Última página do Diário de Notícias. Leio com gosto a crónica do editorialista. A assinatura prende-me o olhar. Ruben de Carvalho, jornalista. Jornalista?
A última vez que ouvi falar de Ruben de Carvalho, para além das crónicas, foi como candidato à câmara municipal de Lisboa pelo Partido Comunista Português. Uma organização sobejamente conhecida pelos seus independentes.
Ruben de Carvalho, o jornalista, é jornalista como Diana Adringa, Mega Ferreira, Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Portas, Maria Elisa, Vicente Jorge Silva, José Saramago, Maria João Avillez e outros nomes na mesma da isenção ideológica.
Jornalista, porque é mais fácil, mais cómodo, mais popular.
Tenho para mim a secreta tese de que poucos jornalistas gostavam mesmo de ser jornalistas. Jornalistas de economia gostavam de ser empresários, jornalistas desportivos gostavam de ser treinadores e jornalistas de política…enfim, vocês sabem. E como também se nota, jornalistas que escrevem notícias, gostavam mesmo de escrever editoriais.
Não me interpretem mal. Compreendo que os jornalistas sintam a necessidade e a apetência pela participação cívica. Compreendo que não possam ser insensíveis às suas convicções e até vou mais longe admitindo que o jornalismo de causas e de opinião é, não só, legítimo como até desejável.
O que a mim me causa algum rubor é o teatrinho de sombras. Esta coisa do “agora sou isento mas amanhã já não sou”. Como se as convicções fossem pecado ou razão para ter vergonha. E porque alguém entendeu um dia que os jornais e os jornalistas têm se ser isentos, independentes e amorfos intelectualmente acabamos nesta ridícula figura de apontar o dedo à braguilha uns dos outros trazendo à liça o humorístico código deontológico.
RMD, Jornalista.





