesto escandalizado Palestiniano…porque será?

    Quando se ofereceu para testemunhar já tinha caído em desgraça junto dos Sírios.

  3. Não há dúvidas da responsabilidade de Sharon nesses massacres; a própria comissão israelita que os investigou chegou com facilidade a tal conclusão: “ele teve uma responsabilidade pessoal”. O artigo do Monde Diplomatique ali em cima citado é interessante sob esse ponto de vista.

    Também se pode dizer que Damour foi a vingança palestiniana por Tel Zaatar ou Karantina. Ou que todos os atentados em Israel sao vingança por Deir Yassin. Não me parece que esse raciocínio nos leve a algum lado.

    Por acaso não tinha essa ideia da queda de Hobeika junto a Damasco. Vou investigar; obrigado pela dica.

  4. “e teve uma responsabilidade pessoal”

    Como ministro da defesa teve “responsabilidade indirecta” por não ter previsto a possibilidade. No entanto é mais uma responsabilidade politica que operacional. Como em Sebrenica e as forças da ONU.
    E desculpa-me, esqueci-me de um pormenor sobre o massacre de Damour: A noiva de Hobeika foi uma das vitimas.
    O gangsterismo familiar sob capa politica que sempre prevaleceu na sociedade palestiniana. Mesmo na resolução de problemas entre si. Foi por essa razão que foram expulsos da Jordania e depois no Líbano quando começaram a assassinar cristãos inclusive religiosos e a pedir tributo.

    A queda de Hobeika começou antes não sei porque razão mas o que selou a sua sorte foi uma reportagem da Al-Jazeera sobre o seu historial.

  5. A frase que citei entre aspas é do relatório da comissão de inquérito israelita, chefiada pelo então presidente do Supremo Tribunal de Israel.
    Quanto aos palestinianos no Líbano, coloca os olhos na lista de políticos libaneses, de diversos clãs familiares, que tiveram morte pouco pacífica. Verás que os palestinianos não têm nenhum exclusivo nessas matérias, na zona.

  6. “Personel responsability” por omissão.

    Libaneses muito diferentes no grau. Não tenho no entanto dúvidas nenhumas que qualquer povo que seja endoutrinado da mesma maneira aconteça os mesmos resultados.

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