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Que pantomineiro, este Marcelo

marcelo-e-cavaco

«O Presidente da República homenageou esta manhã o seu antecessor no cargo, sublinhando a "sensibilidade social" demonstrada por Cavaco Silva há dez anos, quando elegeu a inclusão como uma prioridade política.

"Quero agradecer-lhe ter sabido compreender o que se passava na sociedade portuguesa, ter sabido eleger a inclusão social como tema do primeiro roteiro presidencial e ter sabido dar o seu próprio exemplo no lançamento da Bolsa de Voluntariado", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia que assinalou os 10 anos do lançamento da Bolsa de Voluntariado, que decorreu na zona de Alcântara, em Lisboa, e contou também com a presença de Aníbal Cavaco Silva.

Admitindo que a memória das pessoas às vezes é curta, o chefe de Estado disse ser necessário reconhecer que "representa uma perceção, uma sensibilidade social muito aguda" lançar em 2006 um roteiro preocupado com a inclusão social quando o mundo ainda não tenha conhecido a crise que atravessaria anos mais tarde.»


Fonte

Esta notícia leva-nos para uma situação que é um poço sem fundo de cinismo, de deboche político e de provocação moral. Atente-se no mimo da referência à “memória curta” e na sua ligação ao ano de 2006. Que barrigada de riso este número de apagar o que Cavaco fez em 2009, ao deixar um Governo minoritário a ser queimado em labaredas selvagens só para servir os interesses da sua recandidatura e do projecto de poder da direita, e ainda do que fez em 2011, em que empurrou o País para o resgate de emergência com toda a força que tinha, dessa forma condenando milhões a uma devastação fanática que ambicionava aumentar ainda mais as desigualdades. Que barrigada de riso este número de apagar o que Cavaco fez durante o Governo de Passos, validando os ataques à Constituição e a violência do “doa a quem doer”.

Que barrigada de hilariantes gargalhadas esta cena de vermos o circense e sectário Professor das homilias dominicais feito Presidente da República a homenagear o ex-Presidente das golpadas contra Governos democraticamente eleitos, partidos com representação parlamentar e actos eleitorais.

O que não iremos ver neste debate

Não iremos ver Hillary recusar-se a cumprimentar Trump no início do debate. Porém, bastaria isso para que se fizesse História e que não precisasse de dizer mais nada sobre a corda que está posta no pescoço do seu opositor.

Quanto ao caso da gravação de 2005 onde Trump faz comentários banais do ponto de vista da cultura machista que é prevalecente em tantas sociedades, etnias e contextos pessoais – comentários que não foram feitos com a intenção de serem tornados públicos, presume-se sem dificuldade – é confrangedor que se tenha de recorrer a uma violação de privacidade (pois as suas palavras não configuram qualquer tipo de crime) para gerar o actual grau de repulsa que se espalhou como se a pólvora tivesse sido descoberta a 1 mês das eleições. Já a resposta de Trump à crise, na qual ataca Bill e Hillary por causa dos seus escândalos sexuais nos anos 90, merece muito mais atenção do que aquela que está a receber. Porque se trata da exposição de alguém que não pretende assumir qualquer responsabilidade pelos seus actos. Nesse sentido, o seu “pedido de desculpas” fica como um monumento às evidências do que é um psicopata.

Também não veremos ninguém neste debate a chamar psico ou sociopata a Trump. Ou veremos?

Vamos lá a saber

David Dinis anunciou que os editoriais do Público vão passar a ser assinados – isto é, fulanizados. Em vez de posições que se assumiam colectivamente, o jornal passará a fazer do editorial uma mera coluna de opinião, embora com mais destaque. Qual dos dois modelos é melhor quanto à relevância e clarificação política do jornal enquanto órgão de imprensa?

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Pokemon Go: Expressing Our Inner Hunter

Perguntas simples

Isto de termos tido um Presidente da República que juntamente com a filha ganhou dinheiro através de favores concedidos por criminosos num banco criminoso, que violou o seu juramento constitucional ao lançar golpadas para manipular e perverter actos eleitorais e que andou a fugir aos impostos durante pelo menos 15 anos significa, portanto, que neste país cada um de nós à sua volta já nasceu mais de 10 vezes?

Muito se riem os cínicos

Porquê dar importância ao Governo Sombra, o programa humorístico de comentário político, ou o programa político de comentário humorista, que começou na TSF em 2008 e chegou à TVI em 2012? Não pela presença do João Miguel Tavares, esse delfim do Medina Carreira e liberal de pacotilha que não tem público para aguentar um programa a solo. Não pela presença do Pedro Mexia, esse intelectual-pop sem veia polemista que também não tem público para ficar sozinho em palco. E não pelo Carlos Vaz Marques, pois o seu papel poderia ser ocupado por muitos outros jornalistas ou por meros animadores mesmo que não tivessem carteira de jornalista. A importância do programa está sustentada na figura do Ricardo Araújo Pereira, sem ele a casa desaba e só ficam escombros mediáticos para espectador não ver. Uma importância nascida do seu mérito como humorista, trajecto onde só compara com o Herman em termos de criatividade, versatilidade e sucesso popular. Last but not least, ao contrário do Herman, o Ricardo ousou assumir posições políticas suficientemente claras para o podermos identificar como alguém situado nos terrenos do BE ou genericamente à esquerda do PS (não faço ideia se milita ou é simpatizante de alguma força partidária).

Acontece que o programa é um dos mais sofisticados produtos da indústria da calúnia. Ocupando canais de referência, sendo embrulhado como formato cómico, e apoiando-se no prestígio variado e acumulado de todos os participantes e, em especial, do Ricardo, o culto do desprezo pelo Estado de direito, pela deontologia jornalística e pela mera decência comunitária é uma prática obsessiva. Isso fica exposto à prova de estúpidos na forma como negam a Sócrates o seu estatuto de inocente até prova em contrário, declarando à boca cheia que ele cometeu os crimes de que é suspeito. Porém, a peçonha vai muito mais longe, por incrível que possa parecer e como o último programa mostrou. Nele, o Ricardo passou longos minutos a promover a leitura do livro do Saraiva, tendo chegado ao ponto de quantificar as ocorrências onde no livro se fazem supostas revelações acerca da vida sexual de terceiros. O Ricardo especificou quais eram as profissões dos envolvidos e o seu género, só lhe faltando nomear os alvos. Por que razão não deu esse último passo?

Recapitulemos. O Ricardo, coitado, tem de preencher com as suas rábulas um programa de entretenimento radiofónico e televisivo. Serve-se do imparável fluxo da actualidade para encontrar o seu material, natural e inevitavelmente. Eis senão quando ele vê chegar o livro do Saraiva e sua lúbrica promessa de se poder espreitar pelo buraco da fechadura para ver o que outros viveram na privacidade. Que fez o nosso génio humorístico? Pois tratou de o mastigar com toda a gula e veio defecar na edição de 26 de Setembro o que assimilou. Que era isto: seis ocorrências onde a intimidade sexual de alguns cidadãos era descrita pelas nobelizáveis palavras do Saraiva. Risota garantida, o dinheiro que lhe pagam para o espectáculo a ficar justificado e o editor e o autor do livro a esfregarem as mãos de contentamento. É que não pode haver publicidade mais poderosa à coisa do que o aceno de estarem lá cuecas penduradas de famosos prontas a cheirar pelo português médio.

E por que razão não disse o nome dos envolvidos, repito? Esse travão tem a sua origem na qualidade essencial do programa como máquina caluniosa: o cinismo. Se o dissesse, o Ricardo sabia que a sua promoção ficaria exposta e ele conivente com a devassa e/ou difamação e calúnias. Não o dizendo, mas identificando a profissão ou cargos governativos dos referidos e ainda o género, passa por sério, por engraçado – e alimenta a imaginação da audiência que só descansará quando chafurdar nesse conteúdo.

Este cinismo é comum aos quatro participantes do programa, e é vendido como humor e liberdade de expressão. Mas não é, ou não é só. Igualmente se pode dizer que é triste e que não passa de liberdade para a destruição.

Trump, what?

Começando logo pelos comentadores na CNN, e repetindo-se um pouco por todo o lado, ficou a ideia de que Trump iniciou bem o debate, e que terá tido uma meia-hora de superioridade sobre Hillary. É um fenómeno que merece análise, pois liga-se a uma faceta desta corrida presidencial que precisa de mais destaque; o facto de, pela primeira vez, uma mulher poder vir a ocupar a cargo mais poderoso em todo o Mundo.

O que as imagens e as palavras mostram é outra história. Assim que entraram em palco, Hillary já estava a ganhar. Vinha vestida de vermelho e de imediato concentrou em si o protagonismo visual. Ao mesmo tempo, a sua roupa era um estandarte semiótico. Ela vinha para o combate e estava disposta a disparar primeiro e fazer sangue. Foi isso que fez nesses segundos iniciais, tendo invadido o espaço de Trump para o cumprimentar e depois sendo a primeira a cumprimentar o apresentador. Este início teve exacta continuidade quando começou a contenda.

Na sua primeira intervenção, Hillary colocou o debate no quadro mais vasto das políticas que interessam à classe média e aos desfavorecidos. Passados uns instantes, tomou a liderança do encontro ao dirigir-se directamente a Trump, dizendo-lhe que era bom estar ali com ele – algo a que ele não correspondeu, assim reforçando o domínio de Hillary. Seguiu-se uma intervenção de Trump sem qualquer novidade ou especial relevância, consistindo na cassete da globalização e no seu plano de ajudar os empresários cortando impostos. E Hillary respondeu-lhe. Introduziu a expressão “trumped up, tricled down’ economics”, colocou Trump do lado do grande capital e reduzi-o a um menino rico que tinha recebido do pai uma fortuna que lhe permitiu fazer negócios. Estávamos no minuto 7 e Trump já era um saco de encher da candidata Democrata. Foi aqui que ele começou a perder a pouca cabeça que levava, tendo engolido o isco e a cana, e passando ao contra-ataque à sua maneira orgulhosamente arrogante, simplista e mentirosa. Nunca mais recuperou e foi cavando o buraco à volta. Houve alturas em que o seu desnorte era tanto que dava a ideia de estar a escutar Hillary para conseguir descobrir o que dizer sobre as matérias em discussão.

Trump, sem disso ter tido a mínima consciência, foi levado a assumir a convicção que o levou para esta aventura de tão grande sucesso até agora. Ele acredita que pode governar os EUA tal qual como tem feito a gestão das suas empresas. Daí as armadilhas em que mergulhou de cabeça, como as de se ter vangloriado por não pagar impostos ou dar a ideia de que não se importava de ter políticas racistas nos seus negócios empresariais desde que conseguisse escapar à Justiça. Do lado de Hillary, vimos uma prestação exemplar, sempre ao ataque a partir da racionalização das questões e da exposição do seu programa, tendo falado com sucesso para a classe média, para as mulheres, para os afro-americanos e demais minorias e para os jovens que estão a entrar no mercado de trabalho. O cuidado com que dominou a expressão oral, a confiança e liderança que projectou no confronto presencial com Trump, foram muito mais do que um bom espectáculo, foi também uma afirmação que se liga com uma das suas maiores fragilidades nesta campanha: ser mulher.

Colbert faz um bom resumo, logo ao início do vídeo abaixo, do peso acrescido que recai sobre Hillary Clinton por causa do seu género, levando a uma efectiva situação onde há dois pesos e duas medidas:

Uma Fraga no charco

Elina Fraga, bastonária da Ordem dos Advogados, fez declarações ao Expresso que causaram menos comoção pública do que uma bola à trave num Vilafranquense-Caldas. Como explicar tal reacção, efectivo silenciamento e escandaloso alheamento tanto por parte da comunicação social como dos partidos e ainda das instituições e corporações? Quem o conseguir explicar, de caminho conseguirá diagnosticar um dos maiores sarilhos, se não for mesmo o maior, em que o regime está metido.

Eis o que ela disse:

"Sacudir a água do capote do cidadão ou juiz Carlos Alexandre, como foi feito nessa entrevista, para os advogados parece-me tão arriscado quanto audaz, sobretudo quando, pelo menos o juiz, sabe perfeitamente que ocorreram violações de segredo de justiça em processos em que intervém ainda antes de haver arguidos constituídos - e, por consequência, advogados."

"Há processos em que os investigados sabem que o estão a ser pela comunicação social e em que nenhum advogado teve acesso ao processo. Nesses, não terá o cidadão, como o juiz Carlos Alexandre, dúvidas de que se alguém violou o segredo de justiça, tal violação não partiu, seguramente, de um advogado. Seria um excelente ponto de partida investigar as violações do segredo de justiça que ocorrem quando apenas há um número reduzido de pessoas a ter acesso ao processo: duas ou três apenas. Teríamos surpresas, seguramente."

"Carlos Alexandre, à semelhança dos procuradores do Ministério Público, tem acesso a todos os processos em que intervém. Com os advogados nem sempre é assim. Por vezes, numa verdadeira luta desigual, não é sequer exibido tudo o que do processo consta e que corresponde ao resultado da investigação criminal. Vão revelando os indícios e as provas à defesa ao «soluços»."

Carlos Alexandre é um juiz que deve abster-se de contribuir com a sua acção para diminuir o prestígio e a confiança que a advocacia merece. Os juízes não podem nem devem ver os advogados como seus adversários. Essa era a cultura, que a todos repugna, dos Tribunais Plenários."

Como é, Elina Fraga está a inventar? Se não está, se descreve uma situação recorrente ao longo de anos, a questão não é importante? Temos de substituir “violação do segredo de justiça” por “crime” e voltar a olhar para o que está em causa. Em causa estão factos que indiciam haver magistrados e demais agentes de Justiça a cometer crimes em fases de processos judiciais onde nem sequer há ainda a constituição de arguidos.

Que pode haver, no Estado e em relação à sua segurança e à segurança e protecção dos cidadãos, de mais grave do que esta constatação? Algumas coisas haverá, certamente, mas muito, muito e muito poucas – do género invasão do exército espanhol através de Vilar Formoso ou reivindicação das Berlengas por uma nave espacial vinda de Alpha Centauri. Suspeitar que alguns procuradores e juízes cometem crimes tão frequentes e públicos como os da violação do segredo de justiça, e saber que esses crimes alimentam a indústria do sensacionalismo e da calúnia com campanhas negras com o objectivo de vender mais papel e mais espaço publicitário ou atingir alvos políticos, ou ambos os intentos ao mesmo tempo, corresponde a declarar o Estado de direito democrático uma anedota. E realmente, havendo disso registos mediáticos ao longo dos anos, é com risota que este assunto é tratado na praça pública, com os agentes de Justiça que têm os processos à sua guarda, mais os políticos a quem os crimes dão vantagem por atingirem adversários, a declararem à beira da gargalhada que não é possível nem impedir os crimes nem descobrir os criminosos, pois qualquer pessoa que tenha relação com as folhas ou ficheiros do processo poderá copiá-los tranquila e impunemente. Mas pensemos: que outros crimes, para além destes que são obscenamente públicos, estarão a ser cometidos pelos mesmos criminosos, ou por criminosos de outra tipologia e calibre, no segredo da torre de marfim em que a Justiça corporativa gosta de se conceber? E quem é que investiga aqueles que nos investigam?

As entrevistas de Carlos Alexandre, para além de mostrarem uma personalidade que assume de viva voz ser judicial e civicamente irresponsável, vieram pôr na ribalta as falhas, disfunções e prepotências que moldam uma parte do exercício da Justiça em Portugal. Mas talvez o resultado mais assustador deste episódio seja o alheamento dos partidos, de todos sem excepção, perante a fragilidade deste pilar da nossa vida comunitária.

Aspirina marada

Alguns utilizadores têm relatado dificuldades no acesso ao blogue. Estão a ser redireccionados para ww2.aspirinab.com em vez do www.aspirinab.com

Se vos aconteceu e conseguiram resolver o problema, peço que partilhem a solução.

Tentarei descobrir a origem do fenómeno assim que me seja possível.

Hillary, chega aqui

Neste primeiro debate, tens de ignorar todas as provocações do Trampa. Todas, por mais escabrosas e ordinárias que sejam. E responder às perguntas como se fosses a Presidente dos Estados Unidos da América em exercício.

Interacções com o sr. Trampa só para lhe fazer perguntas que exijam respostas com informações, dados, factos.

Pronto, podes ir e vai alternado os sorrisos com a tua melhor cara de má, ok?

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